Os Delfins são uma banda pop rock portuguesa, de Cascais, formada em 1981.

Percurso Primeiros integrantes Delfins são um grupo musical português formado em 1981 por Fernando Cunha (guitarra e voz), João Carlos (baixo), Silvestre (teclas). A estes juntaram-se Miguel Ângelo (voz), no ano seguinte, e Pedro Molkow (bateria), em Janeiro de 1983. A prestação de serviço militar leva ao afastamento de João Carlos e à sua substituição por Carlos Brito de Sá (que sai para se juntar aos Astronautas, banda fundada por João Carlos) e este por Rui Fadigas. O baterista Jorge Quadros também entrou para o lugar de Pedro Molkow.

Década de 1980 Em 1984, gravaram o primeiro, single, "Letras" para a editora Fundação Atlântica. São convidados para ir à RTP, atuar no programa Zig Zag, apresentado por Luís Pereira de Sousa, onde atuam com Eduardo Nascimento. Em Maio de 1985 o grupo apresenta-se no Rock Rendez-Vous. Nesse mesmo ano concorrem ao Festival RTP da Canção com o tema "A Casa da Praia", que é posteriormente gravado para um segundo single. Nessa edição do festival concedem-lhes o último lugar da classificação, e a sua participação viria a provocar algum retraimento na imprensa, que desconfia desde logo da banda.

Em Julho de 1986 entram em contacto com o teclista dos Heróis do Mar, Carlos Maria Trindade, para que este assumisse o papel de produtor do grupo. Dois meses depois gravam as maquetas do que será o seu primeiro LP e viajam até Cáceres, em Espanha, para actuarem num festival luso-espanhol, ao lado dos Xutos & Pontapés, Heróis do Mar e Mler Ife Dada. Em Outubro arriscam uma produção independente, com o consentimento do irmão do guitarrista, António Cunha, entrando nos estúdios de Paço de Arcos acompanhados por alguns convidados - Maria Leon e os Sétima Legião asseguram os coros e Enzo toca piano.

No início de 1987 tocam na Aula Magna, em Lisboa, vão ao Porto e a Alcobaça e em finais de Janeiro fazem na discoteca Coconuts, em Cascais, para a pré-apresentação do seu primeiro álbum, cuja edição viria a ser adiada para Abril, já que após um encore particularmente bem-sucedido, os músicos e produtor decidiram voltar a estúdio para incluir no álbum uma versão da "Canção do Engate", original de António Variações, música que seria posta a circular nas pistas de dança de todo o país ao longo desse Verão, após a publicação do disco. O primeiro álbum, Libertação, saiu com etiqueta da EMI e foi muito bem recebido pela crítica, alcançando boas posições nos tops de vendas e radiofónicos e em Julho o grupo é contactado pela RTP para a gravação de dois videoclipes, para os temas "Canção do Engate" e "Baía de Cascais".

No ano seguinte, 1988, os Delfins lançaram o disco U Outro Lado Existe, tendo Carlos Maria Trindade como produtor. Como convidados, para além de Trindade (que faz com o grupo alguns concertos a norte após o abandono de António Silvestre, primeiro teclista da banda), Paulo Pedro Gonçalves na guitarra e Leonel Cardoso no saxofone. Começou a ser apresentado ao vivo ainda antes da sua publicação, durante a digressão Arriba- Tejo/88, onde o grupo se fez acompanhar por um teclista que também reside em Cascais, Nuno Canavarro. O disco provocou clamorosos elogios por parte da imprensa, que lhe chama "o mais surpreendente disco português da época" e deu abrigo a uma das ideias fortes deste trabalho, a contestação à obrigatoriedade do serviço militar, nomeadamente no tema "Bandeira", que acaba por se transformar num hino de juventude e publicado em maxi-single, com uma dedicatória a todos os soldados que morreram em 1988, comandos e não só.

