Alberto de Saxe-Coburgo-Gota (; Coburgo, – Windsor, ) foi o marido da rainha Vitória e Príncipe Consorte do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda desde o casamento em 10 de fevereiro de 1840 até sua morte em 1861. Ele nasceu no ducado saxão de Saxe-Coburgo-Saalfeld em uma família com relações familiares com vários monarcas europeus. Aos vinte anos de idade, casou-se com sua prima direta Vitória, com quem teve nove filhos.
No início de seu casamento, ele sentia-se restringido em sua posição de consorte, que não lhe dava nenhum poder ou função oficial. Com o passar do tempo o príncipe adotou várias causas, como uma reforma educacional e a abolição mundial da escravatura, também assumindo as responsabilidades administrativas da criadagem, propriedades e escritório da rainha. Alberto envolveu-se ativamente na organização da Grande Exposição de 1851 e ajudou no desenvolvimento da monarquia constitucional britânica ao persuadir sua esposa a mostrar menos partidarismo nos assuntos do parlamento — mesmo discordando ativamente da política internacional intervencionista promovida por Henry Temple, 3.º Visconde Palmerston, o secretário de assuntos estrangeiros.
Nascimento e família thumb|esquerda|220px|Alberto (esquerda) com seu irmão Ernesto e sua mãe Luísa, por Ludwig Döll, no Palácio de Ehrenburg Francisco Alberto Augusto Carlos Emanuel nasceu em no Castelo de Rosenau, perto de Coburgo, Confederação Germânica, segundo filho do príncipe Ernesto III, Duque de Saxe-Coburgo-Saalfeld e a princesa Luísa de Saxe-Gota-Altemburgo.; ; Sua futura esposa, a rainha Vitória, nasceu no mesmo ano com a ajuda da mesma parteira. Foi batizado na Igreja Evangélica Luterana no dia 19 de setembro de 1819 dentro do Salão Mármore de Rosenau com água tirada do rio Itz. Seus padrinhos foram sua avó paterna, a princesa Augusta de Reuss-Ebersdorf, seu avô materno Augusto, Duque de Saxe-Gota-Altemburgo; o imperador Francisco I da Áustria, o príncipe Alberto Casimiro, Duque de Teschen e o conde Emmanuel von Mensdorff-Pouilly.; Seu tio-avô, Frederico IV, Duque de Saxe-Gota-Altemburgo, morreu em 1825. A morte levou a um rearranjo dos ducados saxônicos e, no ano seguinte, seu pai tornou-se o duque de Saxe-Coburgo-Gota.
Alberto e o seu irmão mais velho, Ernesto, passaram a sua criação em uma relação muito próxima marcada pelo turbulento casamento de seus pais e posterior separação e divórcio. Sua mãe se casou com Alexandre de Hanstein, Conde de Pölzig e Beiersdorf, depois de ser exilada da corte em 1824. Ela provavelmente nunca mais viu os filhos e morreu de câncer aos trinta anos de idade em 1831.; Um ano depois seu pai se casou com a própria sobrinha, Maria de Württemberg, porém ela quase não teve impacto nas vidas de seus enteados.
Os irmãos foram educados particularmente por Christoph Florschütz e depois estudaram na cidade de Bruxelas na Bélgica, com Adolphe Quételet sendo um dos tutores. Como muitos outros príncipes germânicos, Alberto estudou na Universidade de Bonn. Estudou direito, economia política, filosofia e história da arte. Ele tocava música e era bom ginasta, especialmente em esgrima e equitação.
