Milagros Miceli é uma socióloga e cientista da computação argentina, conhecida por sua pesquisa sobre os impactos éticos e sociais da inteligência artificial (IA). Seu trabalho investiga o papel do trabalho humano por trás do aprendizado de máquina com foco na produção dos dados ground truth, os conjuntos de dados utilizados para treinar sistemas de IA. Analisa em que condições esses dados são criados e quem os produz, destacando a relevância dos trabalhadores de dados, cujas vozes frequentemente não são ouvidas no debate público.
Foi nomeada na lista TIME 100 AI 2025, que reconhece as 100 pessoas mais influentes do mundo em inteligência artificial, na categoria modeladores (shapers). Nessa lista, foi destacada pelo seu trabalho com a Data Workers' Inquiry, projeto acadêmico que cria um espaço para que os trabalhadores de dados se envolvam ativamente em pesquisas feitas por eles e sobre eles. Carreira e formação profissional miniaturadaimagem|Milagros Miceli durante o evento Who is Fueling Your AI? no Weizenbaum-Institut Nascida na Argentina, é formada em Sociologia pela Universidade de Buenos Aires. Posteriormente, concluiu doutorado em Ciência da Computação na Universidade Técnica de Berlim (TU Berlin), com tese dedicada às injustiças laborais enfrentadas por trabalhadores de dados. Atualmente mora e trabalha em Berlim, onde é professora pesquisadora na TU Berlin.
Desde 2018, Miceli lidera o grupo de pesquisa Data, Algorithmic Systems, and Ethics no Weizenbaum-Institut. Atua também como líder de pesquisa no Distributed AI Research Institut (DAIR Institut), onde coordena iniciativas que aproximam pesquisadores a comunidades de trabalhadores de dados. É a principal pesquisadora do projeto Data Workers' Inquiry.
Data Workers' Inquiry Miceli é fundadora e principal pesquisadora do Data Workers' Inquiry (DWI), projeto que busca criar um espaço para que trabalhadores de dados se envolvam ativamente na pesquisa sobre inteligência artificial. O projeto surgiu após uma reflexão da própria pesquisadora sobre sua prática acadêmica: embora suas pesquisas anteriores documentassem as condições e lutas dos trabalhadores de dados, não geravam mudanças concretas em suas vidas.
Em meados de 2023, Miceli desenvolveu o projeto em colaboração com o pesquisador Adio Dinika, especializado nas condições de trabalho em plataformas digitais na África subsaariana. Posteriormente, os pesquisadores Camilla Salim Wagner e Laurenz Sachenbacher se juntaram à equipe, seguidos pela trabalhadora de dados Krystal Kauffman, ajudando a garantir que o projeto permanecesse fiel às suas intenções originais enquanto atendia às exigências do meio acadêmico.
Após apresentar o projeto a diversos financiadores, Miceli obteve o apoio da fundadora e diretora da DAIR, Dra. Timnit Gebru. O projeto foi lançado oficialmente em 1º de maio de 2024, no Dia do Trabalhador, com a proposta de dar protagonismo aos trabalhadores de dados na produção de conhecimento sobre suas próprias condições de trabalho.
Com o Data Workers' Inquiry, Miceli busca compreender e tornar visíveis as condições de trabalho, os desafios e o valor social do trabalho humano que sustenta a automação. O projeto ganhou destaque internacional por oferecer uma abordagem participativa e crítica à pesquisa em IA, tendo como princípio o protagonismo dos próprios trabalhadores - em vez de serem apenas objetos de estudo, eles participam da concepção e da realização das investigações.
Em novembro de 2024, Miceli e trabalhadores do projeto apresentaram no Parlamento Europeu, em Bruxelas, o estudo "Who Trains the Data for European Artificial Intelligence", que expôs as condições precárias e exploratórias enfrentadas por trabalhadores de dados no setor de IA.
Reconhecimentos
Em 2025, foi incluída pela revista TIME na lista de 100 pessoas mais influentes da IA, em reconhecimento ao seu trabalho à frente do Data Workers' Inquiry e a sua contribuição para tornar visível o papel humano na IA, entre outros nomes importantes como Sam Altman, Paola Ricaurte Quijano e Karen Hao. Ainda em 2025, foi destacada pelo Weizenbaum-Institut como uma das 100 figuras mais importantes da ciência em Berlim, ressaltando sua abordagem crítica das dimensões sociais e éticas da IA.
Referências
Categoria:Mulheres cientistas da computação Categoria:Cientistas da computação Categoria:Pesquisadores da inteligência artificial