A coligação PS/CDS–PP ou CDS–PP/PS (antes de 1993: PS/CDS e CDS/PS), foi uma coligação pós-eleitoral governativa que formou o II Governo Constitucional e eleitoral autárquica portuguesa ad hoc feita entre os partidos políticos Partido Socialista (PS) e Partido do Centro Democrático Social (CDS) — depois Partido do Centro Democrático Social – Partido Popular (CDS–PP) e Partido Popular (CDS–PP) — em eleições autárquicas, entre 1989 e 2001, sempre nas regiões autónomas dos Açores e Madeira.

Concorreu às eleições autárquicas de 1989, 1993 e 2001.

Coligação governativa pós-eleitoral

Liderado pelo primeiro-ministro socialista cessante Mário Soares, que já chefiara o I Governo Constitucional, este governo foi formado e apoiado por uma coligação entre o Partido Socialista (PS) e o Partido do Centro Democrático Social (CDS). Juntos, os dois partidos tinham 149 deputados em 263, ou seja, 56,7% dos assentos na Assembleia da República.

Constituiu-se na sequência da demissão do I Governo liderado por Soares, constituído apenas pelo PS e independentes, e beneficiando do apoio tácito do Partido Social Democrata (PPD/PSD) e do CDS.

Denominações autárquicas Em 1989, o Partido Socialista e o Partido do Centro Democrático Social concorreram como CDS/PS a todos os órgãos autárquicos de São Vicente, na Madeira com a designação Uma Câmara para Todos. No mesmo ano, concorreu como PS/CDS no Funchal (Pelo Nosso Funchal), também na Madeira, e em três concelhos dos Açores: Ponta Delgada (Mudar Ponta Delgada); Praia da Vitória (Mudar para Vencer) — a todos os órgãos autárquicos e às assembleias de freguesia de Biscoitos, Lajes, Fontinhas, Santa Cruz, Cabo da Praia e Fonte do Bastardo —; e Velas (Vencer para Desenvolver).

Em 1993, já com a nova sigla PS/CDS–PP (devido à nova denominação Partido do Centro Democrático Social – Partido Popular), os dois partidos coligaram-se novamente nos Açores em Angra do Heroísmo (Acreditar em Angra), a todos os órgãos autárquicos exceto à assembleia de freguesia de São Bento; na Praia da Vitória (Renovar a Vitória) e no Nordeste (Nordeste Primeiro).

Na seguinte eleição, em 1997, os dois partidos não se voltaram a coligar nas regiões autónomas.

Contudo, em 2001, o PS e o Partido Popular (nova designação do CDS–PP) voltaram a coligar-se em vários municípios madeirenses. Como CDS–PP/PS, candidataram-se ao concelho da Calheta (com o nome Coligação CDS / Partido Popular–Partido Socialista), e como PS/CDS–PP a outros sete conselhos da ilha da Madeira: Funchal, Ponta do Sol, Porto Moniz, Ribeira Brava, Santa Cruz, Santana e São Vicente. Nestas sete candidaturas a coligação usou o nome Coligação Partido Socialista–Centro Democrático Social / Partido Popular.

Desde então, até hoje, nunca o PS e o CDS–PP voltaram a coligar-se a nível autárquico.

Resultados eleitorais Em 1989, a coligação venceu nos três municípios a que se candidatou nos Açores. Todas com maioria absoluta de vereadores nas câmaras municipais. Em Ponta Delgada conquistou 4 dos 7 vereadores, mas apenas 11 dos 23 deputados municipais — o Partido Social Democrata (PPD/PSD) venceu na Assembleia Municipal. Nas freguesias, a coligação conquistou 8 face a 14 juntas dos PPD/PSD, o que alterou ainda mais a balança na Assembleia Municipal. Na Praia da Vitória, quatro vereadores (em 7) e 11 deputados (em 21), mas apenas 2 freguesias (em seis às quais concorreu). Como o PPD/PSD ganhou seis e o PS (sem ser coligado) ganhou uma, as contas da Assembleia Municipal (deputados e presidentes de junta somados) deram a vitória na prática ao PPD/PSD. Em Velas, a coligação PS/CDS garantiu uma maioria na vereação (3 em 5), na Assembleia Municipal (7 em 15) e paridade nas juntas, vencendo duas das quatro freguesias do concelho.

Na Madeira, a coligação perdeu na capital, Funchal, elegendo quatro vereadores (em 9), 12 deputados municipais (em 27) e uma freguesia (das 10 do concelho). Em São Vicente, nova derrota, conquistando apenas um vereador (em 5), quatro deputados (em 15) e perdendo em todas as três assembleias de freguesia.

Em 1993, os dois partidos coligados não venceram em nenhum dos três municípios açorianos aos quais concorreram, perdendo sempre para o PPD/PSD. Em Angra do Heroísmo conseguiram 3 vereadores (em 7), 10 deputados municipais (em 21) e 7 presidências de junta de freguesia (em 17), às quais se juntou uma outra conquistada isoladamente pelo PS. Na Praia da Vitória, conquistaram 3 vereações (em 7), 9 deputados (em 21) e três presidências de junta (em 10). No Nordeste, o pior dos três resultados, conquistaram apenas um vereador (em 5), 5 deputados (em 15) e duas das sete freguesias.

Em 2001, nas candidaturas conjuntas na Madeira, a coligação falhou os objetivos, não conquistando qualquer autarquia, perdendo nos oito municípios para o PPD/PSD. Na Calheta, onde o CDS–PP liderou a coligação, conquistou 2 vereadores (em 5), 7 deputados municipais (em 21) e uma das oito juntas de freguesia (Prazeres). Nas restantes, encabeçadas pelo PS, o melhor resultado foi na Ponta do Sol, e o pior na Ribeira Brava. Os resultados foram os seguintes: no Funchal, 3 vereações (em 9) e 8 deputados (em 27); na Ponta do Sol, 2 vereadores (em 5) e 6 deputados (em 15), em Porto Moniz, 2 mandatos na Câmara Municipal (em 5) e 6 deputados (em 15); na Ribeira Brava, apenas um vereador (em 7) e 4 deputados (em 21); em Santa Cruz, 2 vereações (em 7) e 7 deputados (em 21). Em Santana, 2 mandatos na Câmara (em 5) e cinco deputados municipais (em 15); em São Vicente, 1 vereador (em 5) e 4 deputados (em 15). Nas juntas de freguesia, em 35 possíveis, venceu em duas: Achadas da Cruz, em Porto Moniz, e Gaula, em Santa Cruz.

Eleições autárquicas Câmaras e vereadores municipais DataVotos%+/-Presidentes C.M.+/-Vereadores+/-19898.º35 84619939.º15 8210,44391997Não concorreu200110.º27 561

Assembleias municipais DataVotos%+/-Deputados+/-19898.º35 02519939.º11 9050,50211997Não concorreu200110.º28 476

Assembleias de freguesia DataVotos%+/-Membros+/-19898.º32 10919939.º11 9130,46571997Não concorreu200110.º27 909

Ver também Partido Socialista CDS – Partido Popular

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