Casamento
thumb|220px|Príncipe Alberto, em 1840, por John Partridge, na Royal Collection Por volta de 1836, a ideia de casar Alberto com sua prima a princesa Vitória de Kent cresceu na mente de seu tio, o rei Leopoldo I da Bélgica.; Na época, Vitória era a herdeira presuntiva do trono britânico. Seu pai, o príncipe Eduardo, Duque de Kent e Strathearn, o quarto filho do rei Jorge III do Reino Unido e da rainha Carlota de Mecklemburgo-Strelitz, morreu quando ela era apenas um bebê e seu tio, o rei Guilherme IV, não tinha nenhum herdeiro legítimo. Sua mãe, a princesa Vitória de Saxe-Coburgo-Saalfeld, era irmã do pai de Alberto e do rei Leopoldo. O rei belga fez a duquesa convidar o Duque de Saxe-Coburgo-Gota e seus dois filhos para visitá-la em maio de 1836, com a intenção deles conhecerem a princesa. Guilherme IV, porém, desaprovava quaisquer casamentos com os Coburgo e insistiu em favor do príncipe Alexandre dos Países Baixos, o segundo filho de Guilherme, Príncipe de Orange. Vitória estava ciente dos vários planos para seu matrimônio e analisou criticamente todos os possíveis candidatos. Ela escreveu em seu diário, "Alberto é extremamente bonito, seu cabelo é da mesma cor do meu, os seus olhos são grandes e azuis e tem um lindo nariz e uma boca muito doce com bons dentes. Mas o charme do seu rosto é a sua expressão, que é muito agradável". Alexandre, por outro lado, era "muito simples".
Vitória escreveu ao tio Leopoldo para lhe agradecer pela "expectativa de grande felicidade para a qual contribuiu na pessoa do querido Alberto ... Ele tem todas as qualidades que seriam desejáveis para me deixar perfeitamente feliz." Apesar de nenhum dos lados terem assumido um compromisso formal, as duas famílias presumiram que a união com o tempo aconteceria.
Vitória ascendeu ao trono em com apenas dezoito anos. Suas cartas da época mostram interesse na educação de Alberto para o papel que ele desempenharia, mesmo resistindo às tentativas de apressar um noivado. No inverno de 1838–39, o príncipe visitou a Itália acompanhado pelo barão Christian Friedrich von Stockmar, o conselheiro da família Coburgo.;
Alberto voltou a Inglaterra com Ernesto em outubro de 1839 para visitar a rainha e resolver a questão do casamento.; Ele tinham uma afeição mútua e a rainha o pediu em casamento no dia 15 de outubro de 1839.; ; A intenção de Vitória de se casar foi formalmente declarada em 23 de novembro para o Conselho Privado,; ; e eles se casaram em na Capela Real do Palácio de St. James.; Alberto foi naturalizado britânico por decreto parlamentar e recebeu o tratamento de "Sua Alteza Real".
No início, ele não era popular com o povo britânico. Alberto era visto como alguém de um Estado menor pobre e medíocre, não muito maior que um condado britânico. Lorde William Lamb, 2.º Visconde Melbourne e primeiro-ministro, aconselhou a rainha contra conferir ao marido o título de "rei consorte". O parlamento chegou a recusar transformar Alberto em pariato — parcialmente pelo sentimento anti-germânico e o desejo de excluir o príncipe de qualquer papel político. Melbourne liderava um governo minoritário e a oposição aproveitou o casamento para enfraquecer ainda mais sua posição. Eles se opuseram ao enobrecimento de Alberto e lhe deram uma pensão menor que a de consortes anteriores, trinta mil libras contra as normais cinquenta mil. ; Alberto afirmou que não precisava de um pariato britânico; escreveu, "Seria quase uma regressão, pois como Duque da Saxônia, me sinto muito mais alto que um Duque de Kent ou Iorque". Nos anos seguintes, ele foi formalmente chamado de "Sua Alteza Real, o príncipe Alberto" até que, em 25 de junho de 1857, Vitória lhe conferiu o título de "Príncipe Consorte".
Consorte da Rainha thumb|esquerda|220px|Príncipe Alberto, em 1842, por Franz Xaver Winterhalter, na Royal Collection A posição que o casamento colocou Alberto, apesar de distinta, também oferecia consideráveis dificuldades; nas palavras do próprio príncipe, "Estou muito feliz e satisfeito, porém a dificuldade de ocupar meu lugar com a dignidade adequada é que sou apenas o marido, não o senhor da casa". A criadagem da rainha era administrada por sua antiga governanta, a baronesa Louise Lehzen. Alberto a chamava de o "Dragão da Casa" e tomou atitudes para tirar a baronesa de sua posição.
