thumb|Ciclo menstrual.

Menstruação, também denominada período, é o corrimento fisiológico de sangue e tecido mucoso do revestimento interior do útero pela vagina. Cerca de 80% das mulheres menciona sentir alguns sintomas antes da menstruação. Entre os sinais e sintomas mais comuns estão o acne, mamas doloridas, fadiga, irritabilidade, sensação de inchaço e alterações de humor. Em 20 a 30% das mulheres estes sintomas podem interferir com a vida normal, uma condição denominada síndrome pré-menstrual. Em 3 a 8% das mulheres os sintomas são graves.

O intervalo de tempo comum entre o primeiro dia de um período e o primeiro dia do período seguinte é de 21 a 45 dias em mulheres jovens e de 21 a 31 dias em mulheres adultas, o que corresponde a uma média de 28 dias entre períodos. A hemorragia tem geralmente a duração de dois a sete dias. O primeiro período denomina-se menarca e tem geralmente início entre os doze e os quinze anos de idade. Em alguns casos, pode ter início tão cedo como aos oito anos e mesmo assim ser considerado normal. A idade média do primeiro período é geralmente menor nos países desenvolvidos e maior nos países em vias de desenvolvimento. A menstruação termina após a menopausa, que geralmente ocorre entre os 45 e os 55 anos de idade.

O ciclo menstrual é causado por alterações hormonais. No início do ciclo menstrual, o revestimento do útero aumenta de espessura de modo a fornecer nutrientes para o óvulo que ainda está em crescimento num dos ovários. Por volta do 14ª dia do ciclo, o óvulo é libertado. Caso esse óvulo seja fecundado por um espermatozoide, tem início uma gravidez e o óvulo implanta-se na parede espessa do útero rica em nutrientes. Quando não ocorre fecundação, esse revestimento é libertado na forma de sangue menstrual e o ciclo tem novamente início.

Durante a gravidez os períodos são interrompidos e só se iniciam durante os primeiros meses de amamentação. Existem vários problemas de saúde relacionados com a menstruação. Amenorreia é uma condição em que não ocorrem períodos ao longo de mais de 90 dias ou quando com mais de 15 anos de idade ainda não apareceu o primeiro período. Entre outros problemas estão períodos acompanhados de dor e hemorragias anormais, como as hemorragias entre períodos ou hemorragias intensas. A menstruação também ocorre em outras espécies de primatas.

Ovogênese A ovogênese está ligada, como qualquer outro fenómeno metabólico, ao acionamento de hormônios ou hormonas, mediante o comando do complexo hipotálamo-hipófise. Se a mulher for perturbada emocionalmente, poderia ter prejuízo em sua fertilidade. Podemos citar as seguinte fases do processo:

Multiplicação Ocorre no começo da ovogênese, que se dá ainda durante a vida intrauterina, por mitose, (processo pelo qual uma célula da origem a outras com o mesmo material genético) as células germinativas multiplicam-se, formando outras idênticas, chamadas ovogônias ou oogónias.

Maturação O que se pretende nesta fase é que por meiose se dê origem a uma célula haploide contendo praticamente todo o citoplasma criado durante a fase de crescimento. Esta fase é interrompida no seu início por volta do nascimento da bebê, durante a prófase I, no diplóteno, sendo a tal interrupção chamada de dictióteno, e volta a ser retomada de uma forma cíclica a partir da puberdade até à menopausa.

No entanto, a meiose (e, em consequência, a maturação) só será concluída se o oócito II em metáfase II for fecundado por um espermatozoide, no final do que vai ocorrer uma citocinese desigual, pois vai ser originada uma célula grande (o óvulo (gâmeta)) e uma muito menor (o 2º glóbulo polar ou 2º corpúsculo polar), que vai degenerar.

