Benedicto Vaz de Figueiredo (Cuiabá, 20 de julho de 1910 – Cuiabá, 4 de dezembro de 1979), conhecido como Dr. Gigi, foi um advogado, professor, jornalista e político brasileiro. Exerceu mandato como deputado estadual de Mato Grosso nas duas primeiras legislaturas da Assembleia Legislativa, participou da Assembleia Constituinte Estadual de 1947 e foi membro fundador do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso, do qual foi o primeiro presidente.
Biografia Benedicto Vaz de Figueiredo nasceu em uma família tradicional de Mato Grosso, na qual figuraram expoentes da história econômica e cultural do Estado, tendo sido seu avô paterno o Major Delfino Augusto de Figueiredo, Deputado Constituinte em 1891 e veterano da Guerra do Paraguai. Outros grandes nomes do Estado nascidos em sua família foram D. Francisco de Aquino Corrêa, Fernando Corrêa da Costa, Clóvis Corrêa Cardozo, João Vilas Boas, Lenine de Campos Póvoas, Fernando de Barros, Alírio de Figueiredo, Amarílio Novis e Fernando Leite de Campos.
Ainda menino, fez seus primeiros estudos nas instituições mais proeminentes da época: Escola Senador Azeredo e Escola Modelo Barão de Melgaço, e posteriormente o curso secundário no Liceu Cuiabano.
Em 1927, aos 17 anos, prestou o serviço militar na EIM-175, em Cuiabá, dando baixa na segunda categoria.
Na juventude, onde já apresentava o espírito comunicativo, começou a se engajar nos movimentos acadêmicos e culturais. Em 1930 foi um dos líderes do movimento estudantil a favor da Revolução, e em 1931 fundou e foi um dos redatores do jornal Délio, órgão da classe estudantil.
Dando continuidade aos estudos, em 1931 partiu para o Rio de Janeiro-RJ, indo morar na famosa Pensão Hudson, do velho Tico, a poucos metros da Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil, instituição na qual se bacharelou, tendo participado de atividades ligadas à causa estudantil, base delineadora de seu perfil de líder político.
Foi um dos líderes do movimento estudantil em favor da Revolução de 1930, junto ao Centro de Estudos Jurídicos Clóvis Beviláqua, da Associação Universitária, do Centro Acadêmico.
Destacou-se como líder atuando ao lado de Alzira Vargas, filha do ex-presidente Getúlio Vargas. Fez parte da delegação da Faculdade de Direito na posse do Governador Benedito Valadares, na inauguração do Instituto do Cacau, na Bahia. Participou da Caravana Cívica na cidade de Ouro Preto, da viagem de estudos à penitenciária de São Paulo e ao manicômio Judiciário do Juqueri.
Depois de receber o Diploma de Bacharel em Direito, no ano de 1936, retornou a Cuiabá.
Desenvolveu atividades como colaborador no jornal O Combate entre 1945 e 1955. Em 1946 foi nomeado membro do Conselho Administrativo do Estado e do Instituto dos Advogados Brasileiros e membro da Associação Mato-grossense de Imprensa. Foi um dos fundadores da Faculdade de Direito de Cuiabá e Vice-diretor desta durante 11 anos, e Professor de Economia Política na Escola de Direito de Mato Grosso de 1937 a 1954. Foi membro do Conselho Penitenciário da cidade e também membro do Conselho Estadual de Administração Municipal. Em 1958 recebeu condecoração da Ordem do Mérito Jurídico Militar.
A destacada trajetória como advogado, professor e jornalista, tornou-se uma das personalidades mais influentes da vida pública mato-grossense no século XX.
Carreira política Foi eleito deputado estadual em 1946, tomando posse na Primeira legislatura da Assembleia Legislativa de Mato Grosso em 1947. Reeleito, exerceu também mandato na segunda legislatura, permanecendo no Parlamento até 1953.
Participou da Assembleia Constituinte responsável pela elaboração da Constituição do Estado de Mato Grosso de 1947. Em 1950, ocupou a vice-presidência da Assembleia Legislativa.
Em 1953, foi eleito presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, exercendo o cargo entre 13 de junho e 13 de dezembro daquele ano.
Também teve participação no processo de emancipação político-administrativa do município de Várzea Grande, concretizado em 1948.
Tribunal de Contas Em dezembro de 1953, deixou o Poder Legislativo para integrar o recém-criado Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso. Foi membro fundador da instituição e seu primeiro presidente.
Presidiu a Corte de Contas em quatro ocasiões: Em 1954 (04/01/1954 - 04/01/1955) Em 1959 (04/01/1959 - 03/01/1960) Em 1964 (02/01/1964 - 01/01/1965) e em 1967 (05/01/1967 - 04/01/1968), sendo a única pessoa a ocupar a presidência por quatro mandatos na história do órgão.
Vida pessoal Foi casado com Luzia Barros Vaz de Figueiredo. O casal teve, entre seus filhos, Ana Tereza Barros Vaz de Figueiredo e Fernando Augusto Barros Vaz de Figueiredo (16 de março de 1946 – 12 de maio de 2021).
Ana Tereza Barros Vaz de Figueiredo foi casada com Guy Folch, com quem teve quatro filhos: Sady Folch, André Folch, João Carlos Folch e Ricardo Francisco Folch. Posteriormente, contraiu matrimônio com Benedito Canavarros.
Fernando Augusto Barros Vaz de Figueiredo foi casado com Edernir Jacinto de Oliveira, conhecida como Sandra. O casal teve dois filhos: Valéria Viviane Beatriz de Oliveira Figueiredo (3 de dezembro de 1977 – 29 de agosto de 1999) e José Eduardo de Oliveira Figueiredo (nascido em 30 de novembro de 1983).
José Eduardo de Oliveira Figueiredo casou-se com Carolina Perez Ortega (nascida em 5 de julho de 1985). O casal teve duas filhas: Beatriz Ortega Figueiredo (nascida em 27 de junho de 2007) e Manuela Ortega Figueiredo (nascida em 2 de fevereiro de 2012).
Legado Benedicto Vaz de Figueiredo é reconhecido como uma das figuras centrais da consolidação institucional de Mato Grosso no século XX. Em sua homenagem, o plenário do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso recebeu seu nome.