O Museu da Comunicação Hipólito José da Costa (MCHJC) é um museu brasileiro, localizado em Porto Alegre, na rua dos Andradas 959. É uma instituição subordinada à Secretaria da Cultura do Estado do Rio Grande do Sul.

Preserva um vasto e valioso acervo refente às mídias e à comunicação no estado e no Brasil, e mantém múltiplas atividades para o público e pesquisadores. O prédio histórico, antiga sede do jornal A Federação, é tombado pela Prefeitura, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado do Rio Grande do Sul (IPHAE) e pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

O prédio histórico O prédio foi construído para ser a nova sede do jornal A Federação, fundado no ano de 1884, durante o Império, servindo como propaganda das idéias republicanas, tendo entre seus criadores Assis Brasil e Júlio de Castilhos, assim como outras ilustres personalidades políticas da época. Depois de instituída a República, A Federação tornou-se o principal órgão do Partido Republicano Rio-Grandense.

O responsável pelas obras foi o engenheiro civil gaúcho Teófilo Borges de Barros, que participou também da construção de outros prédios em Porto Alegre, além da reforma da Biblioteca Pública do Estado."A inauguração, hontem, do novo edificio d'A Federação". A Federação, 7 de setembro de 1922 O prédio foi inaugurado em 6 de setembro de 1922, durante as comemorações pelo centenário da Independência, estando presentes o presidente do estado Borges de Medeiros e outras autoridades.

O jornal foi extinto por imposição do Estado Novo em 17 de novembro de 1937, passando o prédio, no ano seguinte, a sediar o Jornal do Estado, posteriormente transformado no Diário Oficial. O Diário em 1973 passou a ser impresso pela Companhia Rio-Grandense de Artes Gráficas, e em setembro de 1974, com a criação do Museu da Comunicação Social, o edifício foi destinado para abrigar a nova instituição.

O prédio tem um estilo classicista, pés-direitos altos e uma área total de 3,16 mil metros quadrados. A construção original foi destruída parcialmente por um incêndio em 1947, e foi recuperada ampliando-se sua estrutura pelos fundos, ao longo da Rua Caldas Júnior. Tem uma fachada com três portais encimados por óculos vazados com vitrais, colunas toscanas na base e coríntias nos pavimentos superiores, cornijas em realce e relevos ornamentais, sendo arrematado por uma platibanda com balaustradas e um frontão, sobre o qual destaca-se uma estátua feminina alegórica representando a Imprensa portando uma tocha, esculpida pelo artista italiano Luís Sanguin. Sua fachada lateral na Rua Caldas Júnior é sóbria, com um ritmo regular de aberturas com caixilhos de madeira. O prédio foi tombado pela Prefeitura de Porto Alegre em 1977, pela Portaria nº 06 de 3 de julho de 1982 foi tombado pelo IPHAE como Patrimônio Histórico do Estado, e depois foi tombado pelo IPHAN como Patrimônio Nacional. Em anos recentes passou por importantes obras de conservação e restauro.​Monumentos e Espaços Públicos Tombados - Porto Alegre (RS). IPHAN thumb|esquerda|Vitral com o nome do jornal A Federação sobre a entrada

Tem um porão de concreto armado que permanece vazio, pois tem uma cisterna para recolher a água de uma fonte que ali nasce, o que tem sido um problema permanente por causa da umidade com que impregna o edifício. Em dias de chuva forte a cisterna transborda e alaga o porão. Os demais pavimentos são de alvenaria de tijolos maciços. No pavimento no nível da rua funcionam a Recepção, a Sala de Vigilância, uma Sala Multiuso e os acessos para os demais pavimentos; um primeiro pavimento com o Setor Administrativo e um grande Salão de Exposição de Longa Duração, e um segundo pavimento com o Setor de Fotografia, a Reserva Técnica de Jornais e a Sala de Consulta aberta para o público e pesquisadores.Plano Museológico. Museu da Comunicação Hipólito José da Costa, 2019, pp. 62-76

Há um anexo em estilo modernista nos fundos. Foi construído em 1991 em concreto armado pela Secretaria de Obras Públicas do Estado. Ali funcionam depósitos, as reservas técnicas de Discos, de Cinema e de Rádio e Fonografia e salas para exposição permanente de máquinas. Seus espaços internos são mal distribuídos para as necessidades do museu, tem problemas de infiltrações de umidade e goteiras, pisos de má qualidade, em grande parte deteriorados, e permanecia sub-utilizado em 2019. Contudo, o museu já havia sido incluído no Plano de Aceleração de Crescimento para as Cidades Históricas do governo federal, prevendo um restauro completo em suas estruturas.Plano Museológico. Museu da Comunicação Hipólito José da Costa, 2019, pp. 86-90

O museu Fundação e primeiros anos thumb|esquerda|Capa da edição de O Corymbo de 21 de outubro de 1938

O museu foi idealizado pelo jornalista e professor universitário Sérgio Roberto Dillenburg, que a partir de 1972, em uma série de artigos publicados no Correio do Povo, preocupou-se com o destino que teriam importantes coleções estatais de jornais antigos que ele sabia estarem há anos se deteriorando, esquecidas num sótão da Secretaria de Educação e Cultura. Descobriu então que elas haviam sido remetidas para o Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul, onde também foram negligenciadas. Inconformado, Dillenburg lançou uma campanha para sua preservação, na qual propunha a fundação de uma instituição específica para sua guarda.Vignol, Ana Letícia de Alencastro. Acesso limitado : as lacunas da informação institucional do Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2009, pp. 15-18

