A CPI do Crime Organizado ou CPICRIME é uma comissão parlamentar de inquérito composta no Senado Federal destinada a apurar a atuação, a expansão e o funcionamento de organizações criminosas no território brasileiro, em especial de facções e milícias, investigando-se o modus operandi de cada qual, as condições de instalação e desenvolvimento em cada região, bem como as respectivas estruturas de tomada de decisão, de modo a permitir a identificação de soluções adequadas para o seu combate, especialmente por meio do aperfeiçoamento da legislação atualmente em vigor. Foi oficialmente instalada em 4 de novembro de 2025.
A primeira votação, para decidir a presidência da comissão, foi lida por analistas políticos como uma vitória para o governo. Por 6 votos a 5, foi escolhido o senador Fabiano Contarato, do Partido dos Trabalhadores, senador pelo Espírito Santo. Como vice, ficou o segundo colocado, Hamilton Mourão, do Republicanos pelo Rio Grande do Sul. A eleição ocorreu para presidir a comissão no dia 4 de novembro de 2025.
Depoimentos Foram convidadas a prestar depoimento as seguintes autoridades: Autoridades Federais Ricardo Lewandowski, Ministro da Justiça e Segurança Pública (MJSP) José Múcio, Ministro da Defesa (MD) Andrei Rodrigues, diretor da Polícia Federal (PF) Luiz Corrêa, diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Autoridades Estaduais Foram convidados 11 governadores e seus respectivos secretários de segurança, sendo 4 os daqueles estados considerados mais seguros pelos índices do MJSP: Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e Distrito Federal; os 5 considerados menos seguros: Amapá, Alagoas, Bahia, Ceará e Pernambuco; e os representantes do Rio de Janeiro e São Paulo, por serem respectivamente os estados de origem do Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC).
Foi convocado o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, suspeito de vazar informações sobre uma operação da Polícia Federal contra o ex-deputado estadual TH Joias.
Especialistas Também foram convidados os especialistas em segurança pública Lincoln Gakiya, promotor de justiça do Ministério Público do Estado de São Paulo "pela larga experiência na questão relacionada ao PCC"; Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública; os professores e pesquisadores Joana da Costa Martins Monteiro e Leandro Piquet Carneiro; os jornalistas Josmar Jozino, do portal UOL, Rafael Soares, d'O Globo, e Cecília Olliveira, jornalista investigativa do Instituto Fogo Cruzado; Bruno Paes Manso, pesquisador da USP e ex-jornalista; Allan de Abreu, jornalista investigativo da Revista Piauí; e Rodrigo Pimentel, articulista e consultor em segurança pública, que atuou no Bope do Estado do Rio de Janeiro como capitão.
A convocação de cantores de funk foi descartada pelo relator da comissão.
Integrantes miniaturadaimagem|Painel de votação da presidência da CPI A CPI do Crime Organizado é dirigida pela seguinte composição:
Mesa Diretora Presidente: Fabiano Contarato (PT-ES) Vice-presidente: Hamilton Mourão (REP-RS) Relator: Alessandro Vieira (MDB-SE)
Membros por bloco Bloco Parlamentar Titulares SuplentesDemocracia (UNIÃO, PODEMOS, MDB, PSDB) Alessandro Vieira (MDB-SE) Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) Márcio Bittar (PL-AC) Sergio Moro (UNIÃO-PR) Marcos do Val (PODEMOS-ES) Resistência Democrática (PSB, PSD) Otto Alencar (PSD-BA) Randolfe Rodrigues (PT-AP) Angelo Coronel (PSD-BA)rowspan="2" Jorge Kajuru (PSB-GO)Vanguarda (PL, NOVO) Flávio Bolsonaro (PL/RJ) Eduardo Girão (NOVO/CE) Magno Malta (PL-ES) Pelo Brasil (PDT, PT) Rogério Carvalho (PT-SE) Jaques Wagner (PT-BA) Fabiano Contarato (PT-ES) Aliança (PP, REPUBLICANOS) Hamilton Mourão (REP-RS) Esperidião Amin (PP-SC)
Histórico Depoimentos
Em 18 de novembro de 2025, o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou em depoimento que o esquema de fraudes financeiras que resultou na prisão do presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro, e de quatro diretores da instituição, pode chegar a 12 bilhões de reais.
