Eulemur macaco é uma espécie de lêmure (lémure) pertencente à família Lemuridae. É conhecido como Lêmure-negro ou lémure-negro.

Eles vivem na ilha de Madagascar principalmente no norte, e tem relações simpátricas com algumas outras espécies.

O termo lêmure vem dos lemuresda mitologia romana que eram almas dos mortos e faziam ruídos semelhantes aos dos lêmures atuais. O nome específico, macaco, deriva do fato de este ser um primata prossímio.

Como a maioria dos prossímios, os lêmures-negros usam o olfato como um método primário de comunicação, por isso usam muitas glândulas para soltar substâncias odoríferas que atrairão ou mostrarão para outros lêmures que esse local tem dono.

Esse lêmures são de socialização até considerável, vivendo em grupos de até 15 indivíduos. Quem domina são as fêmeas, que é comum nos lêmures porém não é comum entre os primatas. Por ser dessa forma sociável, eles estão espalhados por boa parte dos zoológicos no mundo.

São considerados Vulneráveis pela IUCN, por apresentar uma extensão em início de declínio junto com a população, mas esse fator não traz muita preocupação, pois estes lêmures estão se adaptando bem a vida em cativeiro.

História e evolução Os primatas parecidos com os atuais lêmures (lemuroides, lemuriformes), surgiram no início do Eoceno e viveram até o final do Mioceno (23,7 – 5,3 Ma).

Os prossímios são uma antiga subordem de primatas caracterizada por focinhos e caudas longas, além de, nas espécies mais primitivas, por uma tendência à disposição lateral dos olhos muito similar a dos atuais lêmures, que anteriormente dominaram as florestas do norte da América, da Ásia e da Europa durante o Eoceno (57,8 - 36,6 Ma). miniaturadaimagem|200x200px|Detalhe da cabeça Seu domínio, sendo comuns e bem espalhados, em um relativamente homogêneo conjunto de espécies deu-se no início da era Cenozoica, mas sua decadência foi veloz, terminando há aproximadamente 30 milhões de anos, no Oligoceno (36,6 – 23,7 Ma), quando novas espécies evoiluíram, gerando a atual diversidade de primatas, o aparecimento do que chamamos de macacos verdadeiros. A bifurcação da ordem dos Prossímios nas suas duas sub-ordens, Prossímios e Antropoides, é estimada como tendo ocorrido há aproximadamente 40 milhões de anos. O fóssil mais antigo conhecido é o Eosimias, do Eoceno da China. Neste processo de bifurcação, surge a característica fundamental que irá distinguir os antropoides dos outros primatas, que é o desenvolvimento do crânio (permitindo e associado a um maior volume cerebral) em detrimento da face.

Suas atuais formas preservaram-se em Madagascar, na região tropical da Ásia e nas Filipinas e proximidades. Em Madagascar, tal preservação deu-se pela sua separação do continente africano no início do Cenozoico (aproximadamente 68 Ma) e pelo pouco desenvolvimento de mamíferos predadores, permitindo sua conservação e inclusive a diversificação em outras formas, ou seja, em espécies de diferentes hábitos, adaptações e tamanhos (incluindo formas gigantes, como o Megaladapis, ou "lêmur gigante").

Características gerais Os lêmures-negros vivem em grupos de dois até quinze indivíduos, com adultos machos e fêmeas em igual número, juntamente com seus filhos. Os lêmures-negros machos têm uma pelagem de castanho-escuro a preto com tufos negros e olhos amarelo alaranjado, enquanto isso as fêmeas são muito diferentes: as lêmures-negras são douradas nas costas e na cabeça, têm cor marrom e tons dourados nas pernas, com pele pálida nos braços, e a cauda um castanho escuro.

Taxonomia O lêmure-negro (Eulemur macaco) é uma espécie de lêmure da família Lemuridae. Originalmente, a espécie foi dividida em duas subespécies, Eulemur macaco macaco e Eulemur macaco flavifrons.

