miniatura|Profanação dos túmulos reais de Saint-Denis, por Hubert Ropert.|295x295px miniaturadaimagem|298x298px|Ilustração alemã contemporânea retratando a destruição de todos os epitáfios, túmulos e restos reais em Saint-Denis por ordem da Convenção Nacional. As profanações dos túmulos reais de Saint-Denis foram episódios ocorridos durante a Revolução Francesa, em que os sepulcros da então Abadia de Saint-Denis (mais tarde Basílica de Saint-Denis), tradicional local de sepultamento dos reis franceses, foram abertos ou destruídos, e os restos mortais ali depositados foram exumados e, em diversos casos, profanados.

Durante o processo, mais de 170 corpos, incluindo de reis e rainhas e altos dignatários, foram lançados valas comuns abertas junto ao antigo cemitério da abadia. Em alguns casos, os cadáveres foram mutilados e partes dos restos mortais foram retiradas por participantes ou espectadores, que as conservaram como lembranças ou para posterior comercialização. Após as exumações, as valas foram cobertas com cal viva e terra. Durante a Restauração francesa (1815-1830), Luís XVIII ordenou a recuperação dos restos mortais de seus antepassados e parentes, incluindo Luis XVI e Maria Antonieta. Contudo, a ação da cal e o avançado estado de decomposição impossibilitaram a identificação individual da maioria dos corpos. Os restos recuperados foram então reunidos em um ossuário coletivo e novamente depositados na abadia.

Antecedentes miniatura|esquerda|219x219px|A Abadia de Saint-Denis, tradicional local de sepultamento dos reis franceses. Após a queda da monarquia em 10 de agosto de 1792, o Governo Provisório ordenou a fundição de objetos metálicos para auxiliar no financiamento da defesa revolucionária contra as forças contrarrevolucionárias. Entre eles, quarenta e sete monumentos funerários da Abadia de Saint-Denis foram desmontados, incluindo a lápide de bronze dourado e esmaltado de Carlos VIII da França. Alguns monumentos, porém, foram preservados por iniciativa da Comissão de Belas-Artes da Convenção. Em 1793, a Convenção Nacional ampliou a campanha de eliminação dos símbolos do Antigo Regime, ordenando a destruição de monumentos considerados feudais em todo o território da República, entre eles os túmulos da nobreza.Santos, Serge (2011). "La profanation des tombes royales à Saint-Denis" . Au cœur de l'histoire sur Europe 1. Consultado em 12 de junho de 2026

A destruição das sepulturas reais de Saint-Denis foi decidida durante o Reinado do Terror. Em 31 de julho de 1793, a Convenção Nacional aprovou, por proposta de Bertrand Barère, a remoção dos restos mortais dos antigos reis, descritos como as "cinzas impuras" dos tiranos: a medida foi justificada pelo reaproveitamento do chumbo dos caixões e integrou as comemorações da tomada das Tulherias, em 10 de agosto de 1792. Em 1 de agosto de 1793, a Convenção decretou a destruição dos túmulos e mausoléus dos antigos monarcas em todo o território da República, com destaque para os de Saint-Denis, que deveriam ser demolidos antes de 10 de agosto daquele ano."1789-1815 Revolution et Empire" . Arquivado do original em 8 de dezembro de 2015. Consultado em 28 de maio de 2012. Entretanto, a medida só foi executada em outubro de 1793, após um adiamento provocado pela oposição do deputado Joseph Lequinio. Apesar disso, entre 6 e 10 de agosto, ocorreu o desmonte de 51 monumentos e elementos decorativos da abadia, incluindo sepulturas, estátuas, colunas, altares e vitrais. Por solicitação da Comissão de Belas-Artes, parte dessas obras foi preservada e posteriormente incorporada ao Museu dos Monumentos Franceses, criado em 1795; o restante foi destruído.

