O Mocambo do Gongoro foi um mocambo dos Palmares, documentado na década de 1680 e associado a Zumbi. Depois de ataques à Cerca do Barriga no início daquela década, Zumbi e seu grupo deslocaram-se para outro sertão e, em abril de 1684, estavam instalados numa localidade denominada Gongoro, a cerca de quarenta léguas da vila de Alagoas do Sul.

Zumbi voltou posteriormente ao Barriga, onde permaneceu até a destruição daquela cerca em 1694. O historiador Marc A. Hertzman registra a destruição de um mocambo denominado Gongoro em 1695, depois das destruições dos mocambos de Garanhum, em 1693, e de Pedro Capacassa, em 1694. As fontes disponíveis não permitem estabelecer com segurança se o assentamento destruído em 1695 corresponde a uma ocupação contínua daquele documentado em 1684 ou a uma posterior reutilização da mesma denominação.

Contexto

Depois do acordo de paz de 1678 e da destruição de Cucaú, os grupos que permaneceram nos Palmares passaram por sucessivos deslocamentos e reorganizações. Em 1680, Zumbi encontrava-se no outeiro do Barriga, que se tornou um dos principais núcleos políticos e militares dos Palmares naquele período.

O Barriga foi atacado em novembro de 1681, quando muitas de suas construções foram queimadas e centenas de pessoas foram aprisionadas. Uma nova ofensiva ocorreu em 1683. Depois desse ataque, Zumbi retirou-se com sua gente para outro sertão.

Em abril de 1684, a documentação registra que Zumbi estava instalado "na paragem a que chamam Gongoro", situada a quarenta léguas da vila de Alagoas do Sul.

Ocupação em 1684

A passagem de Zumbi pelo Gongoro ocorreu num período em que os assentamentos de Palmares haviam se tornado mais móveis e dispersos. A reconstrução cartográfica apresentada por Silvia Hunold Lara a partir da documentação colonial situa uma referência ao assentamento em 1685, localizando-o aproximadamente entre os rios Coruripe e São Miguel.

Depois da permanência no Gongoro, Zumbi voltou em algum momento à região do Barriga. O assentamento do Barriga continuou a ser alvo de expedições em 1684 e 1685, voltando a constituir o principal núcleo associado a Zumbi até sua destruição, em fevereiro de 1694.

Referência de 1695

Hertzman inclui Gongoro entre uma sequência de mocambos destruídos na fase final das guerras de Palmares. Segundo o historiador, os mocambos de Garanhum, Pedro Capacassa e Gongoro foram destruídos respectivamente em 1693, 1694 e 1695.

A referência de 1695 é posterior ao regresso de Zumbi ao Barriga documentado por Lara. Por isso, a documentação conhecida não permite concluir que o Gongoro atacado naquele ano tenha permanecido continuamente ocupado desde 1684. A história dos Palmares naquele período foi marcada por deslocamentos e pela formação de novos mocambos em diferentes pontos da região.

Localização

A documentação utilizada por Lara situa Gongoro a aproximadamente quarenta léguas da vila de Alagoas do Sul. Como ocorre com vários mocambos de Palmares, essa indicação não permite determinar coordenadas modernas precisas. Lara salienta que as reconstruções cartográficas dos assentamentos desse período são aproximadas e dependem das distâncias e referências geográficas registradas na documentação colonial.

Nome

O projeto Documenta Palmares, da Universidade Estadual de Campinas, adota Mocambo do Gongoro como forma normalizada do nome do assentamento. Registra ainda as variantes Mocambo do Gongolo, Mocambo do Gongo, Campos do Gongolho, Campos do Gongo e Sítio do Gongro.

As diferentes formas refletem as variações de grafia presentes na documentação histórica e posteriormente normalizadas pelo projeto.

Bibliografia

Categoria:Quilombo dos Palmares