Jezebel é um site eletrônico estadunidense que publica notícias e comentários sobre cultura voltados principalmente para o público feminino. Foi lançado em 2007 pela Gawker Media, sob a direção editorial de Anna Holmes, como um contraponto feminista às tradicionais revistas femininas.
Após a dissolução da Gawker Media, o sítio foi adquirido pela Univision Communications e, posteriormente, pela G/O Media. Em 9 de novembro de 2023, o Jezebel deixou de publicar novos conteúdos quando sua empresa controladora, a G/O Media, demitiu toda a equipe editorial. Em 29 de novembro de 2023, foi adquirido pela revista Paste, e o sítio foi oficialmente relançado em 11 de dezembro de 2023.
Em novembro de 2025, a Paste Media anunciou que o Splinter seria incorporado ao Jezebel, passando a contar com uma seção dedicada dentro do site eletrônico da publicação. História
Gawker Media
O Jezebel foi lançado em 21 de maio de 2007 como o 14.º blogue da Gawker Media. Segundo sua editora fundadora, Anna Holmes, que anteriormente havia trabalhado nas revistas Glamour, Star e InStyle, o site surgiu do desejo de atender melhor às leitoras do Gawker.com, que, na época, representavam 70% da audiência da rede. No lançamento do site, a equipe editorial era composta por Holmes; pela editora Moe Tkacik, ex-repórter do The Wall Street Journal; e pela editora associada Jennifer Gerson, ex-assistente da editora-chefe da revista Elle, Roberta Myers.
Em maio de 2008, Gerson deixou o Jezebel para tornar-se editora da seção feminina do site da Polo Ralph Lauren. Tkacik deixou o site em agosto de 2008 para trabalhar no Gawker.com, após aceitar brevemente — e depois recusar — uma oferta de emprego da revista Radar. Em outubro do mesmo ano, acabou sendo demitida durante uma reestruturação geral da empresa. Holmes deixou o Jezebel em junho de 2010. Jessica Coen assumiu seu lugar como editora-chefe, permanecendo no cargo até 2014.
Outros integrantes da equipe editorial incluíram Madeleine Davies, Kelly Faircloth, Hillary Crosley, Kate Dries e Callie Beusman. Em dezembro de 2007, o Jezebel alcançou dez milhões de visualizações mensais. O proprietário da Gawker Media, Nick Denton, apontou o rápido crescimento da popularidade do Jezebel como uma das razões para a queda de audiência do principal site da empresa, o Gawker.com, cujas visualizações de página caíram de mais de 11 milhões em outubro de 2007 para cerca de oito milhões em dezembro do mesmo ano. Três anos após sua fundação, o Jezebel já havia superado o tráfego de páginas de seu site matriz.
Univision e G/O Media
O Jezebel foi um dos seis sites eletrônicos adquiridos pela Univision Communications quando a empresa comprou a Gawker Media, em agosto de 2016. Em 2019, a Univision vendeu o sítio para a empresa de investimento privado Great Hill Partners, que reuniu diversas antigas publicações da Gawker sob a marca G/O Media. Segundo o The New York Times, publicações de orientação feminista, como o Jezebel, foram particularmente afetadas pelas dificuldades financeiras enfrentadas pela indústria jornalística.
Em agosto de 2021, Laura Bassett foi anunciada como editora-chefe.
Em novembro de 2021, o Gawker informou que o Jezebel havia perdido cerca de 75% de sua equipe ao longo daquele ano em razão de sucessivas demissões voluntárias. Segundo a reportagem, as saídas estavam relacionadas a um "ambiente de trabalho hostil" criado pela administração da G/O Media e pela nova diretora editorial adjunta, Lea Goldman. Em agosto de 2023, Laura Bassett deixou o cargo de editora-chefe, afirmando que a G/O Media havia tratado sua equipe de maneira inadequada. Em outubro de 2023, foi noticiado que a G/O Media pretendia vender o Jezebel. Em 9 de novembro de 2023, a G/O Media suspendeu a publicação do Jezebel e demitiu seus 23 funcionários da equipe editorial como parte de uma reestruturação mais ampla, após não conseguir encontrar um comprador para o sítio. O diretor-executivo da G/O Media, Jim Spanfeller, afirmou que "nosso modelo de negócios e o público atendido por nossa rede não estavam alinhados com o Jezebel" e que os anunciantes haviam se tornado "mais cautelosos em seus investimentos publicitários".
