O hinduísmo nos Estados Unidos é uma denominação religiosa que representa cerca de 1% da população, praticamente o mesmo que o e o islamismo. Os hindus americanos nos Estados Unidos incluem, em grande parte, imigrantes de primeira e segunda geração da Índia e de outros países do sul da Ásia, embora também haja convertidos e seguidores locais. Vários aspectos relacionados ao hinduísmo, como ioga, carma e meditação, foram incorporados às crenças e aos estilos de vida predominantes nos Estados Unidos.

O hinduísmo abrange uma variedade de tradições religiosas e espirituais unificadas pelos princípios do darma, uma ordem cósmica, e por conceitos comuns às principais escrituras hindus, como o Bagavadeguitá. Muitos hindus acreditam que o Deus Supremo pode se manifestar em diversas formas divinas, tais como os deuses Xiva, Rama e Krishna, e a deusa Durga. Os hindus não têm uma autoridade religiosa central e não são obrigados a seguir nenhum texto ou divindade hindu em particular. De acordo com a pesquisa do Pew de 2018, cerca de 33% dos americanos acreditam na reencarnação, um conceito importante no hinduísmo e no budismo. Om é um mantra amplamente entoado, especialmente entre a geração Y e aqueles que praticam ioga e seguem a filosofia da Nova Era.

Historicamente, a influência inicial da filosofia hindu nos Estados Unidos remonta a um dos Pais Fundadores, John Adams, que desenvolveu um profundo respeito pelo conceito hindu de um Deus Eterno e discutiu o assunto com Thomas Jefferson em 1813. Os filósofos transcendentalistas americanos do século XIX, como Emerson e Thoreau, leram o Bhagavad Gita e observaram a influência dos princípios hindus. Em 1893, o discurso de Swami Vivekananda no Parlamento Mundial de Religiões, em Chicago, foi uma das primeiras discussões públicas sobre o hinduísmo nos Estados Unidos. Em 1925, Paramahansa Yogananda tornou-se o primeiro professor de Kriya Yoga a se estabelecer na América. Na década de 1960, George Harrison, membro dos Beatles, tocou canções que incluíam o mantra hindu “Hare Krishna” e ajudou a popularizar o hinduísmo na América.

Após a aprovação da Lei de Imigração e Nacionalidade de 1965, a comunidade hindu nos EUA começou a crescer com a chegada de imigrantes do Sul da Ásia. Como resultado das políticas de imigração dos EUA que favoreciam migrantes da Índia com formação acadêmica e qualificação profissional, os hindus americanos são mais propensos a possuir diploma universitário e a ter rendas mais altas do que os membros de outras denominações religiosas. Recentemente, os hindus americanos também passaram a atuar ativamente na política estadual e nacional, incluindo ex-candidatos à presidência, como Tulsi Gabbard e Vivek Ramaswamy.

História Influências iniciais Em 1721, Cotton Mather, um clérigo missionário da Nova Inglaterra, publicou India Christiana, traçando paralelos entre os “pagãos” da Índia e os indígenas americanos. Em 1784, Hannah Adams publicou An Alphabetical Compendium, que utilizava fontes britânicas para categorizar as crenças “hindus”. Em 1799, o clérigo unitarista britânico Joseph Priestley publicou A Comparison of the Institutions of Moses With Those of the Hindoos and Other Ancient Nations (Uma Comparação entre as Instituições de Moisés e as dos Hindus e de Outras Nações Antigas), na qual afirmava que o Antigo Testamento era superior às escrituras hindus. John Adams, um dos Pais Fundadores interessado em textos hindus antigos, contestou a comparação de Priestley devido à falta de textos hindus traduzidos. Em 1813, Adams escreveu a Thomas Jefferson dizendo que estava impressionado com o conceito hindu do Deus Eterno: “Deus é um, criador de tudo, Esfera Universal, sem começo, sem fim.” Jefferson também demonstrou interesse pela literatura indiana, como Sakuntala. Transcendentalismo e teosofia Durante a década de 1820, o reformador bengali Raja Ram Mohan Roy traduziu escrituras hindus que contestavam os relatos missionários que apresentavam o hinduísmo como uma tradição idólatra e influenciaram os unitaristas ao apresentar uma interpretação monoteísta dos Vedas. Esse trabalho despertou o interesse de filósofos transcendentalistas, como Ralph Waldo Emerson e Henry David Thoreau, levando-os a integrar conceitos do Bagavadeguitá e dos Upanixades em suas filosofias. Embora inicialmente cético, Emerson mais tarde considerou o não-dualismo vedântico profundamente compatível com sua crença em uma essência divina interior, e codificou essas visões em ensaios como The Over-Soul e poemas como Brahma.

