Rhodinia fugax é uma mariposa da família Saturniidae, descrita por em 1877. É nativa da Coreia, do Japão, da China e do Extremo Oriente Russo.

Conhecida em inglês como squeaking silkmoth, a espécie possui nomes vernaculares em diferentes idiomas: ウスタビガ (usutabiga, 薄手火蛾) em japonês, 透目大蚕蛾 (tòu mù dà cán'é) em chinês e 유리산누에나방 (yurisannuenabang) em coreano. O nome japonês se traduz como "mariposa de fogo de mão fina", onde tabi, "fogo de mão", é um termo arcaico para lampião. O termo "lampião" refere-se às pupas deixadas pelas mariposas após a emergência, que, em árvores desfolhadas no inverno, lembram lampiões. O nome em inglês deriva do mecanismo de defesa da lagarta, que emite um som sibilante semelhante ao de um brinquedo sonoro. O som é produzido por contrações rápidas do corpo, forçando o ar através dos espiráculos da larva.

As pupas de R. fugax são conhecidas no Japão como ヤマカマス (yama-kamasu), devido à semelhança com kamasu, esteiras de palha dobradas usadas como sacos de armazenamento. Historicamente, os casulos de R. fugax foram usados para tratar coqueluche e em remédios populares, além de sua seda ser utilizada como seda selvagem.

Descrição Rhodinia fugax possui envergadura de asas entre 75 e 110 milímetros. A espécie apresenta dimorfismo sexual, com machos menores que fêmeas. Machos têm envergadura de 75 a 90 milímetros, enquanto fêmeas variam de 80 a 110 milímetros. Sua coloração assemelha-se a folhas de carvalho no outono, funcionando como camuflagem. Ambos os sexos possuem ocelos translúcidos nas asas e corpos peludos, que auxiliam na termorregulação devido à emergência tardia no outono.

Os machos de Rhodinia fugax apresentam aparência mais variável que as fêmeas, com cores que variam entre amarelo, laranja, marrom e preto, sendo sempre mais escuros que as fêmeas. As fêmeas são sempre amarelas, com a banda submarginal variando em espessura e intensidade de cor. As asas anteriores dos machos são mais alongadas, enquanto as das fêmeas são mais arredondadas.

Ciclo de vida

Ovos Os ovos entram em diapausa durante o inverno, com o desenvolvimento embrionário ocorrendo em março. A eclosão acontece em abril, com o aumento das temperaturas. A eclosão é sincronizada com o desenvolvimento das folhas das plantas hospedeiras. Os ovos são frequentemente depositados na superfície dos casulos dos quais as mariposas emergiram. Diferentemente da maioria das mariposas japonesas da família Saturniidae, que hibernam como pupas, R. fugax hiberna como ovo.

Experimentos com R. fugax mostraram que ovos mantidos a 25 °C resultam em mortalidade. A eclosão tardia está diretamente relacionada a temperaturas mais frias: 87 dias a 20 °C, 100 dias a 15 °C e 145 dias a 10 °C. Larvas se desenvolvem dentro dos ovos a 5 °C por 370 dias, mas essa temperatura resulta em morte antes da eclosão.

Larvas As larvas são polífagas, alimentando-se de uma ampla variedade de plantas, incluindo: espécies de Acer, , , , espécies de Fagus, Hevea brasiliensis, , , espécies de Platanus, Prunus domestica, Quercus acutissima, , , , , espécies de Salix e Zelkova serrata. Em cativeiro, as larvas preferem Quercus serrata, espécies de Zelkova, Phellodendron amurense e espécies de Prunus.

O desenvolvimento larval passa por cinco estágios. O primeiro estágio é pequeno, com corpo totalmente preto e coberto por pelos escuros. Em cativeiro, recomenda-se criá-las em gomos de Crataegus. O segundo estágio é ligeiramente maior, com tubérculos azuis no segundo segmento corporal e uma faixa preta nas laterais. O terceiro estágio é verde brilhante, com tubérculos azuis nas laterais, perdendo a coloração preta dos estágios anteriores. O quarto estágio é totalmente verde, com a mesma quantidade de tubérculos. O quinto estágio é distinguível por não apresentar espinhos, ao contrário dos estágios anteriores. As larvas do quarto e quinto estágios emitem um som sibilante audível, expelindo ar de sua traqueia através dos espiráculos, descrito na onomatopeia japonesa como "キュー、キュー" (kyu-kyu). Esse som torna as larvas populares entre crianças. As larvas são predadas por vespas parasitoides, como Gregopimpla ussuriensis (Ichneumonidae, ), um predador significativo.

Pupas direita|miniaturadaimagem|Lapso de tempo de uma larva de R. fugax durante a pupação. As larvas entram na fase de pupa entre junho e julho. As pupas são verdes brilhantes, camuflando-se entre a folhagem verde, com uma fenda aberta no topo do invólucro para a emergência do adulto. Elas são penduradas por um fio de seda nos galhos das árvores. Casulos vazios podem ser vistos pendurados em galhos de árvores desfolhadas durante o inverno.

Adultos Os adultos emergem entre outubro e novembro, no final do outono. A emergência ocorre entre 14h e 18h. A espécie é univoltina, produzindo apenas uma geração por ano. As mariposas são diurnas, voando nas primeiras horas da manhã para encontrar parceiros. Os adultos não possuem peças bucais, o que torna sua vida breve. Machos e fêmeas concentram sua energia na reprodução antes de morrer. O acasalamento ocorre entre 5h e 8h, terminando entre 15h e 18h, diferentemente de outras espécies de Saturniidae, como e , que acasalam à noite. Fêmeas virgens vivem em média 15,1 dias, enquanto fêmeas acasaladas vivem cerca de 3,5 dias. A oviposição ocorre à noite, terminando por volta das 18h.

