A Escola de Belas Artes é uma unidade do Centro de Letras e Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, localizada na cidade do Rio de Janeiro, Brasil. Fundada oficialmente em 1816, a Escola já teve diversos nomes e funcionou ora como instituição independente, ora integrando outras instituições. Sua história, e as alterações de seu nome, refletem as transformações registradas pela História do Brasil e constitui um dos mais importantes organismos culturais do país.

É um importante ponto cultural da Cidade Universitária, com galerias, museu e bibliotecas, e funciona, desde 1975, no Edifício Jorge Machado Moreira, inicialmente projetado para ser sede apenas da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo.

A Escola de Belas Artes oferece 13 cursos de graduação: Artes Cênicas - Cenografia, Artes Cênicas - Indumentária, Artes Visuais - Escultura, Artes Visuais - Gravura, Comunicação Visual Design, Conservação e Restauração, Design Industrial, Design de Interiores, História da Arte, Licenciatura - Artes Visuais, Licenciatura - Expressão Gráfica, Paisagismo e Pintura. Para maiores informações sobre os cursos, veja a página da Escola.

Além dos cursos de graduação, a Escola de Belas Artes oferece também cursos de pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado).

Em 2025, dois programas de Pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado) funcionam na escola: o PPGAV e o PPGD. O Programa de Pós-graduação em Artes Visuais (PPGAV, criado em 1985) da Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro oferece regularmente cursos de Mestrado e Doutorado Acadêmico em Artes Visuais, credenciado pela CAPES/MEC. Linhas de pesquisa: História e Crítica da Arte, Imagem e Cultura, Linguagens Visuais e Poéticas Interdisciplinares. O Programa de Pós-graduação em Design (PPGD, criado em 2016). Linhas de Pesquisa: Design e Cultura e Imagem, tecnologia e projeto.

Em todo o Brasil, o ensino de arte apresenta ligações diretas com as movimentações sociais que presencia. Dessa forma, os currículos dos 13 cursos de graduação da Escola de Belas Artes apresentam reformas a cada década, para que sejam feitas atualizações necessárias.

Antecedentes

Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios – 1816 - 1822 Academia Imperial de Belas Artes – 1826 - 1889 Escola Nacional de Belas Artes – 1890 - 1965 Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro - 1965 em diante

História Antecedentes e Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios

Em 20 de novembro de 1800, por carta régia, foi estabelecida no Rio de Janeiro, por ordem do Príncipe Regente, a Aula Prática de Desenho e Figura, a primeira medida concreta para a evolução do ensino de artes na Colônia, dada por meio de sua sistematização e pela difusão e fixação da arte em si. Em 12 de agosto de 1816, D. João, já soberano do Reino Unido, por Decreto, criou a Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios, sob orientação de Joachim Lebreton, membro da Missão Artística Francesa, sendo implantada oficialmente a educação artística no Brasil.DECRETO por meio do qual o príncipe regente estabelece a Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios, e concede mercê de pensões a vários estrangeiros que seriam empregados na instituição. 12 de agosto de 1816, Arquivo Nacional, Fundo Tesouro Nacional, códice 62, v. 2, f. 30, 31.

miniatura|direita|200px|Folha de rosto dos Estatutos da Imperial Academia e Escola das Bellas Artes (1820). A Academia Imperial de Belas Artes

Em 5 de novembro de 1826 foi inaugurada a Academia Imperial de Belas Artes pelo imperador dom Pedro I, em prédio projetado por Grandjean de Montigny no becco das bellas artes no Rio de Janeiro, situado próximo ao Rossio, atual praça Tiradentes, no centro da cidade do Rio de Janeiro. O edifício, um dos marcos da arquitetura neoclássica no Brasil, seria demolido em 1938, durante o Estado Novo por decreto de Getúlio Vargas. As origens de sua fundação são devido à morte de Lebreton, em 1819, e sua substituição na direção da Academia pelo pintor português Henrique José da Silva.Almeida, Bernardo Domingos de. "Portal da antiga Academia Imperial de Belas Artes: A entrada do Neoclassicismo no Brasil". In: 19&20. Rio de Janeiro, v. III, n. 1, jan. 2008miniaturadaimagem|Entrada da Academia Imperial de Belas Artes, em 1891. Fotografia de Marc Ferrez. A Escola Nacional de Belas Artes

