A Primeira Divisão do Campeonato Italiano de Futebol Feminino, atualmente conhecida como Serie A Femminile (ou Serie A Femminile Athora por razões de patrocínio), é a principal divisão do futebol feminino na Itália. Estabelecida em 1968, é organizada pela Federação Italiana de Futebol (FIGC) desde a temporada 2018–19 e atualmente conta com 12 equipes.
O clube de maior sucesso na história da liga é o Torres, com sete títulos. As atuais campeãs da Serie A são a Juventus, que conquistou seu sexto título. A partir da edição 2022–23, a Serie A está classificada em quinto lugar no coeficiente da UEFA, e as três primeiras equipes se classificam para a Liga dos Campeões da UEFA de Futebol Feminino.
A Serie A tornou-se totalmente profissional a partir da temporada 2022–23, eliminando o teto salarial e permitindo que as equipes pagassem salários mais altos às suas jogadoras. As jogadoras de futebol tornaram-se as primeiras atletas femininas na Itália a serem totalmente profissionais. O número de equipes também diminuiu de 12 para 10, embora tenha aumentado novamente para 12 equipes na temporada 2025–26.
História Antecedentes Em fevereiro de 1933, na Via Stoppani 12, em Milão, foi fundado o Gruppo Femminile Calcistico, considerado o primeiro clube de futebol feminino organizado na Itália. Inicialmente, as jogadoras utilizavam saias em campo. A iniciativa teve duração de aproximadamente nove meses. Após a publicação de uma reportagem fotográfica no periódico Calcio Illustrato,Calcio Illustrato: número 13 de 29 de março de 1933, Biblioteca nazionale braidense em Milão e Biblioteca Nazionale Centrale di Firenze. outras equipes femininas começaram a surgir no país. Como reação à popularização da modalidade, o Comitê Olímpico Nacional Italiano (CONI) proibiu a participação de mulheres em torneios e em partidas amistosas, redirecionando as atletas para o atletismo.
Em 1946, foram fundadas duas equipes em Trieste: a Triestina e o San Giusto. Em 1950, em Nápoles, diversas agremiações criaram a Associazione Italiana Calcio Femminile (AICF), que permaneceu ativa até ser dissolvida em 1959. Apesar da dissolução da entidade, a prática esportiva continuou de forma não oficial.
Em 1965, em Milão, Valeria Rocchi fundou duas equipes com o apoio do então presidente da Internazionale, Angelo Moratti. Durante o quarto torneio Inter Club-Pepsi Cola, realizado na Arena de Milão, foi disputada uma partida de exibição nomeada Bologna contra Inter. As equipes eram formadas por jovens milanesas com idades entre 14 e 17 anos, com Valeria Rocchi atuando como treinadora e árbitra. O evento obteve repercussão positiva na imprensa e atraiu a atenção do público. Em setembro do mesmo ano, foi realizada uma partida de revanche que contou com a presença de mais de mil espectadores.
Fundação e cisões Em 1968, foi estabelecida a Federazione Italiana Calcio Femminile (FICF, também conhecida como Federação de Viareggio, em referência ao líder do comitê promotor, Mazzoni). O primeiro campeonato italiano foi organizado sob a gestão da entidade, estruturado em dois grupos de cinco equipes. A final, realizada em Pisa, resultou no título da Associazione Calcio Femminile Genova, que derrotou o Roma.
Em 31 de janeiro de 1970, ocorreu uma cisão quando dez clubes deixaram a FICF para fundar a Federazione Italiana Giuoco Calcio Femminile (FFIGC), sob a presidência do advogado Giovanni Trabucco. Na temporada seguinte, Trabucco foi sucedido por Aleandro Franchi. Em 1970, a gestão de Trabucco havia solicitado o reconhecimento da entidade pela Federação Italiana de Futebol (FIGC) para eventual filiação ao CONI. No entanto, uma comissão nomeada pela FIGC, presidida por Franco Bettinelli, emitiu parecer desfavorável à solicitação.
Em 1972, as duas federações se unificaram sob o nome Federazione Femminile Italiana Unificata Autonoma Giuoco Calcio. Contudo, um grupo dissidente de cerca de quinze clubes, liderado por Paolo Savini, recriou a Federação de Viareggio com a sigla FIGCF. Esta federação organizou um campeonato paralelo restrito a clubes do Piemonte, Lombardia, Ligúria e Toscana.
A reunificação ocorreu na temporada seguinte, com o retorno dos clubes dissidentes à federação principal. Em janeiro de 1973, durante uma Assembleia Extraordinária, a entidade removeu o termo "Autônoma" de seu nome, passando a se chamar Federazione Femminile Italiana Unificata Giuoco Calcio (FFIUGC). Em 16 de fevereiro de 1975, adotou a denominação Federazione Italiana Giuoco Calcio Femminile (FIGCF), operando sob essa nomenclatura até sua integração oficial à FIGC em 1986.
Após a unificação de 1972, organizou-se um campeonato de qualificação com 45 equipes divididas em quatro grupos. Em 1973, a Série B deixou de ser uma competição estritamente regional e tornou-se um campeonato nacional, sendo denominada Série A Inter-regional durante seus três primeiros anos.
Durante seu período de independência em relação à FIGC, a FFIGC registrou expansão no número de clubes e competições. Em 1979, foi criado o campeonato regional para categorias de base (iniciantes), que foi transformado na Série D em 1982.
Era FIGC A inserção do futebol feminino na estrutura da FIGC ocorreu formalmente em 1986, quando a modalidade foi abrigada pela Lega Nazionale Dilettanti (LND). A partir da temporada 1986-1987, comissões foram criadas para regulamentar o esporte, e em 1989 Maurizio Foroni foi nomeado o primeiro presidente do setor.