Em seu livro de 1854, Walden, Thoreau descreveu detalhadamente seu retiro espiritual no Lago Walden, em Massachusetts, onde lia o Bagavadeguitá diariamente e praticava ioga. Ele também se autodenominava “iogue” e observou que seu estilo de vida simples era inspirado pelo Gita. Por volta de 1857, Emerson observou que a mensagem do Gita era uma alegoria da batalha interior entre o bem e o mal na alma humana.Engels, Jeremy David (2021). The Ethics of Oneness: Emerson, Whitman, and the Bhagavad Gita, pp. 14-15. University of Chicago Press. Desde então, muitos estudiosos têm reconhecido o Bhagavad Gita como um texto central do hinduísmo que sintetiza várias vertentes do pensamento religioso hindu, incluindo o conceito védico de darma (dever, ação correta); a ioga e o jnana (conhecimento) baseados no sânquia; e a bhakti (devoção).

No entanto, o contato inicial entre pensadores americanos e as ideias hindus no século XIX também foi moldado pelo orientalismo, que muitas vezes reduzia a religião hindu a uma abstração mística ou a uma superstição primitiva. Em 1875, Helena Blavatsky e Henry Steel Olcott fundaram a Sociedade Teosófica, que popularizou as ideias hindus entre o público americano por meio da construção de um sistema espiritual universalista centrado no carma, na reencarnação e na sabedoria divina. Em 1879, Blavatsky visitou a Índia e se encontrou com Dayanand Saraswati, fundador da Arya Samaj. Saraswati se opunha tanto ao evangelismo cristão quanto ao ritualismo hindu popular. Embora Blavatsky tivesse esperado recrutar Saraswati para o movimento teosófico, Saraswati rejeitou as reinterpretações dos Vedas feitas pela Sociedade.

Fundamentos institucionais

Em 1893, o discurso de Swami Vivekananda no Parlamento Mundial de Religiões, em Chicago, foi uma das primeiras grandes discussões sobre o hinduísmo nos Estados Unidos. Os discursos de Swami Vivekananda na América continham inúmeras referências ao Gita e aos quatro yogas – bhakti, jnana, karma e raja, e, por meio da mensagem do Gita, Vivekananda buscou reenfatizar os princípios fundamentais do pensamento hindu tanto na Índia quanto na América. Ele fundou a primeira Sociedade Vedanta americana em Nova York, em 1894, e iniciou doze ascetas no Thousand Island Park, em 1895. Ele também introduziu a filosofia do yoga e uma combinação de técnicas de respiração (pranaiama) e meditação. A partir de 1902, Swami Rama Tirtha passou dois anos pregando a filosofia do Vedanta nos Estados Unidos.

Em 1920, Paramahansa Yogananda foi o delegado da Índia no Congresso Internacional dos Liberais Religiosos, realizado em Boston. Ele iniciou uma turnê de palestras nos Estados Unidos antes de se estabelecer em Los Angeles em 1925, onde treinou discípulos no Kriya Yoga. Yogananda foi um dos primeiros professores indianos de ioga a se estabelecer nos Estados Unidos e a ser recebido na Casa Branca em 1927. Ele publicou sua Autobiografia de um Iogue em 1946, obra reconhecida como um dos melhores livros espirituais do século XX. Desenvolvimentos modernos thumb|A chegada de Swami Prabhupada a São Francisco em 1967 A Lei de Imigração e Nacionalidade de 1965 permitiu que indianos se estabelecessem nos EUA. Essa legislação coincidiu com a contracultura norte-americana e o interesse pela espiritualidade oriental. Em 1965, A.C. Bhaktivedanta Swami fundou a Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna. Ram Dass, George Harrison e Allen Ginsberg também foram influentes na difusão do hinduísmo nos Estados Unidos.

