Guilherme Almeida (Salvador, 18 de agosto de 2000) é um artista visual e pintor brasileiro. Sua produção é marcada pela investigação de temas como memória, território, identidade racial e o cotidiano da população negra e periférica, utilizando frequentemente suportes não convencionais como jornais reciclados, cerâmicas e linho. Em 2022, tornou-se um dos mais jovens artistas brasileiros a integrar o acervo permanente do Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia, em Madri. Biografia Guilherme Almeida nasceu e cresceu no bairro do Uruguai, na Cidade Baixa, em Salvador. Sua formação inicial foi marcada pelo ambiente familiar: uma estrutura de moradias compartilhadas onde a convivência coletiva e as celebrações da cultura popular baiana serviram como sua primeira escola de observação visual.
Início Iniciou sua trajetória em 2017 nas oficinas de pintura do Museu de Arte Moderna da Bahia. Em 2018, ingressou no curso de Artes Plásticas da Universidade Federal da Bahia.
Nesse período, influenciado pela escassez de recursos e pelo desejo de subverter a tradição, começou a utilizar jornais de grande circulação, cerâmicas e materiais de descarte como suportes pictóricos. O artista deixou a graduação em 2022 para dedicar-se integralmente à carreira profissional.
Reconhecimento institucional A partir de 2017, após passagens pelas oficinas do Museu de Arte Moderna da Bahia, Almeida iniciou a transição da abstração inicial para uma figuração sintética. Em 2022, aos 22 anos, atingiu um marco histórico na carreira ao ter três obras de sua série Destruição dos Mercados adquiridas pelo Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia, consolidando sua posição como uma das vozes proeminentes da nova geração da arte contemporânea brasileira.
Obra e estilo A prática de Almeida caracteriza-se pela subversão de suportes tradicionais e pela construção de uma poética que centraliza a dignidade do corpo negro e a memória do cotidiano baiano. Sua pesquisa transita entre o figurativo e o abstrato, utilizando camadas pictóricas densas e uma economia cromática que evidencia a textura física da tela. O estilo é definido pelo próprio artista como o ato de "limpar o pincel" na tela.https://paulodarzegaleria.com.br/exposicoes/3649/
Materialidade e suporte Um dos pilares do seu trabalho é a utilização de materiais não convencionais e refugos do cotidiano, como jornais e cerâmicas. O artista adota o jornal como uma resposta crítica ao ensino das Belas Artes que prescrevia materiais caros. Além do papel, utiliza linho de alta gramatura e técnicas de alto-relevo com tinta acrílica para conferir tridimensionalidade à pintura.
Principais séries Destruição dos Mercados (2018–2023): Pesquisa onde pinta retratos sobre jornais de circulação em massa. O elemento central são sorrisos destacados por joias dentais (grillz) de ouro e diamantes. A obra ressignifica a história dos mercados de escravos, onde a dentição era avaliada como indicador de saúde, transformando o sorriso em emblema de poder, luxo e autonomia.
Mar Caymmi (2025): Série em que explora o litoral baiano e a Mata Atlântica, utilizando-se de álbuns fotográficos familiares para reconstruir cenários de liberdade e contemplação meditativa.
Exposições individuais 2025: Mar Caymmi, Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC), Salvador, BA.
2025: Mar que traz também leva, Galeria Karla Osório, Brasília, DF.
2024: Desfrutar do Tambor, Paulo Darzé Galeria, Salvador, BA.
2022: Que seja o reflexo, Galeria Ribot, Milão, Itália.
2022: Este sorriso que em mim emana, Galeria Base, São Paulo, SP.
Coletivas e institucionais 2024: Encruzilhadas da Arte Afro-brasileira, CCBB, São Paulo, SP.
2022: Um Defeito de Cor, Museu de Arte do Rio (MAR), Rio de Janeiro, RJ.
2021: Carolina Maria de Jesus: Um Brasil para os brasileiros, Instituto Moreira Salles (IMS), São Paulo, SP.
Acervos públicos e coleções Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia (Madri, Espanha) – Detém três obras da série "Destruição dos Mercados".
Museu de Arte do Rio (MAR).
Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC Bahia).
Prêmios e residências 2024: Prêmio Marvall Collection, Itália.
2022: Pemba Residência Artística (Projeto Dos Brasis), Brasil.
2020: Residência de Artes Visuais Multimídias, Universidade de Évora, Portugal.
Categoria:Artistas do Brasil