"Shades of Gray" é o vigésimo segundo e último episódio da segunda temporada da série de ficção científica estadunidense Star Trek: The Next Generation. É o 48º episódio geral da série e foi exibido pela primeira vez nos Estados Unidos por redifusão em 17 de julho de 1989. Foi dirigido por Rob Bowman e escrito por Maurice Hurley, Richard Manning e Hans Beimler a partir de uma história de Hurley. The Next Generation se passa no século XXIV e acompanha as aventuras da tripulação da nave estelar USS Enterprise-D. Neste episódio, o comandante William Riker é infectado por um vírus que o deixa em coma.
O episódio foi produzido como um clip show para economizar dinheiro, pois alguns dos episódios anteriores da temporada tinham custado mais do que o planejado, com a Paramount Television pressionando a série a se manter dentro do orçamento estipulado. Hurley concebeu a história e escreveu a primeira versão, que depois foi reescrita por Manning e Beimler. Clipes de diversos episódios anteriores foram usados para representarem as memórias de Riker. "Shades of Gray" teve bons números de audiência, porém foi considerado pela crítica especializada como um dos piores episódios da franquia Star Trek.
Enredo O comandante William Riker é atingido por um espinho de videira em um planeta alienígena. Ao voltar para a , a doutora Katherine Pulaski determina que o espinho lançou um vírus no corpo de Riker que em apenas algumas horas chegará em seu cérebro, matando-o. Pulaski o coloca em uma máquina que estimulará os neurônios de seu cérebro, mantendo-os ativos e resistindo ao vírus. Isto faz Riker sonhar sobre suas aventuras anteriores. Seus primeiros sonhos são relativamente neutros, como seu primeiro encontro com o tenente-comandante Data. Entretanto, eles logo ficam mais passionais e eróticos, como o encontro com as lindas mulheres edo de Rubicon III, a matriarca Beata de Angel One e o holograma Minuet.
Entretanto, esses sonhos passionais pioram a condição de Riker, pois o vírus se alimenta da endorfina positiva que seu cérebro está criando. Pulaski e a conselheira Deanna Troi concordam em tentar fazer com que a máquina traga à tona sonhos negativos. Desta forma, Riker sonha sobre a morte da tenente Tasha Yar e a aparente morte do filho de Troi. Isto cria o efeito desejado, pois as endorfinas negativas afastam o vírus, mas apenas isso não é bastante. Em uma tentativa final, Pulaski faz a máquina trazer sonhos com emoções primitivas de medo e sobrevivência. Riker assim sonha com enfrentar a criatura Armus, o almirante Gregory Quinn controlado por um parasita alienígena e o oficial klingon Klag a bordo da nave Pagh. Pulaski avalia quais emoções funcionam melhor e intensifica os sonhos de acordo, conseguindo por fim matar o vírus e salvar Riker.
Produção Por conta do sucesso da primeira temporada, a Paramount Television aumentou o orçamento por episódio de Star Trek: The Next Generation e mudou a estrutura de financiamento, permitindo que o dinheiro fosse passado de um episódio para o outro. Entretanto, quase todo o dinheiro já tinha sido gasto ao final da segunda temporada pelos gastos em episódios como "Elementary, Dear Data" e "Q Who", com a Paramount pressionando a série a cumprir o orçamento estipulado. "Shades of Gray" foi concebido como um clip show para economizar dinheiro. O roteirista Maurice Hurley criou a ideia e escreveu a primeira versão, que depois foi reescrita por Richard Manning e Hans Beimler.
O único ator convidado de "Shades of Gray" foi Colm Meaney como o personagem recorrente Miles O'Brien, outra medida para economizar no orçamento. O diretor Rob Bowman inicialmente achou que podia filmar este episódio em cinco dias em vez dos tradicionais sete, porém por pressão da Paramount as filmagens duraram apenas três dias, com dois deles sendo passados no cenário da enfermaria. Bowman comentou que apenas filmou o esqueleto para os clipes serem adicionados depois, nunca tendo assistido o corte final. O objeto de cena usado para prender a cabeça de Riker e ajudá-lo a combater a infecção foi criado a partir de desenhos do ilustrador Rick Sternbach.
