direita|miniaturadaimagem|307x307px|Interior da catedral de Leão, com abóbadas de cruzaria, que permitem uma grande altura e aliviam os muros, deixando uma grande superfície de vãos para as vitrais. A nave central é compartimentada pelo fechamento do coro. As naves laterais permitem trajectórias que inclusive rodeiam o altar maior mediante um deambulatório, bem como a abertura de capelas, verdadeiros espaços multifuncionais dentro do templo. thumb|Interior do Museu Guggenheim Bilbao de Nova Iorque. Frank Lloyd Wright escreveu que o objetivo não era subjugar a arte ao edifício, mas criar uma "bela sinfonia" onde o edifício e a pintura formariam uma unidade contínua. descrevendo o ambiente como um "devenir contínuo", uma fonte invisível de onde fluem todos os ritmos. Para Wright, a rampa permitia que o visitante visse a obra de arte e o espaço de forma fluida, sem as interrupções das "caixas" ou salas fechadas dos museus tradicionais. O espaço arquitectónico, é a parte do meio envolvente delimitada artificialmente por elementos próprios da arquitetura. O espaço é o objeto principal do trabalho artístico do arquiteto.

Quem deseja iniciar o estudo da arquitetura deve primeiro compreender que uma planta baixa pode ser abstratamente bela no papel, quatro fachadas podem parecer bem projetadas em seu equilíbrio entre cheios e vazios, projeções e recuos, o volume total pode até ser proporcional, mas o edifício pode parecer uma obra arquitetônica de má qualidade. O espaço interior — aquele espaço que não pode ser totalmente representado de nenhuma forma, que não pode ser apreendido e experimentado senão por meio da experiência direta — é o protagonista da criação arquitetônica. Apropriar-se do espaço, saber como "enxergá-lo", é a chave para a compreensão dos edifícios. Com o desenvolvimento da arquitetura, o conceito de espaço arquitetónico passou por mudanças significativas. Se na arquitetura medieval a base do trabalho espacial era a observância de uma certa ordem na disposição dos edifícios e suas proporções, na era renascentista surge a ideia de "visibilidade"; um aspecto importante da organização do espaço torna-se a disposição das construções de modo a oferecer a melhor visão possível.

No entanto, o termo "espaço" não aparece em nenhum tratado de arquitetura antes do século XVIII. O interesse dos antigos autores de tratados concentrava-se na estrutura e nas ordens, mas raramente encontramos observações sobre como relacionar e conectar os espaços. Leon Battista Alberti, em De re aedificatoria, afirmou que "as escadas são o elemento disruptivo dos edifícios", evidenciando a dificuldade dos arquitetos renascentistas em lidar com uma visão unificada das diversas camadas que constituem o organismo espacial — uma conquista que seria do Barroco.

Na Era Moderna, os arquitetos passaram a dar grande importância à organização de grandes espaços arquitetónicos sob um planeamento urbano integrado e à composição axial. No século XX, difundiu-se a concepção do espaço arquitetónico como o habitat do ser humano. A tarefa de organizar o espaço passou a ser compreendida como o "fornecimento de certas oportunidades para a vida humana".

O proeminente arquiteto contemporâneo Bernard Tschumi afirma que a essência do espaço reside na sua dimensão descritiva, sendo um tema central para discussões filosóficas, matemáticas e da física. Para ele, o espaço é a essência tanto da arquitetura quanto do urbanismo.

Uma definição técnica e clara sobre o espaço é apresentada por Jörg Kurt Grütter, que o descreve como um vácuo (vazio) que pode conter um objeto ou ser preenchido por algo. Segundo o autor, embora o espaço não possua uma definição exata e específica como entidade, pode ser plenamente mensurável através da perceção.

