thumb|200px|As irmãs Fox. Da esquerda para a direita: Margaret, Kate e Leah. As Irmãs Fox foram três mulheres que, nos Estados Unidos tiveram um importante papel na gênese do espiritualismo. As irmãs eram Katherine "Kate" Fox (1837–1892), Leah Fox (1814–1890) e Margaret "Maggie" Fox (1833–1893). “Irmãs Fox“ Revisado. As irmãs fizeram sucesso por muitos anos como médiuns que diziam possibilitar espíritos a se manifestarem por batidas (tiptologia).
Em 1888, Margaret confessou que as batidas eram uma farsa, mostrando publicamente o método que usavam para enganar o público. No ano seguinte, tentou se retratar, dizendo que na verdade eram manifestações mediúnicas, mas a reputação das irmãs já havia sido arruinada.Doyle 1926: volume 1, 105–111Alvarado, C. S.; Machado, F. R.; Zingrone, N. & Zangari, W. (2007). Perspectivas históricas da influência da mediunidade na construção de idéias psicológicas e psiquiátricas . Revista de Psiquiatria Clínica, v. 34, n. 1, p. 42- 53.
Biografia A família Fox Em 11 de dezembro de 1847, a família Fox, de origem canadense, instalou-se em uma casa modesta na povoação de Hydesville, no estado de Nova Iorque, distante cerca de trinta quilômetros de Rochester.Embora a povoação não mais exista, faz parte da atual cidade de Arcadia, no Condado de Wayne. In: WEISBERG, Barbara. Talking to the Dead: Kate and Maggie Fox and the Rise of Spiritualism. San Francisco: HarperSanFrancisco, 2004: 12–13. ISBN 0-06-075060X
O grupo compunha-se do pai, John D. Fox, a mãe Margareth e suas duas filhas mais novas: Kate e Margareth. O casal possuía outro filhos mais velhos, incluindo Leah, que morava em Rochester, onde lecionava música. Em 1885 Leah, que então havia adotado o sobrenome Underhill após um casamento, escreveu um livro chamado "The Missing Link" , no qual faz referência às supostas faculdades paranormais de seus ancestrais.
Inicialmente, apenas Margareth e Kate tomaram parte nos acontecimentos. Posteriormente, Leah juntou-se a elas e teve participação ativa nos episódios subsequentes ao de Hydesville.
Os acontecimentos de Hydesville Em 1848, as duas irmãs mais novas - Catherine (Kate, na época com 10 anos) e Margaret (Maggie, na época com 14 anos) - moravam numa casa de Hydesville, no estado de Nova Iorque, com seus pais. A casa já possuía uma reputação de ser mal-assombrada, mas foi a partir de março que a família começou a se assustar com sons de origem desconhecida que incluíam ruídos de batidas e de mobília se movendo.
Em 1888, Margaret revelou de onde vinham as misteriosas batidas:Houdini, Harry. (2011, publicação original em 1924). A Magician Among the Spirits. Cambridge University Press. pp. 1–17. "Quando nos deitávamos à noite, costumávamos amarrar uma maçã a um barbante e subir e descer o barbante, fazendo a maçã bater no chão, ou então soltávamos a maçã no piso, fazendo um ruído estranho cada vez que ela quicava. Nossa mãe escutou os ruídos por algum tempo. Ela não entendia e não suspeitava que seríamos capazes de fazer esse truque porque éramos tão jovens".
Durante a noite do dia 31 de março, Kate teria "desafiado" o autor invisível dos ruídos, que presumiam ser um espírito, a imitar seus estalos de dedos. "Ele" o fez. Então pediram que "ele" batesse as idades das meninas. "Ele" o fez. Os vizinhos foram chamados e, ao longo dos dias subsequentes, desenvolveram um código onde as batidas podiam significar sim ou não, em resposta a uma pergunta, ou podia ser usado para indicar uma letra do alfabeto.
