O Coreto do Sítio da Nazaré constitui um exemplar de arquitectura civil em ferro erigido no final do século XIX, no Sítio da Nazaré, Nazaré, Portugal. Encomendado pela Confraria de Nossa Senhora da Nazaré, este imóvel de planta octogonal destina-se, desde a sua origem, ao apoio das festividades locais.

História A génese deste monumento remonta ao ano de 1897, altura em que a Real Casa de Nossa Senhora da Nazaré, através da respectiva Confraria, encomendou o projecto com o intuito de dignificar as celebrações do Santuário. A execução da obra ficou a cargo do mestre Francisco da Silva Castro, importando o custo total em 58$000 réis. Um elemento fundamental na sua composição, a estrutura em ferro fundido, foi manufacturada na cidade do Porto, mais precisamente na Fundição Alliança de Massarellos.

A inauguração oficial ocorreu a 8 de Setembro de 1897. Durante décadas, este espaço assumiu um papel central na dinamização cultural da vila, acolhendo inúmeras bandas filarmónicas que abrilhantavam os bailes e os festejos em honra de Nossa Senhora da Nazaré. Esta actividade musical manteve-se regular até à década de 1970.

Exactamente um século após a sua abertura, a 8 de Setembro de 1997, celebrou-se o centenário do coreto. Este marco cronológico foi assinalado pela colocação de uma lápide comemorativa e simbolizou o regresso do imóvel à sua função original de palco para animação cultural no contexto das festas religiosas e populares.

Descrição O coreto ostenta uma implantação harmoniosa e isolada no centro de uma praça pavimentada com calçada à portuguesa, onde se desenham faixas onduladas a preto e branco, delimitadas por canteiros arborizados. O enquadramento urbano é definido pela proximidade de diversos edifícios de relevo: a Ermida da Memória e o Padrão alusivo a Vasco da Gama a Sul; o Palácio Real a Sudoeste; o Santuário de Nossa Senhora da Nazaré e o Hospital da Confraria a Oeste; e o Teatro Chaby Pinheiro a Noroeste.

Arquitectonicamente, o imóvel apresenta uma planta centralizada de geometria octogonal. A sua volumetria compõe-se de dois registos distintos: o embasamento em alvenaria e a estrutura superior metálica. A base, com paramentos rebocados e pintados de branco, exibe um soco em cantaria de calcário e cunhais delimitados por alhetas do mesmo material, sendo o conjunto rematado por uma cornija. A face principal, orientada a Oeste, possui um portal de verga recta com moldura simples, enquanto as restantes faces são fenestradas por óculos circulares equipados com respiradouros metálicos.

Sobre este pódio erguem-se, nos vértices do polígono, oito colunas de ferro fundido pintadas de verde. Estas colunas assentam em finos plintos e apresentam o fuste liso, com excepção do terço inferior que é decorado e pintado de amarelo, tonalidade que se repete nos capitéis. O sistema de suporte da cobertura é assegurado por falsas mísulas tripartidas, ornamentadas com elementos recortados, sobre as quais repousa a cúpula facetada de remate horizontalizado. O interior da cobertura é pintado de branco, contrastando com o verde do exterior.

A proteger o estrado, corre uma guarda em ferro forjado, igualmente pintada de verde, cuja linguagem estética sugere uma execução mais moderna, provavelmente do século XX, distinta da restante estrutura ferrosa. Esta grade apresenta secções com elementos verticais decorados por florões centrais e remates piramidais em amarelo. O acesso ao interior técnico do coreto faz-se através do compartimento da base, por meio de quatro vãos rectangulares dispostos em cruz, actualmente vedados com tábuas de madeira.

Na face da base orientada a Norte, sobrepondo-se ao óculo ali existente, encontra-se a já referida inscrição lapidar em mármore, que regista a efeméride secular:1897 - 1997 / CONFRARIA DE NOSSA SENHORA DA NAZARÉ

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