Ceifadim Ibraim ibne Haçane ibne Ajelane (; Meca – Damieta, 4 de Dulrija de 855 A.H. ()), conhecido como Ibraim ibne Haçane, foi um xarife catádida que exerceu de forma contestada o Emirado de Meca em associação com seu pai, Haçane ibne Ajelane, e seu irmão Baracate entre 823 e 826 A.H. (1421–1423). Embora a corte do Sultanato Mameluco do Cairo não tenha aprovado sua associação formal ao governo, Ibraim conseguiu fazer seu nome ser mencionado nas invocações públicas e na cutba. Continuou envolvido nas disputas entre seus irmãos nas décadas seguintes e morreu durante o cativeiro em Damieta.
Vida
Ibraim era filho do emir Haçane ibne Ajelane e pertencia aos catádidas, da linhagem haçânida da dinastia haxemita, descendente do clã dos haxemitas. Nasceu e cresceu em Meca, sob os cuidados do pai. Em 836 A.H. (1432–1433), Haçane obteve para ele autorizações de transmissão de diversos estudiosos, entre os quais Almacrizi. Em 821 A.H. (1418), quando já era adulto, Ibraim foi enviado pelo pai ao Iêmem para procurar o apoio do governante local. Depois de permanecer ali por vários meses, conseguiu melhorar as relações deste com Haçane e regressou a Meca com presentes. Haçane procurou posteriormente associar Ibraim ao Emirado de Meca juntamente com seu outro filho, Baracate, e solicitou à corte mameluca que confirmasse a nomeação. O pedido, contudo, não foi atendido. Ibraim acompanhou o pai ao Iêmem e depois regressou sozinho a Meca acompanhado por um grupo de xarifes. Seus partidários obrigaram então o muezim a incluir seu nome nas invocações pronunciadas junto ao Zenzem e durante a circunvolução da Caaba.
Em 823 A.H. (1420–1421), seu nome também passou a ser pronunciado na cutba juntamente com os de Haçane e Baracate. Essa participação no governo não decorria, portanto, de uma investidura do sultão, mas da posição que Ibraim conseguiu impor em Meca. Seu nome permaneceu nas invocações e na cutba até parte de 826 A.H. (1423), quando Haçane rompeu com ele. A causa imediata foi a proteção que Ibraim concedeu a determinados xarifes cuja expulsão da região havia sido ordenada pelo pai. Haçane mandou então retirar o nome do filho das invocações públicas, encerrando sua participação no emirado. Após a morte de Haçane no Cairo em 829 A.H. (1426), o sultão convocou Ibraim e Baracate à corte. Ambos receberam vestes de honra, mas o emirado foi concedido a Baracate, e Ibraim prestou juramento de obediência ao irmão. Depois de regressarem a Meca, os dois voltaram a entrar em conflito. Em 831 A.H. (1427–1428), Baracate chegou a solicitar tropas ao sultão contra Ibraim e seu irmão Abu Alcácime, que evitaram entrar em Meca quando as forças chegaram. Ibraim reconciliou-se posteriormente com Baracate e retornou à cidade.
As relações entre os irmãos permaneceram instáveis. Ibraim procurou impedir Abu Alcácime de seguir ao Egito e, em outras ocasiões, os dois se aliaram contra Baracate. Novas reconciliações se seguiram, e Baracate chegou a estabelecer para Ibraim uma renda destinada ao seu sustento. Em 843 A.H. (1439–1440), Ibraim viajou ao Cairo e regressou a Meca em Ramadã de 844 A.H. (1441). Quando seu irmão Ali substituiu Baracate no Emirado de Meca, Ibraim apoiou o novo governante. Em Xaual de 846 A.H. (1443), os dois foram presos em Meca. Depois de receberem vestes de honra, foram conduzidos a Gidá e dali enviados por mar ao Egito. Ibraim e Ali foram encarcerados inicialmente numa torre da Cidadela do Cairo. Posteriormente foram transferidos para Alexandria e, por fim, para Damieta. Ali morreu durante o cativeiro, enquanto Ibraim permaneceu preso por mais alguns anos. Morreu em Damieta em 4 de Dulrija de 855 A.H. (1451), longe de Meca.
Bibliografia
Categoria:Árabes do século XIV Categoria:Árabes do século XV Categoria:Xarifes de Meca Categoria:Árabes do Sultanato Mameluco do Cairo Categoria:Catádidas Categoria:Naturais de Meca