Com a Proclamação da República (1889), a partir de 8 de novembro de 1890, a Academia Imperial de Belas Artes foi transformada em Escola Nacional de Belas Artes. Em 1931, a escola passou a integrar a Universidade do Rio de Janeiro e, em 1937, a Universidade do Brasil. Em 1949, foi introduzida a disciplina de Indumentaria Histórica, pela cátedra Sophia Jobim, sendo a primeira da área na América do Sul.joaosextoseminario.files.wordpress.com - pdf Sophia Jobim e a origem do curso de Artes Cenicas na M.N.B.A

Escola de Belas Artes Em 1965, teve o seu nome alterado mais uma vez, quando passou a chamar-se apenas Escola de Belas Artes, incorporada a Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em 2025, a EBA é dirigida pela professora Madalena Ribeiro Grimaldi, tendo como vice-diretora a professora Larissa Dias.

Edifício Jorge Machado Moreira (JMM) Em 2025, a Escola de Belas Artes funciona no Edifício Jorge Machado Moreira (JMM). O prédio, planejado pelo arquiteto que lhe dá nome e a equipe do Escritório Técnico Universitário (E.T.U.B.), foi originalmente criado para abrigar a Faculdade Nacional de Arquitetura. Sua construção teve início no final dos anos 1950 como parte do plano de migração da Universidade do Brasil para a Cidade Universitária (Ilha do Fundão). miniaturadaimagem|Acesso principal ao edifício JMM e Biblioteca Integrada A fachada principal do bloco mais baixo contém um um painel artístico feito por Roberto Burle Marx, paisagista que também planejou os jardins da edificação.

A estrutura foi a segunda a ser ocupada na Cidade Universitária. A mudança do curso de Arquitetura da Faculdade da Praia Vermelha para a ilha ocorreu em julho de 1961. Na década de 1970 foram transferidos para o prédio a estrutura da Reitoria, a decania do Centro de Letras e Artes (CLA) e a Escola de Belas Artes (EBA). Na década de 1980 a edificação veio a abrigar o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR).

Símbolo da arquitetura moderna brasileira, o edifício foi reconhecido ainda na época de sua construção. Foi premiado na IV Bienal do Museu de Arte Moderna de São Paulo e na IV Exposição Internacional de Arquitetura, em 1957.

Em 2016, o edifício recebeu tombamento municipal provisório pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), imediatamente após um incêndio que ocorreu no oitavo andar do bloco principal. Foi após seu tombamento que passou a ser chamado Edifício Jorge Machado Moreira (JMM), em homenagem ao arquiteto. A partir de então, diversos projetos e pesquisas têm sido desenvolvidos a fim de pensar a preservação da edificação. Um desses projetos é o Centro de Referência do Edifício Jorge Machado Moreira. Criado em outubro de 2022, tem como propósito contar a história do edifício e destacar sua importância.

Estrutura

Pamplonão (Ateliê de Pintura Candido Portinari) miniaturadaimagem|Pamplonão visto do mezanino O Pamplonão, oficialmente denominado Ateliê de Pintura Cândido Portinari, é um importante espaço de ensino artístico localizado na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Originalmente, o espaço era utilizado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ como ginásio esportivo. Em 1990, durante a gestão do ex-diretor e professor da Escola de Belas Artes/UFRJ, Fernando Pamplona, o local foi transformado em ateliê de pintura, passando a ser conhecido popularmente como Pamplonão, em alusão ao sobrenome do diretor.

