miniatura|Mariã (Maria) sacudindo uma tamareira, com o bebê Issa (Jesus) no chão. Do Qisas al-anbiya (Contos dos Profetas) de Ishaq ibn Ibrahim al-Nishapuri. Irã (provavelmente Qazvin), c. 1570. Biblioteca Chester Beatty (231.227). O evangelho, ou boa-nova, é um conceito teológico presente em diversas religiões. Tanto no culto imperial romano quanto no cristianismo, o evangelho consiste em uma mensagem sobre a salvação trazida por uma figura divina — um salvador — que proporcionou paz ou outros benefícios à humanidade. Na religião da Grécia Antiga, o termo designava um tipo de sacrifício ou ritual de consagração realizado para agradecer aos deuses após o recebimento de uma boa notícia.

O conceito religioso remonta, pelo menos, à era clássica da Grécia, e sabe-se que autores romanos o adotaram no final do século I a.C. Trata-se de uma mensagem central do cristianismo atual, no qual os relatos escritos sobre a vida e os ensinamentos de Jesus Cristo são conhecidos como Evangelhos.

O conceito de "evangelho" também é significativo no Islã, onde é chamado de Injīl (em árabe: الإنجيل; transliterado: Injīl; lit. "boas-novas"), considerado uma revelação divina concedida a ʿĪsā (Jesus).

Etimologia Evangelho é a tradução para o português do termo grego koiné εὐαγγέλιον (euangélion), que significa "boas notícias". Isso pode ser analisado como euangélion (εὖ, eû, '"bom"' + ἄγγελος, ángelos, '"mensageiro"' + -ιον, -ion diminutivo sufixo). O termo grego foi latinizado como evangelium na Vulgata e traduzido para o latim como bona annuntiatio.

No inglês antigo, era traduzido como gōdspel (gōd, "bom" + spel, "notícia"). O termo do inglês antigo persistiu nas traduções da Bíblia para o inglês médio e sobrevive no inglês moderno como gospel.

Em grego, o termo referia-se originalmente a uma recompensa ou gratificação paga a um mensageiro por trazer boas notícias. Mais tarde, passou a designar a própria mensagem de boas notícias, bem como uma oferenda religiosa de agradecimento pela boa sorte.

No Islã, o termo árabe Injīl (الإنجيل) deriva do siríaco awongelion (ܐܘܢܓܠܝܘܢ), que, por sua vez, tem origem na mesma palavra grega euangelion. O Alcorão menciona o Evangelho como uma escritura divina revelada a Jesus, sendo este considerado pelos muçulmanos como um dos quatro principais livros revelados, juntamente com a Torá, os Salmos e o Alcorão.

Religião grega e romana Grécia Antiga miniatura|Um touro sendo levado a um altar da deusa Atena. Na religião da Grécia Antiga, a palavra εὐαγγέλια significa um sacrifício oferecido em agradecimento por boas novas ou boas notícias. Assim como outras ofertas gregas de agradecimento, essas oferendas assumiam a forma de sacrifício de animais, ofertas de alimentos e bebidas e dedicações rituais. Notícias de vitória militar eram frequentemente celebradas com uma oferenda. Na peça Os Cavaleiros, de Aristófanes (424 a.C.), o personagem cômico Paflagão propõe um sacrifício excessivo de cem novilhas a Atena para celebrar uma boa notícia. Essa palavra em grego tem duplo sentido: a forma no singular significa uma recompensa paga a um mensageiro humano que traz boas notícias, e a forma no plural significa uma oferta de agradecimento aos deuses por boas notícias.

Roma miniatura|277x277px|Otaviano como o Divino Pai Augusto, o salvador no evangelho romano antigo. O culto imperial romano celebrava o evangelho do Augusto — ou Divus Augustus —, uma versão mitificada do primeiro imperador romano, Otaviano, também conhecido como Augusto César. Augusto era, ao mesmo tempo, homem e deus: "um salvador que fez cessar a guerra e que estabelecerá a ordem e a paz em todas as coisas". Esse período de paz é denominado Pax Romana. Para celebrar as boas-novas de paz com uma homenagem de proporções extraordinárias, o governador Paulo Fábio Máximo propôs a consagração ritual do calendário a Augusto, estabelecendo o início do ano no aniversário do imperador. Essa consagração ao Augusto serviu para sincronizar os diversos calendários locais em todo o Império e deu origem ao nome do mês de agosto. A ideia de dedicar o calendário ao aniversário de um rei divino serviu, mais tarde, de base para os calendários juliano e gregoriano.

Uma implementação dessa consagração do calendário do evangelho está registrada na inscrição do calendário de Priene. Nela, a palavra do grego koiné para "boas-novas" aparece na celebração do nascimento do deus e salvador Augusto, enviado pela Providência para trazer a paz. Ela anuncia a intenção da cidade de Priene de alterar seu calendário para que este começasse no aniversário de Augusto — o primeiro dia das "boas-novas". A inscrição de Priene constitui o exemplo mais famoso do uso pré-cristão do conceito de "evangelho". Datada de 9 a.C., poucos anos antes do nascimento de Jesus, a inscrição demonstra que o termo "evangelho" era utilizado num contexto político antes de ser aplicado ao cristianismo.

Ver também Evangelização

Ligações externas

Categoria:Cristologia Categoria:Missões cristãs Categoria:Vida de Jesus Categoria:Palavras e frases do Novo Testamento Categoria:Salvação Categoria:Palavras, frases e expressões em grego