As profanações miniatura|O caixão de Henrique IV aberto em Saint-Denis em 1793: bem preservado, o corpo foi exibido ao público por alguns dias.|234x234px Entre outubro de 1793 e janeiro de 1794, mais de 170 corpos enterrados em Saint-Denis (incluindo 46 reis, 32 rainhas, 63 príncipes de sangue, 10 altos dignitários do reino e cerca de vinte abades) foram exumados e lançados em duas valas comuns abertas junto ao antigo cemitério da abadia. Uma vala recebeu os membros das dinastias anteriores aos Bourbons, e a outra os reis e parentes da Casa de Bourbon. Durante as exumações, alguns corpos foram encontrados em diferentes estados de conservação: o de Henrique IV, por exemplo, estava bem preservado e foi exibido ao público por alguns dias.Du Fresne, Gaston Louis Emmanuel; De Beaucourt, Paul Allard; Guiraud, Jean(1911). Revue des questions historiques . Arquivado em 17 de outubro de 2018, no Wayback Machine, p. 190 Alguns cadáveres foram divididos em partes: aqueles que destruíram os túmulos guardaram parte dos restos mortais para si, seja como lembranças ou para posterior venda: o coração embalsamado de Maria Teresa Rafaela, Delfina da França, esposa do filho de Luís XV, por exemplo, foi vendido ou trocado com pintores, que valorizavam a rara substância produzida pelo embalsamamento por seu uso na fabricação de tintas de alta qualidade.Castelot, André (1982). L'Histoire insolite . Paris: Perrin p. 171. ISBN 2-262-00248-7 Após a retirada dos restos mortais por colecionadores de relíquias, as valas foram cobertas com cal viva e terra, que depois foi comprimida com um rolo puxado por cavalos.Billard, Max (1907). Les tombeaux des rois sous la Terreur . Perrin

Lista de túmulos reais profanados:

1793 12 de outubro Henrique de La Tour de Auvérnia, Visconde de Turenne, Marechal-General da França Henrique IV 14 de outubro Maria de Médici, segunda esposa de Henrique IV Luís XIII Ana da Áustria, esposa de Luís XIII Luís XIV Maria Teresa da Espanha, primeira esposa de Luís XIV Luís, Grande Delfim da França, filho da anterior 15 de outubro Gastão, Duque de Orleães, filho de Henrique IV Maria de Bourbon, primeira esposa de Gastão, Duque de Orleães Ana Maria Luísa de Orleães, filha da anterior Margarida da Lorena, segunda esposa de Gastão, Duque de Orleães João Gastão, Duque de Valois, filho da anterior Maria Ana de Orleães, irmã do anterior Nicolau Henrique da França, filho de Henrique IV Maria Ana Vitória da Baviera, nora de Luís XIV Luís, Duque da Borgonha, filho da anterior, neto de Luís XIV Maria Adelaide de Saboia, esposa do anterior, mãe de Luís XV Luís, Duque da Bretanha, irmão de Luís XV Maria Leszczyńska, esposa de Luís XV Luísa Isabel da França, filha de Luís XV Henriqueta Ana da França, filha de Luís XV Maria Luísa da França, filha de Luís XV Filipe, Duque de Anjou, filho de Luís XV Luís, Delfim da França, filho de Luís XV Maria Teresa Rafaela da Espanha, primeira esposa de Luís, Delfim da França Maria Teresa da França, filha da anterior; neta de Luís XV Maria Zeferina da França, neta de Luís XV Luís, Duque da Borgonha, neto de Luís XV Xavier, Duque da Aquitânia, neto de Luís XV 16 de outubro miniaturadaimagem|301x301px|O caixão de Luís XV aberto em Saint-Denis em 1793: O corpo foi descrito como ainda intacto, embora já em estágio avançado de decomposição e com forte odor. Relatos indicam que trabalhadores chegaram a queimar pólvora para "purificar" o ar. Ele foi rapidamente lançado em uma vala comum. Carlos V Joana de Bourbon, esposa de Carlos V Henriqueta Maria da França, esposa do rei Carlos I da Inglaterra Henriqueta Ana da Inglaterra, filha da anterior; primeira esposa de Filipe I, Duque de Orleães Filipe Carlos, Duque de Valois, filho da anterior Isabel Carlota do Palatinado, segunda esposa de Filipe I, Duque de Orleães Ana Isabel da França, filha de Luís XIV Maria Ana da França, filha de Luís XIV Filipe Carlos, Duque de Anjou, filho de Luís XIV Maria Teresa da França, filha de Luís XIV Luís XV Filipe II, Duque de Orleães, Regente de Luís XV Maria Luísa Isabel de Orleães, filha do anterior; esposa de Carlos, Duque de Berry Carlos, Duque de Berry, neto de Luís XIV Sofia Filipina da França, filha de Luís XV Sofia de Artois, filha de Carlos X Sofia Helena Beatriz, filha de Luís XVI Luís José, Delfim da França, filho de Luís XVI 17 de outubro Carlos VI Isabel da Baviera, esposa do anterior Carlos VII, filho de Carlos VI Maria de Anjou, esposa do anterior Margarida de Valois, primeira esposa de Henrique IV Francisco II Carlos VIII 18 de outubro Hugo, o Grande, pai de Hugo Capeto Carlos II João I Luís X Joana II de Navarra, filha do anterior Luís XII Ana da Bretanha, esposa de Carlos VIII e Luís XII Henrique II Catarina de Médici, esposa do anterior Carlos IX Henrique III 19 de outubro Filipe IV Dagoberto I Nantilda, esposa do anterior 20 de outubro Bertrand du Guesclin, Condestável da França Bureau de La Rivière, camareiro de Carlos V Pierre de Beaucaire, camareiro de Luís IX Mathieu de Vendôme, Abade de Saint-Denis Francisco I Luísa de Saboia, mãe do anterior Cláudia da França, primeira esposa de Francisco I 21 de outubro Filipe V Filipe VI 22 de outubro Barbazan, camareiro de Carlos VII Luís II de Sancerre, Condestável da França Suger, Abade de Saint-Denis Abade Troon 24 de outubro Carlos IV 25 de outubro João II Luísa Maria da França, filha de Luís XV