A ideia inicial foi criar um Setor de Imprensa no próprio Arquivo Histórico, mas diante da negativa do diretor, Dillenburg pensou em criar um Museu da Imprensa, o que também não deu em nada. Por fim, conseguiu atrair o apoio do governador Euclides Triches e do secretário de Educação e Cultura Mauro da Costa Rodrigues para um Museu da Comunicação Social. O projeto foi encampado pelo Estado e foi designada uma comissão para organizar o futuro museu, composta de Dillenburg, administrador do projeto, mais o diagramador Cláudio José Batista Todeschini, que se encarregou de organizar o Setor de Cinema, e a jornalista Iara Bendatti, que ficou com as tarefas relacionadas ao Setor de Imagem e Som e o Setor de Imprensa. A proposta foi apoiada com entusiasmo pela Associação Rio-Grandense de Imprensa (ARI) em nota oficial de 17 de outubro de 1973. Já tendo garantido o uso da antiga sede do jornal A Federação para o museu, Dillenburg coletou o material existente no Arquivo Histórico e o depositou no novo destino. Segundo Vignol & Silva,

"Para compreender melhor esta participação cabe ressaltar que à época ocorria um movimento político-cultural em Porto Alegre encabeçado por intelectuais gaúchos das mais diversas áreas, principalmente arquitetos e jornalistas, que batalhavam pela preservação do patrimônio histórico da cidade, que receberam a denominação de Barões do Cupim. Um destes intelectuais foi o jornalista e político gaúcho Alberto André, presidente da ARI na época, que assumiu, junto a Dillenburg, a campanha para a criação do museu".

Enquanto isso, era criada uma comissão para preparar os estatutos, também posta sob a direção de Dillenburg. O documento previa a criação de um Conselho Deliberativo constituído por "um representante de cada Associação, Sindicato ou Federação de classe e de cada Escola de Comunicação Social do Estado, que existam ou venham existir". O esboço de estatutos foi aprovado pelo Departamento de Assuntos Culturais da Secretaria de Educação e Cultura do Estado, e terminada a burocracia, em 6 de setembro de 1974, através da Portaria nº 01.804, o museu foi fundado pela Secretaria como um dos seus departamentos, com o nome de Museu da Comunicação Social. De acordo com seu Regimento Interno, o Diretor da Instituição deveria ser indicado pela Secretaria, ser uma personalidade reconhecida da área da Comunicação, bem como um administrador capaz. Em dezembro já estava aberto para o público, apresentando uma coleção de jornais raros, um videofone, um aparelho de telex e telefones antigos.

Em 30 de dezembro de 1975 o museu recebeu a sanção oficial do governador do estado através do Decreto nº 24.366, com o nome de Museu da Comunicação Social Hipólito José da Costa, homenageando o Patrono da Imprensa Brasileira. O Decreto foi publicado no Diário Oficial em 5 de janeiro de 1976. Hipólito José da Costa lançou o famoso Correio Braziliense em 1 de junho de 1808, o primeiro jornal brasileiro, pregando ideias liberais e nacionalistas, como a abolição da escravatura, uma monarquia constitucional e a independência das Américas.Chaves, Ricardo. "Prédio do Museu da Comunicação Hipólito José da Costa completa 95 anos". Zero Hora, 6 de setembro de 2017Vignol, Ana Letícia de Alencastro & Silva, Ana Celina Figueira da. "Os agentes e propostas de criação do Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa". In: V Seminário Brasileiro de Museologia. UFRGS. Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação, 2023 Rodrigues, Ana Ramos. Usos do Acervo Fotográfico do Museu de Comunicação Hipólito José da Costa (2002-2011). Universidade Federal de Pelotas, 2014, pp. 37-41 thumb|Disco de 78 rotações lançado pela Casa A Eléctrica de Porto Alegre, com a gravação do tango Sóta de Páo, c. 1915

O novo museu tinha a missão de recolher e selecionar material referente à área; organizar, ampliar e pesquisar seu acervo; propiciar consultas e informações e promover atividades que auxiliassem o conhecimento da história da comunicação no Rio Grande do Sul. No Ato solene de criação em 10 de setembro de 1974 no Salão de Atos da Secretaria de Educação e Cultura, segundo Vignol & Silva,

"[...] foram destacados, entre outros pontos, a importância do museu para pesquisa e história da evolução dos meios de comunicação social e sua difusão; a simbologia do prédio que abrigou o jornal A Federação; o papel do patrono – Hipólito José da Costa –; a valorização da comunicação pelo Governo como um meio de interligação entre povo e sociedade; a relação estreita entre os comunicadores do Estado com o governador da época, Euclides Triches; o papel da tecnologia em relação ao desenvolvimento do estado e do país; a campanha para a doação de acervos (veiculada em jornais, inclusive); a vinculação aos anseios de um projeto de criação de um Museu da Imagem e do Som (citando, inclusive, a possibilidade da criação de uma espécie de 'sub-museu' da Imagem do Som na futura instituição) e a designação da primeira função do museu de realizar uma Galeria de Vozes, contendo gravações de personalidades consideradas de destaque para a história do Estado".

Surgindo em plena ditadura militar, período de censura dos meios de comunicação e perseguições políticas, a encampação do museu pelo Estado minimizou a participação dos jornalistas independentes na determinação da sua linha de ação, pois o governo tinha interesse em controlar a construção de uma "história oficial" da Comunicação no estado.Vignol, p. 46 Algum tempo depois o próprio Dillenburg acabou afastado do museu pelo Governo, acusado de ser comunista por ter organizado uma mostra de cinema russo."Tudo é comunicação. Boca de Rua". Museu da Comunicação Hipólito José da Costa, 2021

O arquivo inicial foi constituído de coleções e exemplares variados de jornais e outras publicações, procedentes do Arquivo Histórico, da Biblioteca Pública e do Museu Júlio de Castilhos.

Crise e recuperação