Grêmio Recreativo Escola de Samba Tradição é uma escola de samba da cidade do Rio de Janeiro, fundada em 1º de outubro de 1984.
Foi campeã da segunda divisão em três oportunidades: 1991, 1993 e 1997; além dos títulos do terceiro grupo (1986, 2020 e 2024) e do quarto (1985).
Alguns fazem confusão sobre a localização da escola, acreditando-se tratar de uma agremiação de Madureira, uma vez que ela é uma dissidência da Portela. Porém, sua quadra e sede sempre esteve localizada Estrada Intendente Magalhães, no bairro do Campinho, que fica entre Madureira e a Região de Jacarepaguá.
Grandes carnavalescos passaram pela escola, como Maria Augusta, Viriato Ferreira e Rosa Magalhães. Sua melhor colocação no grupo especial foi o 6º lugar em 1994.
História esquerda|miniaturadaimagem|Croqui de fantasia da Tradição apresentada ao Serviço de Censura sobre o enredo “Pelas terras do pau-brasil – pássaro guerreiro” para o Carnaval de 1985, primeiro desfile da escola. Arquivo Nacional. Foi criada por familiares do ex-patrono da Portela, Natal, no mesmo ano do surgimento da LIESA, tendo como seu símbolo um Condor Imperial, a maior ave de rapina registrada até hoje na natureza, em homenagem ao Império, tendo uma coroa encimando sua cabeça, com as asas abertas, em posição de voo.
Seu nome de fundação foi Sociedade Recreativa e Cultural Portela Tradição (SRCPT), alterado posteriormente para SCR Amor e Tradição, devido a uma ação judicial proposta pela diretoria da Portela. Após uma reunião, decidiu-se pelo nome atual, já usado em seu primeiro desfile.
A agremiação teve uma das ascensões mais rápidas da história dos desfiles do Rio de Janeiro, começando no Grupo 2-B (atual Grupo Especial da Liga Independente Verdadeira Raízes das Escolas de Samba) e chegando ao atual Grupo Especial em 3 anos, após um segundo lugar no Grupo de acesso em 1987.
thumb|250px|O desfile de 1994 garantiu o sexto lugar para a Tradição, a melhor posição da história da agremiação do bairro do Campinho
Após isso, a Tradição alternou alguns rebaixamentos e ascensões, tendo por duas vezes feito desfiles marcantes na opinião de muitos sambistas: em 1994, com o enredo Passarinho, Passarola, Quero Ver Voar!, com participação da locutora Íris Lettieri, quando conquistou a sexta posição do Grupo Especial, seu melhor resultado até hoje; e em 2004, quando reeditou um samba da Portela, Contos de Areia, prestando uma homenagem à escola na qual se originou, ao colocar no carro abre-alas o nome da Portela. Somente no segundo carro alegórico veio a inscrição "Tradição". Apesar do desfile considerado marcante, a Tradição quase retornou ao grupo de acesso, terminando na 12ª colocação, entre 14 escolas.
thumb|250px|left|O desfile da Tradição de 2001 homenageou Silvio Santos
O desfile de 2001, que teve como enredo "Hoje é domingo, é alegria, vamos sorrir e cantar!", foi o ano que mais atraiu a atenção do público, pois a escola homenageou o apresentador de TV e empresário Sílvio Santos, trazendo para o desfile praticamente todo o elenco do SBT à época: o locutor Lombardi, os assistentes de palco Liminha e Roque, além dos apresentadores Gugu Liberato, Hebe Camargo, Ratinho, Carlos Alberto de Nóbrega e Ivo Holanda. Por conta da homenagem, o samba-enredo foi tocado constantemente durante os intervalos da programação do SBT nos meses anteriores ao carnaval, se tornando um grande sucesso no desfile. Na apuração, a Tradição chegou a brigar por uma vaga no Desfile das Campeãs, mas terminou com o oitavo lugar.