O coordenador de roteiros Eric A. Stillwell foi o responsável por assistir todos os episódios produzidos até então e anotar quais clipes poderiam ser usados. O roteiro final ainda não estava pronto, assim Hurley lhe passou apenas um esboço geral do que seria necessário. Stillwell passou oitenta horas durante uma semana escolhendo as cenas, com no final 21 clipes de dezessete episódios sendo usados. Mesmo com todos os clipes, o episódio ainda ficou muito curto, forçando a inserção de diversas tomadas desnecessárias, como O'Brien nos controles do teletransporte; e alongamento de momentos supérfluos, como o capitão Jean-Luc Picard entrando e saindo da enfermaria.
A trilha sonora de "Shades of Gray" foi composta por Ron Jones. Seu principal objetivo com a música foi manter alguma continuidade e unidade durante as grandes misturas de cenas pelo decorrer do episódio, com ele criando um motivo condutor de três notas para representar a doença espalhando-se dentro de Riker. Ele também criou uma composição romântica para Riker e Troi e para as cenas de romance passadas, mais um motivo condutor de tensão para as memórias de morte. Jones também revisitou trilhas de episódios que tinha trabalhado anteriormente e também composições de Dennis McCarthy, enquanto alguns clipes foram incluídos com suas músicas originais sem alteração.
Repercussão Audiência "Shades of Gray" foi exibido pela primeira vez nos Estados Unidos por redifusão na semana que começou em 17 de julho de 1989. Registrou um índice Nielsen de 9,8, refletindo a porcentagem das residências que assistiram ao episódio. Foi a melhor audiência da série desde o episódio "Samaritan Snare", transmitido dois meses antes.
Crítica
Keith R. A. DeCandido da Reactor achou que o episódio era um "desastre" e pior do que se lembrava, especialmente porque outras séries como Xena: Warrior Princess e Stargate SG-1 tinham produzido clip shows melhores. DeCandido considerou que uma opção melhor teria sido nunca ter produzido este episódio e em vez disso aumentar o orçamento de algum dos episódios anteriores. Zack Handlen da The A.V. Club afirmou que este episódio desrespeitava o público e que preferiria assistir "Angel One", que ele considera o pior episódio da série, do que reassistir voluntariamente "Shades of Gray". Handlen considerou que os clipes dos episódios anteriores não eram cenas boas e sim apenas "uma coleção randômica de momentos".
Michelle Erica Green da TrekToday descreveu a narrativa como "absurdamente rala" e que o episódio "pareceu preguiçoso em todos os níveis". Ele criticou como os clipes escolhidos não foram editados de modo a parecerem memórias de verdade, mas sim como "pedaços mal colocados de episódios anteriores". Para Green, a única coisa boa do episódio é que Riker foi o ferido, pois com exceção de Data era o personagem que mais tinha histórias interessantes na série até então. James Hunt da Den of Geek ficou incrédulo que "Shades of Gray" tenha sido aceito como o último episódio da temporada e o considerou "tecnicamente inepto", sendo mal escrito, mal atuado, mal concebido e com um ritmo ruim. Hunt só não o considerou o pior de toda a série porque não era racista, sexista ou homofóbico como outros episódios.
Mídia caseira A primeira vez que "Shades of Gray" foi disponibilizado em mídia caseira foi em 12 de outubro de 1994 no formato VHS nos Estados Unidos e Canadá. O episódio foi lançado em LaserDisc nos Estados Unidos em 21 de dezembro de 1994 em uma edição dupla junto com "Peak Performance", enquanto no Japão foi lançado em 25 de março de 1996 como parte da coleção da segunda metade da segunda temporada. Foi lançado em DVD nos Estados Unidos pela primeira vez em 7 de maio de 2002 como parte da coleção da segunda temporada. Foi remasterizado e lançado em Blu-ray nos Estados Unidos em 4 de dezembro de 2012 como parte da coleção da segunda temporada.
Bibliografia
Ligações externas
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