William Seward Burroughs II (St. Louis, 5 de fevereiro de 1914 Lawrence, 2 de agosto de 1997) foi um escritor, pintor e crítico social americano. Biografia Infância e educação Burroughs nasceu em 1914, sendo o mais novo dos dois filhos nascidos de Mortimer Perry Burroughs e Laura Hammon Lee. Os Burroughs eram uma família proeminente em St. Louis (Missouri). Seu avô, William Seward Burroughs I, fundou a empresa Máquinas de Somar Burroughs, que evoluiu para a Burroughs Corporation. A mãe de Burroughs, Laura Lee Hammon, era filha de um pastor cuja família alegava estar relacionada com Robert E. Lee. Seu tio materno, Ivy Lee, foi um pioneiro da publicidade e, mais tarde, trabalhou como jornalista para os Rockefellers. Seu pai tinha um antiquário e uma loja de souvenirs, Cobblestone Gardens, primeiro em Saint Louis, em seguida em Palm Beach (Flórida).

Quando menino, Burroughs morava na avenida Pershing, em Central West End, em Saint-Louis. Ele estudou na John Burroughs School, em St. Louis, onde publicou seu primeiro ensaio, "Magnetismo Pessoal", impresso na John Burroughs Review em 1929.William S. Burroughs: biography, bibliography, filmography, links (em inglês) Em seguida, ele frequentou a escola Los Alamos Ranch School, no Novo México, o que foi estressante para ele. A escola era um internato para os ricos, "onde os filhos dos grã-finos poderiam ser transformados em objetos masculinos".Morgan, Ted. Literary Outlaw. p. 44. Burroughs manteve um diário documentando uma atração erótica por um outro menino. De acordo com as suas próprias palavras, ele destruiu o diário, mais tarde, envergonhado de seu conteúdo.Word Vírus: O William S. BurroughsReader. James Grauerholz, Ira Silverberg, Ann Douglas, eds., Grove Press, 2000, p. 21

Devido ao contexto de repressão onde ele cresceu e do qual fugiu, ou seja, uma família "onde as demonstrações de afeto eram consideradas constrangedoras",Morgan, Ted, Literary Outlaw, p. 26 ele manteve a sua orientação sexual escondida até a idade adulta, quando se tornou um escritor homossexual conhecido após a publicação de Naked Lunch em 1959. Alguns dizem que ele foi expulso de Los Alamos depois de tomar hidrato de cloral em Santa Fé com um colega. No entanto, segundo seu próprio relato, ele deixou a escola voluntariamente: "Durante as férias da Páscoa do meu segundo ano, eu convenci minha família a me deixar ficar em St. Louis".

Universidade de Harvard Ele terminou o ensino médio na Escola Taylor em Saint Louis e, em 1932, saiu de casa para seguir curso superior em Artes na Universidade de Harvard. Durante os verões, ele trabalhou como repórter para o St. Louis Post-Dispatch, cobrindo o dia a dia policial. Ele não gostou do trabalho, e se recusou a cobrir alguns eventos, como a morte de uma criança que se afogara. Ele perdeu sua virgindade em um verão em East St. Louis com uma prostituta em um bordel que ele regularmente frequentava.Morgan, Ted. Literary Outlaw . p. 62. Enquanto cursava em Harvard, Burroughs fez viagens a Nova Iorque e foi introduzido à "subcultura gay". Ele visitou os subterrâneos homossexuais do Harlem e Greenwich Village com Richard Stern, um amigo rico de Kansas City. Eles dirigiam de carro de Boston a Nova York de forma muito imprudente. Uma vez, Stern amedrontou tanto a Burroughs, que ele pediu para descer do veículo.Morgan, Ted. Literary Outlaw p. 611 Burroughs se formou em Harvard em 1936. De acordo com Ted Morgan, em "Literary Outlaw".

Os pais dele, após sua graduação, decidiram dar-lhe um subsídio mensal de 200 dólares estadunidenses vindo dos rendimentos de Cobblestone Gardens, uma quantia apertada naqueles tempos. Ela foi o bastante para mantê-lo, e de fato garantiram a sua sobrevivência pelos próximos 25 anos, chegando com uma bem-vinda frequência. O subsídio foi uma passagem para a liberdade; e lhe permitiu viver onde ele queria e deixar seu emprego.Morgan, Ted. Literary Outlaw. p. 65

Os pais de Burroughs venderam os direitos de invenção do seu avô e não tinham nenhuma participação nas ações da "Burroughs Corporation". Pouco antes da quebra da bolsa de valores em 1929, seus pais venderam as ações que tinham por 200 mil dólares estadunidenses.

