Ynaê Lopes dos Santos (São Paulo, 1982) é uma historiadora e escritora brasileira. Suas principais áreas de atuação incluem a história da escravidão nas Américas, as relações étnico-raciais e o ensino de história da África e da população negra no Brasil. Desde 2019, é professora de história das Américas na Universidade Federal Fluminense (UFF).
Vida Ynaê Lopes dos Santos passou a infância e a adolescência no bairro do Butantã, na Zona Oeste de São Paulo, onde morou com os pais e dois de seus três irmãos. A mãe é pedagoga e antropóloga e o pai, jornalista, sociólogo e professor de Português. Tanto Ynaê Lopes dos Santos quanto seus irmãos foram bolsistas em escolas particulares nas quais os pais trabalhavam, ao longo de sua formação básica.
A trajetória de Santos foi influenciada pela militância de seu pai no movimento negro. Durante a adolescência, ela demonstrou interesse pela literatura, envolveu-se em movimentos sociais, trabalho voluntário, no Grupo de Trabalho e Pesquisa em Orientação Sexual, e foi membro do grêmio estudantil de sua escola.
Ainda na formação básica, Ynaê Lopes dos Santos teve contato com autores como Robert Darnton, Edward Palmer Thompson, Eric Hobsbawm, entre outros. Essas leituras, combinadas com uma experiência de intercâmbio na Inglaterra aos 15 anos, despertaram seu interesse pela história. Aos 16 anos, ingressou no bacharelado em História na Universidade de São Paulo (USP). Sua conexão com a USP é anterior à sua graduação, pois foi a instituição onde sua mãe concluiu o mestrado e o doutorado em Antropologia, e seu pai obteve o título de mestre em Sociologia. Formação e Carreira A formação acadêmica de Ynaê Lopes dos Santos foi integralmente conduzida na Universidade de São Paulo (USP), onde obteve a graduação em História (1999-2002). Seguiu para o mestrado em história social (2004-2007), com a dissertação Além da senzala: arranjos escravos de moradia no Rio de Janeiro (1808–1850) e, posteriormente, realizou o doutorado (2008-2012), que originou a tese Irmãs do Atlântico: escravidão e espaço urbano no Rio de Janeiro e Havana (1763-1843).
Após concluir o doutorado, Santos atuou como professora adjunta na Escola Superior de Ciências Sociais do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Em 2018, foi aprovada em concurso e tornou-se professora de História da América no Instituto de História da Universidade Federal Fluminense, onde também faz parte do Programa de Pós-Graduação em História.
Ynaê Lopes dos Santos se dedica à pesquisa acadêmica universitária e à divulgação científica de suas temáticas, participando de palestras, eventos e desenvolvendo trabalhos de curadoria museal sobre os temas escravidão, racismo e história afro-brasileira.
Foi consultora histórica do Projeto Querino. É a curadora da Exposição Permanente da UNESCO no Valongo. No ano de 2023, a pesquisadora integrou a equipe de curadoria da mostra Pequenas Áfricas: o Rio que o samba inventou. Seu trabalho esteve concentrado na composição da narrativa da exposição, estabelecendo conexões entre a história do samba e a história do trabalho no Brasil. A exposição esteve aberta à visitação gratuita entre 2023 e 2024, no Instituto Moreira Salles, em São Paulo.
Em agosto de 2024, Santos proferiu uma palestra virtual para os alunos do Curso de Formação de Diplomatas do Instituto Rio Branco. No ciclo “Reflexões sobre o Brasil contemporâneo”, a discussão abordou o caráter estrutural e transversal do racismo no país.
Em 2025, a historiadora participou da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), em debate com o jornalista Tiago Rogero. Os temas discutidos incluíram racismo brasileiro, políticas de cotas, mestiçagem e a questão da reparação financeira à população afrodescendente.
Em janeiro de 2026, esteve, junto com o linguista Caetano Galindo, na conversa "Línguas portuguesas" da mostra complexo brasil, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, trazendo reflexões sobre as contribuições da diáspora africana para a formação do português brasileiro.
Adicionalmente, Santos integra o corpo docente de cursos livres na Casa do Saber, plataforma que disponibiliza cursos gravados, em formato streaming, sobre temas variados a preços acessíveis.
Obras A produção acadêmica de Ynaê Lopes dos Santos se concentra em temas centrais da história da escravidão e das relações raciais no Brasil e nas Américas, combinando pesquisa histórica, análise comparativa e reflexão sobre memória e ensino da história e cultura afro-brasileira.
A pesquisadora examina as experiências urbanas de pessoas escravizadas, as conexões entre escravidão e capitalismo, a formação histórica da população afrodescendente/negra brasileira e o racismo como estrutura social persistente.
Obras Publicadas Selecionadas:
Além da senzala: Arranjos escravos de moradia no Rio de Janeiro (1808–1850) (2010); História da África e do Brasil afrodescendente (2017); Juliano Moreira: o médico negro na fundação da psiquiatria brasileira (2020); Racismo Brasileiro: uma história da formação do país (2022); Irmãs do Atlântico: escravidão e espaço urbano no Rio de Janeiro e em Havana (1763–1843) (2025)
Prêmios 2018 - Contemplada no programa Jovem Cientista do Nosso Estado, com o projeto "Intelligenza Negra nas Américas. Escravidão e herança africana nas obras de Manuel Querino, W.E.B Dubois e Lino Do Allión";
2023 - 45º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo - Categoria Áudio, pelo Projeto Querino, produzido e publicado pela Rádio Novelo;
2023 - Prêmio Dandara da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro;
Categoria:Historiadoras do Brasil Categoria:Pesquisadoras do Brasil Categoria:Escritoras do Brasil Categoria:Professores da Universidade Federal Fluminense Categoria:Africanistas Categoria:Nascidos em 1982 Categoria:Naturais do estado de São Paulo Categoria:Mulheres cientistas do Brasil Categoria:Alunos da Universidade de São Paulo