+ Praça da Liberdade Vista aérea da Praça da Liberdade, em Belo Horizonte Tipo Praça pública Características Jardins, fontes, espelhos d'água, coreto, monumentos e alameda de palmeiras-imperiais Projetista Paul Villon (paisagismo original); Reynaldo Dierberger / Dierberger & Cia. (reformulação de 1920) Construção 1895–1897 Conclusão Jardins concluídos em 1905 Inauguração 1897 Estilo arquitetônico Edifícios ecléticos, art déco, modernistas e pós-modernos no entorno da praça Dedicada a Liberdade Localização Savassi, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil Endereço Avenida Bias Fortes, Avenida Brasil e Avenida João PinheiroBelo Horizonte, Minas Gerais, Brasil Estacionamento Sem estacionamento próprio Coordenadas Website Página oficial de turismo
A Praça da Liberdade é uma praça pública e um conjunto arquitetônico e paisagístico de Belo Horizonte, em Minas Gerais, no Brasil. Fica na região da Savassi, no encontro das avenidas Bias Fortes, Brasil, Cristóvão Colombo e João Pinheiro.
A praça foi implantada entre 1895 e 1897, durante a construção de Belo Horizonte como nova capital de Minas Gerais. Situada em uma colina nivelada dentro da área originalmente planejada da cidade, foi concebida como o cenário cerimonial do Palácio da Liberdade e dos primeiros edifícios das secretarias de Estado. Seus jardins, alamedas, fontes, coreto, monumentos e edifícios públicos do entorno formavam o principal conjunto governamental da nova capital.
Ao redor da praça, os edifícios ecléticos originais passaram a conviver com obras de outros estilos arquitetônicos. O Palácio Arquiepiscopal Cristo Rei introduziu uma presença art déco no fim da década de 1930; edifícios modernistas, como o Edifício Niemeyer e a Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, foram acrescentados em meados do século XX; e o pós-moderno Edifício Rainha da Sucata acrescentou outra camada ao conjunto no fim do século XX.
O conjunto arquitetônico e paisagístico foi tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais em 1977. Depois da transferência do governo estadual para a Cidade Administrativa de Minas Gerais em 2010, vários antigos edifícios públicos ao redor da praça foram adaptados como museus, arquivos, bibliotecas, centros culturais e espaços educativos, formando o Circuito Cultural Praça da Liberdade, depois chamado Circuito Liberdade.
História
thumb|Vista da praça em 1935.
A Praça da Liberdade nasceu junto com Belo Horizonte, a capital planejada construída para substituir Ouro Preto como sede do governo de Minas Gerais. Implantada entre 1895 e 1897, ela foi concebida como o centro cívico da nova cidade. Para isso, uma colina foi nivelada e escolhida para receber o Palácio da Liberdade e os primeiros edifícios das secretarias de Estado. No alto da atual Avenida João Pinheiro, o palácio dominava a paisagem e oferecia uma ampla vista da capital que começava a tomar forma.
A praça já fazia parte da vida pública de Belo Horizonte quando a cidade foi inaugurada. Em 12 de dezembro de 1897, recebeu as comemorações pela abertura da nova capital, enquanto seus jardins ainda seguiam o traçado original criado pelo paisagista francês Paul Villon. A pedra fundamental do Palácio da Liberdade havia sido lançada em 7 de setembro de 1895, mas o edifício só ficou pronto em 1898, um ano depois da inauguração da cidade. Ao seu redor foram erguidos os prédios destinados à administração estadual, dando à praça, desde o início, sua forte ligação com o governo mineiro.
A presença da nova sede administrativa também transformou a região vizinha. Muitos funcionários e servidores públicos transferidos de Ouro Preto passaram a morar perto da praça e dos edifícios governamentais. Dessa concentração surgiu o nome do bairro Funcionários.
