Os distúrbios no Sudão de 2005 começaram em 1 de agosto de 2005 após a confirmação da morte do líder rebelde sul-sudanês John Garang. Imediatamente, distúrbios irromperam em Cartum e Juba, resultando em mais de 130 mortos e milhões em prejuízos.

Contexto O Movimento Popular de Libertação do Sudão (SPLM) assinou o Acordo de Paz Abrangente com o governo sudanês em Naivasha, Quênia, em 9 de janeiro de 2005, pondo fim à Segunda Guerra Civil Sudanesa. Pelos termos do Acordo de Paz Abrangente, o comandante rebelde do SPLA, John Garang, deveria tomar posse como primeiro vice-presidente do Sudão exatamente seis meses depois. Em 9 de julho, Garang foi incluído no governo. O acordo de paz também nomeou Garang presidente de um novo governo sul-sudanês.

No entanto, John Garang morreu em 30 de julho de 2005, quando seu helicóptero caiu em Uganda, quando ele retornava ao Sul do Sudão de uma reunião com o presidente ugandense Yoweri Museveni.

Tumultos Os eventos começaram em Cartum em 1 de agosto, após a morte de Garang ter sido anunciada pelo presidente Omar al-Bashir. Os distúrbios foram provocados por migrantes sul-sudaneses que viviam em Cartum, os quais acreditavam que a queda do helicóptero não fora acidental e que a morte fora causada pelo governo sudanês.

Iniciando no centro de Cartum, os tumultos espalharam-se para os arredores da cidade. Os eventos foram caracterizados por pilhagens a residências e comércios, incêndio de carros e casas e confrontos com a polícia. Os confrontos continuaram por três dias, apesar do governo sudanês ter imposto um toque de recolher em Cartum, e terminaram quando os militares intervieram para acalmar a situação.

Confrontos também ocorreram em outras grandes cidades sudanesas, como Porto Sudão. No Sul do Sudão, em Juba, Renk e Malakal, houve relatos de ataques contra comerciantes árabes e 250 lojas pertencentes a comerciantes árabes foram incendiadas em Juba. De acordo com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), os tumultos deixaram mais de 300 feridos e cerca de 130 mortos, dos quais 111 em Cartum e 19 em Juba e Malakal.

Consequências Salva Kiir foi nomeado o novo vice-presidente do Sudão e presidente do Sul do Sudão em 9 de agosto. Ele pediu a todos os cidadãos que mantivessem a calma, afirmando: "todos devem manter a calma para que possamos honrar Garang com a implementação do acordo de paz". O Secretário-geral das Nações Unidas Kofi Annan expressou sua preocupação com a violência e pediu o fim dos tumultos e saques. Os Estados Unidos solicitaram para que fossem tomadas medidas adicionais para conter a violência. A Secretária de Estado Condoleezza Rice enviou dois altos funcionários, a Secretária de Estado Adjunta para Assuntos Africanos, Constance Newman, e o enviado especial para o Sudão Roger Wicker, ao Sudão para negociar com Kiir e al-Bashir.

Al-Bashir anunciou a formação de um comitê de investigação em 4 de agosto, no qual afirmou a capacidade das autoridades de estabelecer a segurança e o estado de direito após o ocorrido. Catorze dias após o início dos distúrbios, seis homens foram enforcados em Cartum pelo assassinato de treze policiais.

Categoria:Tumultos e desordem civil na África Categoria:Manifestações e protestos no Sudão