Spartacus é um filme de drama histórico épico americano de 1960 dirigido por Stanley Kubrick e estrelado por Kirk Douglas no papel-título, um escravo e gladiador que lidera uma rebelião contra Roma durante os eventos da Terceira Guerra Servil. Adaptado por Dalton Trumbo do romance homônimo de Howard Fast, Spartacus também é estrelado por Laurence Olivier como o general e político romano Marcus Licinius Crassus, Charles Laughton como o senador rival Sempronius Gracchus, Peter Ustinov interpretando o dono da escola de gladiadores Lentulus Batiatus e John Gavin como Júlio César. Jean Simmons interpretou a esposa fictícia de Spartacus, Varinia e Tony Curtis interpretou o escravo fictício Antoninus.
Kirk Douglas, cuja empresa Bryna Productions estava produzindo o filme, removeu o diretor original Anthony Mann após três semanas de filmagem. Kubrick, com quem Douglas havia feito Paths of Glory (1957), assumiu como diretor sendo a sua única produção onde ele não tinha controle artístico completo. O roteirista Dalton Trumbo estava na lista negra na época como um dos Dez de Hollywood e quando isto foi anunciado o presidente John F. Kennedy cruzou as linhas de piquete da Legião Nacional da Decência para assistir ao filme, ajudando a acabar com a lista negra; O livro de Howard Fast também havia sido colocado na lista negra e ele teve que republicar a edição original.
Spartacus ganhou quatro Oscars (Melhor Ator Coadjuvante para Ustinov, Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte e Melhor Figurino) de seis indicações. Também recebeu seis indicações ao Globo de Ouro, incluindo a única indicação da carreira de Woody Strode ao Globo de Ouro (de Melhor Ator Coadjuvante), vencendo finalmente uma (Melhor Filme - Drama). Na época de seu lançamento, foi o longa-metragem de maior bilheteria da história da Universal Studios até ser superado por Aeroporto (1970). Em 2017, foi selecionado para preservação no National Film Registry dos Estados Unidos pela Biblioteca do Congresso como sendo "culturalmente, historicamente ou esteticamente significativo".
Enredo No século I a.C., a República Romana mergulha em corrupção, com os trabalhos manuais realizados por escravos. Um deles, um trácio chamado Espártaco (Kirk Douglas), mostra-se tão insubmisso em uma mina que é condenado à morte por inanição. Por acaso, ele é exibido ao lanista (treinador e comerciante de gladiadores) Lêntulo Batiato, que, impressionado com sua ferocidade, compra Espártaco para sua escola de Cápua e ordena ao treinador Marcellus que não exagere no processo de doutrinação, acreditando que o escravo "possui qualidade". Em meio aos abusos, Espártaco estabelece uma relação discreta com Varínia (Jean Simmons), uma serva enviada para "entreter" o escravo em sua cela, mas que ele se recusa a tocar. Ambos são forçados a suportar inúmeras humilhações por desafiar as condições da servidão.
Batiato recebe a visita do riquíssimo e poderoso senador romano Marco Licínio Crasso (Laurence Olivier), que almeja tornar-se ditador de Roma. Crasso acaba comprando Varínia e, para divertir seus convidados, organiza uma luta particular entre Espártaco e três outros gladiadores até a morte. Quando Espártaco é desarmado, seu oponente, um etíope chamado Draba, poupa-lhe a vida em um ato de desafio e solidariedade, atacando os espectadores romanos. Ele é atingido pelas costas por uma lança de um guarda e morto pessoalmente por Crasso. No dia seguinte, com o ambiente ainda tenso no ludus, Batiato envia Varínia à casa de Crasso, em Roma. Espártaco mata Marcellus, que o provocava por causa de seus sentimentos, e uma revolta irrompe. Batiato foge enquanto os gladiadores subjugam os guardas e escapam para o campo.