Ciclo menstrual

Duração A menarca, primeira menstruação, geralmente ocorre entre 12 e 15 anos, mas pode aparecer já aos oito. Ela tende a acontecer mais tarde em países em desenvolvimento e mais cedo em países desenvolvidos, com pouca mudança na média dos Estados Unidos desde a década de 1950. A menstruação marca a fase visível do ciclo menstrual, sendo o primeiro dia do sangramento usado como referência para a duração do ciclo. Os ciclos variam normalmente de 21 a 45 dias em adolescentes e de 21 a 35 dias em adultas, com uma média em torno de 28 a 29 dias. A variabilidade é maior antes dos 25 anos, mais estável entre 25 e 39, e aumenta um pouco após os 40. O climatério é a transição para a menopausa, quando os ciclos se tornam irregulares devido a alterações hormonais. A menopausa, definida como um ano sem menstruação, geralmente ocorre entre 45 e 55 anos, embora possa acontecer antes por condições de saúde ou intervenções médicas.

Fluídos miniaturadaimagem|Copo menstrual cheio de fluido menstrual. O volume médio do fluido menstrual por ciclo é de cerca de 35 ml, sendo entre 10 e 80 ml considerado normal. Embora seja comumente chamado de "sangue menstrual", o fluido é marrom-avermelhado e contém cerca de metade de sangue, além de muco cervical, secreções vaginais e tecido endometrial. Coágulos de sangue podem aparecer durante a menstruação e muitas vezes são confundidos com tecido de aborto espontâneo, mas geralmente correspondem ao endométrio eliminado. Uma enzima chamada plasmina, presente no revestimento uterino, ajuda a evitar a coagulação.

Na maioria das mulheres, a perda de ferro durante a menstruação é pequena. No entanto, sangramentos intensos podem causar anemia, e sintomas de deficiência de ferro não devem ser atribuídos automaticamente à menstruação, já que muitos casos estão relacionados a doenças gastrointestinais.

Mudança hormonal O ciclo menstrual é uma série coordenada de mudanças hormonais e fisiológicas nos ovários e no útero que tornam a gravidez possível. O ciclo ovariano regula a produção de óvulos e a liberação de hormônios, enquanto o ciclo uterino prepara o revestimento do útero para receber um embrião. Com duração média de 21 a 35 dias (geralmente 28), o ciclo começa com a menarca por volta dos 12 anos e continua por 30 a 45 anos. O aumento do estrogênio engrossa o endométrio e, caso não ocorra fecundação, a queda da progesterona desencadeia a menstruação, a eliminação desse revestimento, indicando que a gravidez não aconteceu.

Os diferentes ciclos miniaturadaimagem|Diagrama ilustrando como o revestimento uterino se forma e se decompõe durante o ciclo menstrual Ciclo ovárico Até à puberdade existem no ovário estruturas constituídas pelo Ovócito I imaturo envolvido por células foliculares a que se dá o nome de "folículos primordiais". Alguns destes folículos e de uma forma cíclica a partir da puberdade até à menopausa vão reiniciar o seu desenvolvimento. Cada ciclo ovárico vai ter as seguintes fases:

Fase folicular: alguns dos folículos primordiais reiniciam o seu desenvolvimento, mas, normalmente, apenas um o completa, degenerando os restantes. O folículo em desenvolvimento sofre várias transformações: O Oócito I que se encontra em Profase I vai completar o crescimento, ao mesmo tempo as células foliculares multiplicam-se e originam a Zona Granulosa, estas células são produtoras de hormonas (estrogénios) para além de nutrirem o Oócito I. Em torno do Oócito I, forma-se um revestimento glicoproteico a que se dá o nome de Zona Pelúcida. Com a evolução dos folículos forma-se uma cavidade cheia de líquido entre as células foliculares. Tendo terminado o crescimento o Oócito I em Profase I completa a divisão I da Meiose após a Citocinese desigual forma-se o Oócito II e o 1º Glóbulo Polar. O Oócito II ainda inicia a Divisão II da Meiose mas fica bloqueado na Metafase II. Por esta altura o folículo completou o desenvolvimento e denomina-se *Folículo Maduro ou folículo de Graaf: todo este processo demora em média 14 dias; Ovulação: o oócito II em metáfase II rodeado pela zona pelúcida e por algumas células foliculares é libertado da cavidade folicular para fora do ovário, sendo recolhido pelo pavilhão da trompa de Falópio; Fase luteínica: após a ovulação, cicatriza a parede do ovário e ocorre o pregueamento da parede do folículo. As células foliculares aumentam então de volume e secretam um pigmento amarelo, a luteína que lhes dá uma cor amarela, formando-se, deste modo, o "corpo amarelo" ou "corpo lúteo". Caso não ocorra fecundação, essa estrutura se degenera em aproximadamente 14 dias.