No carnaval de 2004, a Tradição terminou em décimo segundo lugar reeditando "Contos de Areia", clássico samba-enredo de 1984 da Portela. No ano seguinte, porém, foi rebaixada ao Grupo de Acesso A com o enredo elaborado pelo carnavalesco Mário Borriello ("De sol a sol, de sol a soja, um negócio da China!"). Dois anos mais tarde, quando reeditou o conhecido samba de 1994, não conseguiu repetir o bom resultado, sendo rebaixada novamente, desta vez para o Grupo B - que corresponde a terceira divisão do Carnaval carioca onde em 2008, falando sobre ela mesma, com alegorias e fantasias medianas, não consegue voltar ao Grupo A, terminando na 7º colocação.
Para 2009, a escola homenageou o município de Saquarema, com o enredo Saquarema, Princesinha da Costa do Sol. De Capital do Surfe à Casa do Vôlei, de autoria da Comissão de Carnaval formada por Mazinho, Clemente, José Carlos Viana, Galo, Wiliam e Samuel Gasman. Apesar de apontada como favorita ao descenso, pois seu desfile foi considerado muito ruim, a Tradição, que por tantos anos pertenceu à elite do carnaval, ficou na 9° colocação com 237.9 pontos, permanecendo no mesmo grupo para 2010.
Em 2010, a escola trouxe como novidades o intérprete Vadinho Freire (apoio do carro de som da Mangueira), o carnavalesco Sandro Gomes (ex Renascer de Jacarepaguá e Império da Tijuca e Caprichosos de Pilares), o diretor de bateria Mestre Léo que além de ser prata da casa, também atuou como apoio na Unidos da Tijuca. Apresentou nesse ano mais uma vez uma reedição: Rei Sinhô, rei Zumbi, rei Nagô, que foi desenvolvido em 1986. Ficou em 7º lugar.
Em 2011, fez uma homenagem sobre os 100 anos de fundação de Juazeiro do Norte. A escola trouxe do carnaval de São Paulo o carnavalesco Augusto de Oliveira, além do samba encomendado pela própria direção da escola, feito por Zé Gomes, Darlan Alves, Emerson Sam e Rodrigo Jacopetti. Terminou o carnaval novamente em 7º lugar. a escola repetiu o mesmo. quando definiu enredo, samba-enredo encomendado juntos, além disso a escola mostrará os protótipos, em 2012 aonde escolheu uma homenagem ao cartunista Ziraldo, de Augusto de Oliveira, que continuou mais um ano como carnavalesco.
thumb|250px|right|O ano de 2013 marcou o retorno da Tradição ao grupo de acesso do carnaval carioca
Em 2013, a Tradição voltou a desfilar na segunda divisão com a fusão dos grupos A e B, que gerou a Série A. Contou com o retorno do carnavalesco Orlando Júnior, pelo qual reeditou mais um enredo da Portela: "Das maravilhas do mar, fez-se o esplendor de uma noite", do ano de 1981. Autor do samba, David Corrêa desfilou no carro de som da escola. Não obtendo um bom resultado, a Tradição ficou na décima sexta colocação, quase sendo rebaixada ao Grupo de Acesso B.
Na tentativa de permanecer mais uma vez, no grupo, a escola apostou em mais uma reedição, dessa vez da Beija-Flor, no ano de 1976 e com uma novidade, tendo um casal mirim como seu primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira: Thuan Matheus e Joana. mas assim como no ano anterior fez um dos piores desfiles, caindo de vez para a Série B. O desfile é realizado na Estrada Intendente Magalhães, onde está também sediada a União de Jacarepaguá: ambas vão desfilar praticamente em casa.
Para 2015, a Tradição contratou o carnavalesco Leandro Valente e apresentou o enredo "Nhá Chica: a beata negra e guerreira do Brasil", permanecendo mais um ano desfilando na sua casa, a Estrada Intendente Magalhães. Depois do carnaval, Nésio Nascimento se afastou do cargo de presidente da agremiação, passando o posto para sua filha Raphaela, que era vice-presidente e rainha de bateria.
