Operação Carbono Oculto é uma operação da Receita Federal do Brasil e do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), iniciada em 28 de agosto de 2025, para atuar contra um grupo criminoso que usava fintechs e fundos de investimentos para lavagem de dinheiro.

Uma dessas instituições, apontada como "banco paralelo" do esquema, movimentou mais de 46 bilhões de reais não rastreáveis entre 2020 e 2024. A Polícia Federal também participou da operação.

De acordo com a Transparência Internacional, a operação alcançou mais de 350 alvos, entre pessoas físicas e jurídicas, investigados pelos crimes contra a ordem econômica, lavagem de dinheiro, fraude fiscal, adulteração de combustíveis e crimes ambientais.

É a maior operação contra o crime organizado da história do país, segundo a Receita Federal e o MPSP.

Investigações e alvos As investigações apontam que a organização criminosa funcionava em elos da cadeia de combustíveis, desde a importação, produção, distribuição e comercialização ao consumidor final, e diversas empresas, parte delas operadas pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) e outras organizações criminosas. Cerca de mil postos de combustíveis em dez estados movimentaram 52 bilhões de reais entre 2020 e 2024, a maioria para lavagem de dinheiro. Eles recebiam dinheiro em espécie ou via maquininhas de cartão para tornar o dinheiro do crime lícito e devolvê-lo ao PCC. O recolhimento de tributos no período também foi muito baixo e incompatível com suas atividades.

Os principais alvos da operação foram Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme, ligados a empresa Aster e Copape, pessoas das instituições de pagamento Bankrow e BK, a fintech apontada como "banco paralelo" do esquema de adulteração de combustíveis com metanol, Lucas Tomé Assunção, contador vinculado à GGX Global Participações, empresa dona de 103 postos de gasolina, José Carlos Gonçalves, "Alemão", apontado por ligação com o PCC, e Marcello Ognibene da Costa Batista, contador de múltiplas empresas com indícios de fraude societária.

Os três postos oficiais do clube de futebol Corinthians aparecem na Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em nome de Pedro Furtado, Himad Mourad e Luiz Ernesto Franco, investigados pela Operação Carbono Oculto.

As investigações destacam o uso estratégico de fundos de investimento e suas administradoras e gestoras como pilares centrais para a ocultação da verdadeira titularidade dos negócios e a lavagem de dinheiro. A organização criminosa utilizava centenas de empresas em diversos setores e estados, empregando "empresas de fachada" e "laranjas" para mascarar os verdadeiros controladores e beneficiários.

Uma denúncia enviada pelo Banco Central ao Ministério Público Federal, em 17 de novembro de 2025, aponta que quatro fundos, investigados por ligação com o PCC, aparecem em suspeita de fraude do Banco Master e são administrados pela Reag DTVM, empresa do setor financeiro que foi alvo da Operação Carbono Oculto. A suspeita de fraude praticada pelo Banco Master pode envolver 11,5 bilhões de reais no período de julho de 2023 e julho de 2024.

Desdobramentos Estado de São Paulo Em 25 de setembro, o Ministério Público de São Paulo e a Receita Federal realizaram a Operação Spare, um desdobramento da Operação Carbono Oculto, para mirar o esquema do PCC nos setores de combustíveis e de jogos de azar nas cidades do estado de São Paulo. A Receita Federal e o Ministério Público de São Paulo, que investigam a a movimentação financeira de uma rede de cerca de 60 motéis do PCC no mesmo estado, revelaram que os artigos de luxo milionários, como iate, Lamborghini e helicópteros, foram comprados pelos sócios parceiros do crime organizado.

Estado do Piauí

Fatos posteriores Em 15 de janeiro de 2026, o Banco Central (Bacen) liquidou o fundo Reag investigado no esquema bilionário do Banco Master. O fundo foi alvo da Operação Carbono Oculto.

Segundo o G1, dados recebidos pela CPI do Crime Organizado, em março de 2026, comunicados bancários enviados ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) apontam que o Fundo de Investimento em Direito Creditório (FIDC) Gold Style, administrado pela Reag, recebeu um bilhão de reais de empresas apontadas pela PF como parte do esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) no mercado financeiro.

Novas fases Fluxo Oculto Em 28 de maio de 2026, o Ministério Público de São Paulo deflagrou uma nova fase da operação ocontra instituições de pagamento e de investimentos envolvidas em esquema do PCC no mercado de combustíveis com 55 mandados de busca e apreensão. A Procuradoria-Geral do estado de São Paulo e as polícias Militar e Civil também participaram da operação, batizada operação Fluxo Oculto.

A Receita Federal afirmou que uma das fintechs investigadas na Operação Fluxo Oculto movimentou sozinha mais de um bilhão de reais em dinheiro vivo em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC. As autoridades não revelaram o nome da fintech.

Bomba Oculta Em 28 de agosto de 2026, uma força-tarefa de órgãos estaduais e federais deflagrou a Operação Bomba Oculta, que é um desdobramento da Carbono Oculto, que completou um ano no mesmo dia. A força-tarefa atuou para suspender inscrições estaduais e tornar inaptos 1.283 CNPJs de postos de combustíveis em todo o país que funcionavam clandestinamente, sem autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A Receita Federal afirmou que a operação contra postos em todo o país vai ‘asfixiar’ lavagem de dinheiro do crime organizado.

Crédito Oculto Em 24 de setembro de 2026 foi deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo a Operação Crédito Oculto, com apoio da Receita Federal, Polícia Civil de São Paulo e PMESP. Nesta terceira fase da Operação Carbono Oculto, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em São Paulo e noutros seis estados. Dentre os investigados, Humberto Arthur Tupinambá Neto, do Banco Genial, e seus irmãos André e Bruno Tupinambá, e Antonio Carlos Freixo Junior, o "Mineiro", dono da Entre Investimentos. "Mineiro" havia firmado um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República em 8 de agosto, sobre o envolvimento de Daniel Vorcaro com as operações financeiras envolvendo a produção de Dark Horse, a suposta cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. Em 9 de setembro de 2026, o ministro do STF André Mendonça homologou a delação, cujo teor está sendo mantido em sigilo.

Ver também Corrupção no Brasil Escândalo do Banco Master Operação Carbono Oculto 86 Operação Compliance Zero Operação Exchange Operação Narcofluxo Operação Sequaz Operação Vérnix Lista de operações da Polícia Federal do Brasil

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