Em 1º de maio de 1997, as equipes das Séries A e B elegeram Natalina Ceraso Levati como presidente da Divisão de Futebol Feminino. A estrutura nacional passou a contar com uma Série A em grupo único (16 equipes) e uma Série B dividida em três grupos (14 equipes cada). A Supercopa Italiana foi instituída para ser disputada entre a equipe campeã da Copa da Itália e a campeã da Série A. Em 1998, a Série B foi reestruturada em quatro grupos, adotando um sistema de eliminatórias para definir as três vagas de acesso à Série A. No mesmo período, implementaram-se torneios regionais da categoria Sub-14 para fomentar o desenvolvimento da modalidade.
Na assembleia federal de 2009, Giancarlo Padovan foi eleito Presidente da Divisão de Futebol Feminino.
A partir da temporada 2018-2019, a FIGC assumiu a gestão direta dos campeonatos da Série A e da Série B. A LND apresentou recurso judicial na tentativa de manter a organização dos torneios, mas o pedido foi rejeitado pelos tribunais desportivos.
Profissionalização Apesar de a Serie A Femminile ter suas origens na década de 1960, as jogadoras mantiveram o status de atletas amadoras por décadas. O processo de transição para o profissionalismo ganhou força em 2019, impulsionado pela campanha da seleção italiana na Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2019, que alcançou as quartas de final do torneio. O movimento foi apoiado pelo presidente da FIGC, Gabriele Gravina. No final daquele ano, o Senado da República aprovou uma emenda à Lei Orçamentária de 2020, estabelecendo a base legal para que atletas femininas pudessem se tornar profissionais.
Em 25 de junho de 2020, a FIGC anunciou formalmente que a Serie A Femminile alcançaria o status profissional até 2022.
A mudança de status alterou a estrutura financeira e os direitos trabalhistas das atletas. Anteriormente, não havia salário padronizado e a remuneração máxima era limitada a € 30.658 brutos por temporada. As compensações adicionais eram restritas a subsídios para viagens, reembolsos fixos e bônus de desempenho, que não podiam exceder € 61,97 diários (por até cinco dias por semana). Com a profissionalização, o teto salarial foi abolido e estabeleceu-se um salário anual mínimo de € 26.000 para as jogadoras e membros da comissão técnica. Além disso, as atletas passaram a ter acesso a garantias trabalhistas e previdenciárias, incluindo assistência médica, pensões, licença-maternidade e auxílio-desemprego, proporcionando maior segurança em casos de lesões ou encerramento de carreira.
Concretizando essa transição, a partir da temporada 2022-2023, o campeonato da Série A adotou um novo formato, reduzindo o número de participantes de 12 para 10 equipes, e iniciou oficialmente sua era profissional.
Um ano depois, a FIGC reorganizou o futebol feminino em duas divisões distintas: a Divisão Serie A Feminina Profissional, responsável pela organização da Série A, da Copa da Itália, da Supercopa Italiana e do Campeonato Primavera 1; e a Divisão Serie B Feminina, encarregada da gestão da Série B e do Campeonato Primavera 2.
Campeãs Títulos por ano Abaixo está uma lista das campeãs anteriores, incluindo aquelas pertencentes a várias federações independentes sob as quais o título da Serie A foi disputado antes de entrar na FIGC. Desde 1968, todos os campeonatos foram definidos como "Serie A":
TemporadaCampeã1968 (FICF)Genova1968 (UISP)Bologna1969 (FICF)ACF Roma1969 (UISP)Bologna1970 (FFIGC)Gommagomma1970 (FICF)Real Torino1971 (FFIGC)Piacenza1971 (FICF)Real Juventus1972 (FFIUAGC)Gamma 3 Padova1973 (FFIUGC)Gamma 3 Padova1973 (FICF)Milano1974 (FFIUGC)Falchi Astro Montecatini1975 (FIGCF)USF Milan1976 (FIGCF)Valdobbiadene1977 (FIGCF)Diadora Valdobbiadene1978 (FIGCF)Jolly Catania1979 (FIGCF)Lazio CF Lubiam1980 (FIGCF)Lazio CF Lubiam1981 (FIGCF)Alaska Lecce1982 (FIGCF)Alaska Lecce1983 (FIGCF)Alaska Lecce1984 (FIGCF)Alaska Trani 801985 (FIGCF)Sanitas Trani 801985–86 (FIGCF)Despar Trani 801986–87Lazio CF1987–88Lazio CF1988–89Giugliano1989–90Reggiana Refrattari Zambelli1990–91Reggiana Refrattari Zambelli1991–92Milan 82 Salvarani1992–93Reggiana Refrattari Zambelli1993–94Torres Fo.S.1994–95Agliana1995–96Verona Gunther1996–97Modena1997–98Modena1998–99ACF Milan1999–2000Torres Fo.S.2000–01Torres Fo.S.2001–02Ruco Line Lazio2002–03Foroni Verona2003–04Foroni Verona2004–05Bardolino Verona2005–06Fiammamonza2006–07Bardolino Verona2007–08Bardolino Verona2008–09Bardolino Verona2009–10Torres2010–11Torres2011–12Torres2012–13Torres2013–14Brescia2014–15AGSM Verona2015–16Brescia2016–17Fiorentina2017–18Juventus2018–19Juventus2019–20Juventus2020–21Juventus2021–22Juventus2022–23Roma2023–24Roma2024–25Juventus2025-26Roma
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