As construções dessa primeira fase seguiam principalmente o estilo eclético, com elementos neoclássicos bastante usados na arquitetura oficial da passagem do século XIX para o XX. Um exemplo é o atual edifício do Arquivo Público Mineiro. Projetado pela Comissão Construtora da Nova Capital, ele foi erguido em 1897 para servir de residência ao secretário estadual da Fazenda e somente depois passou a abrigar o arquivo.
Os jardins foram concluídos em 1905, de acordo com o projeto de Villon, inspirado no paisagismo inglês. O coreto também faz parte dos primeiros anos da praça. Seu projeto foi associado a [Edgar Nascentes Coelho, em 1904, e a Francisco Izidoro Monteiro, em 1909. Mais do que um elemento decorativo, o coreto aproximava o espaço oficial do cotidiano da cidade, servindo de palco para música, encontros e momentos de lazer.
Em 1920, a Praça da Liberdade passou por uma grande transformação para receber o rei Alberto I da Bélgica e a rainha Isabel, que visitariam Belo Horizonte. A empresa paulista Dierberger & Cia. substituiu o desenho mais livre de Villon por uma composição geométrica, inspirada nos jardins franceses e, especialmente, nos jardins do Palácio de Versalhes. Surgiram então os terraços, espelhos d'água, fontes, esculturas e canteiros com diferentes espécies vegetais. A alameda central de palmeiras-imperiais, conduzindo o olhar em direção ao Palácio da Liberdade, tornou-se uma das imagens mais conhecidas da praça.
Ao longo do século XX, a paisagem ao redor da praça continuou a mudar. Novos edifícios trouxeram estilos diferentes e passaram a conviver com a arquitetura eclética dos primeiros anos. O Palácio Arquiepiscopal Cristo Rei, projetado por Raffaello Berti e construído em 1937, introduziu o art déco no conjunto. Nas décadas de 1950 e 1960, foi a vez da arquitetura modernista, representada pelo Edifício Niemeyer e pela Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, ambos projetados por Oscar Niemeyer. Já no fim do século, o pós-moderno Edifício Tancredo Neves, conhecido popularmente como Rainha da Sucata, acrescentou uma nova fase à história arquitetônica da região.
Em 1977, o conjunto arquitetônico e paisagístico da Praça da Liberdade foi tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais. A proteção abrange os jardins, alamedas, lagos, fontes, monumentos e hermas, além do Palácio da Liberdade, do Palácio dos Despachos, dos antigos edifícios das secretarias de Estado e de diferentes fachadas e interiores do entorno. O tombamento reconheceu que a importância da praça não estava apenas em um edifício ou jardim isolado, mas no conjunto formado pela paisagem, pela arquitetura governamental, pelas obras de arte e pelas construções acrescentadas ao longo do tempo.
Em 2010, o governo estadual deixou a região e transferiu sua sede para a Cidade Administrativa de Minas Gerais. Os antigos edifícios públicos ao redor da praça ganharam então novas funções, principalmente culturais. Dessa transformação surgiu o Circuito Cultural Praça da Liberdade, mais tarde rebatizado como Circuito Liberdade.
Paisagismo e função urbana
A Praça da Liberdade foi planejada como a frente formal do Palácio da Liberdade e dos edifícios das secretarias de Estado, em uma colina nivelada dentro da cidade planejada original. Sua localização dava à praça um caráter cerimonial. A partir da Avenida João Pinheiro, o eixo principal dos jardins se abre em direção à sede do governo estadual, enquadrando o Palácio da Liberdade como ponto focal do conjunto.
O desenho atual da praça resulta principalmente da reformulação de 1920, que substituiu o paisagismo orgânico de Paul Villon por uma composição mais regular. O eixo central, os espelhos d'água, as fontes, os terraços, as esculturas e a alameda de palmeiras-imperiais organizam a vista em direção ao Palácio da Liberdade e reforçam o caráter cerimonial do conjunto.
