Viação Itapemirim, ou simplesmente ITA em seu últimos anos, foi uma empresa de transporte rodoviário de passageiros brasileira, tendo sido considerada durante muitos anos a maior empresa de transportes rodoviários da América Latina.

Fundada em 4 de julho de 1953, no município de Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo por Camilo Cola, a Itapemirim se consolidou por ser a viação mais utilizada pelos brasileiros, sendo presença marcante em praticamente todo território nacional. Suas rotas conectaram o Brasil de ponta a ponta. Sendo muito querida pelos nordestinos e recebendo diversas homenagens enquanto operava.

Os principais destinos atendidos eram as cidades de Campina Grande, Feira de Santana, Alagoinhas, Campos dos Goytacazes, Niterói, Carangola, Caratinga, São Paulo, além de sua própria cidade de origem Cachoeiro de Itapemirim.

Em 21 de setembro de 2022, a 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Tribunal de Justiça de São Paulo decretou a falência do Grupo Itapemirim. Contudo, a marca Itapemirim passou a ser operada pela Suzantur, sob o nome de "Nova Itapemirim", mantendo a clássica pintura amarela em seus ônibus.

História A Fundação thumb|left|280px|A Jardineira Grassi "15" foi o primeiro ônibus a operar com o nome Viação Itapemirim, em 1958Numa época em que o Brasil de Getúlio Vargas vivia fissurado pelo petróleo por conta da recém descoberta do produto no Estado da Bahia, dando origem posteriormente à Campanha do Petróleo, o empresário capixaba Camilo Cola (já dono da ETA - Empresa de Transporte Autos) decide impulsionar seus negócios e funda, em 4 de julho de 1953 a Viação Itapemirim. Inicialmente, com 70 funcionários e 16 ônibus, a nova empresa era reservada apenas a fazer viagens pelo Espírito Santo, considerando que na época a situação das estradas brasileiras era bastante precária, onde muitos brasileiros ainda estavam acostumados a viajar para outros estados nos chamados paus-de-arara.

Os primeiros anos right|thumb|280px|Antigos monoblocos O321 perfilados em um pátio da Itapemirim. Nessa época, os ônibus da empresa possuíam as cores cinza metálico e azulNo ano de 1954, Camilo Cola vê o seu novo empreendimento crescer bem aos poucos quando a Itapemirim consegue aumentar sua frota para 22 veículos e com a empresa já ganhando condições de fazer viagens interestaduais tendo como seus primeiros destinos algumas cidades do Rio de Janeiro.

Durante toda a década de 50, a empresa cresceu cada vez mais: das simples jardineiras que a Itapemirim oferecia aos seus passageiros, a Viação começou a adquirir seus primeiros novos ônibus da General Motors, todavia, a manutenção e os reparos dos veículos eram feitos exclusivamente na oficina mecânica da empresa, que funcionava num barracão alugado.

Para garantir a expansão da empresa, a Itapemirim começa a oferecer destinos também para a região Norte do estado do Espírito Santo. Posteriormente, a viação começou a oferecer também, outros destinos como Campos dos Goytacazes (RJ), Niterói (RJ) até finalmente atender a então capital federal na época, o Rio de Janeiro. Nessa mesma época, é iniciada a construção de uma oficina de manutenção própria da Itapemirim na cidade natal da empresa.

Já no fim da década, a Itapemirim consegue incorporar um expressivo contingente de ônibus Alfa-Romeo. Dois anos depois, a viação começa a substituir toda a sua frota por novíssimos carros da Mercedes-Benz, tendo como principal vantagem de que os novos modelos da empresa alemã eram entregues já encarroçados, encurtando-se em meses o intervalo entre a compra do chassi e o recebimento do ônibus pronto.

Expansão right|thumb|280px|Monobloco Mercedes-Benz O-326, um dos primeiros modelos a utilizar a nova pintura da Itapemirim, o amareloA partir da década de 60, num país ainda carente de infraestrutura em suas rodovias, a Itapemirim começa a atender também as regiões Norte e Nordeste, sendo que nesta última a empresa se consolida de vez no transporte de passageiros, mantendo esse sucesso até a cessão das operações, em 2022.

Em 1962, a viação deixa de ser uma sociedade limitada para virar uma sociedade anônima.

No ano de 1967, a Itapemirim adota em seus veículos a cor que seria um dos maiores símbolos da empresa até hoje: o amarelo. Ao mesmo tempo, a viação começa a adquirir seus primeiros Monoblocos modelos O-326 da Mercedes-Benz, cuja primeira linha a utilizá-los é a Vitória – Rio, já contando com asfalto por todo o trajeto desse itinerário.

Consolidação em outras áreas left|thumb|280px|A Itapemirim foi a primeira viação a operar ônibus de 3 eixos no BrasilDurante uma viagem aos Estados Unidos nos anos 1960, Camilo Cola conheceu alguns modelos de ônibus que possuíam três eixos e que eram bastante comuns nas linhas rodoviárias estadunidenses, isso acabou por impressionar o patrono da Itapemirim a ponto de querer introduzir esse tipo de modelo em sua empresa. Naquela época nenhuma outra empresa brasileira do ramo de transportes usara o modelo de três eixos e Camilo quis trazer a novidade ao Brasil aproveitando o gigantesco crescimento da Itapemirim. Com isso, no ano de 1971, a Itapemirim começa a operar seus novos veículos de 3 eixos sob uma forte propaganda, investindo fortemente no conforto dos passageiros.