Em nota divulgada por seu sindicato, a WGA East, os ex-funcionários afirmaram estar "arrasados, embora não surpresos, com a incapacidade da G/O Media e de Jim Spanfeller de administrar nosso site e com a decisão cruel de encerrá-lo". Também declararam que o fechamento evidenciava as "falhas fundamentais do modelo de mídia financiado por publicidade".
O site 404 Media observou que o Jezebel era difícil de monetizar devido às preocupações dos anunciantes com a chamada brand safety, já que "a indústria da publicidade passou a considerar temas importantes para o público do site, como os direitos reprodutivos, inadequados para a veiculação de anúncios, embora muitas pessoas desejassem ler sobre esses assuntos".
Lauren Tousignant, editora-chefe interina do Jezebel, declarou ao 404 Media que, além das preocupações relacionadas à publicidade, o sítio havia sido orientado a não utilizar determinadas palavras, como fucking ou suck, em seus títulos, salvo quando se tratasse de citações diretas. Revista Paste
Em 29 de novembro de 2023, foi anunciado que o Jezebel e o Splinter haviam sido adquiridos pela revista Paste em uma transação realizada integralmente em dinheiro. O acordo incluiu tanto o arquivo histórico de conteúdos quanto a marca Jezebel. Josh Jackson, cofundador e editor-chefe da Paste, afirmou que não havia considerado comprar o Jezebel até tomar conhecimento de seu encerramento. Segundo o The New York Times, o site foi vendido sem seus funcionários, de modo que Jackson pretendia inicialmente contratar um novo editor-chefe e, em seguida, formar uma nova equipe de redatores.
A revista Adweek informou que a Paste pretendia recontratar o maior número possível de antigos funcionários e que o Jezebel voltaria a publicar novos conteúdos "nos dias seguintes". O relançamento ocorreu em um sítio eletrônico independente, separado do portal da Paste, mantendo a identidade editorial, o estilo e os temas característicos do Jezebel. Ao mesmo tempo, ambos os veículos passaram a destacar e compartilhar conteúdos entre si sempre que considerados relevantes para seus respectivos públicos.O Jezebel foi oficialmente relançado em 11 de dezembro de 2023 sob a direção editorial de Lauren Tousignant, que havia exercido interinamente o cargo de editora-chefe antes do encerramento do site.
Em 21 de novembro de 2025, o presidente da Paste Media, Josh Jackson, anunciou que o Splinter seria incorporado ao Jezebel. Seus artigos de opinião e sua cobertura jornalística passaram a integrar uma seção exclusiva do Splinter dentro do site do Jezebel. Conteúdos adicionais sobre entretenimento provenientes dos veículos irmãos The A.V. Club e Paste também seriam incorporados. Jackson informou que "Lauren Tousignant continuará como editora-chefe do Jezebel, enquanto o ex-editor-chefe do Splinter, Jacob Weindling, continuará publicando semanalmente como editor-geral do Splinter". Conteúdo
Segundo sua editora fundadora, Anna Holmes, o objetivo era criar um contraponto às revistas femininas impressas tradicionais, como Vogue e Cosmopolitan. De acordo com Jordan Michael Smith, Holmes "detestava [na Glamour] a veneração ao luxo, a falta de diversidade racial e a superficialidade das publicações voltadas às mulheres".O sítio foi lançado com o slogan "Celebrity. Sex. Fashion. Without airbrushing." ("Celebridades. Sexo. Moda. Sem retoques digitais.").
