Hispânia Cartaginense () foi uma província romana que resultou da divisão da antiga província da Hispânia Tarraconense em três por Diocleciano durante a sua reforma administrativa: a Tarraconense propriamente dita e as novas Cartaginense e Galécia. Situada no centro-sudeste da Península Ibérica, com capital em Cartago Nova, (a moderna Cartagena, Espanha), o território da Cartaginense corresponde, a grosso modo, às modernas regiões da Múrcia, Alicante e Valência.
O termo "cartaginense" é o nome de uma província eclesiástica cuja capital também é Cartago Nova.
Província romana Originalmente um dos conventos jurídicos da Tarraconense, a Cartaginense foi separada por Diocleciano em e subordinada à nova Diocese da Hispânia da prefeitura pretoriana das Gálias. Ela era governada por um praeses que respondia ao vigário da diocese.
Em meados do — possivelmente sob Juliano — o território das ilhas Baleares foi separado e passou a formar a Hispânia Baleárica, uma província autônoma.
A província foi saqueada durante a invasão de vândalos, suevos e alanos de . Em meados do , a região foi finalmente anexada pelos visigodos, dirigidos pelo seu rei Eurico, e passou a fazer parte do Reino Visigótico.
Em princípios do , tropas bizantinas incorporaram ao domínio de Constantinopla em nome do imperador Justiniano I a zona costeira da Cartaginense e parte da Bética, que passaram a formar uma nova província ia do atual Algarve até o sul da atual província de Valência, chamada Espânia. Justiniano mudou o nome da capital pelo de Cartago Espartária e converteu-a na capital da nova província.
Grande parte dos territórios bizantinos foram reconquistados para o Reino Visigótico por Leovigildo . Cartago Espartária ainda resistiria alguns anos mais, mas acabou conquistada e destruída pelo rei visigodo Suíntila por volta de
A província desapareceu completamente em quando os exércitos muçulmanos invadiram a Península Ibérica.
Província eclesiástica miniaturadaimagem|Mapa do Reino Visigótico da Hispânia (aprox. 711). Após a queda do Império Romano do Ocidente, os germânicos estabeleceram domínios em várias regiões anteriormente administradas por Roma. No século VI, o imperador bizantino Justiniano tentou restabelecer as fronteiras da parte ocidental. Entretanto, mesmo com o êxito momentâneo, essa unificação não se sustentou. Então, a Europa, principalmente na Alta Idade Média, concentrou vários reinos menores, os quais foram formados, majoritariamente, pelos germânicos. Ao cristianizar-se o Império Romano, a primitiva Igreja Cristã assumiu a divisão provincial imperial na sua organização.
Desta forma, as primeiras províncias eclesiásticas corresponderam-se exatamente com as existentes estruturas provinciais romanas, inclusive a província eclesiástica Cartaginense, que exercia assim a função de sé metropolitana sobre todos os bispados que existiam dentro do seu território.
Ficavam dentro da província dioceses tão importantes como Valentia, Toleto, Eliocroca, Begastro ou Ilici.
A coincidência entre divisão política-divisão religiosa existiu até à queda do Império Romano do Ocidente em . Na metade do , a província eclesiástica cartaginense ficou dividida politicamente em duas: uma parte no centro da península controlada pelos visigodos e outra a sul e a leste controlada pelos Bizantinos.
Concílio de Toledo O problema surgiu porque a cidade de Toleto (atual Toledo), capital do Reino Visigótico, encontrava-se incluída na Cartaginense, cuja capital estava sob domínio bizantino. Por esta razão, pouco depois da sua chegada ao trono, o rei visigodo Gundemaro promoveu a celebração de um sínodo que se desenvolveu em Toledo e que acordou que Toledo era a metrópole de toda a província, arrebatando este título à sede de Cartagena, declaração que apoiou o rei por decreto de 23 de outubro de .
Desapareceu desta maneira a província eclesiástica Cartaginense. Ao reconquistar-se Cartagena no , foi restaurada a diocese, mas sem caráter metropolitano.
Bibliografia
J. Arce. El último siglo de la España romana, Madrid, 4ª. ed., 1997, ISBN 978-84-206-2347-4 L.A. García Moreno, Historia de España visigoda, Madrid, 1989, ISBN 978-84-376-0821-1
Categoria:Diocese da Hispânia Categoria:História de Cartagena (Espanha) Categoria:Províncias romanas tardias