O eulemur macaco flavifrons é o único primata além dos humanos que tem olhos azuis, enquanto que E. macaco tem marrom ou laranja, e tufos na orelha. Ambas as espécies vivem no noroeste de Madagascar. E. macaco ocorre em florestas úmidas da região Sambirana de Madagáscar e nas ilhas próximas. E. flavifrons é restrita à Península Sahamalaza e florestas adjacentes. Há relatos de hibridização das duas espécies na Reserva Especial de Manongarivo. 200px|right|thumb|Um lêmure-negro macho

A atual separação dos gêneros dos lemurídeos está desse modo:

Família Lemuridae Gênero Eulemur Eulemur albifrons Eulemur albocollaris Eulemur cinereiceps Eulemur coronatus Eulemur collaris Eulemur fulvus Eulemur macaco Eulemur macaco macaco, lêmure-negro Eulemur macaco flavifrons, Lêmure-negro-de-olhos-azuis Eulemur mongoz Eulemur rubriventer Eulemur rufus Eulemur sanfordi

thumb|right|200px|É notável a diferença entre um macho e uma fêmea de lêmures-negros

Descrição física O lêmure-negro está entre 90 e 110 centímetros de comprimento, dos quais 51-65 centímetros são de cauda. Seu peso geralmente varia entre 1,8 e 2,0 kg. Esse lêmure exibe dimorfismo sexual na coloração. Os machos têm pêlo chocolate preto ou escuro, enquanto as peles das fêmeas é de uma leve coloração marrom, geralmente castanho médio, castanho claro ou até marrom-alaranjado. Machos de E. m. macaco tem grandes tufos e uma orelha preta, enquanto as fêmeas de E. m. macaco tem grandes tufos e orelha branca. A única outra espécie de Eulemur que ocorre em intervalo intra-taxon dos lêmures-pretos é o lêmure-marrom, Eulemur fulvus, que coincide com E. macaco na borda extrema sul e leste de Madagascar, e os lêmures-da-barriga-vermelha, E. rubriventer, no Maciço Tsaratanana. E. fulvus e E. rubriventer têm uma coloração diferente e não mostram um dimorfismo sexual extremo como o do E. macaco, fazendo confusão entre o lêmure-negro e outras espécies de pelagem preta.

Ecologia O país com a maior diversidade de fauna e flora em todo o planeta, é Madagascar, abrigando milhares de espécimes de pássaros, répteis e anfíbios, muitos deles existentes apenas em seu território (como o lêmure), fundamentais para a vida das florestas. São os lêmures que distribuem as frutas existentes pelas selvas do país, através das sementes que não são digeridas por eles, e saem em suas fezes, renovando o ciclo da maioria das árvores do local. A região onde esses lêmures ficam tem uma varição anual de −8 °C a 48 °C.

Alimentação O lêmure-negro come principalmente frutas, que representa 78% de sua dieta. Eles são herbívoros, assim como folívoros e nectarívoros. Durante a estação das chuvas, sua alimentação parece consistir principalmente de frutas. Eles também comem cogumelos e diplópodes que são artrópodes que inclui os embuás, piolho-de-cobra e gongolôs (no sul de Moçambique, congolote).

Logo no início da estação seca, uma parte significativa de sua dieta vem a partir do néctar das flores. Outras coisas incluídos na dieta seca são vagens de sementes, folhas e flores.

Relações com outras espécies No habitat deste lêmure-negro, há alguns locais que outras espécies de lêmures podem viver no mesmo território, como exemplo mais comum é o E. fulvus e o E. rubriventer. O Lemur catta, às vezes também pode ser encontrado na área dos lêmures-negros.

150px|left|thumb|A subespécie do E.macaco, o lêmure dos olhos azuis

O lêmure-de-barriga-vermelha pode ser encontrado em todos os níveis de forrageamento da floresta, incluindo a parte terrestre, ou seja, no solo, e foi registrado que se alimenta de mais de 70 diferentes espécies vegetais ao longo de um ano, incluindo a goiaba chinesa introduzida há tempos no seu habitat (Psidium cattleyanum). Alimenta-se principalmente dos frutos, mas também se alimentam de flores e folhas, dependendo da época. Invertebrados como centopéias também compõem uma pequena parte da sua dieta. É por essa razão principal que os E. rubriventer alojam-se em grande parte perto das localidades dos E. macaco, sendo espécies com relações simpátricas.