Ram Dass foi um professor de Harvard conhecido como Richard Alpert, que viajou para a Índia em 1967 e estudou com Neem Karoli Baba. Ele retornou ao Ocidente como professor hindu e mudou seu nome para Ram Dass, que significa “servo de Rama” (um dos deuses hindus). Jeffery Kagel, mais conhecido como Krishna Das, foi para a Índia na década de 1960 e voltou para os Estados Unidos como praticante de Bactiioga e cantor de música devocional hindu conhecida como kirtan (canto dos nomes de Deus), descrito pelo New York Times como “o mestre do canto do yoga americano”.

George Harrison, membro dos Beatles, tornou-se um devoto de Swami Prabhupada. Harrison começou a gravar canções com as palavras “Hare Krishna” nas letras e foi um dos principais responsáveis pela popularização do hinduísmo nos Estados Unidos nas décadas de 1960 e 1970. Sua canção, “My Sweet Lord”, tornou-se o single mais vendido de 1971 no Reino Unido. Em 1967, o evento “Human Be-In”, realizado no Golden Gate Park, em São Francisco, serviu de prelúdio para o “Verão do Amor” de São Francisco, um símbolo da contracultura americana, e contou com o canto de “Om” por Allen Ginsberg, um seguidor do hinduísmo.Klausner, Linda T. (22 de abril de 2011), "American Beat Yogi: An Exploration of the Hindu and Indian Cultural Themes in Allen Ginsberg", Masters Thesis: Literature, Culture, and MediaLund University.

Na década de 1970, Maharishi Mahesh Yogi desenvolveu uma técnica de meditação popular, a Meditação Transcendental (MT), e ficou conhecido como o “Guru” que levou a meditação aos Estados Unidos. Em 1974, Alfred Ford, bisneto de Henry Ford, ingressou na ISKCON e ajudou a fundar o primeiro templo hindu no Havaí e o Centro Cultural Bhakti Vedanta em Detroit. Outros indianos influentes de fé hindu no movimento contracultural são Mata Amritanandamayi e Sri Chinmoy.

Dados demográficos

De acordo com o Estudo sobre o Panorama Religioso de 2023–24 do Pew Research Center, os hindus representam aproximadamente 0,9% da população adulta dos Estados Unidos, um aumento em relação aos 0,4% registrados em 2007. A população hindu dos Estados Unidos é a oitava maior do mundo. A maioria dos hindus nos Estados Unidos é de origem indiana, e cerca de 80% dos imigrantes indianos praticam o hinduísmo. A população hindu dos EUA vem crescendo nas últimas décadas. Em uma pesquisa de 2025, estimou-se que a população hindu nos EUA em 2025 fosse de cerca de 3,6 milhões, e 84% dos hindus declararam ter origem étnica em países asiáticos.

Em uma pesquisa realizada em 2015, a maioria dos hindus nos Estados Unidos era composta por imigrantes (87%) ou filhos de imigrantes (9%), enquanto o restante era formado por convertidos. A maioria dos hindus são imigrantes do Sul da Ásia. Há também hindus do Caribe, do Sudeste Asiático, do Canadá, da Oceania, da África, da Europa e do Oriente Médio. Nos EUA, há também cerca de 900 pessoas da etnia Cham, originárias do Vietnã, um dos poucos grupos hindus não-índicos remanescentes no mundo, dos quais 55% são hindus.

De 2008 a 2017, cerca de 90.000 refugiados hindus butaneses foram reassentados nos Estados Unidos. Anteriormente, em 1988, um censo no Butão gerou tensões étnicas e linguísticas contra o grupo étnico hindu Lhotshampa, de língua nepalesa, levando-os a se tornarem refugiados butaneses no Nepal. Muitos também se estabeleceram nos Estados Unidos, principalmente após a Guerra Soviético-Afegã e a ascensão do Talibã. Vários hindus-americanos imigraram duas vezes: primeiro das antigas colônias britânicas da África Oriental, do Caribe e de Fiji para o Reino Unido e, em seguida, para os Estados Unidos.