Durante semanas, o tema "1 Lugar so Sol" figurou no primeiro lugar do top radiofónico, que entretanto tinha sido regravado em estúdio juntamente com "Sombra de uma Flor" e "1 Só Céu" 3, temas do LP com arranjos musicais completamente diferentes e com produção do guitarrista Fernando Cunha. Os Delfins tornaram-se assim o primeiro grupo português a ousar recorrer da atenção mediática que a sua posição editorial permite para intervirem socialmente. No início de 1989, uma apresentação do grupo em Lisboa no Festival Sons do Parque, Nuno Canavarro despede-se do grupo enquanto teclista convidado e Fernando Cunha convida para o seu lugar Luís Sampaio, vindo dos extintos Radar Kadafi. E, com isto, a formação do grupo estabiliza-se. No entanto isso não os impediu de contratarem um violinista, David D., para alguns dos imensos espectáculos desse ano dos quais se destacam o Printemp de Bourges, a Aula Magna, em Lisboa, e o Festival de Sagres, com os Xutos & Pontapés.

Década de 1990 Em 1990 rescindem contrato com a EMI-Valentim de Carvalho assinando com a BMG, sendo a primeira banda a inaugurar o catálogo nacional desta editora. Lançam nesse mesmo ano o álbum Desalinhados, produzido por Fernando Cunha, que incluiria entre outros a "Marcha dos Desalinhados" , "Se Eu Pudesse um Dia", "Nasce Selvagem" além de uma cover dos Roxy Music "Song For Europe". A 29 de Setembro desse ano o grupo actua diante de no antigo Estádio de Alvalade, na primeira parte do concerto de Tina Turner, onde apresentam duas novas vozes as irmãs Dora e Sandra Fidalgo. O Diário de Notícias escreveria na altura que os Delfins podiam-se congratular por terem sido o primeiro grupo português a mexer com tamanha multidão. É o ano que marca a abertura do famoso Jonnhy Guitar com uma actuação surpresa pelos Delfins para 30 pessoas. A passagem de ano no Terreiro do Paço, transmitida pela TV2 não podia passar sem o grupo que além de interpretarem os seus próprios temas, serviu de banda suporte à recreação de várias canções pop nacionais, actuando juntamente com os Xutos & Pontapés, os Ban e Lena d'Água

Em 1991 Fernando Cunha e Miguel Ângelo envolvem-se no mega projecto Resistência. Apesar disso o grupo continuava a ser bastante cobiçado por adolescentes de todo o País. A primeira parte dos seus espectáculos era preenchida com a actuação dos Lobo Meigo. Carlos Maria Trindade abandonou a colaboração com os Delfins, antes de se finalizar a digressão "Desalinhados" com dois concertos: no Pavilhão Carlos Lopes (Lisboa, 29 de Junho) e no Coliseu do Porto (5 de Julho) onde se celebra a marca de disco de prata, o primeiro galardão do grupo. Ao mesmo tempo a antiga editora, EMI, publica em CD a compilação dos dois primeiros discos do grupo sob o título 1 Só Céu. Este título deixou muitas marcas na carreira dos Delfins, e talvez por isso foi escolhido para dar nome ao novo emprendimento de Fernado Cunha e Miguel Ângelo - um estúdio em Cascais, reaproveitando três antigas garagens subterrâneas. Apresentam-se na Festa do Avante! e o espectáculo é um êxito.

Em meados de 1992 o baixista Rui Fadigas é temporariamente substituído por Pedro Ayres Magalhães ao longo desse ano e é, com essa formação que o grupo se apresenta em Sevilha para um outro grandioso concerto na Expo-92. Mas o trabalho com Pedro Ayres viria a conhecer novos rumos, evoluindo para aquele que foi o seu primeiro disco gravado nos estúdios 1 Só Céu com novamente a produção de Fernando Cunha e a assistência técnica de Jonathan Miller - o triplo álbum e duplo CD Ser Maior - uma História Natural, um longo álbum que evoca as paisagens místicas de Sintra e da costa marítima de Cascais ao longo de uma narrativa iniciática em que o golfinho se transforma em homem. Rui Fadigas regressa a tempo de participar nas gravações. O álbum foi publicado em Julho de 1993 e apresentado à imprensa num espectáculo surpresa sobre o Tejo, numa espécie de ritual iniciático, e depois ao público no Portugal ao Vivo, para 40 mil pessoas. Tocam em Paris, no famoso Zénith, ao lado da Resistência. Criam um espectáculo multimédia para o Teatro da Trindade, em Lisboa, e esgotam três noites consecutivas. É, sem dúvida, um espectáculo diferente, só com as canções do disco, seguindo o alinhamento, Acto I e Acto II.