Também era bastante comum de se ver as chamadas Rodonaves fabricadas pela Mercedes-Benz e encarroçadas pela Ciferal, que também conquistou gosto de seus usuários. A Itapemirim começa a prestar serviços também na cidade de São Paulo. Ainda nesse período, a Itapemirim passa a oferecer linhas que interligavam diretamente a Região Sudeste do Brasil ao Nordeste, consolidando ainda mais a participação da firma no ramo de transportes.

Em 1973, a Itapemirim adquire a Empresa Nossa Senhora da Penha, de Curitiba. Com isso, a empresa de Camilo Cola passou a atuar ativamente também no Sul do país. Pegando carona no chamado milagre econômico brasileiro, as empresas de Camilo Cola (que mais tarde passariam a originar o Grupo Itapemirim) começavam a intensificar suas atividades passando a abranger segmentos de turismo, agropecuária e mineração.

Expansão e compra da Única Auto Ônibus Adentrando na década de 1980 com uma frota de aproximadamente 1500 ônibus, a Itapemirim dá mais um passo de expansão: ela compra a Única Auto Ônibus, empresa pertencente na época ao grupo CAIO (que foi criada a partir de uma cisão da Única de Petrópolis), que só tinha uma única linha: operava a linha Rio–SP. Com a compra, a Itapemirim extingue a Única, repassando a linha Rio–SP para ela mesma paralelo a isso, a empresa lança em 1981, oficialmente, os primeiros tribus, alguns encarroçados pela Ciferal e a maioria pela Nielson, com bastante publicidade. A viação aproveitara um período de grande euforia econômica no país, embalado pelo fim do Regime Militar, no qual os transportes rodoviários cresciam a índices altíssimos.

Fundação da Tecnobus A empresa inaugura sua própria fábrica de ônibus, a Tecnobus, que seria responsável, no final de 1984, pelo lançamento da segunda geração do Tribus, gerando muito sucesso (há indícios de que esta carroceria foi inspirada nos modelos Marcopolo III, naquela altura não mais produzidos). No auge de sua linha de produção, ainda em meados da década de 1980, a Tecnobus chegou a fabricar um ônibus por dia. Na mesma década, adquire junto a Mercedes-Benz vários monoblocos O370 e O371 equipados com ar-condicionado para o serviço leito Rodonave.

Estabilização alt=Itapemirim_-_40231_-_Flickr_-_Rafael_Delazari|miniaturadaimagem|Monobloco O-400, lançado em 1994 No final de 1989, a empresa lança o Tribus 3 e em 1995 a Itapemirim adquire junto a Mercedes-Benz mais monoblocos O400 com ar condicionado para a inauguração de um novo serviço, o Starbus: o primeiro ônibus executivo rodoviário de três eixos do país. Em 1999, o serviço foi reforçado com aquisições de veículos da marca Busscar e de alguns exemplares do Tribus 4 (lançado em 1997) equipados com ar condicionado. O serviço convencional também foi reforçado pelo modelo Tribus 4 sem ar.

Nessa época, Camilo Cola, também já sendo proprietário de outras empresas, decide incorporar a viação ao Grupo Itapemirim, englobando-se a mais 30 empresas do empresário a qual empregavam quase 20 mil pessoas na época.

No ano de 1998, a empresa lança o Golden Service, que oferece o conforto de um ônibus leito por uma tarifa econômica de um executivo. Os primeiros carros que estreariam o novo serviço eram inicialmente do modelo Tribus 4 fabricado pela empresa equipados com ar condicionado e depois vieram os carros da marca Busscar alt=|esquerda|miniaturadaimagem|250x250px|Os Busscar serviço Golden tinha 38 poltronas semileito

No ano seguinte, o serviço leito Rodonave também foi reforçado com aquisições de veículos da marca Busscar na configuração leito. Ainda na época, a Itapemirim apresenta o Cinebus, o primeiro ônibus a possuir um telão a bordo, para exibição de dois filmes durante as viagens.

Declínio Nos anos 2000, a Viação Itapemirim consegue manter um ritmo considerado de crescimento se mantendo firme no mercado de transportes no Brasil. Contudo, a concorrência cresce, com destaque para sua maior rival Gontijo que em 2003, adquire a São Geraldo. A empresa passaria a enfrentar diversas outras dificuldades na segunda metade da década. Apesar disso, a empresa inicia aquisições de veículos da marca Marcopolo modelo Paraíso 1200 G6 com e sem ar condicionado sendo vários com chassis reencarroçado.

Em 2008, morre a esposa de Camilo Cola, Ignêz Massad Cola, originando uma disputa judicial entre alguns herdeiros. Nessa mesma época, a empresa já acumulava uma dívida de 200 milhões de reais e amargava uma considerável queda nas vendas de suas passagens entre os anos de 2005 e 2006. Com a crise, a empresa não consegue adquirir novos ônibus, chegando a operar veículos com mais de 10 anos de uso na maioria de suas linhas.

Ainda em 2008, a empresa, sob um empréstimo de US$ 33 milhões do BNDES, constrói dois terminais de cargas nas cidades de São Paulo e no Rio, contudo a empresa vê o negócio ir mal quando a demanda cai para muito abaixo do esperado. Buscando se reestruturar, a Itapemirim vende uma garagem em Brasília por R$ 25 milhões. Posteriormente a empresa também decidiu vender mais dois terminais de cargas em São Paulo e no Rio de Janeiro por R$ 72 milhões e ainda vende a Empresa Nossa Senhora da Penha, que era pertencente a Camilo Cola desde 1973, para o Grupo Comporte, de Nenê Constantino, e parte do pagamento foi em 40 chassis Volvo, uma novidade na empresa que, até então, nunca teve chassis Volvo, os chassis foram mandados para a Busscar, que encarroçou 22 chassis em Jumbuss 380, e 18 em Vissta Buss Elegance 360.

Recuperação judicial