Eugénio Queiroz de Castro Caldas (Lisboa, 5 de dezembro de 1914 — Lisboa, 18 de dezembro de 1999) foi um engenheiro agrónomo, professor catedrático do Instituto Superior de Agronomia e investigador português. A sua atividade científica e profissional incidiu sobretudo sobre a agricultura, a economia agrária, as estruturas fundiárias e o desenvolvimento do mundo rural português.Caldas, Eugénio de Castro (2000). Eugénio de Castro Caldas (1914–1999): Antologia. Lisboa: By the Book, Edições Especiais.
Biografia
Eugénio de Castro Caldas nasceu em Lisboa em 5 de dezembro de 1914. Era filho do médico militar Eugénio Pereira de Castro Caldas (1871–1945) e de Laura Teixeira de Queiroz (1876–1969). Era neto paterno de António Pereira de Castro Caldas, último morgado da Casa da Andorinha, e neto materno do médico, escritor e político republicano Francisco Teixeira de Queiroz.
A família tinha ligações a Arcos de Valdevez, onde Eugénio de Castro Caldas passou parte da infância. Essa ligação ao território de Valdevez viria também a refletir-se posteriormente na sua produção escrita, nomeadamente na obra Terra de Valdevez e Montaria do Soajo.Caldas, Eugénio Queiroz de Castro. Terra de Valdevez e Montaria do Soajo: memória monográfica do concelho de Arcos de Valdevez. Biblioteca Municipal de Arcos de Valdevez.
Frequentou o Liceu Camões, em Lisboa, e ingressou no Instituto Superior de Agronomia no ano letivo de 1933–1934, onde concluiu a licenciatura em Engenharia Agronómica em 1939.
Carreira académica
Desenvolveu grande parte da sua carreira no Instituto Superior de Agronomia, onde exerceu funções docentes e de investigação.
Em 1956 proferiu nas instalações do Instituto Superior de Agronomia a conferência Problemas de Sociologia Rural, no âmbito do I Curso de Sociologia Rural. A conferência ocorreu num período de institucionalização da sociologia no ensino superior português e coincidiu com a introdução da disciplina de História da Agricultura e Sociologia Rural no currículo do Instituto.Agoas, Frederico. Estado e investigação social agrária nos primórdios da sociologia em Portugal. Lisboa: Universidade Nova de Lisboa.
Atividade científica e intervenção na agricultura
A investigação e a atividade técnica de Eugénio de Castro Caldas concentraram-se nos problemas da agricultura portuguesa, nomeadamente nas estruturas fundiárias, na modernização agrícola, na organização das explorações e nas condições sociais do mundo rural.
Participou em estudos e trabalhos relacionados com a economia agrária e com a colonização interna. A sua atividade inseriu-se nos debates sobre a modernização da agricultura portuguesa e sobre a transformação das estruturas económicas e sociais do mundo rural.
Em 1957 coordenou uma equipa técnica encarregada de preparar um plano de fomento agrário para o Alentejo, no âmbito do I Plano de Fomento.Instituto Superior de Agronomia. Memória e Prospectiva.
Foi também ligado ao Centro de Estudos de Economia Agrária da Fundação Calouste Gulbenkian, participando em trabalhos de investigação sobre a agricultura portuguesa.
Ao longo da sua carreira exerceu funções técnicas e de planeamento em organismos públicos ligados à agricultura, incluindo o Gabinete de Planeamento da Secretaria de Estado da Agricultura, que dirigiu entre 1968 e 1974.
Participou igualmente em trabalhos preparatórios dos Planos de Fomento e em estudos relacionados com a política agrícola portuguesa.
Câmara Corporativa e proteção da natureza
Eugénio de Castro Caldas exerceu funções de procurador à Câmara Corporativa durante o período do Estado Novo.
Em 1970 foi relator de um parecer da Câmara Corporativa sobre a proteção da natureza e dos seus recursos. A intervenção ocorreu no contexto do debate português sobre a conservação da natureza e a criação de áreas protegidas, que viria a conduzir à criação do Parque Nacional da Peneda-Gerês, em 1971.
Pensamento e obra
O pensamento de Eugénio de Castro Caldas centrou-se na modernização da agricultura portuguesa e na transformação das estruturas económicas e sociais do mundo rural.