Ciclo uterino O endométrio, sendo a estrutura onde o embrião se deve fixar a fim de completar o seu desenvolvimento, é então uma estrutura que sofre importantes modificações. Ocorre então:

Fase menstrual: início da fase folicular do ciclo ovárico. Ocorre a descamação da maior parte do Endométrio, que como é um tecido muito vascularizado, vai apresentar algumas hemorragias por rompimento destes vasos sanguíneos. Sendo os fragmentos do Endométrio e algum sangue eliminados através da vagina para o exterior, originando o fluxo menstrual (chamado muitas vezes erroneamente de "sangue"); Fase proliferativa: terminada a eliminação do tecido velho, as células do endométrio que restaram voltam a multiplicar-se, promovendo a sua regeneração. Neste tecido em formação formam-se glândulas tubulares e restabelece-se a rede de vasos sanguíneos.

Fase secretora: a espessura do endométrio atinge um aumento tal que as suas glândulas vão terminar o desenvolvimento, tornando-se mais sinuosas e ramificadas, começando a segregar glicogénio e muco. Ficando o útero preparado para uma possível nidação. Caso tal não aconteça, reinicia-se o ciclo.

Regulação hormonal na mulher A GnRH produzida pelo hipotálamo vai estimular a produção de FSH e algum LH pela hipófise. Estas hormonas, que têm, como órgão alvo, os ovários, vão estimular, neste, a fase folicular e, por consequência, a produção de estrogénios (produzidos pelas células foliculares e pela teca interna e mais tarde pelo corpo amarelo. O seu principal órgão alvo é o útero.). Estes estrogénios vão atuar no útero estimulando a fase proliferativa, em que vai ocorrer o espessamento do endométrio juntamente com o desenvolvimento das glândulas tubulares e vasos sanguíneos.

Durante a fase folicular, a concentração de estrogénios vai ser mantida mais ou menos constante graças a um processo de retroação negativa ou feedback negativo. Neste processo, o aumento de estrogénios inibe a produção de GnRH e por sua vez de FSH. Baixando a concentração desta hormona, diminui a produção de estrogénios, que por sua vez ao baixar a sua concentração no sangue vai estimular a produção de GnRH que estimula a produção de FSH, levando de novo ao aumento da produção de Estrogénios, e assim sucessivamente. Até que por volta do final da fase folicular um aumento brusco dos Estrogénios vai provocar uma retroação positiva ou feedback Positivo, a tal ponto que vai estimular ainda mais o hipotálamo a produzir GnRH que, por consequência, estimula mais a produção de FSH e muito especialmente de LH, que vão desencadear, no ovário, a ovulação (+/- 14º dia do ciclo). A grande concentração de LH estimula a passagem do folículo a corpo amarelo (fase luteínica) e, para além da produção de estrogénios, passa também a produzir-se progesterona (produzida pelo corpo amarelo, tem, também como seu principal órgão alvo, o útero). Esta hormona, para além de continuar a estimular o espessamento do endométrio, vai estimular a secreção das glândulas do endométrio, na fase secretora.

O aumento da concentração de progesterona e estrogénios vai inibir a produção de GnRH pelo hipotálamo (feedback negativo), que vai inibir a produção de FSH e LH; deixando esta última hormona de ser produzida, o corpo amarelo regride, começando a degenerar, e inibe-se a produção de estrogénios e progesterona. Sem estas hormonas, o endométrio deixa de ser estimulado e, por consequência, diminui o fornecimento de nutrientes às suas células por contração dos seus vasos sanguíneos. As células do endométrio morrem, o que leva à destruição parcial do endométrio, na fase menstrual.