Antônio Pompêo de Camargo, Totó Pompêo (Campinas, 2 de janeiro de 1828 – Campinas, 14 de março de 1884) foi um político, latifundiário e agricultor brasileiro, membro da elite fundiária de Campinas no século XIX.
Filho do Capitão Antônio Pompêo de Camargo e de Dona Thereza Michelina do Amaral Pompeu (irmã do Visconde de Indaiatuba), destacou-se como um dos pioneiros no cultivo de café e tornou-se um dos principais acionistas da Companhia Paulista de Estradas de Ferro.
Exerceu mandato como vereador em Campinas (1857–60 e 1877–80)e foi o primeiro presidente do Partido Republicano em Campinas. Cofundou o Colégio Culto à Ciência (1874) e foi seu presidente e o Jornal da Província (atual Estadão) (1875) e patrocinou obras públicas locais como a construção da nova matriz (Catedral Metropolitana de Campinas), da Santa Casae da Maternidade de Campinas.
Faleceu em 1884, deixando legado econômico e institucional reconhecido por ruas e praças que levam seu nome.
Nascimento e Família Nasceu em 2 de janeiro de 1828 em Campinas na tradicional família Pompêo de Camargo, de longa presença histórica no país, desde o período colonial. É filho do Capitão Antônio Pompêo de Camargo e de Dona Thereza Michelina do Amaral Pompeu (irmã do Visconde de Indaiatuba), ambos membros da elite fundiária local.
Era também sobrinho da Baronesa e do Barão de Cascalho, Umbelina de Campos Camargo e José Ferraz de Campos. Sua irmã, Elisma do Amaral, foi nora de Maria Luzia de Sousa Aranha, a Viscondessa de Campinas, de quem eram também primos pela descendência de ambos do bandeirante Fernando Ortiz de Camargo, o Moço; família Camargo.
A genealogia familiar inclui variantes do sobrenome (Pompeu, Pompêo); é também conhecido por seu apelido Totó Pompêo foi batizado pela Igreja Católica em 27 de janeiro de 1827 na Paróquia de Nossa Senhora da Conceição em Campinas.
Casou-se com Antônia Amália Pacheco e Silva em período anterior a 1853, com quem teve 9 filhos. Tornou-se viúvo em 1863 e casou-se em segundas núpcias com Maria Luíza de Camargo Nogueira, filha do Major Luciano Teixeira Nogueira, em 28 de janeiro de 1871, com quem teve 6 filhos. Atividades econômicas Foi pioneiro no cultivo do café e tornou-se “rico proprietário urbano e rural”. Segundo Munir Abboud (2012), era um dos principais acionistas da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, indicando envolvimento em infraestrutura regional.
Política local miniaturadaimagem|Título de eleitor de Antônio Pompêo de Camargo Filiado ao Partido Liberal do Império (liderado pelo seu tio Joaquim Bonifácio do Amaral, o Visconde de Indaiatuba), posteriormente afastou-se para os clubes Liberal-Radical e Republicano. Em Campinas, exerceu o cargo de vereador nos mandatos 1857–1860 e 1877–1880. Em 1877 foi “eleito o mais votado de seu partido” para a vereança. Foi “o primeiro Presidente do Partido Republicano em Campinas” (histórico desde 1870).
Propriedades e riqueza
Era um grande proprietário rural: possuía ao menos três fazendas (Fazenda Sertão: 132:745$000 réis; Sítio Novo: 50:000$000; Fazenda Jambeiro: 28:800$000) e outras terras, além de duas casas urbanas (valendo 48:000$000) e outros bens. Seu inventário de 26/03/1884 totalizou cerca de 669:850$000 réis em bens, situando-o entre a aristocracia fundiária do período. Em 1881 declarava renda de 2:000$000 réis no título de eleitor. A revista Revista Rural Brasileira (1927) o listou entre os “14 pioneiros do café no Brasil”.
Instituições e patrocínios
Participou da fundação de várias instituições culturais e beneficentes campineiras. Entre elas, destaca-se a loja Maçônica Independência, o Colégio Culto à Ciência (fundado em 12 janeiro de 1874), idealizado por maçons republicanos como ele. Foi idealizador do Culto à Ciência para promover educação laica e foi presidente do colégio.
Co-fundou o Jornal da Província de São Paulo (atual O Estado de S. Paulo, fundado 04/01/1875) com Campos Salles, Américo Brasiliense e outros republicanos. Financiou obras significativas em Campinas: a construção da nova matriz – hoje Catedral Metropolitana de Campinas (a maior construção em taipa de pilão do mundo) – e da Santa Casa de Misericórdia e a Maternidade de Campinas. Em 1873 integrava a diretoria da obra da Matriz (Gazeta de Campinas registra sua participação no colegiado). Também foi um dos benfeitores do Jockey Club Campineiro e do Jockey Club Paulistano. Falecimento e homenagens
Faleceu em 14 de março de 1884 em Campinas. Na monografia do Colégio Culto à Ciência lê-se:Na tarde de 14 de março de 1884 faleceu em Campinas o estimado cidadão de nobre estirpe, Antônio Pompêo de Camargo, que tanto contribuíra para o progresso de sua terra e cujas qualidades de caráter íntegro eram por todos admiradas. Era a personificação da bondade e do desinteresse, e dele escreveu Francisco Glicério: “É um patrício cujo nome e cuja constituição moral devem ser invocados, sempre que as tormentas das más horas sociais passarem rugindo sobre nossas cabeças”. Os funerais realizaram-se no dia imediato, sendo o féretro carregado da casa do ilustre extinto até a igreja pela diretoria do Colégio Culto à Ciência, do qual fora o idealizador e de cuja diretoria fizera parte.miniaturadaimagem|Vista aérea da Praça Antônio Pompêo de Camargo
Um obituário da Gazeta de Campinas descreveu que seu enterro foi acompanhado por ampla comitiva (Câmara do Culto à Ciência, republicanos, ex-escravo que libertou, etc.), evidenciando seu prestígio local:Por ocasião do passamento de Antônio Pompeu, a “Gazeta de Campinas” publicou na sua edição de domingo, dia 16 de março de 1884, o seguinte: “Noticiário. Enterro – ontem à tarde foi dado à sepultura o cadáver do estimado cidadão Antônio Pompeu de Camargo, comparecendo ao saimento o mais elevado número de pessoas que se tem visto nesta cidade. Da casa à igreja, foi o féretro carregado pelo diretório do Colégio Culto à Ciência, e por um amigo particular do finado, notando-se sobre o caixão diversas coroas de saudades, de algumas nas quais pendiam fitas com inscrições. Entre aquelas, vimos uma enviada pelos republicanos e outra pelo Culto à Ciência, a primeira com esta inscrição: “A Antônio Pompeu de Camargo, os seus amigos” e a outra: “Culto à Ciência – A eterna Vallis”. Acompanharam o cadáver até o cemitério cerca de cinquenta carros, tendo pegado nas argolas do caixão, na entrada do cemitério, diversos parentes e amigos, entre estes notou-se um seu ex-escravo, que naquele instante solene pagava uma dívida de gratidão, testemunhada pelas lágrimas sinceras que derramava. (GOULART, 1983, p. 38)GOULART, Edmo. Campinas: ruas da época imperial. Campinas, SP: Maranata, 1983. Dadas suas contribuições, recebeu diversas homenagens póstumas em Campinas: há praça no centro (Praça Antônio Pompeu de Camargo, onde está sepultado sob Monumento-Túmulo, o corpo do notável compositor conterrâneo Carlos Gomes) e outras vias com seu nome.
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