1794 18 de janeiro Margarida I, Condessa da Borgonha, filha de Filipe V Entre outros...

Restauração

miniaturadaimagem|312x312px|Compartimento na cripta dos Bourbons em Saint-Denis, contendo fragmentos de restos mortais da realeza francesa preservados em recipientes de chumbo e vermeil. Durante a Restauração francesa, Luís XVIII ordenou a recuperação dos restos mortais dos seus antepassados e parentes sepultados em Saint-Denis.

Após buscas realizadas em janeiro de 1817, os restos encontrados nas valas comuns por François-Joseph Scellier foram exumados e reunidos em um único conjunto, uma vez que a ação da cal viva e o avançado estado de decomposição impossibilitavam sua identificação individual. Apenas alguns corpos puderam ser parcialmente distinguidos pelos comissários encarregados da operação. Os restos recuperados foram depositados em um ossuário coletivo em Saint-Denis, em caixões identificados por placas de mármore com os nomes dos soberanos. Luís XVIII também determinou a transferência dos restos mortais de seu irmão, Luís XVI, e de Maria Antonieta, do Cemitério da Madeleine para Saint-Denis, onde foram reenterrados em cerimônia solene.Faure, Félix (2003). Dictionnaire historique des rues et monuments de Paris , p. 265 Como alguns membros da realeza haviam sido submetidos ao mos Teutonicus e à prática do desmembramento antes do sepultamento, diversas relíquias associadas a esses monarcas, incluindo corações, ossos e outros restos preservados, também foram recolocadas na cripta dos Bourbons da basílica.Delorme, Philippe (2000). Louis XVII, la vérité : sa mort au Temple confirmée par la science . Pygmalion Editions, p. 160

Ver também Terror (Revolução Francesa) Descristianização da França durante a Revolução Francesa

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