A Guerra do Pacífico, as vezes chamada de Guerra Pacífico-Asiática,Williamson Murray, Allan R. Millett. "A War to be Won: Fighting the Second World War", Harvard University Press, 2001, p. 143 foi um dos teatros de operações da Segunda Guerra Mundial, travado no Pacífico e na Ásia Oriental. A luta aconteceu em diversas áreas, como no sudoeste do Pacífico, sudeste da Ásia e na China (incluindo a Guerra Soviético-Japonesa de 1945).

A Segunda Guerra Sino-Japonesa entre a República da China e o Império do Japão já estava em progresso desde julho de 1937, com a origem das hostilidades podendo ser traçada até setembro de 1931, quando os japoneses invadiram a Manchúria.Roy M. MacLeod, Science and the Pacific War: Science and Survival in the Pacific, 1939–1945, Kluwer Academic Publishing, p. 1, 1999 Contudo, a data exata de consenso, segundo os historiadores, para o começo da Guerra do Pacífico é 7/8 de dezembro de 1941, quando o Japão invadiu a Tailândia e atacou as possessões britânicas da Malásia, Singapura e Hong Kong, além das bases militares americanas no Havaí, na Ilha Wake, em Guam e nas Filipinas.Youli Sun, China and the Origins of the Pacific War, 1931–41, Palgrave MacMillan, p. 11John Costello, The Pacific War: 1941–1945, Harper Perennial, 1982Japan Economic Foundation, Journal of Japanese Trade & Industry, Volume 16, 1997

A Guerra do Pacífico viu as Forças Aliadas na Ásia travarem uma guerra total contra o Império do Japão (sendo este apoiado por Estados clientes e pelas Potências do Eixo, como a Alemanha e Itália). A guerra foi encerrada após os bombardeamentos com armas atômicas nas cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, além da grande campanha de bombardeios aéreos contra o Japão perpetrados pelas Forças Aéreas do Exército dos Estados Unidos, acompanhado pela invasão soviética da Manchúria em 8 de agosto de 1945, resultando no anúncio de que o governo japonês havia aceitado os termos de rendição dos Aliados, em 15 de agosto de 1945.

A rendição formal e oficial do Japão aconteceu abordo do couraçado USS Missouri na baía de Tóquio, a 2 de setembro de 1945. Após a derrota, o imperador japonês teve que abrir mão de praticamente toda a sua autoridade sobre o Estado e o povo, assim como seu status divino instituído pela "Diretriz Xintoísta".

Visão geral Nomes atribuídos ao conflito miniaturadaimagem|esquerda|Mapa político da região pacífico-asiática, em 1939. No curso do conflito, em países Aliados, "a Guerra do Pacífico" não era normalmente distinguida da Segunda Guerra Mundial em geral, ou era simplesmente chamada de Guerra contra o Japão. Nos Estados Unidos, o termo Teatro do Pacífico era amplamente usado, embora este tenha sido um tanto inapropriado em relação a campanha britânica na Birmânia, a guerra na China e outras atividades no Teatro de Operações do sudeste do Pacífico.

O Japão usava o termo , conforme escolhido por uma decisão de gabinete em 10 de dezembro de 1941, para se referir tanto ao conflito com os Aliados Ocidentais quanto a guerra com a China. Este nome foi usado pela primeira vez para o público em 12 de dezembro, com a explicação de que envolvia nações asiáticas buscando suas respectivas independências das potências Ocidentais através das forças armadas da Esfera de Coprosperidade da Grande Ásia Oriental. Oficiais japoneses integraram o que eles chamavam de na "Grande Guerra da Ásia Oriental".

Durante a ocupação militar americana do Japão (1945–52), estes termos japoneses foram proibidos de serem emitidos em documentos oficiais, embora seu uso informal tenha permanecido e o nome do conflito tenha oficialmente virado . No Japão, o termo também é usado, se referindo ao período do Incidente de Mukden de 1931 até 1945.