Europa Depois de deixar Harvard, a educação formal de Burroughs terminou, com exceção de breves flertes como uma pessoa que fazia pós-graduação de antropologia na Universidade de Harvard e com uma outra que estudava medicina em Viena, na Áustria. Ele viajou para a Europa, onde, aproveitando-se da brecha para a homossexualidade na Áustria e Hungria da República de Weimar, conquistou meninos em saunas de Viena, passando a fazer parte de um círculo de exilados, homossexuais e fugitivos.

Lá, ele conheceu Ilse Klapper, uma judia que fugia do governo nazista do país. Os dois nunca tiveram uma relação romântica, mas Burroughs casou-se com ela na Croácia, contra a vontade de seus pais, para permitir, a ela, receber um visto para os Estados Unidos. Ela foi para Nova Iorque e, eventualmente, se divorciou de Burroughs, embora eles permanecessem amigos por muitos anos.Morgan, Ted. Literary Outlaw. pp. 65–8 Depois de voltar para os Estados Unidos, ele teve uma série de trabalhos interessantes.

Em 1939, a sua saúde emocional tornou-se uma preocupação para os seus pais, especialmente depois que ele deliberadamente cortou a última junta do dedo mínimo esquerdo, na dobra do punho, para impressionar um homem por quem ele estava apaixonado.Grauerholz, James. Introduction p. xv, in William Burroughs. Interzone. New York: Viking Press, 1987. Este evento encontrou o seu caminho para dentro de sua literatura de ficção no conto "O Dedo" (The Finger).

Início da carreira literária Burroughs disse que o tiro em Vollmer, no dia 6 de setembro de 1951, foi um evento crucial na sua vida, e que o provocou a escrever:

"Eu sou forçado à terrível conclusão de que eu nunca teria me tornado um escritor, a não ser pela morte de Joan, e nunca teria uma compreensão da extensão em que este evento tem motivado e formulado a minha escrita. Eu vivo com a ameaça constante de posse, e uma constante necessidade de escapar da posse, do controle. Assim, a morte de Joan trouxe-me em contato com o invasor, a Alma Suja, e manobrou-me para uma longa luta na vida, em que não tive escolha a não ser escrever a minha saída dela."Queer, Penguin, 1985 p.xxiii

Apesar deste depoimento, publicado na sua novela Queer (1985), ele começou a escrever em 1945. Burroughs e Jack Kerouac escreveram, em colaboração, o livro de mistério E os Hipopótamos Foram Cozidos em Seus Tanques (And the Hippos Were Boiled in Their Tanks), que ficou inédito. Anos mais tarde, no documentário "What Happened to Kerouac?", Burroughs o descreveu como "um trabalho pouco distinto." Um trecho desta obra, que Kerouac e Burroughs escreveram alternando capítulos, foi finalmente publicado em Word Virus,James Grauerholz. Word Virus, New York: Grove, 1998 uma compilação do trabalho de William Burroughs, que foi publicada por seu biógrafo após sua morte em 1997.

Literatura A sua obra mais conhecida é Naked Lunch ("Almoço Nu" no Brasil, "Refeição Nua" em Portugal), seguida de Junkie. Grande parte de sua obra, de atmosfera fantástica e grotesca, tem caráter autobiográfico. Apesar de fazer parte da chamada geração beat, os livros de William S. Burroughs têm pouco em comum com o restante desses autores, já que a linguagem utilizada provém de fluxos de consciência durante o uso de alucinógenos. Homossexual depois da morte acidental da esposa causada por um disparo com arma de fogo, foi um dos pioneiros da literatura experimental, tanto no universo léxico escatológico, urbano, comum e absurdo como no consumo de drogas para produção subjetiva de textos. Música Burroughs aparece na capa do álbum Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band dos The Beatles. Burroughs teria gravado as suas fitas experimentais "Hello, yes, hello" no apartamento em que o ex-beatle John Lennon morou com Yoko Ono, no número 34 da praça Montagu, em Londres.BBC Brasil, Inglaterra tomba apartamento de John Lennon em Londres, 24 de outubro de 2010 - publicado pela jornal O Estado de S. Paulo

