Valkoinen peura (bra: A Rena Branca) é um filme de terror folclórico e fantasia finlandês de 1952 dirigido por Erik Blomberg em sua estreia no cinema. Blomberg escreveu o roteiro com sua esposa Mirjami Kuosmanen que também estrela o papel principal. Baseado na mitologia finlandesa pré-cristã e no xamanismo sami, o longa-metragem se passa na Lapônia e gira em torno de uma jovem, Pirita (Kuosmanen) que tem sua vida mudada radicalmente após se envolver em paganismo.
Valkoinen peura foi o primeiro filme da Finlândia a conseguir reconhecimento internacional, sendo inscrito na competição do Festival de Cannes de 1953 e recebeu o prêmio especial do júri, presidido por Jean Cocteau, na categoria de Melhor Filme de Conto de Fadas. Após seu lançamento limitado cinco anos depois nos Estados Unidos, foi um dos cinco filmes a receber o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro de 1956.
Enredo No cenário nevado da Finlândia, uma mulher chamada Maarita dá à luz uma filha, a quem chama de Pirita. Logo após o nascimento, é profetizado que Pirita se tornará parte do tradicional joik. Anos depois, já adulta, Pirita participa das competições anuais de renas, nas quais compete com um jovem pastor de renas chamado Aslak. Os dois se apaixonam rapidamente e se casam pouco tempo depois. No entanto, Aslak precisa se ausentar por motivos de trabalho, deixando sua nova esposa solitária.
Em busca de aliviar sua solidão e reacender a paixão conjugal, Pirita procura o xamã local, Tsalkku-Nilla, que prepara uma poção e recita um feitiço. O xamã instrui Pirita a sacrificar a primeira criatura que encontrar ao Grande , um cemitério sagrado de renas, garantindo que qualquer homem se apaixonará por ela. Infelizmente, a primeira criatura que Pirita encontra é uma rena branca libertada por Aslak. Embora realize o sacrifício, o ritual sai errado: Pirita passa a atrair qualquer homem, mas durante cada lua cheia adquire poderes sobrenaturais e se transforma em uma rena branca assassina.
Certa noite, os pastores de renas percebem uma misteriosa rena branca vagando pela tundra. Um dos pastores, Niilan, consegue capturá-la quando está sozinho, mas o animal se transforma novamente em Pirita, que o mata imediatamente. Com o passar das noites, outro pastor morre da mesma forma, mergulhando a aldeia em pânico — os moradores acreditam que feitiçaria está por trás das mortes. A notícia se espalha, e um guarda florestal vindo do sul da Finlândia chega ao local, desprezando as superstições locais. Mais tarde, ele se depara com a criatura e tenta atirar nela, mas o rifle dispara sozinho. A rena então se transforma em Pirita diante de seus olhos, fazendo o homem fugir aterrorizado. No acampamento das renas, ele afirma que Pirita é uma bruxa.
Durante o casamento de um dos aldeões, Pirita aparece diante dos noivos sob a forma da rena branca. O noivo, hipnotizado pela criatura, a segue até o ermo e nunca mais é visto. O acontecimento convence toda a aldeia de que Pirita é uma bruxa, e os moradores se armam com lanças de ferro, formando uma multidão para caçá-la. Ao perceber que foi descoberta, Pirita foge da aldeia, alternando entre suas formas humana e de rena. Ela tenta buscar ajuda com o xamã, mas o encontra morto, obrigando-a a continuar a fuga. Ao chegar ao local do sacrifício, Pirita implora misericórdia a Seita, em vão, transformando-se novamente na rena branca. Antes que consiga escapar, Aslak — o primeiro a alcançá-la — crava sua lança nela. Gravemente ferida, Pirita volta à forma humana e morre nos braços do marido, pouco antes da chegada dos demais aldeões.
Elenco
Mirjami Kuosmanen como Pirita e Maarita Kalervo Nissilä como Aslak Åke Lindman como guarda florestal Arvo Lehesmaa como Tsalkku-Nilla, xamã Jouni Tapiola como pastor de renas Tyyne Haarla como mulher mais velha (não-creditado) Pentti Irjala como pregador (não-creditado) Kauko Laurikainen como homem na cabana da Lapônia (não-creditado) Heimo Lepistö como homem rico (não-creditado) Osmo Osva como pastor de renas (não-creditado) Aarne Tarkas como o noivo (não-creditado) Inke Tarkas como a noiva (não-creditado) Evald Terho como pai de Pirita (não-creditado) Kaarlo Wilska como pastor de renas (não-creditado)
Lançamento Valkoinen peura foi lançado nos cinemas fora da Finlândia em pelo menos 11 países, incluindo os Estados Unidos, Suécia e França.
O filme foi lançado em VHS na Finlândia em 1990; e, na década de 2010, versões em DVD foram lançadas na Finlândia e na França. Uma restauração em 4K a partir do negativo original da câmera foi realizada entre 2016 e 2017 pelo Instituto Nacional Audiovisual da Finlândia e lançada em Blu-ray com legendas em sueco e inglês. Em 8 de abril de 2019, DVDs da Região 2 e discos Blu-ray foram lançados pela Eureka Entertainment como parte de sua série Masters of Cinema.
Recepção Valkoinen peura recebeu avaliações majoritariamente positivas de críticos fora da Finlândia, com muitos elogiando a atmosfera, a fotografia e as imagens perturbadoras da produção. J. Hoberman, do The Village Voice, avaliou o longa-metragem de forma favorável, chamando-o de “um exercício quase etnográfico em neo-realismo mágico”. Hoberman também destacou a “execução concisa e o argumento austero”. Jeremy Aspinall, do Radio Times, concedeu ao filme quatro de cinco estrelas, elogiando a fotografia em estilo documental — que, segundo ele, captura de forma eficaz a paisagem nevada da Finlândia —, as imagens assombrosas e a atuação de Mirjami Kuosmanen.
James Evans, da Starburst Magazine, avaliou The White Reindeer com nove de dez estrelas, descrevendo-o como “um filme notável, belo e envolvente, fascinantemente enraizado na mitologia da Lapônia e nas práticas sámi”; destacando o enredo, a fotografia de caráter onírico e a performance de Kuosmanen. Maitland McDonagh, do TV Guide, concedeu ao filme 3 de 5 estrelas, criticando alguns momentos que considerou desajeitados, mas elogiando a fotografia e as imagens de forte impacto. McDonagh concluiu chamando-o de “uma obra indispensável para fãs do horror e um dos poucos filmes a explorar tradições folclóricas sámi”. Prêmios
Festival de Cannes 1953: Melhor filme de conto de fadas Globo de Ouro 1956: Melhor filme em língua estrangeira
Bibliografia
Categoria:Filmes da Finlândia de 1952 Categoria:Filmes de fantasia da década de 1950 Categoria:Filmes de terror folclórico Categoria:Filmes gravados na Finlândia Categoria:Filmes em língua finlandesa Categoria:Filmes de terror da Finlândia Categoria:Mitologia sâmi Categoria:Mamíferos em filmes Categoria:Filmes vencedores do Prémio do Júri do Festival de Cannes Categoria:Filmes premiados com o Globo de Ouro de melhor filme em língua estrangeira