O realizador José Pinheiro leva o grupo depois até à praia da Ursa com a sua equipa para registar o videoclip de "Ao passar um navio" que inclui imagens subaquáticas. A teatralidade do espectáculo Ser Maior terá inspirado o convite do encenador Carlos Avilez e levou o grupo a participar na peça Breve Sumário da História de Deus de Gil Vicente, estreada em Cascais no mesmo local que Avilez levara à cena 20 anos antes.A peça vai a palco 33 vezes, as vezes que o cantor é crucificado no tecto do teatro, antes da ressurreição e do cântico final de "Solta os Prisioneiros". Sai o disco Breve Sumário da História de Deus - banda sonora original, com produção de Fernando Cunha. Participam na colectânea e espectáculo "Filhos da Madrugada", em homenagem a Zeca Afonso, onde os Resistência também dão o seu último espectáculo. "Vejam Bem" é a canção escolhida e transformada em ambient-pop, com produção também de Fernando Cunha e a ajuda preciosa de Doctor J, elemento dos USL (Undergroud Sound of Lisbon).

Em 1995 é o ano em que Sandra Fidalgo abandonou o grupo, deixando a sua irmã entregue aos Delfins é um ano de balanço sendo ao mesmo tempo o melhor ano da carreira do grupo até então. Constantes solicitações para concertos, uma ida a Macau (que teve gravação de um programa especial para a TDM - televisão de Macau) e a conhecida participação na série de concertos "Portugal ao vivo 2" no Estádio do Bessa. Lançam ainda a compilação "O Caminho da Felicidade" que se torna um dos dos discos mais vendidos em Portugal. O tema de maior sucesso foi "Sou Como Um Rio", produzido nos estúdios 1 Só Céu por Fernando Cunha.

Da extensa digressão saliente-se uma visita ao Brasil abrindo o show de Fernanda Abreu, no Rio de Janeiro, em plena praia Carioca aproveitando para realizarem um clip-versão brasileira de "Sou como um Rio" sem dúvida um dos maiores êxitos nacionais de sempre.Vencem dois dos Globos de Ouro da SIC na sua primeira edição: as de Melhor Grupo Nacional e melhor música com o tema "Sou como Um Rio".

O final da extensa digressão que passou pelo Festival Bock Super Rock em Lisboa, é assinalado com um belo concerto em plena Baía de Cascais transmitido em directo na Antena 3 e filmado e emitido pela SIC no réveillon.

O grupo foi ainda convidado para fazer a banda sonora de um filme português "Adeus Pai" de Luís Filipe Rocha e de imediato parte para uma digressão internacional com algo em mente: a gravação de um novo disco de originais por todos os países onde passassem, numa autêntica operação móvel! Suíça, África do Sul, Salvador da Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro e Londres, foram as cidades escolhidas para as gravações do álbum

O sucesso repete-se com esse novo disco "Saber Amar" , com produção de Fernando Cunha, lançado em Dezembro de 1996 chegando a atingir as 4 platinas . Na sequência disso o grupo faz uma nova digressão no ano seguinte que passou por diferentes países como Brasil, Alemanha, Suíça, França, Luxemburgo e Inglaterra ficando particularmente contentes com um espectáculo na Brixton Academy em Londres. No âmbito do sucesso do primeiro Best-of o grupo viria a esgotar 3 noites seguidas o Coliseu dos Recreios, para uma orquestra pop agora enriquecida com 3 metais, um percussionista recrutado no Brasil e integrado no grupo (Castora) e um segundo guitarrista (Rogério Correia, mais tarde dos Caravana). Uma digressão onde o grupo consegue realizar um sonho antigo: produzir os próprios espectáculos, juntamente com a União Lisboa, e sair para a estrada com uma equipa de quase 50 pessoas, mantendo sempre o mesmo palco, os cenários e os técnicos.

Tocam em estádios e ao ar livre para grandes multidões, não passando pelos pequenos recintos. Voltam a ser premiados com o Globo de Ouro de Melhor Grupo Nacional. O final da digressão realiza-se no Coliseu do Porto,em duas noites, com os brasileiros Barão Vermelho na primeira parte. Estes espectáculos tornam-se bastante emocionais devido à saída de Dora, que também decide parar e ser mãe. É no fim de um longo e suado percurso que decidem fazer um intervalo.