Obtendo um vice-campeonato e três vezes o terceiro lugar, a Tradição pediu desfiliação da LIESB após o Carnaval de 2019, e foi uma das escolas fundadoras da LIVRES, liga alternativa do Carnaval da Intendente Magalhães, que passou a ser presidida por Raphaela Nascimento, presidente da Tradição. A escola de samba foi campeã do terceiro grupo alternativo, organizado pela LIVRES, e passou a pleitear o direito a ascender ao Grupo A.
Para 2021, a Tradição anunciou que abordará a obra e vida da autora Clarice Lispector em seu desfile, e recorreu ao Poder Judiciário para o reconhecimento de sua ascensão à Série A. Seu pedido de antecipação de tutela, no entanto, foi negado em 22 de julho. Mesmo com o cancelamento dos desfiles de 2021 e o adiamento do ano seguinte, o litígio judicial não se resolvera e, em 20 de abril, a Tradição anunciou em nota que não desfilaria no carnaval de 2022, porém afirmando que continuaria brigando na Justiça pela vaga na Série Ouro em 2023. A decisão marcou a primeira vez em que a escola se ausenta dos desfiles desde sua fundação, em 1984. No mesmo ano, a Tradição perdeu sua quadra, na Intendente Magalhães, para uma igreja evangélica.
Em 12 de janeiro de 2022, o fundador e presidente de honra da escola, Nésio Nascimento, morreu aos 73 anos devido a complicações de uma cirurgia. Em 27 de julho do mesmo ano, a Tradição anuncia sua volta aos desfiles para 2023 ao disputar a terceira divisão alternativa, organizada pela LIVRES. Apresentando um enredo que homenageava Nésio, a escola encerrou os desfiles no dia 26 de fevereiro de 2023, na Avenida Ernani Cardoso, ficando com o vice-campeonato. Com a dissolução da LIVRES após o carnaval, a Tradição se filiou à Superliga Carnavalesca do Brasil e passou a desfilar na Série Prata a partir de 2024. Com o enredo "Trono Negro", a Tradição conquistou o título da Série Prata e o acesso à Série Ouro no carnaval de 2025, voltando a desfilar na Sapucaí após 11 anos. Após o carnaval, a agremiação dispensou o casal de mestre-sala e porta-bandeira Romulo Diniz e Raquel Silva, o intérprete Lico Monteiro e de diretores de carnaval e harmonia, enquanto Átila Gomes se desligou do comando da bateria.
Para o carnaval de 2025, a Tradição anunciou as contratações do intérprete Tuninho Jr, do casal de mestre-sala e porta-bandeira Jorge Vinicius e Veronica Lima, do diretor de harmonia Luiz Carlos Amancio e do mestre de bateria Thiago Praxedes. Samuel Gasman e David dos Santos assumiram a direção de carnaval. Para seu retorno a segunda divisão e à Marquês de Sapucaí, a escola escolheu um enredo sobre o ato de rezar em diferentes religiões. Em 17 de agosto de 2024, morreu Silvio Santos, homenageado pela escola no carnaval de 2001. O popular samba-enredo em homenagem ao apresentador foi cantado antes do desfile de 2025. No julgamento oficial do carnaval, a Tradição se classificou em décimo terceiro lugar, sendo rebaixada de volta à terceira divisão. Premiado com o Estandarte de Ouro, o samba-enredo foi o único quesito em que a escola conseguiu a pontuação máxima.
Para o carnaval de 2026 a Tradição modificou parte de sua equipe. A escola contratou o mestre de bateria Renatinho do Batuque e promoveu seu segundo casal Gabriel Galvão e Thaissa Soares ao posto de primeiro. Lico Monteiro voltou a ser intérprete oficial da agremiação, substituindo Tuninho Jr. A Tradição escolheu um enredo em homenagem à apresentadora de televisão e empresária Gardênia Cavalcanti. Com o desfile, a escola se classificou em décimo segundo lugar.
A Tradição manteve a mesma equipe para o carnaval de 2027 e escolheu um enredo em homenagem à modelo e apresentadora Nicole Bahls.
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