Dois meses depois do casamento, Vitória estava grávida. Alberto começou a assumir funções públicas; ele se tornou presidente da Sociedade pela Extinção da Escravatura (a escravatura já havia sido abolida no Império Britânico, mas a prática ainda era legal em lugares como os Estados Unidos e as colônias da França) e ajudou a rainha privadamente com a papelada do governo. Em junho de 1840, enquanto andavam de carruagem, Alberto e Vitória foram alvejados por Edward Oxford, que mais tarde foi julgado insano. Ninguém se feriu e o príncipe foi elogiado nos jornais por sua coragem e frieza durante o ataque. Alberto estava ganhando apoio público e influência política, que se manifestou de forma prática quando o parlamento aprovou a Lei de Regência de 1840 em agosto, o designando como regente caso Vitória morresse antes de seu herdeiro atingir a maioridade. A primeira filha do casal, Vitória, nomeada em homenagem a mãe, nasceu em novembro. Seguiram-se outros oito filhos nos dezessete anos seguintes. Todos os nove viveram até a idade adulta, um fato que a biógrafa Hermione Hobhouse credita a "influência esclarecida" de Alberto na saudável gestão do berçário. No início de 1841, ele conseguiu remover o controle universal que Lehzen exercia no berçário; em setembro do ano seguinte, ela deixou a Inglaterra permanentemente — para o alívio do príncipe.
Melborne foi substituído por sir Robert Peel como primeiro-ministro depois das eleições gerais de 1841. Ele nomeou Alberto como presidente da Comissão Real encarregado da redecoração do novo Palácio de Westminster. O prédio havia pegado fogo sete anos antes e estava sendo reconstruído. Como patrona e compradora de pinturas e esculturas, a comissão queria promover as belas-artes britânicas. O trabalho da comissão era lento e o arquiteto, sir Charles Barry, acabou tomando muitas das decisões que seriam da comissão ao decorar salas com mobílias ornamentadas que foram tratadas como parte da arquitetura.; ; Alberto tinha mais sucesso como patrono e colecionador particular. Entre suas compras notáveis estavam algumas antigas pinturas germânicas e italianas — como Apollo e Diana, de Lucas Cranach, o Velho, e Velho e S. Pedro Martir, de Fra Angelico — como também contemporâneas de Franz Xaver Winterhalter e Edwin Landseer.; ; Ludwig Gruner, de Dresden, ajudou o príncipe a comprar pinturas com uma maior qualidade.
Alberto e Vitória foram alvejados novamente nos dias 29 e 30 de maio de 1842, porém não se machucaram. John Francis, o culpado, foi preso e condenado a morte, porém acabou solto. A falta de popularidade do casal no início do reinado se deu por sua rigidez e adesão ao protocolo em público, mesmo sendo mais relaxados em particular.; ; A rainha e o príncipe ficaram separados pela primeira vez depois do casamento no início de 1844, quando Alberto voltou para Coburgo depois da morte de seu pai.;
thumb|220px|Casa Osborne, na Ilha de Wight Em 1844, Alberto já havia conseguido modernizar as finanças reais e, através de várias economias, tinha dinheiro suficiente para comprar a Casa Orborne na Ilha de Wight como residência para a família.; ; Nos anos seguintes, uma casa modelada no estilo de uma vila italiana foi construída a partir de um projeto de Alberto e Thomas Cubitt.; ; ; O príncipe estabeleceu as fundações e melhorou a propriedade e a fazenda. Ele também conseguiu melhorar outras propriedades reais; sua fazenda em Windsor foi admirada por seus biógrafos,; e com sua administração as receitas do Ducado da Cornualha — propriedade do Príncipe de Gales — aumentaram.
Ao contrário de muitos donos de terras que aprovavam o trabalho infantil e eram contra as Leis dos Grãos de Peel, Alberto apoiava movimentos para aumentar a idade mínima de trabalho e a liberdade comercial. Foi repreendido em 1846 por George Bentinck enquanto apoiava Peel em debate na Câmara dos Comuns sobre as Leis dos Grãos.; Sua autoridade atrás ou do lado do trono ficou mais aparente durante o período de Peel como primeiro-ministro. Alberto tinha acesso a todos os documentos da rainha, rascunhava sua correspondência e estava presente quando ela se encontrava com ministros, até mesmo conversava com eles em particular. Charles Greville, secretário do Conselho Privado, afirmou: "Para todos os efeitos, ele é o rei".
Reformador e inovador thumb|esquerda|upright|Daguerreótipo de Alberto em 1848, colorido manualmente