Posteriormente, a suposta entidade alegou ser o espírito de um mascate chamado Charles B. Rosna, quer teria sido assassinado cinco anos antes e enterrado no porão. Não há relato de nenhuma pessoa desaparecida com este nome.
Margaret Fox, posteriormente, contou que: "Eles [os vizinhos] acreditavam que alguém havia sido assassinado na casa. Eles perguntavam aos espíritos sobre isso e nós respondíamos com uma batida para responder 'sim,' não três como passamos a fazer depois disso. Os vizinhos concluíram que o homicídio devia ter ocorrido dentro da casa. Eles procuraram toda a região pelos nomes das pessoas que haviam morado na casa. Finalmente, eles encontraram um homem chamado Bell, e afirmaram que este pobre homem inocente teria cometido um assassinato na casa e que os ruídos vinham do espírito da pessoa assassinada. O pobre Bell passou a ser evitado e visto como um homicida por toda a comunidade."
As escavações na adega Através de combinação alfabética com as pancadas produzidas, as irmãs Fox teriam obtido a identidade daquele que supostamente produzia os sons. Tratar-se-ia de um mascate de nome Charles B. Rosma, o qual tinha trinta e um anos quando, quatro anos antes, teria sido assassinado naquela casa e enterrado na adega. O assassino teria sido um antigo inquilino o que, pela data, levou a deduzir que o crime poderia ter sido cometido pelo Sr. Bell. Os mais interessados em esclarecer o caso resolveram escavar a adega, visando encontrar os despojos do suposto assassinado.
As escavações não levaram a quaisquer resultados uma vez que não foram encontrados quaisquer indícios de restos mortais. Por essa razão foram suspensas.
Em 1904, restos mortais foram encontrados na adega quando uma parede falsa desmoronou. O Boston Journal publicou em 22 de novembro de 1904 uma matéria afirmando ter sido encontrado o corpo do suposto mascate. No entanto, a polícia não abriu inquérito à época, já que um médico que examinou os ossos descobriu se tratar de apenas fragmentos de ossos sem coerência, incluindo ossos de galinha, e concluiu tratar-se de alguém pregando uma peça. Alguns anos depois, passaram a afirmar que os restos haviam sido encontrados juntamente com uma maleta metálica na adega, embora não haja menção da maleta nas primeiras notícias do achado. Os ossos e a maleta se encontram hoje no Museu de Lily Dale. O investigador Joe Nickell concluiu, após examinar a maleta e a origem dos ossos, que se tratava de mais uma farsa. Parte dos ossos foi identificada como sendo de animais. Nunca houve confirmação da existência do suposto mascate ou de alguém com nome parecido. Além disto, a suposta parede falsa na verdade se tratava de uma expansão da fundação, e não do esconderijo de uma cova secreta.
O movimento espiritualista espalha-se As duas meninas, Margareth e Kate, foram afastadas de sua casa, pois se suspeitava que os fenômenos fossem ligados sobretudo à sua presença. Margareth passou a morar com o seu irmão David Fox. Kate mudou-se para Rochester, onde ficou em casa de sua irmã Leah, então casada e agora Sra. Fish. Entretanto, os ruídos insistiam em acompanhar as irmãs Fox; onde quer que elas se encontrassem, registravam-se os fenômenos. Agora se observava mesmo uma espécie de contágio, pois, Leah Fish, a irmã mais velha, passou a apresentar também fenômenos mediúnicos. Em pouco tempo, começaram a ser observados no seio de outras famílias. Como consta no livro História do Espiritismo:
"Era como uma nuvem psíquica, descendo do alto e se mostrando nas pessoas suscetíveis. Sons idênticos foram ouvidos em casa do Reverendo A. H. Jervis, ministro metodista residente em Rochester. Poderosos fenômenos físicos irromperam na família do Diácono Hale, de Greece, cidade vizinha de Rochester. Pouco depois a Sra. Sarah A. Tamlin e a Sra. Benedict de Auburn, desenvolveram notável mediunidade (...)."
