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Palestina (em árabe: فلسطين, translit. Filasṭīn; em hebraico: פלשתינה; em grego: Παλαιστίνη, transl. Palaistinē, e em latim: Palæstina), também chamada de Palestina histórica, é a denominação dada a uma região do Levante no Oriente Médio situada entre a costa oriental do Mediterrâneo, englobando os territórios da Jordânia e Israel, Líbano e os territórios da Faixa de Gaza e Cisjordânia.
A Palestina tem sido um ponto de encontro de religião, cultura, comércio e política. Sendo o berço do judaísmo e do cristianismo.
É habitada desde a Antiguidade e disputada por diversos impérios ao longo da historia, por se tratar de uma região de passagem importante entre África, Ásia e Europa. Já estando sobre o controle dos impérios; Egípcio, Hitita, Assírio, Neobabilônico, Persa Aquemênida, Macedônio (de Alexandre, o Grande), além dos impérios Ptolemaico e Selêucida. A breve dinastia Asmoneia terminou com sua incorporação ao Império Romano e, posteriormente, ao Império Bizantino, período em que a Palestina se tornou um centro do cristianismo. No século VII, a Palestina foi conquistada pelo Califado Ortodoxo, encerrando o domínio bizantino na região; o governo ortodoxo foi sucedido pelos califados Omíada, Abássida e Fatímida. A regiao mudou de mãos durante as Cruzadas com o estabelecimento do Reino de Jerusalém. Com o colapso deste ultimo, no século XIII, passou a integrar o Sultanato Mameluco do Cairo e, após 1516, permaneceu por quatro séculos como parte do Império Otomano.
Durante a Primeira Guerra Mundial, a Palestina foi ocupada pelo Reino Unido como parte da campanha do Sinai e Palestina. Entre 1919 e 1922, a Liga das Nações criou o Mandato Britânico da Palestina, que ficou sob administração britânica até 1948. Que terminou com o estabelecimento do moderno Estado de Israel na maior parte do território, enquanto os países vizinhos, Jordânia e Egito, passaram a controlar a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, respectivamente.
A Guerra dos Seis Dias, em 1967, resultou na ocupação israelense de ambos os territórios, questão que permanece como um dos principais pontos do conflito entre Israelenses e Palestinos .
Etimologia Um dos primeiros nomes recebidos pela região da Palestina foi Canaã, que podia englobar uma área maior do que a delimitação posteriormente dada à Palestina. Lá habitavam diversos povos semíticos com hábitos, tanto sedentários quanto de pastoralismo nômade, que receberam a denominação comum de Cananeus, provavelmente sendo originários da cultura ghassuliana no quarto milênio a.C.
Durante a Idade do Bronze, a região foi primeiramente colonizada e ocupada pelo Cananeus, Egípcios, Hititas e Hurritas que disputavam entre si e travaram importantes batalhas, entre elas a Batalha de Megido (séc. XIV a.C.) a Batalha de Cades (séc. XIII a.C.).
Eventualmente com o fim da Idade do Bronze a região passou por uma serie de invasões dos chamados Povos do Mar, que culminou no colapso do Império Hitita e em conflitos com o Antigo Egito. A origem dos Povos do Mar é incerta e fonte de grande debate acadêmico, sendo tratada como uma das maiores e mais importantes questões da etnografia e da história primitiva das nações clássicas.
Sua provável origem é creto-miceniana, sendo possivelmente os ancestrais dos antigos gregos denominados Pelasgos (em grego: Πελασγοί, Pelasgoí, singular Πελασγός, Pelasgós), e estes se estabeleceram em várias partes do litoral sul do mar Mediterrâneo, incluindo a área hoje conhecida como Faixa de Gaza, região então dominada pelo Império Egípcio. Onde seriam enfrentados pelo faraó Ramessés III na Batalha do Delta que aconteceu em cerca de 1175 a.C.