Em 2008, o ateliê recebeu oficialmente o nome de Ateliê de Pintura Candido Portinari, em homenagem ao pintor brasileiro Candido Portinari, que foi ex-aluno da universidade. Na mesma ocasião, foi inaugurada a Galeria Macunaíma, localizada na entrada do ateliê. O espaço foi criado para relembrar a histórica galeria homônima fundada pelo Diretório Acadêmico da Escola Nacional de Belas Artes no fim da década de 1950, quando a escola ainda funcionava em seu antigo prédio no centro do Rio de Janeiro. Em 2025 o Pamplonão está em reformas e os Ateliês de Pintura estão funcionando no 8o andar.

Laboratórios de Conservação e Restauração Em 2023, o Curso de Conservação e Restauração inaugurou três laboratórios, sendo eles voltados para Escultura (LaPECRE); Papel (LabPEL) e Pintura (LaRP e LECAD-M). Eles possuem espaços com anexos, com ênfase em reintegração volumétrica, exames com luzes especiais, aplicação de vernizes, uma reserva técnica e depósito para armazenamento e descarte de produtos químicos.

Museu Dom João VI

O Museu da Escola de Belas Artes D. João VI da Universidade Federal do Rio de Janeiro (MEBADJVI) foi criado em 1979 para preservar a memória do ensino artístico oficial e de fomentar o estudo e a pesquisa da História da Arte Brasileira.

A criação do museu foi uma resposta à necessidade da criação de um espaço institucional de preservação do patrimônio e memória do ensino de arte, reunindo a produção da Academia Imperial de Belas Artes, da Escola Nacional de Belas Artes e parte da história recente da Escola de Belas Artes.

Inicialmente o acervo era constituído pela coleção já existente da Academia Imperial de Belas Artes, sendo também acrescentada a coleção particular de Joachim Lebreton. Também conta com a incorporação de objetos produzidos pela escola e por doações.

O museu abriga dois acervos distintos, sendo um de obras de arte e o outro de documentos, fontes primárias indispensáveis para o desenvolvimento de estudos e projetos de pesquisa em arte, quer no campo teórico, quer no aplicado. Ambos os acervos são o resultado do patrimônio acadêmico produzido pela Escola no período compreendido, principalmente, entre 1820 e 1920. Suas coleções reúnem a evolução e a produção artística dos séculos XIX e XX no Brasil e, em especial, no Rio de Janeiro, e reúne produções das escolas europeias (Itália, França, Países Baixos, Espanha e Portugal) datadas a partir do século XVI.

Biblioteca de Obras Raras da Escola de Belas Artes (EBAOR/UFRJ) A EBAOR teve sua abertura no dia 20 de março de 1834 com o objetivo de organizar e preservar o acervo da biblioteca, que abrange livros, catálogos de exposições, teses antigas, dicionários, enciclopédias, e periódicos antigos. O início da construção do acervo da EBAOR originou-se com a vinda da Missão Artística Francesa para o Brasil em 1816. Após o Projeto de Reformulação do Museu Dom João VI em 2005 e com o desmembramento da antiga Biblioteca Nacional o acervo passou a ser voltado para a pesquisa da Escola de Belas Artes - UFRJ.

Biblioteca Integrada EBA / FAU/ IPPUR miniaturadaimagem|Interior da Biblioteca Integrada EBA / FAU / IPPUR A Biblioteca Integrada EBA / FAU/ IPPUR é um centro de conhecimento que reúne os acervos das três instituições acadêmicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) — o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR), Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (FAU), e a Escola de Belas Artes (EBA) — em um único local, localizado no segundo andar do Edifício Jorge Machado Moreira (JMM), no campus da UFRJ.<ref>VAINER, C. B. Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional – IPPUR/UFRJ. Acervo, [S. l.], v. 17, n. 1, p. 155–166, 2011. Disponível em: https://revista.an.gov.br/index.php/revistaacervo/article/view/179</. Acesso em: 12 nov. 2025.</ref>

A ideia de integrar os acervos das bibliotecas começou a ser desenvolvida no início dos anos 2000, inicialmente entre o IPPUR e a FAU, e posteriormente se ampliou com a participação da EBA. O objetivo era ocupar o espaço do Edifício Jorge Machado Moreira, destinado à abrigar a biblioteca da FNA.