Emma Goldberg, do The New York Times, descreveu a principal característica do Jezebel como uma "crítica cultural feminista, marcada por um tom mordaz".
Uma seção recorrente intitulada Photoshop of Horrors ("Photoshop dos horrores") expõe fotografias retocadas digitalmente publicadas em revistas de moda. No primeiro dia de funcionamento do site, o Jezebel ofereceu uma recompensa de US$ 10 mil para quem apresentasse o melhor exemplo de uma fotografia de capa de revista antes de sua manipulação digital para publicação.
O trabalho vencedor, anunciado em julho de 2007, foi uma fotografia da cantora de música country Faith Hill, utilizada na capa da revista Redbook. O Jezebel apontou onze alterações diferentes realizadas na imagem, entre elas uma distorção significativa do braço esquerdo da cantora.
Em uma publicação de 2007, Moe Tkacik escreveu:
''Jezebel é um blogue voltado para mulheres que tenta pegar todas aquelas coisas essencialmente sem importância, mas agradáveis, que nos são direcionadas, e lhes dar um pouco mais de significado; ao mesmo tempo, procura tornar os assuntos realmente sérios mais divertidos, mais pessoais ou, pelo menos, matéria-prima para nosso sofisticado tipo de piadas sobre sexo. Em essência, queríamos criar a revista feminina que nós mesmas gostaríamos de ler."
Segundo Holmes, um dos princípios editoriais do site era evitar fazer comentários "misóginos" sobre o peso corporal das mulheres. Editoras-chefes
Editora-chefe Início do mandato Fim do mandato Referência Anna Holmes 2007 2010 Jessica Coen 2010 2014 Emma Carmichael 2014 2017 Koa Beck 2017 2018 Julianne Escobedo Shepherd 2018 2021 Laura Bassett 2021 2023 Lauren Tousignant 2023 presente
Cobertura da mídia e influência
O formato do Jezebel influenciou outros sites voltados ao público feminino, entre eles Double X, da revista Slate, xoJane, The Hairpin e The Frisky.
A controvérsia envolvendo a fotografia de Faith Hill recebeu ampla cobertura da imprensa, incluindo entrevistas e debates no programa Today, da NBC, além de diversas outras publicações. Stacy Morrison, editora-chefe da Redbook, afirmou que o retoque aplicado à fotografia de Hill seguia os padrões da indústria e que a revista estava investigando como a imagem sem edição havia sido divulgada.
Um artigo publicado em julho de 2008 no Ottawa Citizen incluiu o Jezebel entre vários sites lançados como parte da chamada "revolução on-line do estrogênio", em referência a um levantamento da comScore que apontava os sites comunitários voltados às mulheres, juntamente com os sitess políticos, como a categoria de crescimento mais rápido na internet. O artigo também citou pesquisas da Ad Age, segundo as quais o uso da internet por mulheres estava crescendo mais rapidamente do que entre os homens.
Em 2010, o Jezebel recebeu ampla atenção da mídia ao criticar o The Daily Show pela forma como tratava suas roteiristas e correspondentes mulheres. Como resultado dessa repercussão, o site foi parodiado como "JoanOfSnark.com" no episódio TGS Hates Women da série 30 Rock.
A ex-redatora da Gawker Emily Gould criticou o site em um ensaio publicado na Slate, afirmando que sua crítica à cultura popular e sua "indignação moral" eram apenas "mesquinha inveja... comercializada como feminismo".
Kashmir Hill, da revista Forbes, criticou o blogue em duas ocasiões. Em 2012, o Jezebel foi alvo de críticas após publicar capturas de tela de um vídeo que retratava um estupro, levando alguns leitores a ameaçarem boicotar o sítio. Posteriormente, em novembro de 2012, o Jezebel voltou a ser criticado por divulgar os nomes de adolescentes que haviam publicado mensagens racistas no Twitter em reação à reeleição de Barack Obama.