Espártaco é eleito líder dos fugitivos e decide conduzi-los para fora da Itália, de volta às suas terras natais. O grupo saqueia propriedades rurais pelo caminho, reunindo dinheiro suficiente para comprar transporte marítimo com os piratas da Cilícia, inimigos de Roma. Muitos escravos unem-se à rebelião, formando um exército. Entre os novos integrantes estão Varínia, que escapou antes de ser entregue a Crasso, e Antoninus (Tony Curtis), um escravo artista que também fugira do serviço de Crasso ao descobrir que o senador bissexual pretendia torná-lo seu escravo sexual. Espártaco sente-se inferior por sua falta de educação, mas revela-se um líder nato, organizando seus seguidores em uma comunidade forte e autossuficiente. Varínia, agora sua companheira, engravida.
O Senado Romano fica alarmado à medida que Espártaco derrota todos os exércitos enviados contra ele. Graco (Charles Laughton), rival político de Crasso, percebe que o adversário tentará usar a crise como justificativa para assumir o comando do exército romano. Para impedir isso, Graco concede poder militar a seu protegido, o jovem senador Júlio César (John Gavin). Embora César não compartilhe o desprezo de Crasso pelas classes baixas de Roma, confunde sua rigidez moral com o orgulho patrício. Assim, quando Graco revela ter subornado os cilícios para ajudar Espártaco a deixar a Itália e libertar Roma do exército escravo, César considera o ato indigno e alia-se a Crasso.
Crasso suborna os piratas para traírem Espártaco e ordena ao exército romano que empurre os rebeldes para o interior, em direção a Roma. Temendo que Espártaco saqueie a cidade, o Senado concede a Crasso poderes absolutos. Cercado por legiões romanas, Espártaco convence seus homens a morrer lutando. Apenas por se rebelarem e provarem ser humanos, ele diz, já golpearam o sistema da escravidão. Na batalha seguinte, a maioria dos escravos é massacrada. Os romanos tentam identificar o líder rebelde, prometendo perdão (e retorno à escravidão) a quem o denunciar. Um homem grita "Eu sou Espártaco!", seguido por todos os outros. Crasso condena-os à morte por crucificação ao longo da Via Ápia, onde a revolta começou.
Ao capturar Varínia e o filho recém-nascido de Espártaco, Crasso leva-os como prisioneiros. Perturbado pela lealdade e amor que Espártaco inspira, ele tenta fazer com que Varínia se torne devotada a ele como fora ao marido. Quando ela o rejeita, ele identifica Espártaco e o poupa para o final, junto de Antonino. Crasso obriga-os a lutar até a morte, prometendo que o sobrevivente será crucificado. Espártaco mata Antonino para poupá-lo desse destino. O episódio deixa Crasso inquieto com a possibilidade de Espártaco viver na memória como mártir. Ele também teme o futuro crescimento do poder de César, que pressente poder eclipsá-lo.
Graco, ao ver Roma cair na tirania, comete suicídio. Antes, suborna seu amigo Batiato para resgatar a família de Espártaco das mãos de Crasso e levá-los à liberdade. Ao deixar Roma, o grupo passa sob a cruz onde Espártaco agoniza. Varínia consola-o em seus últimos momentos, mostrando-lhe o filho e prometendo que ele crescerá livre e saberá quem foi seu pai. Elenco Kirk Douglas como Spartacus Laurence Olivier como Crassus Jean Simmons como Varinia Charles Laughton como Gracchus Peter Ustinov como Batiatus John Gavin como Julius Caesar Nina Foch como Helena Glabrus John Ireland como Crixus Herbert Lom como Tigranes Levantus John Dall como Marcus Publius Glabrus Charles McGraw como Marcellus Joanna Barnes como Claudia Marius Harold J. Stone como David Woody Strode como Draba Peter Brocco como Ramon Paul Lambert como Gannicus Robert J. Wilke como Capitão Nicholas Dennis como Dionysius John Hoyt como Caius Frederic Worlock como Laelius Tony Curtis como Antoninus
Produção Desenvolvimento O desenvolvimento de Spartacus foi parcialmente instigado pelo fracasso de Kirk Douglas em ganhar o papel-título em Ben-Hur (1959) de William Wyler. Douglas já havia trabalhado com Wyler antes em Detective Story (1951) e ficou desapontado quando ele escolheu Charlton Heston. Pouco tempo depois, Edward Lewis, vice-presidente da produtora cinematográfica de Douglas, Bryna Productions leu o romance Spartacus de Howard Fast que tinha um tema relacionado — um indivíduo que desafia o poder do Império Romano. O ator ficou impressionado o suficiente para comprar uma opção do livro com suas próprias finanças. Ele propôs o projeto a Arthur B. Krim, chefe da United Artists, que distribuiria The Vikings (1958), também estrelado pelo intérprete. Krim recusou o projeto porque Yul Brynner estava desenvolvendo seu próprio filme baseado no Espártaco, provisoriamente intitulado The Gladiators e ao saber sobre o projeto de Kirk Douglas, Martin Ritt se enfureceu. Lewis então propôs a fusão dos dois projetos, com Douglas e Brynner nos papéis principais porém o segundo recusou a oferta e começou a gravar The Gladiators depois que Ritt concluiu a edição de The Sound and the Fury (1959).