Dimensão Humana

O espaço arquitetónico pode ser dividido em níveis hierárquicos: compartimento, edifício, conjunto arquitetónico, povoamento. Generalizações posteriores extrapolam os limites da "percepção sensorial" humana e não são consideradas espaços arquitetónicos. Além disso, o espaço pode ser dividido em interno (contido no volume do edifício) e externo. O espaço na arquitetura é o elemento fundamental que protege o ser humano dos fatores naturais e abrange a totalidade das suas atividades individuais e sociais. No espaço, o ser humano satisfaz as suas necessidades materiais e espirituais; a essência principal da arquitetura é o espaço, sendo o meio onde o homem se movimenta e vive. Existem diversos tipos de espaços na arquitetura, que podem ser classificados de variadas formas, dependendo da função ou da perceção.

O espaço, no seu conceito absoluto, não apresenta características intrínsecas por si só; no entanto, assim que um grupo humano estabelece uma atividade num determinado local, surge o significado simbólico do espaço. A partir desse momento, o espaço torna-se um palco para a expressão das atividades e comportamentos humanos, transformando-se num lugar de interseção entre a imaginação e a realidade.

Interpretação espacial

Na historiografia, é possível perceber diferentes “modos de ver” a arquitetura apresentados por Bruno Zevi. Segundo ele, tais interpretações agrupam-se em categorias conteudistas, formalistas, fisiopsicológicas e, finalmente, a espacial — a mais completa, já que envolveria uma “vivência”, sugerindo um movimento real tridimensional influenciado por distâncias, volumes, luzes e cores. Interpretar somente um aspecto do espaço seria limitá-lo, pois, como aponta Zevi:

A interpretação filosófica espacial aparece com Sigfrid Giedion (Espaço, Tempo e Arquitetura, 1941), que identifica a quarta dimensão, a temporal, como a peculiaridade da arquitetura moderna. Giedion tenta uma abordagem teórica na relatividade de Einstein, que, no entanto, como Peter Collins mostrou em Changing ideals in modern architecture (1965), não prevê relação com o espaço artístico: ela raciocina em termos de movimento, demonstrando que a verdadeira natureza do espaço não aparece para observadores em movimento. Além disso, a teoria da quarta dimensão contradiz o conceito de "multiplicidade do espaço", pois implicaria a natureza estática do observador ao tentar revelar a totalidade do edifício num único olhar.

Bruno Zevi (1918-2000) publicou o seu Saper vedere l'architettura em 1948, declarando que "tudo o que não tem espaço interno não é arquitetura". Embora as suas observações sejam perspicazes, a sua abordagem não está isenta de personalismos baseados num partidarismo que condena a arte clássica como expressão do totalitarismo para celebrar o aspecto irracional e anticlássico de movimentos do Expressionismo ao Desconstrutivismo.

A discussão do que vem a ser a forma e o espaço arquitetónico remonta à antiguidade clássica com Vitrúvio, mas os contornos fundamentais foram definidos no Século XV por Leon Battista Alberti. Alberti procurou reunir todo o saber em uma teoria normativa, estabelecendo as três condições básicas para a arquitetura: solidez, utilidade e beleza.

Volume e espaço arquitectónico

O ponto indica uma posição no espaço. Conceitualmente, não em comprimento, largura ou profundidade, e é, portanto estático, centralizado e sem direção. Transladando-se um ponto obtém-se a reta com propriedades: comprimento, direção e sentido, porém não tem largura. Expressa direção, movimento e desenvolvimento. Transladando-se uma reta obtém-se um plano com propriedades: comprimento, largura, formato, superfície, orientação e posição. Porém não tem profundidade. Transladando-se um plano obtém-se um volume com propriedades: comprimento, largura, profundidade, forma, espaço, superfície, orientação e posição.

