O Gato de Yule (. Também chamado por ou Gato do Natal) é um gato enorme e feroz do folclore natalício islandês.
Reza a lenda que este gato aparece nos campos nevados durante a época do Natal com o intuito de devorar quem não recebeu roupas novas antes da véspera do Natal. Noutras versões deste conto, o gato só come a comida das pessoas que não receberam roupas novas. está também associado a outras figuras do folclore islandês, sendo considerado o animal de estimação da ogra e dos seus filhos, Rapazes de Yule.
História
Origem O Gato de Yule é referido pela primeira vez numa coleção de folclore de 1862 por Jón Árnason, intitulada "Íslenzkar þjóðsögur og æfintýri" (em português: "Contos populares e contos de fadas islandeses"). É aqui descrito como sendo uma besta maléfica que ou devora quem não recebe roupas novas pelo Natal, ou que lhes come a "Christmas bit" (porção de Natal) (uma porção extra de comida antes dada aos habitantes de uma quinta). No entanto, Jón não forneceu qualquer fonte para nenhuma das histórias contadas.
Duas teorias foram então propostas para a origem deste conto. Numa delas, o folclorista Árni Björnsson salienta uma nota de rodapé do texto de Árni onde utiliza a figura de estilo: "vestir o gato". A partir desta nota e da ausência de fontes escritas sobre o Gato de Yule (antes dos documentos escritos por Jón), Árni concluiu que esta frase foi a fonte a partir da qual Jón criou o monstro.Björnsson, Árni (2000). Saga daganna [The History of Days] (em Islandês).Björnsson, Árni (1983). Í jólaskapi [In a Christmas Spirit] (em Islandês). Numa outra teoria, o arqueólogo Guðmundur Ólafsson, relaciona o Gato de Yule a vários seres míticos que, noutras tradições europeias, acompanham São Nicolau de Mira. Guðmundur refere que fontes para qualquer tipo de folclore na História são usualmente escassos e por isso, a falta de fontes escritas sobre o Gato de Yule não têm muita importância.
A história servia como um incentivo para que as pessoas trabalhassem arduamente na produção de lã e vestuário, garantindo que todos tivessem roupas novas até ao Natal. Aqueles que participavam neste trabalho eram recompensados com roupas novas, mas aqueles que não participavam, não recebiam nada e tornavam-se assim presas para o Gato de Yule."The Yule Cat (Christmas in Iceland 2000)".
O Natal está a chegar O Gato de Yule tornou-se um clássico do folclore natalício islandês em 1932, quando Jóhannes úr Kötlum publicou a sua coletânea poetica intitulada "Jólin koma" (lit. "O Natal está a chegar"). Um dos poemas, "Jólakötturinn", foca-se no gato monstruoso devorador de Homens, que mais tarde se tornou uma parte comum das festividades e decorações natalícias da Islândia.
Apesar do poema não associar Jólakötturinn a Grýla, a Leppalúði ou aos Rapazes de Yule, estas personagens também apareciam na coletânea. Este traço que tinham em comum deu azo a ligações em histórias posteriores. Em meados do século XX, Jólakötturinn começou a ser considerado como sendo o animal de estimação de Grýla e dos seus filhos. Em algumas histórias anteriores, Jólakötturinn é tão desobediente que só Stúfur, o mais pequeno dos Rapazes de Yule, é capaz de o comandar, e até mesmo de o cavalgar pelos campos."Jólakötturinn". Thjodminjasafn.is (em Islandês). Museu Nacional da Islândia.
Ingibjörg Þorbergs compôs várias canções baseadas nos poemas de Jóhannes, incluindo uma baseada em Jólakötturinn, por volta de 1970. miniaturadaimagem|Escultura do Gato de Yule na cidade de Reiquiavique na Islândia.
Popularidade nos dias de hoje Em 2008, o jornal online em inglês "The Reykjavík Grapevine" publicou um artigo sobre o Gato de Yule. Considera-se que este artigo terá sido responsável, em parte, pelo reconhecimento internacional da lenda do Gato de Yule, tendo a história do Jólaköttur sido repetida e espalhada por vários outros artigos.
Em 2018, a cidade de Reiquiavique instalou uma escultura de ferro de 5 m de altura do Gato de Yule. Esta serve como decoração de Natal na praça central da cidade.
Existem pelo menos duas curtas-metragens feitas sobre o Gato de Yule. A primeira é de dezembro de 2022, intitulada "Yule Cat", do diretor Albin Glasell. Esta pode ser encontrada no YouTube da produtora de filmes sueca, Sägen Film. A outra curta-metragem é de dezembro de 2023, com o título "Þið kannist við..." (lit. "Vocês devem conhecer...". Foi traduzido para o inglês como "Krampuss") e foi lançada na Islândia.
Referências
Categoria:Lendas sobrenaturais Categoria:Monstros Categoria:Folclore da Islândia Categoria:Personagens natalinas Categoria:Mitologia