Participantes miniaturadaimagem|esquerda|O generalíssimo Chiang Kai-shek e o general Joseph Stilwell, comandante-em-chefe das forças Aliadas no teatro de operações da China, entre 1942 e 1945. As Potências do Eixo que apoiaram diretamente o Japão incluiu o governo autoritário da Tailândia, que se aliou aos japoneses em 1941, quando as tropas imperiais já estava invadindo a península do sul. O "exército Phayap" tailandês enviou combatentes para a invasão e ocupação do norte da Birmânia, que antigamente era território da Tailândia, anexada pelos britânicos anos antes. Estados fantoches dos japoneses também os apoiaram, como Manchukuo e Mengjiang (que consistia dos territórios da Manchúria e partes da Mongólia Interior respectivamente), e os colaboracionistas do Governo de Nanquim, liderado por Wang Jingwei (que controlava boa parte da região costeira da China).

A política oficial do governo dos Estados Unidos era que a Tailândia não era aliada do Eixo e não havia um estado de guerra entre os americanos e os tailandeses. A política dos Estados Unidos desde 1945 foi tratar a Tailândia não como um país inimigo, mas sim como uma nação que foi chantageada pelos japoneses a lutar, até ser ocupada pelos mesmos. A Tailândia foi tratada pelos americanos como um país ocupado pelas forças do Eixo, tal como a Bélgica, a Tchecoslováquia, a Dinamarca, a Grécia, a Noruega, a Polônia e os Países Baixos.

O Japão alistou a força milhares de cidadãos de suas colônias, como a Coreia e Ilha de Formosa (Taiwan). Em menor nível, algumas tropas da França de Vichy, do Exército Nacional Indiano e do Exército Nacional da Birmânia também estavam ao lado dos japoneses no Pacífico. Unidades de colaboradores de Hong Kong, Filipinas, Birmânia, Guiné, Malásia, Bornéu, Mongólia e da Indochina e até do Timor ajudaram no esforço de guerra japonês.

A Alemanha Nazista e a Itália Fascista, embora aliados dos japoneses, tiveram envolvimento bem limitado na Guerra do Pacífico. As marinhas alemã e italiana operaram submarinos e navios mercadores armados nos oceanos Índico e Pacífico. Os italianos tinham acesso a "concessões territoriais" na costa da China, enquanto os alemães não tinham. Após o ataque a Pearl Harbor e a subsequente declaração de guerra, ambas as marinhas ganharam acesso as bases navais japonesas.

As principais Potências dos Aliados no Pacífico eram os Estados Unidos, a República da China, o Reino Unido (incluindo tropas coloniais da Índia britânica, as Ilhas Fiji, Samoa, etc.), a Austrália, o Commonwealth das Filipinas, a Holanda (como dona das Índias Orientais Holandesas e do oeste de Nova Guiné), a Nova Zelândia e o Canadá, todos membros do Conselho de Guerra do Pacífico. México, tropas remanescentes da França Livre e vários outros países também deram apoio militar, especialmente das colônias britânicas.

A União Soviética travou dois conflitos de fronteira com o Japão em 1938 e 1939, ficando depois neutra no conflito no Pacífico até agosto de 1945, quando oficialmente juntou forças com os Aliados e invadiu o território de Manchukuo, no norte da China, além da região da Mongólia Interior, e o protetorado japonês da Coreia e a ilha de Sakhalin.

Teatros de Operação miniaturadaimagem|O Conselho da Guerra do Pacífico fotografado em 12 de outubro de 1942. Representantes do Estados Unidos, China, Reino Unido, Austrália, Canadá, Holanda, Nova Zelândia e Filipinas.

Entre 1942 e 1945, havia quatro áreas de conflito na Guerra do Pacífico: na China, o Pacífico Central, o Sudeste da Ásia e o Sudoeste do Pacífico. Fontes dos Estados Unidos se referem a duas frentes de batalha na guerra na Ásia: o Teatro do Pacífico e o Teatro da China-Birmânia-Índia (CBI).