O empresário de Kirk Douglas, Lew Wasserman, sugeriu a ele que tentasse levar seu projeto para a Universal Studios. Com o roteiro de Dalton Trumbo sendo concluído em duas semanas, a Universal e Douglas se adiantaram ao projeto rival de Brynner, que por fim, descartou a ideia devido as condições climáticas da Europa e preferiu encenar The Magnificent Seven (1960). No outono de 1958, a Universal Studios finalmente concordou em financiar a produção depois que Douglas convenceu Laurence Olivier, Charles Laughton e Peter Ustinov a entrar no elenco.
Douglas originalmente ofereceu o papel de Varinia à atriz francesa Jeanne Moreau mas ela não queria deixar o namorado sozinho na França. A alemã Sabine Bethmann foi então escalada. O estúdio deu a ela o nome anglicizado de "Sabina Bethman" para uso na publicidade do longa-metragem, mas a intérprete foi substituída por Jean Simmons após apenas dois dias de filmagens.
Roteiro Howard Fast foi inicialmente contratado para adaptar seu próprio romance para um roteiro. Após 60 dias, Kirk Douglas leu o primeiro rascunho mas o descreveu como um "desastre, inutilizável". Pressionado pelo tempo e competindo com o projeto rival de Brynner, Douglas recorreu a Dalton Trumbo, que havia sido colocado na lista negra como um dos "10 de Hollywood". Trumbo não gostou de Fast, pois o considerava raso em suas visões esquerdistas, mas concordou em escrever um tratamento, que Douglas e Edward Lewis então deram a Fast, afirmando que essa era sua direção preferida para o roteiro. Porém o autor se recusou a seguir o tratamento de Trumbo, então o ator contratou Trumbo para escrever o roteiro final. Lewis serviria como fachada para Trumbo, com este último recebendo pagamentos direcionados ao seu pseudônimo "Sam Jackson".
Douglas insistiu que Trumbo recebesse crédito na tela por seu trabalho, o que ajudou a quebrar a lista negra. Trumbo foi preso por desacato ao Congresso em 1950, após o que ele sobreviveu escrevendo roteiros sob nomes falsos, porém Douglas anunciou publicamente que ele era o roteirista de Spartacus.Harvey, Steve (11 de Setembro de 1976). "Dalton Trumbo Dies at 70, One of the 'Hollywood 10'". Los Angeles Times. p. 1. He recalled how his name returned to the screen in 1960 with the help of Spartacus star Kirk Douglas: 'I had been working on Spartacus for about a year' Além disso, o presidente John F. Kennedy ignorou publicamente uma manifestação organizada pela Legião Americana e assistiu o filme.
Em sua autobiografia, Douglas afirma que essa decisão foi motivada por uma reunião que Edward Lewis, Stanley Kubrick e ele tiveram sobre quais nomes seriam listados para o roteiro nos créditos do filme, dada a posição instável de Trumbo com os executivos de Hollywood. Uma ideia era creditar Lewis como co-roteirista ou único roteirista, mas o citado vetou ambas as sugestões. Kubrick então sugeriu que seu nome fosse usado algo que Douglas e Lewis acharam revoltante o diretor levar o total crédito pelo trabalho de Trumbo, e no dia seguinte, Douglas ligou para o portão da Universal dizendo: "Gostaria de deixar um passe para Dalton Trumbo". Douglas escreve: "Pela primeira vez em 10 anos, [Trumbo] entrou em um estúdio. Ele disse: 'Obrigado, Kirk, por me devolver meu nome'".