Ernesto Carvalho dos Santos (Almeida, 8 de outubro de 1904 – Lisboa, 29 de dezembro de 1958) foi um político, jornalista, advogado e dirigente estudantil e desportivo português, que se destacou na oposição ao Estado Novo, enquanto presidente da Associação Académica da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (1930), fundador do Partido Trabalhista (1945), ativo apoiante da campanha da candidatura de Norton de Matos à Presidência da República (1948) e, na década de 1950, como membro da Resistência Republicana e Socialista. Foi membro do Grande Oriente Lusitano, da direção do Sport Clube União Torreense, bem como editor e redator do jornal “O Almeidense” e chefe de redação da «Revista Portuguesa das Comunicações». Biografia Nasceu em Almeida, a 8 de outubro de 1904. Seus pais, Gracinda da Piedade dos Reis e Joaquim Carvalho dos Santos, tiveram oito filhos, mas um faleceu em criança. Três do sexo feminino: Francisca, Maria Cândida, Olívia e quatro do sexo masculino: José (o mais velho, nascido a 24 de novembro de 1893), Joaquim, Ernesto, que recebeu o nome do irmão falecido, e Teófilo Carvalho dos Santos (o mais novo, nascido a 4 de setembro de 1906.
Iniciou os seus estudos na escola primária de Almeida, que seu pai – Joaquim Carvalho dos Santos, presidente da Câmara municipal – tinha mandado recuperar no antigo Palácio da Vedoria, arruinado depois da terrível explosão do paiol, de 26 de agosto de 1810, durante o «Cerco de Almeida» ocorrido no contexto da terceira invasão francesa de Portugal. Após a conclusão dos quatro anos do ensino primário esteve interno no Colégio de Lamego e, seguidamente, foi aluno do Liceu Camões, em Lisboa. Dessa altura são-lhe conhecidos textos sobre política e também testemunhos onde se preocupa com o estado do património e arte nacionais, objetivos que durante a vida sempre o instigaram a refletir e ter como bandeira ativista em Almeida, Torres Vedras e Lisboa. thumb|Da esquerda para a direita, os irmãos José, Joaquim, Ernesto e Teófilo Carvalho dos Santos, foto tirada no estúdio Mendoza em Madrid, c. 1930
Quando, em 1924, entrou para a Universidade de Lisboa matriculou-se na Faculdade de Medicina, que frequentou durante três anos, tendo depois transitado para a Faculdade de Direito, e aí sido, em 1930, por eleição, presidente da Associação Académica da Faculdade de Direito de Lisboa (curiosamente, no ano seguinte, foi seu irmão Teófilo Carvalho dos Santos quem lhe sucedeu no cargo), protagonizando as primeiras lutas estudantis da oposição reviralhista contra o governo da Ditadura Nacional implantado na sequência da Golpe de Estado de 28 de Maio de 1926.
Licenciado em Direito em 1934, ano em que faleceu seu pai, regressa à Praça-forte de Almeida, onde casou com Natércia Espinha Geraldes, filha do tenente de infantaria Adriano Augusto Geraldes. Teve duas filhas: Maria Helena (1935) e Maria Manuela (1937).
Residiu na primeira casa que foi de seus pais na vila de Almeida, edifício com o n.º 28-30, que durante séculos teve toponímia centrada no velho convento da Ordem das Irmãs Clarissas Capuchinhas e que, em 1944, passou a ostentar o nome de seu pai, Joaquim Carvalho dos Santos, resultante de homenagem do executivo camarário de então e dos principais membros constitutivos da sociedade almeidense, do seu concelho e mesmo da região.
Nas propriedades que herdara em Almeida, dava trabalho aos assalariados durante os meses mais difíceis, justificando a empregabilidade tentando encontrar água nas encostas da Quinta da Barca, para que não faltasse pão às famílias. Era um exemplo que tinha de seu pai e continuou durante os anos que esteve em Almeida como advogado. Festejava o Senhor da Barca, festa de culto ao Espírito Santo em Almeida, e a Banda de Música dos Bombeiros agradecia-lhe nesse dia os instrumentos musicais que lhes oferecera, indo tocar à sua Quinta da Barca.
Desempenhou atividade de advogado, com escritório em Almeida, de 1934 a 1946, e em Lisboa e Torres Vedras, entre 1946 e 1958. Democrata e antifascista, ainda em Almeida foi sempre membro ativo político contra o regime de ditadura do Estado Novo, sendo, em 1945, um dos fundadores do Partido Trabalhista, organização clandestina. Pertenceu aos altos quadros da maçonaria em Portugal – Grande Oriente Lusitano e na década de cinquenta fez parte da Resistência Republicana e Socialista. Em Lisboa e em Torres Vedras dirigiu todas as campanhas eleitorais contra o Estado Novo, tendo sido, em 1948, forte apoiante e colaborador ativo na da candidatura à Presidência da República do general José Norton de Matos, que se viu forçado a desistir antes da chegada às urnas eleitorais. Nas madrugadas do dia 5 de outubro era ele que lembrava essa data, deitando, clandestinamente, alguns foguetes de forma a evocar o dia da implantação da República Portuguesa.
Dedicou-se também ao jornalismo, tendo sido, a partir de 1 de março de 1931, o chefe de redação da Revista Portuguesa das Comunicações: quinzenário de estudo e divulgação dos problemas referentes aos transportes terrestres, marítimos e aéreos e ao turismo, lançada em 1 de julho de 1929 e cujo primeiro diretor foi seu irmão José Carvalho dos Santos. Colaborou também regularmente com o jornal “O Almeidense”, com primeira edição em 1912, de que seu pai foi grande impulsionador.
Na década de 1950, foi membro da Direção e sócio muito ativo do Sport Clube União Torreense, sendo que na época desportiva de 1954/1955, a equipa de futebol ascendeu, pela primeira vez, à I Divisão Nacional em primeiro lugar, como Campeões Nacionais da II Divisão, e em 1956, já na I Divisão, em 1956, o clube foi finalista da Taça de Portugal, no Estádio Nacional do Jamor, frente ao Futebol Clube do Porto.
Faleceu em Lisboa, em 29 de dezembro de 1958, e está sepultado no jazigo da família no cemitério de Almeida. miniaturadaimagem |Jazigo da família Carvalho dos Santos no cemitério de Almeida Espólio O espólio documental de Ernesto Carvalho dos Santos encontra-se depositado na Ephemera - Associação Cultural - biblioteca e arquivo de José Pacheco Pereira .
A sua fotografia com os irmãos José, Joaquim e Teófilo, tirada cerca de 1930, no estúdio Mendoza, em Madrid, integra, desde 2023, o acervo do museu Solar de São João - Casa da Memória em Almeida.
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