A arquitetura tem o espaço como elemento primordial, pormenorizando-o e delimitando-o através do volume. Volume arquitetónico e espaço arquitetónico são independentes e, por vezes, a sua sensação e perceção não coincidem. Nem sempre o volume coincide com a forma material que o delimita, pois estas variam conforme a proporção dos níveis interiores; a dimensão visual da cor e das texturas; e a direção das transparências.El espacio arquitectónico

A conceção de «espaço» deve ser considerada a qualidade distintiva da arquitetura, diferenciando-a das artes plásticas, como a pintura ou a escultura. Conforme Pevsner, "um abrigo para bicicletas é um edifício; a Catedral de Lincoln é uma obra de arquitetura. [...] o arquiteto cria um volume de ar tridimensional. Esta é a qualidade que distingue a arquitetura da arte do pintor ou do escultor." A nossa perceção da obra arquitetónica transcende a mera sensação produzida pelo tratamento bidimensional das elevações das superfícies — as fachadas e planos verticais — ou mesmo pela modelação plástica da massa na sua forma externa.

A singularidade da arquitetura reside na experiência do espaço que ela delimita. Ao contrário de outras formas de arte, a arquitetura exige a penetração no vazio; é um fenómeno que se revela através do movimento do sujeito, que percorre o interior da obra numa sucessão de múltiplas impressões visuais e físicas. É nesta síntese entre o corpo, o tempo e o volume encerrado que a arquitetura cumpre o seu propósito artístico e funcional.Fernando Freitas Fuão, O sentido do espaço. Em que sentido, em que sentido? (Arquitextos, 2003)

Segundo Paul Frankl (1914), a impressão visual, a imagem produzida pelas diferenças de luz e cor, é primária na nossa perceção de um edifício. Empiricamente, reinterpretamos esta imagem numa conceção de corporalidade, o que define a forma do espaço interior... Uma vez interpretada a imagem ótica numa conceção de espaço fechado numa massa, lemos o seu propósito a partir da forma espacial.P. Frankl, Princípios da História da Arquitetura , capítulo 1 Segundo Ching, forma e espaço são os meios essenciais da arquitetura, constituindo um vocabulário de elementos de projeto; Alexander complementa A arquitetura representa um meio de fornecer ao homem um ponto de apoio existencial para criar lugares carregados de significadoAlexander et al., 1977, p. 15Ching, 2014, p.12

O conceito de Espaço é utilizado de forma abrangente em inúmeros domínios e disciplinas, tais como a filosofia, a sociologia, a arquitetura e o urbanismo. Todavia, a multiplicidade do uso do termo não implica uma compreensão idêntica do conceito; estudos indicam que quase não existe um consenso absoluto sobre a sua definição em discussões científicas, apresentando elevada polissemia sem uma definição única que englobe todos os seus aspetos.

O espaço é uma categoria geral que preenche o universo e confere ao ambiente uma sensação de conforto e segurança. Qualquer ação humana possui uma dimensão espacial, pois todo o ato realizado necessita de espaço; este apego deriva da necessidade de estabelecer comunicação, seja entre humanos, seja entre o homem e o ambiente.

A percepção

O espaço tem uma natureza fluida e a sua definição é complexa. Pode parecer subtil e vasto, onde a sensação de dimensão se perde, ou tão repleto de existência tridimensional que confere um significado especial a tudo o que está no seu alcance (visualizável, vide: perspetiva). Embora a definição precisa seja difícil, o espaço é mensurável; a definição mais próxima é considerá-lo como um vácuo que pode conter um objeto ou ser preenchido. Existe sempre uma relação entre o observador e o espaço: a posição física da pessoa define o espaço, que é percecionado de diferentes formas consoante o ponto de vista.

Na era moderna, o conceito de espaço substituiu frequentemente o de "lugar". Alguns consideram a "forma" como a sua característica mais importante, mas o significado que o ser humano encontra nos elementos físicos depende do contexto cultural e ideológico. Edward T. Hall enfatiza a perceção do espaço através dos sentidos, reconhecendo que fatores como a cultura e a língua influenciam esta experiência, como no caso do espaço "áudio-olfativo" dos Esquimós.