O Gneisenau foi um couraçado operado pela Kriegsmarine e a segunda e última embarcação da Classe Scharnhorst, depois do . Sua construção começou em maio de 1935 nos estaleiros da Deutsche Werke em Kiel e foi lançado ao mar em dezembro do ano seguinte, sendo comissionado na frota alemã em maio de 1938. Era armado com uma bateria principal composta por nove canhões de 283 milímetros montados em três torres de artilharia triplas, tinha um deslocamento carregado de 38,7 mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de 31 nós.

O Gneisenau operou junto com seu irmão Scharnhorst no início da Segunda Guerra Mundial, incluindo em surtidas no Oceano Atlântico com o objetivo de atacar navios mercantes britânicos. Ambos participaram entre abril e junho de 1940 da invasão da Noruega, inicialmente dando cobertura para as forças de invasão. Durante esta operação, eles enfrentaram brevemente o cruzador de batalha britânico em um confronto inconclusivo, enquanto em junho encontraram e afundaram o porta-aviões britânico e seus dois contratorpedeiros de escolta.

Bombardeios aéreos britânicos no decorrer de 1941 contra a base de Brest na França, onde os dois navios estavam após uma surtida, os forçaram realizar uma corrida pelo Canal da Mancha de volta para a Alemanha. O Gneisenau entrou em uma doca seca em Kiel para reparos, porém foi seriamente danificado em um ataque aéreo britânico em fevereiro de 1942. Foi planejado rearmá-lo com novos canhões de 380 milímetros, mas os trabalhos foram cancelados em meados de 1943. Foi deliberadamente afundado em Gotenhafen em 23 de março de 1945 e desmontado em 1951.

Características

thumb|250px|esquerda|Desenho do Gneisenau O Gneisenau tinha 229,8 metros de comprimento de fora a fora, boca de trinta metros e calado máximo de 9,9 metros. Seu deslocamento padrão era de 32,6 mil toneladas e o deslocamento carregado de 38,7 mil toneladas. Seu sistema de propulsão era composto por doze caldeiras Wagner que alimentavam três turbinas a vapor Germania, tendo uma potência indicada de 160 mil cavalos-vapor (118 mil quilowatts) para uma velocidade máxima de 31,5 nós (58,3 quilômetros por hora). Podia carregar até cinco mil toneladas de óleo combustível, o que lhe proporcionava uma autonomia de 6,2 mil milhas náuticas (11,5 mil quilômetros) a uma velocidade de dezenove nós (35 quilômetros por hora). Sua tripulação padrão era composta por 56 oficiais e marinheiros, mas durante a guerra podia crescer até setenta oficiais e marinheiros.

Sua bateria principal consistia em nove canhões SK C/34 calibre 54,5 de 283 milímetros montados em três torres de artilharia triplas, duas à vante da superestrutura e uma à ré. Seu armamento secundário tinha doze canhões SK C/28 calibre 55 de 149 milímetros instalados em quatro torres de artilharia duplas e em quatro montagens únicas. O armamento antiaéreo era composto por catorze canhões SK C/33 calibre 65 de 105 milímetros, dezesseis canhões SK C/30 calibre 83 de 37 milímetros e dez canhões C/30 de 20 milímetros, mas o número total destes depois cresceu para 38. Foi equipado em 1942 com seis tubos de torpedo de 533 milímetros. Seu cinturão principal de blindagem tinha de 150 a 350 milímetros de espessura, enquanto o convés blindado tinha entre cinquenta e 105 milímetros. As torres de artilharia principais eram protegidas por blindagem de 150 a 360 milímetros, ficando em cima de barbetas de duzentos a 350 milímetros. A torre de comando tinha laterais de 350 milímetros e teto de duzentos milímetros.