O lêmure-marrom come os mesmos alimentos que o lêmure-negro e o lêmure-de-barriga-vermelha: Frutas, folhas maduras, flores, casca, seiva, solo, insetos, centopeias e miriápodes. Esta espécie tem uma distribuição disjunta, nomeadamente, encontrada no norte de Madagascar no rio Betsiboka, em planaltos florestais dispersos, e na parte norte do rio Mangoro.

Biólogos e cientistas, então viram que esses três lêmures possuem o mesmo hábito, mesma dieta, e o local onde eles encontram tais suprimentos para viver é o local onde há coexistência desses três. Por isso se diz que essas três espécies tem relações intra-específicas.

Comportamento e habitat O lêmure-negro mora tanto nas florestas primárias e secundárias. É ativo tanto durante o dia quanto durante a noite. Eles vivem em ambos os dossel superior e médio, especialmente à noite, e durante o dia vive no inferior, chamado de sub-bosque. Em habitats degradados, habita o chão e pode até mesmo comer terra (geofagia). O lêmure-negro vive em grupos, com número aproximadamente igual de machos e fêmeas, e o tamanho médio do grupo é de cerca de 10 membros, embora a média pode ser menor para a subespécie E. m. flavifrons. As fêmeas são dominantes sobre os machos, apesar de lutas intergrupo serem raras.

Os territórios do grupo tem cerca de 3,5 a 7 hectares. A densidade populacional pode chegar a 200 animais por quilômetro quadrado.

Reprodução Período de gestação Acasalamento Intervalo de procriamento Número de filhos Tempo para o desmame Peso ao nascer 120 à 129 dias Junho e julho Anualmente De 1-2 5 a 6 meses 79,67 gramas em média

O acasalamento ocorre geralmente em abril e maio. Durante a época de acasalamento, o antagonismo entre os membros do sexo masculino aumenta, e acaba gerando uma discordância entre os grupos. Após uma gestação de aproximadamente 125 dias, um único filhote é geralmente nascido entre o final de agosto e início de outubro e isso ocorre com fêmeas normalmente de dois anos de idade. O sistema de acasalamento desses animais ainda está sobre estudo. No estado selvagem, os grupos variam em tamanho de dois a quinze indivíduos. As fêmeas são dominantes para os machos, e pode haver alguma troca de adultos entre os grupos. Em cativeiro, as fêmeas têm a sua escolha de companheiros. A partir desta informação, parece provável que a reprodução é poligâmica. Lêmures-negros procriam sazonalmente em junho e julho. O nascimento ocorre após um período de gestação de 120 a 129 dias. Os filhotes pode ser gêmeos, que serão criados pela fêmea. Os jovens são desmamados aos cinco ou seis meses de idade. A maturidade sexual é atingida por cerca de dois anos de idade.

Esses animais são vivíparos pois a reprodução é feita por animais dioicos, a fecundação é interna, e o embrião é alimentado por material nutritivo advindo da mãe, que é a placenta.

Bebês podem ser encontrados agarrados a barrigas de suas mães durante as primeiras três semanas. A cerca de três semanas de idade, os lêmures jovens começam a andar em volta de sua mãe logo depois de aprenderem seus primeiros passos. A mãe continua a cuidar e vigiar seus filhos até os 5 ou 6 meses de idade. A mães proporcionam higiene, proteção e transporte para os seus jovens, bem como a socialização destes. O papel dos machos no cuidado parental não é claro, embora haja algumas evidências de que os machos podem ser infanticidas em cativeiro, ou seja, matar seus próprios filhotes ou os filhotes dos outros lêmures não-parentes. Eles em estado selvagem podem fazer o papel de proteção da família e da sua prole.

Outra característica importante é que os lêmures-negros são poligâmicos, ou seja, as fêmeas podem ter vários parceiros ao mesmo tempo, e outra importância é que em alguns cativeiros, foi descrito que a fêmea escolhe seus parceiros, o que raramente ocorre no meio natural.

Socialização thumb|right|200px|O lêmure esfregando o pulso para marcar o território