Os seus trabalhos abordaram questões relacionadas com as estruturas fundiárias, as formas de exploração da propriedade rústica, a modernização tecnológica, a organização da empresa agrícola, o desenvolvimento agrícola e o êxodo rural.
No ensaio Industrialização e agricultura, publicado em 1957, abordou as relações entre o desenvolvimento industrial e a agricultura portuguesa e defendeu a modernização técnica das explorações agrícolas.
A sua produção bibliográfica incluiu também trabalhos de carácter histórico sobre a agricultura portuguesa e estudos dedicados à realidade rural de Arcos de Valdevez.
Obras selecionadas
O problema sociológico das formas de exploração da propriedade rústica em Portugal (1947) Industrialização e agricultura (1957) Gestão da empresa agrícola (1959) Modernização da agricultura: conferências, palestras e artigos (1960) Níveis de desenvolvimento agrícola no continente português (em coautoria, 1960) Regiões homogéneas no continente português (em coautoria, 1966) A agricultura portuguesa no limiar da Reforma Agrária (1978) A agricultura portuguesa através dos tempos (1991) Terra de Valdevez e Montaria do Soajo (1994) A agricultura na história de Portugal (1998)
Terra de Valdevez e Montaria do Soajo: memória monográfica do concelho de Arcos de Valdevez é uma obra dedicada à história e à realidade territorial e rural de Valdevez.
Distinções
Em 9 de junho de 1993 foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.
Família
Eugénio de Castro Caldas foi casado com Maria Lusitana Mascarenhas de Lemos (1919–2019). O casal teve seis filhos:Famílias de Leiria, registos de Eugénio Queiroz de Castro Caldas e Maria Lusitana Mascarenhas de Lemos.
Júlio Lemos de Castro Caldas (1943–2020), advogado e político, deputado à Assembleia da República, bastonário da Ordem dos Advogados e ministro da Defesa Nacional; Eugénio Pereira de Castro Caldas (n. 1945), arquiteto;Diniz, Joaquim. Percurso militar, ascendência e descendência. Revista da Associação Brasileira de Pesquisadores de História e Genealogia. João Lemos de Castro Caldas, engenheiro agrónomo e professor catedrático do Instituto Superior de Agronomia;Diário da República, II Série; Instituto Superior de Agronomia, documentação institucional sobre o corpo docente. Alexandre Lemos de Castro Caldas, médico neurologista, professor catedrático e investigador;Ciência Vitae, perfil de Alexandre Lemos de Castro Caldas. Pedro Lemos de Castro Caldas, licenciado em Engenharia Mecânica; José Maria Lemos de Castro Caldas, economista, professor do ISCTE — Instituto Universitário de Lisboa e investigador.Ciência_Iscte, perfil de José Maria Lemos Castro Caldas.
Júlio Lemos de Castro Caldas exerceu funções de deputado e ministro da Defesa Nacional.Assembleia da República, documentação parlamentar.
João Lemos de Castro Caldas desenvolveu carreira académica no Instituto Superior de Agronomia, tendo atingido a categoria de professor catedrático.
Alexandre Lemos de Castro Caldas desenvolveu carreira académica e científica na área da neurologia, tendo sido professor catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e da Universidade Católica Portuguesa.
José Maria Lemos de Castro Caldas desenvolveu atividade docente e científica na área da economia, nomeadamente no ISCTE, onde lecionou História da Economia Política e orientou trabalhos de doutoramento.
Referências
Bibliografia
Agoas, Frederico. Estado e investigação social agrária nos primórdios da sociologia em Portugal. Universidade Nova de Lisboa. Caldas, Eugénio de Castro (2000). Eugénio de Castro Caldas (1914–1999): Antologia. Lisboa: By the Book, Edições Especiais. Instituto Superior de Agronomia. Memória e Prospectiva. Diniz, Joaquim. Percurso militar, ascendência e descendência. Revista da Associação Brasileira de Pesquisadores de História e Genealogia. Rosas, Fernando e Brito, J. M. Brandão de (dir), "Eugénio de Castro Caldas" in Dicionário do Estado Novo, Vol. I, pp.112-113. Lisboa:Bertrand Cruz, Manuel Braga da e Pinto, António Costa (dir), "Eugénio de Castro Caldas" in Dicionário Biográfico Parlamentar 1935-1974, vol. I, pp. 306–307. Lisboa: ICS e Assembleia da Republica
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