História thumb|240px|O Gneisenau durante seus testes marítimos com sua proa reta original O Gneisenau foi encomendado com o nome de contrato "E" e sob o nome provisório Ersatz Hessen como um substituto para o antigo pré-dreadnought . Seu batimento de quilha ocorreu em 6 de maio de 1935 na Deutsche Werke em Kiel. Foi lançado ao mar em 8 de dezembro de 1936, com o processo de equipagem começando em seguida. Foi finalizado em maio de 1938 e comissionado para testes marítimos no dia 21, sob o comando do capitão de mar Erich Förste. Os testes revelaram uma perigosa tendência de acumular água em mares bravios. Isto causava inundações na proa e danificou sistemas elétricos da primeira torre de artilharia principal. Consequentemente, retornou para o estaleiro para que sua proa fosse muito modificada. A proa reta original foi substituída por uma "proa atlântica" elevada. Além disso, uma cobertura angulada para a chaminé também foi instalada a fim de desviar a fumaça do mastro principal. As modificações foram completadas em setembro de 1939, época em que estava totalmente operacional.

O navio deixou a Alemanha em junho de 1939 para um período de testes no Oceano Atlântico. Como ainda era tempos de paz, o couraçado estava carregando principalmente munição de treino com apenas um pequeno número de projéteis reais. Já estava de volta em casa quando a Segunda Guerra Mundial começou em 1º de setembro, sendo atacado no dia 4, um dia depois da declaração de guerra do Reino Unido, por catorze bombardeiros britânicos Vickers Wellington, mas não foi atingido. Förste foi substituído em novembro pelo capitão de mar Harald Netzbandt.

Segunda Guerra Mundial thumb|240px|esquerda|O Gneisenau no final de 1939, já com sua nova "proa atlântica" A primeira operação do Gneisenau na guerra começou em 21 de novembro de 1939 como a capitânia do almirante Wilhelm Marschall, sendo enviado em patrulha para a área entre a Islândia e Ilhas Feroe junto com seu irmão , o cruzador rápido e mais nove contratorpedeiros. O objetivo era atrair unidades da Marinha Real Britânica e diminuir a pressão sobre o cruzador pesado Admiral Graf Spee, que estava sendo perseguido no sul do Oceano Atlântico. Os alemães interceptaram dois dias depois cruzador auxiliar britânico . O Scharnhorst abriu fogo primeiro às 17h03min, seguido pelo Gneisenau oito minutos depois. O navio britânico foi rapidamente transformado em destroços em chamas, com Marschall ordenando que o Scharnhorst resgatasse sobreviventes enquanto o Gneisenau ficava de guarda. Estas operações foram interrompidas pela aparição do cruzador rápido , com os alemães fugindo para o norte. Os couraçados britânicos e , o cruzador de batalha britânico e o couraçado francês partiram em perseguição. Os dois couraçados alemães chegaram de volta a Wilhelmshaven em 27 de novembro, com ambos tendo sido danificados significativamente devido ao mares bravios e vento.

O Gneisenau foi para Kiel e entrou em uma doca seca a fim de passar por reparos. Seu proa foi modificada uma segunda vez com uma curvatura e altura maiores a fim de melhorar sua navegabilidade. O navio foi então para o Mar Báltico em 15 de janeiro de 1940 para testes marítimos. Gelo espesso no Canal de Kiel impediu seu retorno para o Mar do Norte até 4 de fevereiro. Participou da Operação Marca do Norte entre 18 de fevereiro e 20 de março, uma breve surtida no Mar do Norte até as Ilhas Shetland.

Noruega Invasão

thumb|210px|Movimentações britânicas e alemãs durante a invasão da Noruega entre 7 e 9 de abril de 1940 O navio foi em seguida designado para participar da Operação Exercício do Weser, a invasão da Dinamarca e Noruega. O Gneisenau e o Scharnhorst deveriam dar cobertura para as forças de invasão que atacariam as cidades norueguesas de Narvik e Trondheim. Os dois deixaram Wilhelmshaven na manhã de 7 de abril na companhia do cruzador pesado e catorze contratorpedeiros, estando sob o comando geral do vice-almirante Günther Lütjens. O cruzador e os contratorpedeiros realizariam os ataques contras as duas cidades enquanto os couraçados permaneceriam dando cobertura. Mais tarde no mesmo dia, por volta das 14h30min, os três navios maiores foram atacados por bombardeiros britânicos, mas não foram atingidos. O contratorpedeiro Z11 Bernd von Arnim encontrou o contratorpedeiro britânico na manhã de 8 de abril. Este abalroou o Admiral Hipper antes de ser afundado, mas o cruzador não foi seriamente danificado. As tripulações dos couraçados entraram em alerta, mas eles não chegaram a participar do confronto. O Gneisenau e o Scharnhorst então assumiram às 21h00min uma posição ao leste do Fiorde Oriental a fim de dar cobertura para os dois desembarques.