Em 25 de novembro, o promotor de Justiça, Lincoln Gakiya, afirmou em depoimento que a polarização política tem prejudicado a atuação integrada de polícias e do Ministério Público no combate às facções.
Em 16 de dezembro, o ex-governador do estado do Rio de Janeiro e ex-secretário de segurança pública Anthony Garotinho afirmou em depoimento que Cláudio Castro e Rodrigo Bacellar seriam os chefes de uma organização criminosa, com braços respectivamente no executivo e legislativo fluminense, com cobrança de propina para aprovação de projetos nas áreas de energia, combustíveis, bem como incentivos fiscais. Disse que 47 dos 70 deputados estaduais na Alerj receberiam uma "mesada" do crime organizado, informação que teria sido obtida através de celulares apreendidos pela Polícia Federal na casa de Rui Bulhões, chefe de gabinete de Bacellar, através da operação Unha e Carne. Relatou ainda a ligação do executivo com organizações criminosas, citando uma trégua negociada para "sete dias sem guerras e roubos" durante a realização do encontro do G20 no Rio de Janeiro. Relatou ainda um caso aonde o Exército Brasileiro teria feito um acordo de cavalheiros com o Comando Vermelho, negociando a devolução de fuzis que foram roubados de uma base militar, o que foi confirmado pelo general de quatro estrelas e hoje senador Hamilton Mourão, vice-presidente da CPI.
Em 3 de março de 2026, a CPI do Crime Organizado cancelou a sessão que ouviria o fundador do grupo Reag, João Carlos Falbo Mansur. Os advogados de Mansur disseream à TV Globo que o cliente não iria à sessão. O cancelamento ocorreu um dia depois de uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, que concedeu a Mansur o direito de permanecer em silêncio, a presença de um advogado na sessão, mas não autorizou ausência da CPI.
Em 4 de março, a CPI do Crime Organizado cancelou mais uma sessão após a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, que foi alvo de uma operação da Polícia Federal.
Em 18 de março, a CPI do Crime Organizado aprovou a convocação da ex-noiva de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a empresária e influenciadora Martha Graeff. Em nota, a defesa de Martha Graeff negou que a empresária tenha patrimônio ligado ao empresário Daniel Vorcaro.
Em 8 de abril, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou em depoimento que, durante reuniões com o ministro do STF, Alexandre de Moraes, tratou somente sobre a sanção norte-americana da Lei Magnitsky contra o magistrado e familiares. Durante depoimento à comissão, Galípolo também afirmou que, em reuniões com ministros do STF, eles não conversaram sobre a situação do Banco Master, que foi liquidado de forma extrajudicial pela autoridade monetária. Ele afirmou que não há auditoria ou sindicância da autoridade monetária que aponte alguma culpa de Roberto Campos Neto, ex-presidente do órgão, no tratamento do caso do Banco Master. O ex-presidente do BC, Roberto Campos Neto, foi convocado a comparecer, mas faltou pela terceira vez.
Quebras de sigilo No dia 11 de março de 2026, a CPI aprovou a quebra de sigilo de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, do Banco Master e de Luiz Phillipi Machado de Mourão, conhecido como Sicário, presos na operação Compliance Zero.
Pedidos Em 27 de março de 2026, o presidente do STF, Luiz Edson Fachin, rejeitou um pedido da comissão para manter a quebra de sigilo da Maridt Participações S.A, empresa ligada ao ministro Dias Toffoli no caso do Banco Master.
Convocados Em 31 de março de 2026, a comissão aprovou um requerimento de convocação dos ex-governadores Cláudio Castro (PL), do Rio de Janeiro, e Ibaneis Rocha (MDB), do Distrito Federal.
Relatório final Em 14 de abril de 2026, o senador Alessandro Vieira, que atuou como o relator da comissão no Senado Federal, apresentou o relatório final da comissão para pedir o indiciamento dos ministros do STF Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes e do procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet. O documento tem mais de 200 páginas. A composição da comissão foi alterada horas antes da votação em manobra para tentar derrubar o relatório final. O parecer foi rejeitado por 6 votos a 4.
Ver também Escândalo do Banco Master Esquema de fraudes no INSS Guerra às drogas no Brasil Operação Contenção Operação Vérnix
Ligações externas
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