miniaturadaimagem|Um afresco no mosteiro beneditino de Santi Quattro Coronati retrata Constantino oferecendo sua coroa a Silvestre. A relação de Constantino, o Grande (272-337), com os quatro bispos de Roma durante seu reinado é um componente importante da história do papado e, de forma mais geral, da história da Igreja Católica Romana.
A lenda que envolve a vitória de Constantino I na Batalha da Ponte Mílvia (312) relata sua visão do Chi Rho (☧) e da inscrição "in hoc signo vinces" no céu, e a reprodução desse símbolo nos escudos de suas tropas. No ano seguinte, Constantino e Licínio proclamaram a tolerância ao Cristianismo com o Édito de Milão, e em 325 Constantino convocou e presidiu o Primeiro Concílio de Niceia, o primeiro concílio ecumênico. Nada disso, porém, tem muita relação com os papas, que sequer compareceram ao Concílio; aliás, o primeiro bispo de Roma a ser contemporaneamente chamado de "Papa" (, pappas) foi Dâmaso I (366-384). Além disso, entre 324 e 330, ele construiu Constantinopla como uma nova capital para o império e - sem pedir desculpas à comunidade romana de cristãos - realocou famílias romanas importantes e transferiu muitas relíquias cristãs para as novas igrejas.
A Doação de Constantino, uma falsificação do século VIII usada para aumentar o prestígio e a autoridade dos papas, coloca o papa em um papel mais central na narrativa do Cristianismo Constantiniano. A lenda da Doação afirma que Constantino ofereceu sua coroa a Silvestre I (314-335) e até mesmo que Silvestre o batizou. Na realidade, Constantino foi batizado (próximo à sua morte, em maio de 337) por Eusébio de Nicomédia, que, diferentemente do papa, era um bispo ariano de Constantinopla. Silvestre foi sucedido por Marcos (336) e Júlio I (337-352) durante a vida de Constantino.
Embora a "Doação" nunca tenha ocorrido, Constantino entregou o Palácio de Latrão ao bispo de Roma e iniciou a construção da Basílica de São Pedro (a "Basílica Constantiniana"). A doação do Palácio de Latrão provavelmente ocorreu durante o reinado de Milcíades (311-314), antecessor de Silvestre I, que passou a utilizá-lo como residência. A construção da Basílica de São Pedro foi iniciada entre 326 e 330 e teria levado três décadas para ser concluída, muito depois da morte de Constantino. A legalização do Cristianismo por Constantino, combinada com a doação dessas propriedades, conferiu ao bispo de Roma um nível de poder temporal sem precedentes, criando, pela primeira vez, um incentivo para que líderes seculares interferissem na sucessão papal. Referências
Categoria:História do papado