Participou de inúmeros álbuns, recitando poemas ou outros textos, incluindo trabalhos com Tom Waits, Frank Zappa, John Cage, Philip Glass, Laurie Anderson, The Doors, Kurt Cobain e The Disposable Heroes of Hiphoprisy. Ele também aparece no videoclipe "Just One Fix", do grupo Ministry.

Em 1981, gravou o álbum de spoken word intitulado You're the Guy I Want To Share My Money With, com Laurie Anderson e John Giorno.

Ele também gravou a música "Falling In Love Again", cantando-a em alemão ("Ich Bin Von Kopf Bis Fuss Auf Liebe Eingestellt").

Magia Burroughs tinha uma preocupação de longa data com a magia e o ocultismo, que data desde a mais tenra infância, e foi insistente ao longo de sua vida que vivemos em um "universo mágico"..Stevens, Matthew Levi (2014). The Magical Universe of William S. Burroughs. Mandrake of Oxford. Como ele mesmo explicou:

Ou, falando nos anos 70:

Isso não era um interesse passageiro - Burroughs também praticava ativamente a magia em sua vida cotidiana: buscando visões místicas por meio de práticas como Perscrutar/scrying,William S. Burroughs, Letter to Allen Ginsberg, late July 1959. The Letters of William S. Burroughs, 1945 to 1959. Viking Penguin, 1993.William S. Burroughs, letter to Brion Gysin, 17th Jan 1959. The Letters of William S. Burroughs, 1945 to 1959. Viking Penguin, 1993. tomando medidas para se proteger da possessão,Terry Wilson, in conversation with Brion Gysin. Ports of Entry, published in Here to go: planet R-101 (1982). Re/Search Publications.William S. Burroughs, interviewed by Daniel Odier. Journey through space-time, published in The Job (1970). John Calder Ltd.James Grauerholz, On Burroughs and Dharma, Summer Writing Institute, 24th June 1999, Naropa University. Transcript published in Beat Scene Magazine, No.71a, Winter 2014.William S. Burroughs, interviewed by Allen Ginsberg (1992). Published as The Ugly Spirit in Burroughs Live: The Collected Interviews of William S. Burroughs 1960-1997. 2001. e tentando colocar maldições sobre aqueles que o cruzaram.P-Orridge, Genesis. Magick Squares and Future BeatsCabell McLean, Playback: My Experience of Chaos Magic with William S. Burroughs, Sr. Ashe Journal of Experimental Spirituality, Vol.2 Issue 3. 2003.William S. Burroughs, Playback From Eden to Watergate, published in The Job. John Calder Ltd. 1970. Burroughs falou abertamente sobre suas práticas mágicas, e seu engajamento com o oculto é atestado por uma infinidade de entrevistas,"Interviewer: You're interested in the occult, aren't you? Burroughs: Certainly. I'm interested in the golden dawn, Aleister Crowley, all the astrological aspects." – William S. Burroughs, Grandpa From Hell, LA Weekly, 1996. Published in Burroughs Live: The Collected Interviews of William S. Burroughs 1970-1997."I will speak now for magical truth to which I myself subscribe. Magic is the assertion of will, the assumption that nothing happens in this universe (that is to say the minute fraction of the universe we are able to contact) unless some entity wills it to happen." – William S. Burroughs, On Coincidence, in The Adding Machine: Collected Essays, 1985. bem como contas pessoais daqueles que o conheciam.

O biógrafo Ted Morgan argumentou que: "Como a coisa mais importante sobre Graham Greene era seu ponto de vista como católico, a coisa mais importante sobre Burroughs era sua crença no universo mágico. O mesmo impulso que o levou a lançar maldições Foi, como ele viu, a fonte de sua escrita ... Para Burroughs por trás da realidade cotidiana, havia a realidade do mundo espiritual, das visitas psíquicas, das maldições, dos seres de possessão e fantasmas."Morgan, Ted (1988). Literary Outlaw. Pimlico.