O movimento espalhar-se-ia, mais tarde, pelo mundo, conforme fora afirmado em uma das primeiras comunicações através das irmãs Fox. As próprias forças invisíveis teriam insistido para que se fizessem reuniões públicas onde elas pudessem manifestar-se ostensivamente.
As irmãs viveram por cerca de 10 anos relacionadas com o fenômeno espiritualista, principalmente realizando apresentações dos seus poderes mediúnicos. Nas primeiras dessas apresentações, membros da platéia conhecidos na sociedade e incrédulos eram convidados a examinar as irmãs e verificar a ausência de quaisquer equipamentos ou montagens que pudessem ser usados.
Por conveniência, porém, cada vez mais as irmãs aderiam à apresentações e caminhos individuais no uso de sua suposta mediunidade. Em 1858, por conta dos seus casamentos, Maggie e Leah retiraram-se da militância espiritualista, ficando apenas Kate como expoente médium da família.
Além de batidas, outros supostos tipos de mediunidade que Kate possuía eram a capacidade de produzir luzes espirituais, escrita direta, aparecimento de formas materializadas e poltergeist.Doyle 1926: volume 1, 98
Nos anos 1870 o proeminente cientista Sir William Crookes fez vários experimentos com diversos médiuns, incluindo Kate, e concluiu que ela realmente tinha tais capacidades mediúnicas.CROOKES, William, Sir. Researches Into the Phenomena of Modern Spiritualism (1874) No entanto, Crookes era descrito como crédulo, e diversos dos médiuns que ele investigou e atestou autenticidade foram pegos usando truques.Neher, Andrew. (2011). Paranormal and Transcendental Experience: A Psychological Examination. Dover Publications. p. 214. "William Crookes, the noted English physicist, had endorsed Catherine Fox as genuine... Crookes also endorsed several other mediums who were later exposed, including Anna Eva Fay (who was exposed more than once and who eventually explained how she duped Crookes), Florence Cook (who was the subject of more than one expose), and D.D. Home."Zusne, Leonard; Jones, Warren H. (2014). Anomalistic Psychology: A Study of Magical Thinking. Psychology Press. p. 216. "The fact is that William Crookes, although very good at physics experiments, was rather weak on drawing inferences and on theorizing. Besides, he was gullible. He endorsed several mediums in spite of their demonstrated trickery. Having witnessed a single seance with Kate Fox, he became convinced that the Fox sisters' rappings were genuine."
Confissão Em 1851, a Sra. Norman Culver, parente da família Fox, admitiu em uma declaração assinada que as havia ajudado durante as sessões, tocando-as para indicar quando as batidas deveriam ser feitas. Ela também afirmou que Kate e Margaret revelaram a ela o método de produzir os raps estalando os dedos dos pés e usando os joelhos e tornozelos.
Ao longo dos anos, as irmãs Kate e Margaret desenvolveram sérios problemas com alcoolismo. Por volta de 1888, elas se envolveram em uma briga com sua irmã Leah e outros importantes espíritas, que estavam preocupados que Kate estava bebendo muito para cuidar adequadamente de seus filhos. Ao mesmo tempo, Margaret, contemplando um retorno à fé católica romana, se convenceu de que seus poderes eram diabólicos. Ansiosas por prejudicar Leah o máximo possível, as duas irmãs viajaram para a cidade de Nova York, onde um repórter ofereceu US$ 1 500 se elas "expusessem" seus métodos e lhe dessem uma exclusividade na história. Margaret apareceu publicamente na New York Academy of Music em 21 de outubro de 1888, com Kate presente. Diante de uma audiência de 2 000 pessoas, Margaret demonstrou como ela poderia produzir - à vontade - raps audíveis em todo o teatro. Médicos da plateia subiram ao palco para verificar se o estalo nas juntas dos dedos dos pés era a fonte do som.
Margaret contou sua história sobre as origens dos misteriosos "rappings" em uma confissão assinada dada à imprensa e publicada no New York World em 21 de outubro de 1888. Nele, ela explicou os eventos de Hydesville.