Uma parte ou a totalidade desses povos que enfrentaram o Egito, conseguiu ocupar e colonizar a região, sendo chamados pelos egípcios de Peleset (Antigo egípcio: pwrꜣsꜣtj) ou Pulasati, sendo posteriormente chamados de Palastu pelos assírios.Donald A. Mackenzie, The Myths of Babylonia and Assyria, Chapter XVIII: The Age of Semiramis [em linha]
Com o contato com outras civilizações, como a grega e romana, o termo começou a ser transliterado de Peleset do Egípcio Antigo e Palastu do Acádio, para Philistiim (Φυλιστιείμ) no Grego Koiné, para Philistinoi no Grego Tardio, para Philistinus no Latim Clássico e eventualmente chegando ao termo português "Filisteu" e a outras línguas modernas através desse processo. Também sendo chamado de Pəlištī (פְּלִשְׁתִּי; plural Pəlištīm, פְּלִשְׁתִּים) no Hebraico e Filasṭīn (فلسطين) em Árabe.
A região começou a ser chamada dessa forma por esses povos antigos, tendo como significado "A terra dos Peleset". Tendo portanto a palavra Palestina, o significado de "Terra dos Filisteus". MASALHA, Nur. Palestina: quatro mil anos de história. Monitor do Oriente, 2023.
O termo foi amplamente utilizado da Antiguidade por historiadores como Heródoto (séc. V a.C.), e Plínio, o Velho (séc. I). Bem como por historiadores judeus da Antiguidade, como Flávio Josefo (séc. I) e Fílon de Alexandria (séc. I).
A região também foi citada por Aristóteles no séc. IV a.C. em sua celebre obra Meteorológicos, onde faz clara referência ao Mar Morto. "E se [de facto] existe na Palestina, como alguns contam, um lago tal que, se alguém atira nele um homem ou animal de carga amarrado, este flutua e não se afoga na agua, [tal] seria também algum testemunho do que dissemos" É importante ressaltar que o termo era usado pelos antigos autores para descrever uma região mais abrangente que a Judeia. Que viria a se tornar uma província romana, sendo posteriormente renomeada para Síria Palestina enquanto divisão territorial de Roma. Sendo falsa portanto a afirmação de que a região seria chamada de Palestina unicamente como forma de humilhar os judeus durante a reconquista da região pelo Imperador Adriano após a Revolta de Bar Kokhba em 135 a.C. Uma vez que, a região já era chamada Filisteia (Palestina) por autores anteriores a Adriano, como Heródoto e Aristóteles. Sendo chamada dessa forma por seus contemporâneos, como Flávio Josefo e Fílon de Alexandria, ambos judeus. E continuou a ser chamada dessa forma por autores em períodos posteriores como Epifânio de Salamina, já no século IV d.C., quase 200 anos após a morte do Imperador Adriano. miniaturadaimagem|Mapa da Palestina - Atlas Johnson - Publicado pela Johnson and Ward (1864). O termo Palestina foi amplamente utilizado ao longo da historia, estando presentes em diversos mapas, como os produzidos por autores islâmicos entre eles Cátibe Cheleb por volta do ano de 1640, em sua obra Cihannüma (ou Kitab-ı Cihannüma, que significa "O Espelho do Mundo" ou "Vista do Mundo").
E por autores ocidentais, sendo publicados por diversos Atlas, como o Atlas Johnson em 1864 ou pelos produzidos pelo cartografo americano Samuel Augustus Mitchell em 1864.
História
Resumo esquerda|thumb|Área geográfica da Palestina, conforme definida pelo Império Bizantino, no final do , com as fronteiras das dioceses da Palestina Prima e Palestina Secunda
A Palestina, sendo um estreito trecho de passagem favorável entre a África e Ásia, foi palco de um grande número de conquistas pelos mais variados povos, por se constituir num corredor natural para os antigos exércitos. Em meados do , a região é conquistada pelo faraó Tutemés III, mas seria perdida antes do fim da XVIII dinastia, sendo posteriormente reconquistada por Seti I e por Ramessés II.
Com o enfraquecimento do poder egípcio em finais do , a região foi invadida pelos Povos do Mar. Um desses povos, os filisteus, fixou-se junto à costa, onde construiu pequenas cidades. Contemporânea a esta invasão é a chegada das tribos hebraicas, lideradas por Josué, de acordo com a narrativa bíblica. Sua instalação no interior gerou guerras com os filisteus, que se recusam a aceitar a presença hebraica.