No Pacífico, os Aliados dividiram o controle operacional entre suas forças em dois comandos supremos, conhecidos como Área do Oceano Pacífico e Área do Sudoeste do Pacífico. Em 1945, por um período breve antes da rendição do Japão, a União Soviética e a Mongólia lançaram uma invasão contra a Manchúria e o nordeste da China, que na época estavam ocupadas por militares japoneses.

Contexto histórico Conflito entre a China e o Japão

Em 1937, o Japão controlava a Manchúria e estava pronto para fazer ainda mais avanços na China. O incidente da Ponte Marco Polo, em 7 de julho de 1937, provocou uma nova guerra total entre chineses e japoneses. Os Nacionalistas e os Comunistas chineses suspenderam sua guerra civil para formar uma aliança nominal contra o Japão; a União Soviética rapidamente deu seu apoio ao fornecer enormes quantidades de material para as forças chinesas. Em agosto de 1937, o generalíssimo Chiang Kai-shek mandou suas melhores tropas para enfrentar cerca de 300 000 soldados japoneses na Batalha de Xangai, mas, após três meses de intensos combates, a cidade caiu. O Japão continuou a forçar o recuo das tropas chinesas, capturando a capital Nanquim em dezembro de 1937, cometendo um grande massacre logo em seguida. Em março de 1938, as forças nacionalistas chinesas conquistaram sua primeira grande vitória na batalha de Tai'erzhuang. Contudo, em maio, os japoneses tomaram Xuzhou. Em junho de 1938, os japoneses organizaram 350 000 homens e invadiram Wuhan, capturando-a em outubro. Outras grandes vitórias japonesas se seguiram, mas a comunidade internacional (em especial os Estados Unidos) começaram a condenar com mais veemência o Japão, particularmente após o incidente de Panay, onde uma canhoneira americana foi afundada e três tripulantes foram mortos. miniaturadaimagem|esquerda|Vítimas chinesas do bombardeio de Chongqing em junho de 1941. Em 1939, as forças japonesas tentaram avançar sobre o Extremo Oriente Soviético a partir da Manchúria. Eles foram derrotados nas Batalhas de Khalkhin Gol por tropas soviéticas e mongóis lideradas pelo general Gueorgui Júkov. Isso deteve as ambições japonesas ao norte, mas os soviéticos tiveram de parar seu auxílio à China como resultado do Pacto nipônico-soviético.Edward J. Drea, Nomonhan: Japanese-Soviet Tactical Combat, 1939 (2005)

Em setembro de 1940, o Japão decidiu cortar a última rota terrestre da China com o mundo, através da Indochina, que na época era controlado pela França de Vichy. O exército imperial japonês acabou quebrando seu pacto com o governo de Vichy e iniciaram uma invasão da Indochina Francesa e posteriormente anexaram a região. Em 27 de setembro, o Japão assinou uma aliança militar com a Alemanha Nazista e a Itália Fascista, se tornando o terceiro membro do Eixo. Na prática, havia pouca coordenação entre o Japão e a Alemanha até 1944, em um ponto em que a inteligência americana conseguiu decifrar os códigos diplomáticos dos dois países.Boyd, Carl. Hitler's Japanese confidant: General Ōshima Hiroshi and MAGIC intelligence, 1941–1945 (1993)

A guerra na China entrou numa nova fase quando os japoneses foram derrotados nas batalhas de Suixian–Zaoyang e de Changsha. Após essas vitórias, nacionalistas chineses lançaram uma grande contra-ofensiva no começo de 1940, mirando as regiões norte e centro do país; contudo, devido a pouca capacidade industrial-militar, a investida terminou fracassando após menos de cinco meses de luta. Em agosto de 1940, os comunistas chineses lançaram sua própria ofensiva no norte, desta vez conquistando algum sucesso; em retaliação, o Japão instituiu a chamada "Política dos Três Tudo" ("Mate tudo, Queime tudo, Saqueie tudo") em áreas ocupadas para privar os comunistas de recursos humanos e materiais.Chinese-Soviet Relations, 1937–1945; Garver, John W.; p. 120.