Embora o eixo central dê à praça um caráter cerimonial, os jardins também foram pensados para o uso cotidiano. A alameda de palmeiras-imperiais liga a Avenida João Pinheiro ao Palácio da Liberdade, enquanto fontes, espelhos d'água, gramados, bancos, caminhos sombreados e o coreto criam lugares para descanso, conversa, música e encontros públicos. O coreto liga a praça à história inicial da música pública em Belo Horizonte. Nos primeiros anos da capital, festas cívicas, comemorações carnavalescas e apresentações de bandas muitas vezes usavam estruturas provisórias. A Praça da Liberdade e a Praça Rio Branco receberam depois alguns dos primeiros coretos permanentes da cidade em grandes espaços públicos.
A praça há muito funciona como espaço público cotidiano e como cenário formal para os edifícios ao redor. Em sua dissertação de mestrado na Universidade Estadual de Campinas, Junia Marques Caldeira definiu a Praça da Liberdade como um "território de sociabilidade", moldado por caminhadas, permanências, encontros, lazer e vida pública em Belo Horizonte. Seus usos diários incluem passeios, encontros informais, fotografia, visitas culturais e exercícios ao longo do percurso de circulação ao redor dos jardins.
Árvores, gramados, áreas pavimentadas, exposição ao sol e as sombras dos edifícios próximos criam diferentes condições térmicas dentro da praça. As áreas sombreadas e os trechos ajardinados tornam partes dos jardins mais confortáveis durante o dia, favorecendo o uso contínuo da praça para caminhada, descanso e lazer.
O entorno urbano da Praça da Liberdade mudou bastante desde as primeiras décadas de Belo Horizonte. No plano original, a praça ocupava um lugar de destaque dentro da cidade formal circunscrita pela Avenida do Contorno. Mais tarde, a verticalização da área central e o crescimento de bairros em terrenos mais altos, como Serra e Mangabeiras, nas encostas da Serra do Curral, tornaram essa antiga proeminência topográfica menos visível a partir de muitas partes da cidade. Mesmo assim, o conjunto tombado preserva a relação entre os jardins, o antigo palácio, os edifícios das secretarias e os acréscimos arquitetônicos do século XX.
Depois que o governo estadual se transferiu para a Cidade Administrativa de Minas Gerais em 2010, a praça ganhou um novo ritmo público. Antigos edifícios governamentais ao redor dos jardins foram adaptados para museus, centros culturais e espaços de memória, formando o Circuito Cultural Praça da Liberdade, depois chamado Circuito Liberdade. A Praça da Liberdade permaneceu como um dos principais espaços cívicos de Belo Horizonte, mas sua vida cotidiana passou a se associar mais diretamente à cultura, ao turismo, à educação, ao lazer e à preservação do patrimônio do que à rotina da administração estadual.
Circuito Liberdade
A Praça da Liberdade foi planejada como o centro simbólico do governo estadual de Minas Gerais, com grandes edifícios públicos dispostos ao seu redor. Durante boa parte do século XX, a área esteve ligada ao trabalho cotidiano da administração estadual. Esse padrão começou a mudar depois que o governo transferiu muitos órgãos para a nova Cidade Administrativa, deixando disponíveis vários edifícios históricos em torno da praça.
O Circuito Liberdade começou em 2010 como uma rota cultural que reunia esses antigos edifícios governamentais. Antigas secretarias e repartições foram restauradas ou adaptadas como museus, arquivos, centros culturais e espaços educativos. O projeto mudou a vida cotidiana da praça e de seu entorno, transformando uma área por muito tempo associada à administração pública em um distrito cultural frequentado por visitantes, estudantes, pesquisadores e turistas.
Edifícios antes ocupados por órgãos públicos passaram a abrigar museus, exposições, atividades educativas e programas abertos ao público, dando à área um novo uso cívico centrado em ciência, cultura e conhecimento. O projeto depois cresceu por meio de uma rede formada por órgãos estaduais, instituições culturais e patrocinadores privados.