Distribuição A mariposa é encontrada na Coreia, no Japão, na China e no Extremo Oriente Russo. No Japão, ocorre nas ilhas de Hocaido, Honshu, Shikoku e Quiuxu. Também foi avistada na ilha de Sado. Na China, está presente nas províncias de Hebei, Heilonquião, Honã, Mongólia Interior, Jilin, Liaoningue, Ninxiá, Shandong e Xanxim. Descobertas de Ronald Brechlin em 2007 estenderam sua distribuição até a província de Cantão e a Região Autônoma do Tibete.

A subespécie nominal fugax é encontrada nas ilhas principais do Japão (Honshu, Shikoku e Quiuxu). A subespécie diana ocorre em Hocaido. A subespécie diana também foi registrada na Manchúria e no Extremo Oriente Russo. A subespécie szechuanensis é encontrada nas províncias chinesas de Sujuão e Iunã. A subespécie shaanxiana ocorre na província de Xianxim. A subespécie jiangxiana é encontrada em Jiangxi. A subespécie guangdongensis ocorre em Cantão e Hunão. A subespécie flavescens é encontrada na Região Autônoma do Tibete, referida por Brechlin como "Xizang Zizhiqu".

Habitat Os adultos habitam encostas de satoyama, planícies e regiões montanhosas.

Interações com humanos A principal interação com humanos envolve os casulos de Rhodinia fugax. No Japão, os casulos foram usados como talismãs e em remédios populares. A seda de R. fugax foi estudada para a produção de novos biomateriais.

Os casulos foram historicamente utilizados para tratar tumores e caroços em pacientes com coqueluche. Em Fujisawa, na prefeitura de Iwate, casulos cozidos eram usados como remédio para úlceras bucais. Entre as prefeituras de Fukushima e o norte de Tochigi, casulos eram fixados na garganta para prevenir resfriados. Na prefeitura de Gifu, feijões Vigna angularis dentro de casulos eram usados como talismãs. Na região de Hida, casulos eram usados em ferimentos ou como dedais. As pupas foram historicamente consumidas na prefeitura de Nagano, preparadas como . Suplementos feitos de pupas foram vendidos como complementos dietéticos questionáveis.

Rhodinia fugax produz seda selvagem, pesquisada para potencial comercial com sucesso limitado. A seda de R. fugax apresenta a menor temperatura de decomposição térmica, entre 369 e 371 °C. Pesquisadores clonaram genes de fibroína ricos em leucina das glândulas de seda de R. fugax, com potencial para novos biomateriais.

Um trecho de Makura no Soshi intitulado "みのむし、いとあはれなり" menciona uma "minhoca gritante". É provável que essa "minomushi" (minhoca) seja a larva de R. fugax.

Etimologia O nome específico fugax significa "tímido" em latim, mas também pode se referir a "voo rápido".

Nomes vernaculares direita|miniaturadaimagem|Bolsa de kamasu tecida. O nome vernacular em inglês para Rhodinia fugax é squeaking silkmoth. O nome deriva do hábito das lagartas de emitir sons sibilantes quando ameaçadas, para afastar predadores. Também é chamada de pellucid-spotted silk moth em inglês.

No Japão, o imago de R. fugax é chamado ウスタビガ (Usutabiga), escrito em kanji como 薄手火蛾. O nome se traduz como "mariposa de fogo de mão fina", com "fogo de mão" sendo um termo arcaico para lampião, devido aos casulos vazios pendurados em galhos, que lembram lampiões. A subespécie diana é conhecida como ウスタビガ 北海道亜種, ou "subespécie de Hocaido de Usutabiga". Em coreano, é chamada 유리산누에나방 (yurisannuenabang), que significa "mariposa de seda de vidro". Em chinês, é conhecida como 透目大蠶蛾 (Tòu mù dà cán'é), que se traduz como "mariposa de seda grande e transparente".

Os casulos de seda são chamados ヤマカマス (yama-kamasu), devido à semelhança com kamasu, esteiras de palha dobradas usadas como sacos. Também são conhecidos como ツリカマス (tsuri-kamasu) e ヤマビシャク (yama-bishaku).

Taxonomia

Classificação O gênero Rhodinia possui posição taxonômica incerta, sem consenso sobre sua colocação nas tribos Attacini ou Saturniini dentro da subfamília Saturniinae. Alguns pesquisadores, como Bouvier (1936), classificam Rhodinia em sua própria tribo, Rhodiicae, junto com o gênero Pararhodia. Análises genéticas de Chen e colegas (2021) determinaram que Rhodinia pertence aos Attacini, e não aos Saturniini.

O mitogenoma de Rhodinia fugax foi sequenciado em 2021 por Dong-Bin Chen e colegas. O mitogenoma, com 15.334 pares de bases, é semelhante a outros membros da família Saturniidae, como (15.236 pares de bases) e Antheraea proylei (15.575 pares de bases).

Subespécies Três subespécies são reconhecidas pelo GBIF:

Rhodinia fugax diana Oberthür 1886 Rhodinia fugax fugax Butler 1877 Rhodinia fugax szechuanensis Mell 1938

O National Center for Biotechnology Information reconhece quatro subespécies adicionais, descritas por Ronald Brechlin em 2007:

Rhodinia fugax flavescens Brechlin 2007 Rhodinia fugax guangdongensis Brechlin 2007 Rhodinia fugax jiangxiana Brechlin 2007 Rhodinia fugax shaanxiana Brechlin 2007

Categoria:Rhodinia Categoria:Mariposas da China Categoria:Mariposas do Japão Categoria:Mariposas da Coreia do Norte Categoria:Mariposas da Coreia do Sul Categoria:Mariposas da Rússia