Pobreza de tempo descreve a situação em que um indivíduo ou núcleo familiar não possui tempo suficiente para realizar as atividades necessárias à manutenção da vida, considerando o tempo necessário para cada uma delas, ou, em outras palavras, se encontra em déficit de tempoZacharias, Ajit. "The measurement of time and income poverty." Levy economics institute of Bard college working paper 690 (2011).. A pobreza de tempo é associada a pioras no bem-estar, na saúde física e na produtividade. A pobreza de tempo afeta desproporcionalmente mais mulheres, minorias étnico-raciais e mães solo. Isso se dá tanto pela sobrecarga de trabalho de cuidado sobre estas populações quanto pela maior ocorrência da pobreza monetária, que é um fator agravante.

O conceito foi inicialmente introduzido por Clair Vickery em 1977, como um modelo alternativo de linha de pobreza que engloba tanto os recursos de tempo quanto financeiros minimamente requeridos por cada família para sua sobrevivência, a depender de sua composição (número de adultos e crianças). Partindo da ideia de que há certo grau de substitutibilidade entre tempo e dinheiro, a autora estabelece que há um nível mínimo de cada um dos recursos que precisa ser alcançado para assegurar o bem-estar - este nível mínimo funciona como uma linha bidimensional da pobreza. Nesse sentido, as famílias que possuem menos disponibilidade de tempo, mas um nível superior de renda, podem delegar algumas tarefas de trabalho de cuidado ou trabalho reprodutivo através da contratação destes serviços. Já famílias com mais tempo livre e menos recursos financeiros podem realizar estas atividades por conta própria - por exemplo, cozinhando alimentos em casa, em vez de consumindo refeições em restaurantes. Mesmo assim, algumas tarefas de reprodução social, como comer ou dormir, não podem ser delegadas, e algumas necessidades materiais só podem ser resolvidas com recursos financeiros. Neste arcabouço, as famílias pobres de tempo são famílias nas quais, à taxa de remuneração corrente, mesmo uma mudança na forma de alocação dos recursos entre tempo e dinheiro não garante recursos o suficiente para a subsistência.