O radar Seetakt de varredura de superfície do Gneisenau captou o cruzador de batalha britânico às 4h30min do dia 9, com ambas as tripulações indo para postos de combate. A batalha começou às 5h05min. O Gneisenau logo acertou dois projéteis no Renown; o primeiro não detonou e o segundo explodiu no convés superior e danificou o equipamento de rádio. Os alemães então viraram para recuarem. Quase simultaneamente o Renown acertou o Gneisenau duas vezes, com um projétil incapacitando a terceira torre de artilharia principal e o outro acertando e atravessando a torre de controle sem detonar, cortando vários fios, matando um oficial e deixando cinco tripulantes feridos. Isto fez o couraçado cessar fogo e aumentar sua velocidade para escapar do navio britânico. Lütjens temia que os contratorpedeiros que estavam escoltando o Renown pudessem realizar um ataque de torpedos. O Gneisenau disparou ao todo sessenta projéteis de 283 milímetros e oito de 149 milímetros no decorrer do confronto. Os mares bravios e a alta velocidade com que escaparam fizeram com que ambos engolissem grandes quantidades de água à vante, causando problemas na primeira torre de artilharia dos dois.

O Admiral Hipper juntou-se aos couraçados perto de Trondheim em 11 de abril e os três fizeram juntos a viagem de volta para Wilhelmshaven, chegando no dia seguinte. Os danos que o Gneisenau sofreu na batalha contra o Renown foi consertados no local, com o navio em seguida ficando em uma doca seca em Bremerhaven entre 26 e 29 de abril com o objetivo de passar por sua manutenção periódica. O couraçado deveria então seguir para o Mar Báltico assim que os trabalhos tivessem terminado, mas ele acabou detonando uma mina magnética em 5 de maio enquanto navegava próximo do estuário do rio Elba. A explosão ocorreu a 21 metros do quarto ré de bombordo e a 24 metros de profundidade, causando danos significativos ao casco e inundando vários compartimentos, fazendo a embarcação assumir um adernamento de meio grau para bombordo. O choque da explosão também danificou muitos componentes internos, incluindo a turbina de baixa pressão de estibordo e os telêmetros de ré. Reparos foram realizados em uma doca seca em Kiel entre 6 e 21 de maio. O Gneisenau depois realizou um breve cruzeiro de testes no Báltico, retornando para Kiel no dia 27 em prontidão para combate.

Outras ações O Gneisenau e o Scharnhorst partiram em 4 de junho de volta à Noruega, recebendo a companhia do Admiral Hipper e mais quatro contratorpedeiros para escolta. O propósito desta surtida era interromper esforços Aliados de reabastecer os noruegueses e diminuir a pressão sobre as tropas alemãs. A esquadra se encontrou com o navio-tanque Dithmarschen no dia 7 para que o Admiral Hipper e os contratorpedeiros pudessem reabastecer. A traineira britânica HMT Juniper foi descoberta e afundada no dia seguinte junto com o petroleiro Oil Pioneer. Os alemães então lançaram hidroaviões para procurarem por mais embarcações Aliadas. O Admiral Hipper e os contratorpedeiros foram enviados para afundar o navio de transporte de tropas Orama, enquanto o navio-hospital Atlantis recebeu permissão para prosseguir viagem. Marschall, que estava no comando da operação, destacou o Admiral Hipper e os contratorpedeiros para reabastecerem em Trondheim, enquanto os couraçados navegaram para a área de Harstad.