Luiz Carlos Amaral Gomes (Nova Iguaçu, 7 de dezembro de 1952), conhecido pelo pseudônimo Éle Semog, é um poeta, escritor e ativista negro brasileiro, associado à literatura negra brasileira contemporânea.SOUZA, Ricardo Silva Ramos de. Afirmando outras versões da História... memória e identidade nas poéticas de Éle Semog e José Luis Hopffer Almada. Programa de Pós-graduação em Relações Étnico-Raciais (Dissertação de Mestrado), Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca. Rio de Janeiro, 2014. É fundador do grupo Negrícia – Poesia e Arte de Criolo, criado em 1984, e cofundador do jornal Maioria Falante, fundado em 1987, no Rio de Janeiro. Presidiu o CEAP – Centro de Articulação de Populações Marginalizadas entre 1989 e 1996.

Biografia Éle Semog é filho de pai analfabeto e mãe semianalfabeta. Cursou todo o ensino básico em instituições públicas e passou a se dedicar à literatura poética aos 16 anos de idade.

Durante a década de 1970, participou de movimentos sociais e culturais direcionados à luta contra a discriminação racial e à resistência contra a Ditadura Militar brasileira. Nesse período, integrou grupos como Bate-Boca e Garra Suburbana, no Rio de Janeiro.

Éle Semog é associado à literatura afro-brasileira contemporânea e é conceituado como poeta, ativista e escritor. Suas produções abordam temas relacionados à identidade negra, às desigualdades raciais e à valorização cultural afro-brasileira.

Além de suas atividades literária e militante, Éle Semog possui formação acadêmica em diferentes áreas. Formou-se em Análises de Sistemas pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), com especialização em Administração de empresas (1980).

Também se graduou em Pedagogia (2004) pela Universidade Estácio de Sá (UNESA) e concluiu o mestrado em História Comparada (2018) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Carreira Aspectos como ironia, erotismo e denúncia social atravessam os poemas de Semog e dialogam com sua atuação em movimentos sociais e políticos em defesa das comunidades negras. O humor, a linguagem crítica e a abordagem de temas relacionados à vida urbana e à africanização também caracterizam as obras do autor.

Além de seu trabalho como escritor, Éle Semog participou da fundação do grupo Negrícia – Poesia e Arte de Criolo, em 1984, e foi cofundador e articulista do jornal Maioria Falante até 1991. Ainda na década de 1980, o poeta coordenou o segundo e o terceiro Encontro de Ficcionistas e Poetas Negros. Também foi coordenador do setor de literatura do projeto “90 anos de Abolição da Escravatura”, do Museu de Arte Moderna, no Rio de Janeiro, e atuou no Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP). Durante a década de 1990, foi assessor do senador Abdias Nascimento e conselheiro executivo do Instituto Palmares de Direitos Humanos.

Obras A carreira literária de Éle Semog teve início em 1977, com a publicação da antologia poética “Incidente Normal”, em parceria com membros do coletivo Garra Suburbana. Em 1978, ele participou da antologia “Ebulição da escrivatura - treze poetas impossíveis”, além de publicar o livro de poemas “O arco-íris negro”, escrito em coautoria com José Carlos Limeira, assim como o livro “Atabaques” (1983). Nas décadas seguintes, participou de outras antologias poéticas, como “Axé – antologia da poesia negra contemporânea” (1982), “A razão da chama: antologia de poetas negros brasileiros” (1986), “Quilombo de Palavras” (2000) e “Literatura e Afrodescendência no Brasil: antologia crítica” (2011), e publicou poemas e contos em diferentes edições da coleção Cadernos Negros, do grupo Quilombhoje.

Em 1987, Éle Semog publicou o livro “Curetagem: poemas doloridos”. Desde então, lançou as seguintes obras individuais: “A Cor da Demanda” (1997), “Tudo o que está solto: poesias afro-brasileiras” (2010), “Guarda pra mim” (2015) e a antologia “Todo Preto” (2024), que contém os poemas escritos por ele entre 1977 e 2020. O autor também escreveu a biografia “Abdias Nascimento: o griot e as muralhas” (2006), livro escrito em coautoria com Abdias Nascimento, e a coletânea de artigos “A Galinha Garnisé e outros Eusébios de Queirós: racismo na sociabilidade brasileira” (2020).

Prêmios Em 1980, Éle Semog recebeu moção especial do Prêmio Fernando Chinaglia, concedido pela União Brasileira de Escritores.

Referências

Ligações externas

Poeta e militante, Éle Semog traz para a poesia todo sentido da luta negra Éle Semog - Literatura Afro-Brasileira Éle Semog no Palavra Aberta: A Poesia como arma de resistência e transformação social Poeta Éle Semog Instituto Palmares de Direitos Humanos Categoria:Ativistas do movimento negro do Brasil Categoria:Escritores Categoria:Poetas Categoria:Nascidos em 1952 Categoria:Intelectuais brasileiros