Lloyd Tilghman Binford (16 de dezembro de 1866 – 27 de agosto de 1956) foi um executivo de seguros e censor de filmes americano que chefiou o Conselho de Censura de Memphis no início do século XX por 28 anos conhecido pelo seu forte moralismo contra violência no cinema e por falas racistas.Obituary Variety, 29 de Agosto de 1956.

Vida pregressa Binford nasceu em Duck Hill, Mississippi, em 16 de dezembro de 1866. Embora sua educação formal tenha terminado na quinta série, Binford iniciou e administrou diversos negócios. Em um verão, vendeu fogos de artifício para o 4 de julho e também administrou uma pista de patinação ao ar livre aos 14 anos de idade.

Aos 16 anos, começou a trabalhar como escriturário ferroviário na Illinois Central Railroad. Seu período na Illinois Central Railroad foi marcado por muitas situações perigosas, o que o levou a procurar um emprego mais seguro na Woodmen of the World, uma organização fraternal que oferecia seguros a seus membros.

Binford obteve tanto sucesso nesse cargo que passou a organizar unidades da Woodmen em todo o Mississippi, o que chamou a atenção da Columbian Mutual Life Assurance Society. Ele ascendeu na empresa e tornou-se presidente em 1916. Optou por construir a sede da companhia em Memphis, Tennessee, o que o levou a se mudar para essa cidade.

Ele era maçom e ficou conhecido por suas opiniões sobre a “feminilidade sulista” e a supremacia branca. Certa vez, disse à revista Collier's que, em seu funeral, “duas fileiras de assentos na parte de trás” seriam “reservadas para meus amigos nigga”.

Carreira

O prefeito de Memphis e chefe político de Binford, E. H. Crump, nomeou Binford como líder do recém-criado Conselho de Censores (Board of Censors) de Memphis em 1928. Nesse cargo, ele optou por censurar filmes que incluíssem temas ou atores que não apoiava, como quaisquer filmes com atores negros em papéis principais.

Uma das primeiras determinações de Binford foi ordenar a remoção das cenas de flagelação e da crucificação do filme The King of Kings (1927) de Cecil B. DeMille. O gerente do Lyric Theatre, com o apoio do distribuidor do longa-metragem, exibiu a obra sem cortes, o que resultou em sua prisão. O caso levou a uma audiência no Tribunal de Apelações do Tennessee, que decidiu que os atos do Conselho de Censura de Memphis não estavam sujeitos à revisão judicial, desde que o conselho não extrapolasse sua autoridade; dessa forma, os cortes impostos ao filme eram legais, definitivos e não passíveis de revisão segundo a legislação estadual. Posteriormente, o conselho de censura ordenou cortes ou proibições a diversos filmes com estrelas ou temáticas afro-americanas, incluindo Imitation of Life (1934), Sensations of 1945 (1944) e Brewster's Millions (1945).

Em 1945, Binford atraiu atenção nacional ao proibir o filme The Southerner, de Jean Renoir, alegando que os personagens sulistas eram retratados como “comuns, desprezíveis e ignorantes White trash”. O produtor David Loew, respondeu afirmando que “Binford devia estar cheirando magnólias demais”. A revista Boxoffice observou, em um editorial, que a opinião de Binford sobre The Southerner contrastava com a das United Daughters of the Confederacy, que endossaram o filme por retratar “‘a coragem, a firmeza de caráter e o amor por nossa terra, características marcantes do sul’”.

Binford também se opunha a qualquer filme que apresentasse um assalto a trem e bloqueou a exibição em Memphis de Jesse James (1939), The Return of Frank James (1940), The Outlaw (1943) e outros. Em 1954, explicou à revista Variety por que havia proibido o filme Woman They Almost Lynched, afirmando: “Sou contra filmes que retratem Jesse James e seus irmãos e sempre proíbo esse tipo de produção”.

Entre outros filmes proibidos por Binford em Memphis estava a comédia Curley (1947), produzida executivamente por Hal Roach no estilo de seus antigos curtas da série Our Gang. Em uma carta ao distribuidor, Binford declarou: “‘[O conselho] não pôde aprovar o filme Curley com as crianças negras, pois o sul não permite negros em escolas de brancos nem reconhece igualdade social entre as raças, nem mesmo entre crianças’”. O distribuidor do longa-metragem entrou com uma ação judicial contra o conselho, argumentando que a censura cinematográfica era inconstitucional. Em grau de recurso, a Suprema Corte do Tennessee decidiu que a ação não poderia prosseguir, pois o distribuidor, ao realizar negócios dentro do estado, era uma empresa estrangeira que não havia se registrado no Tennessee.

Binford também ocasionalmente proibia filmes com base na conduta pessoal de seus astros, e não no conteúdo das obras. Em 1950, referindo-se ao relacionamento de Ingrid Bergman com o diretor Roberto Rossellini, anunciou que a filmografia da atriz estava banida em Memphis “por causa de sua conduta, não por causa dos filmes” e acrescentou: “Nem sequer vimos Stromboli e não esperamos vê-lo”. No ano seguinte, uma relançamento de Luzes da Cidade, de Charlie Chaplin, foi proibido em Memphis. A justificativa de Binford afirmou que, embora “não houvesse nada de errado com o filme em si”, a obra não poderia ser exibida na cidade “por causa do caráter e da reputação de Chaplin”, a quem ele também chamou de “moleque das sarjetas de Londres”; a referência dizia respeito ao quarto casamento de Chaplin com Oona O'Neill, então com 18 anos, ocorrido em 1943.

Morte Binford apresentou um agravamento progressivo de seu estado de saúde ao longo da década de 1950 e aposentou-se de seu cargo como presidente do Conselho de Censura em 1.º de janeiro de 1956. Ele morreu em decorrência de complicações resultantes de um ataque de influenza em 27 de agosto de 1956.

Impacto Embora as proibições impostas por Binford tenham impedido a exibição de determinados filmes em Memphis, alguns publicitários passaram a utilizar suas avaliações negativas como material promocional para alavancar o interesse do público. Por exemplo, sua crítica ao filme Son of Sinbad (1955) levou pessoas a viajarem pra diferentes cidades só para assistir à obra, pois Binford afirmou que ela continha “uma das danças mais vis que já vi” e observou que “a dançarina estava quase nua, usando apenas um fio-dental e uma espécie de avental translúcido”.

O próprio Conselho de Censura de Memphis continuou em funcionamento até julho de 1965, quando o juiz federal dos Estados Unidos Bailey Brown, em um caso envolvendo cortes propostos ao filme italiano do gênero mondo La donna nel mondo (1963), declarou inconstitucionais as ordenanças municipais sob as quais o conselho operava.

Em 2023, os cinemas do município exibiram alguns dos filmes proibidos para reconhecer o impacto que a censura de Binford teve na arte e na comunidade local.

Categoria:Nascidos em 1866 Categoria:Naturais do Mississippi Categoria:Censura nos Estados Unidos Categoria:Segregacionistas dos Estados Unidos Categoria:Racismo nos Estados Unidos Categoria:Mortes por gripe