Marin Le Roy de Gomberville (Paris, França, c. 1600 – 14 de junho de 1674) foi um autor e escritor francês do século XVII, conhecido por popularizar os romances de cavalaria e os romances pastorais. Além de ter sido membro da Academia Francesa, também trabalhou com jornalismo intelectual e traduzindo literatura espanhola.
Biografia
Infância Le Roy nasceu em Paris, na França, por volta de 1600. Era filho de Louis Le Roy, senhor de La Croix-Le Chapitre, padrinho de Bonaventure e de Marie Vallenson, madrinha de Claude-François.
Sua precocidade literária fez com que o escritor Emergiu no cenário das letras francesas muito jovem. Sua juventude foi definida pelo rápido início de sua produção, que se estenderia por sessenta anos. Gomberville publicou seu primeiro trabalho em 1614, com aproximadamente 14 anos de idade. Suas obras iniciais incluíram um volume de poesias e, em seguida, o livro "Discours des vertus et des vices de l’histoire, et de la maniere de la bien escrire", que abordou os temas de historiografia e escrita, e foi escrito quando o autor tinha apenas 20 anos.
Família Marin Le Roy de Gomberville se casou em um período de intensa atividade intelectual, coincidindo com suas pesquisas históricas sobre os cinco últimos reis da Casa de Valois. Uniu-se a Barbe Fauveau, filha de Claude Fauveau, um dos doze comerciantes de vinho privilegiados que acompanhavam a corte. De seu casamento, nasceram pelo menos cinco filhos: Philippe-François, Marin II e Marc-Antoine, cujos registros de batismo nunca foram encontrados, além de Claude-François e Bonaventure. Claude-François nasceu em 7 de setembro de 1622, e foi batizado na igreja Saint-Nicolas-des-Champs. Bonaventure foi batizado na igreja Saint-Jean-en-Grève, em 18 de julho de 1627.
Religiosidade e morte Em algum momento da década de 1640, Le Roy aceitou a doutrina religiosa de Port-Royal des Champs e tornou-se jansenista. Com isso, passou os últimos vinte e cinco anos de sua vida em retiro piedoso.
Faleceu em Paris, em 14 de junho de 1674, e seu corpo foi sepultado na igreja Saint-Étienne-du-Mont.
Carreira e obra miniaturadaimagem|O príncipe entrega uma coroa ao protagonista em frente a uma estátua de Diana. Página de rosto da quarta parte de "Polexandre", de 1637. Demonstrando notável precocidade, Gomberville iniciou sua carreira literária em 1614, com cerca de 14 anos de idade, mantendo sua produção por sessenta anos. Suas primeiras obras incluíram um volume de poesias e, em seguida, um livro dedicado à filosofia da história, cobrindo, desde cedo, diversos gêneros.
Sua produção mais conhecida abrange os romances "La Carithée", "Polexandre" e "Cythérée". Membro ativo da Academia Francesa, instituição onde foi admitido em 1634, Le Roy trabalhou ativamente no projeto do dicionário oficial da língua francesa.
Ele também se dedicou à história, realizando pesquisas sobre os cinco últimos reis da Casa de Valois. Contribuiu significativamente para o gênero do romance preciosista da época, e é frequentemente considerado o inventor do romance heroico, gênero que se inspirava no romance de cavalaria, mas que narrava aventuras na linguagem refinada do preciosismo, preocupando-se mais em analisar as emoções do que em descrever a ação.
Em 1621, escreveu o romance pastoril, "La Carithée", onde, ao retratar pastores e pastoras, também narrava eventos reais, incluindo legendas para identificar as pessoas por trás dos personagens. Le Roy escreveu o romance "Polexandre" em cinco volumes, entre os anos de 1632 e 1637, história influenciada pelos registros de viagens que eram populares entre os leitores do século XVII, em que o herói promove uma busca ao redor do mundo para encontrar a ilha em que mora a princesa Alcidiane. Seu texto contém muita história e geografia, temas apresentados à medida que o protagonista chega a lugares inesperados, como Benim, as Ilhas Canárias, o México e as Antilhas, incidentalmente informando tudo o que se sabia à época sobre a história mexicana. A obra seria traduzida do francês para o inglês em 1647, sob o título "The History of Polexander".
Em 1640, Gomberville produziu o romance "Cythérée", publicado em quatro volumes. Em 1646, foi publicada a primeira edição de seu livro de emblemas, "La Doctrine des Moeurs" () baseado em "Quinti Horatii Flacci Emblemata", publicado por Otto van Veen em 1607.
Em 1651, tendo se tornado jansenista, publicou "Jeune Alcidiane", obra com que visou desfazer qualquer dano que seus romances anteriores pudessem ter causado.
Polexandre, a obra principal A obra mais importante de Gomberville, "Polexandre", é marcada pelo espírito de fantasia e liberdade do barroco, inclusive na composição. Resumir essa obra é quase impossível, pois o título genérico designa, na verdade, uma sucessão relativamente descontínua de quatro romances.
"Polexandre" passou por sucessivas reelaborações ao longo do tempo. A primeira versão, "O Exílio de Polexandre e de Ericlée", datada de 1619, apresenta uma história intercalada e inacabada. Em 1629 surge "O Exílio de Polexandre", texto que amplia a narrativa com aventuras na América e na França, mostrando o protagonista, um nobre da corte de Carlos IX, apaixonado por Olimpe. Já em 1632, a obra é revista e aumentada, revelando Polexandre como Carlos Martel e introduzindo personagens que atravessam séculos e continentes, como uma princesa mexicana transformada em princesa da Armênia.
Jean de La Fontaine afirmou ter lido a obra mais de vinte vezes, provavelmente uma exageração irônica por parte do poeta francês, considerando a extensão da obra. No entanto, sua declaração reflete o fascínio do público pela fantasia e pelas aventuras de Polexandre. Gomberville leu relatos de viajantes e até traduziu para o francês a narrativa de um jesuíta que subiu o rio Amazonas, acrescentando detalhes suficientes — como vestimentas, habitações, etc — para despertar sonhos de viagens e horizontes longínquos.
Bibliografia
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