As tribos hebraicas decidem então unir-se para formar uma monarquia, cujo primeiro rei é Saul. O seu sucessor, David (início do ) derrota finalmente os filisteus e fixa a capital do reino em Jerusalém. Durante o reinado do seu filho, Salomão, o reino vive um período de prosperidade, mas com a sua morte é dividido em duas partes: a norte, surgirá o reino de Israel (com capital em Samaria) e a sul, o reino de Judá (com capital em Jerusalém).
Existe também a interpretação errônea, partindo da narrativa bíblica, de que todo o território da Palestina seria, desde o princípio, parte do Antigo Reino Unido de Israel e Judá, (1050 - 930 a.C.) e que posteriormente foi dividido em Reino de Israel (930–722 a.C.) e Reino de Judá (930–586 a.C.). Existem exageros nessa narrativa, tanto a nível territorial quanto dos feitos e riquezas, principalmente no que diz respeito ao reinado do Rei Salomão, cujo reino teria tido a maior extensão territorial obtida pelos israelitas (Livro de Reis - 1 Reis 4:20-7:12). Porém, de acordo com os achados descobertos nos sítios arqueológicos de Khirbet Qeiyafa, Humayma, Nippur, dentre outros, a dimensão geográfica desses reinos bem como suas riquezas, seria bem reduzida durante o período dos acontecimentos descritos. Não havendo menção do poder do Reino de Salomão, nos locais que o Livro de Reis (1 Reis 4:20-7:12) descreve, quer seja nos sítios arqueológicos presentes em Israel, Jordânia, Iraque ou Egito, ou nos relatos dos outros povos. O que seria atípico para um rei poderoso da época e favorecendo o entendimento que se trata de uma narrativa criada para servir de Mito Nacional. miniaturadaimagem|508x508px|Batalha do Delta - Luta entre os Povos do Mar e o Antigo Egito, por volta de 1175 a.C - em Medinet Habu. miniaturadaimagem|Peleset capturado pelos Egípcios - Batalha do Delta - cerca 1175 a.C - Medinet Habu. Além disso, durante o período descrito na narrativa bíblica, existe a presença de diversos anacronismos. Os povos Filisteus aparecem no Livro de Genesis (20-21 e 26) onde são narradas as crônicas de Abraão, que teriam ocorrido por volta de 2000 a.C. a 1800 a.C. Contudo, diversas evidencias arqueológicas derivadas do antigos egípcios, povo que documentava com grande riqueza de detalhes os acontecimentos da época, sugerem que os Filisteus, seriam provenientes dos Povos do Mar (Peleset), que só apareceriam na região por volta do ano 1200 a.C. O que é corroborado com achados dos povos Hititas, que coexistiram e enfrentaram os egípcios na região. Havendo, portanto, uma diferença de mais de 600 anos entre a narrativa bíblica e as evidencias arqueológicas, presentes no sitio arqueológico de Medinet Habu, nos murais sobre o reinado de Remesses III, e seu enfrentamento com os Peleset na Batalha do Delta.Jean Nougaryol et al. (1968) Ugaritica V: 87-90 no.24; letter RS 18.147
Já no Livro de Josué, durante o período descrito na narrativa bíblica, a região também englobava o Reino da Filisteia, o Reino de Amom, o Reino de Moabe, o Reino Arameu, o Reino de Amaleque e o Reino de Edom. Descrevendo os israelitas como um povo que chegou a região guiados por Moisés, e posteriormente comandados por Josué, e que teriam feito incursões na região e estabelecido seu domínio, lutando contra os reinos que ali estavam. Contudo, as evidências arqueológicas sugerem que os diversos povos cananeus teriam se segmentado e formado diferentes reinos, como os descritos anteriormente. Sendo os israelitas também um desses povos, que, enfrentando a chegada dos Povos do Mar, e com o enfraquecimento do Antigo Egito, teriam então se unificado. Não havendo evidencias de uma incursão israelita vinda de fora, muito menos de uma conquista, mas sim de uma ramificação dos povos cananeus que criaram uma identidade própria a partir da adoração de um único deus, no caso Javé.
O que também desmentiria a narrativa do Êxodo, uma vez que décadas de escavações no Egito e na Península do Sinai não revelaram nenhuma evidência de milhões de pessoas vagando por 40 anos no deserto. O Império Egípcio, controlava a região de Canaã, durante o final da Idade do Bronze (período em que o Êxodo é tipicamente situado), tornando uma fuga para aquela região ilógica.