Mariana Luz (Itapecuru-Mirim, 10 de dezembro de 1871 - idem, 14 de setembro de 1960) foi uma poeta, professora, artista plástica e teatróloga brasileira. Escreveu também com o pseudônimo de Cianica. Destacou-se como uma das pioneiras da literatura maranhense, tornando-se, em 1949, a segunda mulher, após Laura Rosa, a ocupar uma cadeira na Academia Maranhense de Letras.DUARTE, Constância Lima. Mariana Luz. In: MUZART, Zahidé Lupinacci (Org.). Escritoras brasileiras do século XIX: antologia. Vol. II. Florianópolis: Editora Mulheres, 2004. p. 871-880.

Biografia Mariana Luz nasceu em 10 de dezembro de 1871 em Itapecuru-Mirim. Seu pai foi João Francisco da Luz e sua mãe Fortunata Gonçalves da Luz. Sua avó foi a liberta Mariana Francisca da Conceição. Era a filha mais nova e tinha três irmãos: Lisímaco, Adelina Francisca e Ramira.

Luz não casou e não teve filhos.

Dedicou grande parte de sua vida ao magistério, atuando como professora primária em sua cidade natal, Itapecuru-Mirim. Sua trajetória é marcada pela resistência contra a invisibilidade imposta a artistas negros e mulheres no contexto do final do século XIX e início do século XX.

Em 24 de julho de 1948, foi eleita para a Academia Maranhense de Letras (cadeira nº 32), patrocinada por Vespasiano Ramos. Foi empossada em 10 de maio de 1949, sendo recepcionada pelo historiador Mário Martins Meireles, e tendo seu discurso de posse sido lido pelo acadêmico Mata Roma, uma vez que estava impossibilitada.LETRAS, Academia Maranhense de. Perfil do Fundador: mariana luz. Mariana Luz. 2025. Disponível em: https://academiamaranhense.org.br/fundadores/mariana-luz/. Acesso em: 27 dez. 2025.

Faleceu na sua cidade natal, em 14 de setembro de 1960, aos 88 anos.

Estilo e atuação literária A produção literária de Mariana Luz é caracterizada por uma estética que transita entre o parnasianismo e o simbolismo. Sua poesia apresenta rigor formal, com o uso frequente de sonetos, rimas e versos alexandrinos, revelando influências de autores como Olavo Bilac. Tematicamente, sua obra explora desde temas intimistas até os sociais, como a condição feminina na sociedade patriarcal. Seus poemas frequentemente utilizam elementos da natureza e figuras metafóricas, como o "pálido espectro", para expressar estados de alma e reflexões sobre a morte e o tempo.ABREU, Antonia Cristina Lima. A REPRESENTAÇÃO DAS INFLUÊNCIAS DO SIMBOLISMO NAS PRODUÇÕES DE MARIANA LUZ POR MEIO DA ANÁLISE DOS POEMAS "CONTRASTE", "MORRER... DORMIR...", "PÁLIDO ESPECTRO" E "A CAMINHO". 2019. 44 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Licenciatura em Letras – Português e Literaturas de Língua Portuguesa, Universidade Estadual do Maranhão, Itapecuru-Mirim, 2019. Disponível em: https://repositorio.uema.br/handle/123456789/4331. Acesso em: 27 dez. 2025. Sua principal obra poética, Murmúrios, só foi reunida e publicada em livro postumamente. Além da poesia, dedicou-se à dramaturgia e à criação de cantos litúrgicos.

Contribuiu, também, em diversos jornais e revistas maranhenses, como Diário do Maranhão, Paiz, Pacotilha, O Rosariense e Gazeta do Codó. Fora do estado, publicou no Jornal do Ceará, O Lyrio (Recife), Gazeta (Petrópolis) Gazeta de Notícias e Correio da Manhã (ambos do Rio de Janeiro).

Homenagem Em Itapecuru-Mirim é homenageada como nome da escola municipal Unidade Integrada Mariana Luz.CONCEIÇÃO, Maria Helena Nascimento. UM RESGATE DAS CONTRIBUIÇÕES LITERÁRIAS DE MARIANA LUZ NO CENÁRIO ITAPECURUENSE: um estudo de caso com os alunos da escola municipal que recebe o nome da ilustre poetisa.. 2016. 47 f. TCC (Graduação) - Curso de Licenciatura em Letras – Português e Literaturas de Língua Portuguesa, Universidade Estadual do Maranhão, Itapecuru-Mirim, 2016. Disponível em: https://repositorio.uema.br/handle/123456789/3571. Acesso em: 27 dez. 2025. Obras

Murmúrios (Poesia, 1ª ed., 1960 - edição póstuma).

Ligação externa A Família de Praxedes (1932), peça teatral de Mariana Luz. Notícia publicada no jornal Diário de S. Luiz sobre a posse de Mariana Luz na Academia Maranhense de Letras.

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