Halima binte Abi Duaibe (), também conhecida como Halima Açadia () e pela cúnia Ume Cabexa (), foi uma mulher árabe dos saditas, ramo dos hauazinitas, conhecida na tradição islâmica por ter sido ama de leite do profeta Maomé. Era casada com , pertencente à mesma tribo. Maomé permaneceu sob seus cuidados durante parte da primeira infância, embora as fontes transmitam diferentes tradições sobre a duração dessa permanência e sobre os acontecimentos que teriam ocorrido nesse período.
Vida
Ama de leite de Maomé
Entre as famílias de Meca existia o costume de confiar crianças recém-nascidas a amas de leite pertencentes às tribos beduínas, prática associada tanto à reputação de salubridade do ambiente desértico quanto ao aprendizado de uma forma considerada pura da língua árabe. Para as mulheres beduínas, por sua vez, a amamentação constituía uma fonte de renda, razão pela qual tendiam a preferir os filhos de famílias abastadas. Watt igualmente relaciona a prática à crença das famílias prósperas de que a vida no deserto era mais saudável para as crianças que o ambiente de Meca. Embora alguns estudiosos modernos tenham posto em dúvida todo o episódio da criação de Maomé entre os beduínos, considera provável que ele tenha efetivamente vivido durante algum tempo entre os saditas.
Segundo a tradição apresentada pela TDV, durante um período de fome, situado em 569, Halima foi a Meca juntamente com outras mulheres de sua tribo à procura de crianças para amamentar. Como não conseguiu encontrar um filho de família rica, teria hesitado inicialmente em aceitar Maomé por ele ser órfão, mas acabou levando-o para não regressar sem uma criança. Halima amamentou-o até aproximadamente os dois anos de idade. De acordo com a tradição transmitida pela TDV, quando chegou o momento de devolvê-lo à família, sua mãe, Amina binte Uabe, concordou que permanecesse por mais algum tempo entre os beduínos, seja porque considerava benéfico o clima do deserto, seja, segundo outra versão, devido a uma epidemia então existente em Meca. Nessa tradição, Maomé permaneceu com Halima até aproximadamente os cinco anos de idade.
Diversas narrativas de caráter miraculoso foram associadas posteriormente à permanência de Maomé com sua família adotiva. Entre elas está a tradição segundo a qual Halima e sua família, até então atingidas pela escassez, passaram a desfrutar de abundância depois de acolhê-lo. Outro relato é o do , ou "abertura do peito", segundo o qual, enquanto Maomé e um irmão de leite cuidavam de animais, dois homens teriam aberto seu peito, purificado seu coração com neve e depois o recolocado no corpo. Segundo a narrativa, Halima, temendo que a criança tivesse sido acometida por uma influência sobrenatural, decidiu devolvê-la à mãe. Watt considera essas histórias relacionadas à permanência no deserto lendárias, distinguindo-as da possibilidade histórica de Maomé ter efetivamente passado parte da infância entre os saditas.
Tradições posteriores
Segundo um relato preservado pelas fontes islâmicas, Halima visitou Maomé durante outro período de fome e Cadija presenteou-a com quarenta ovelhas e um camelo. As fontes tradicionais são amplamente concordantes em considerá-la posteriormente convertida ao Islã, e sua conversão chegou a ser objeto de um tratado específico de , intitulado al-Tuḥfat al-jasīma li-Islām Ḥalīma. Çubukcu considera essa tradição um indício da possibilidade de Halima ter voltado a encontrar Maomé posteriormente. A data da morte de Halima é desconhecida. As fontes apresentam versões que a situam antes do início da missão profética de Maomé, antes da conquista de Meca ou depois da morte de Maomé. Çubukcu considera mais provável que tenha morrido depois do início da pregação de Maomé e antes da conquista de Meca, tendo em vista as tradições sobre sua conversão. Por essa razão, relatos segundo os quais Halima teria visitado Abu Becre e Omar depois da morte de Maomé, recebendo deles honrarias, são tratados com cautela. A mulher que teria encontrado Maomé em e recebido demonstrações de consideração dele também parece ter sido, na realidade, sua irmã de leite , e não Halima. A existência da relação de parentesco por amamentação entre Maomé e os saditas também aparece em relatos relacionados à Batalha de Hunaine, em 630. Depois da batalha, Maomé tratou com consideração sua irmã de leite Axaima e, durante as negociações para a libertação das mulheres da tribo capturadas pelos muçulmanos, membros dos saditas invocaram seus vínculos de parentesco por amamentação de Maomé, argumento ao qual ele respondeu favoravelmente.
Família
O marido de Halima, Alharite ibne Abede Aluzá, também pertencia aos saditas. Pouco se sabe sobre sua vida, e as fontes divergem quanto à época de sua conversão ao Islã: uma tradição a situa pouco depois do início da missão profética de Maomé, enquanto outra a coloca somente depois da morte de Maomé, sendo a primeira considerada mais provável pela TDV. As fontes mencionam como irmãos de leite de Maomé filhos de Halima chamados , e Axaima binte Alharite, esta última também chamada ou Judama. Todos são apresentados pela tradição como tendo posteriormente aderido ao Islã. Há ainda relatos segundo os quais Abu Sufiane ibne Alharite, primo de Maomé, teria sido seu irmão de leite por meio de Halima, enquanto outras fontes atribuem esse vínculo à outra ama de leite de Maomé, Tuaiba.
Bibliografia
Categoria:Saditas (hauazinitas) Categoria:Árabes do século VI Categoria:Árabes do século VII Categoria:Mulheres do século VII Categoria:Mulheres do século VI Categoria:Companheiros de Maomé Categoria:Pessoas sepultadas no Cemitério de Albaqui