Bedtime Stories é o sexto álbum de estúdio da artista musical estadunidense Madonna, lançado em 21 de outubro de 1994 através das gravadoras Maverick e Warner Bros. Para a sua produção, a cantora colaborou com Dallas Austin, Babyface, Dave "Jam" Hall e Nellee Hooper com o objetivo de alcançar um som mais convencional e atenuar sua imagem pública, após enfrentar reações negativas crítica e comercialmente por seus projetos sexualmente explícitos em 1992, notavelmente o álbum Erotica e o livro SEX. Essa transformação de imagem foi precedida pela balada "I'll Remember", para a trilha sonora do filme With Honors, e continuou com Bedtime Stories. Um álbum de música pop e de R&B, suas letras exploram temas como amor, tristeza e romance, mas com uma abordagem mais suave e reflexiva. Porém, em outras canções ela aborda a polêmica em relação às suas obras anteriores, que a crítica analisou como autobiográficas. Madonna também trabalhou com a cantora islandesa Björk na faixa "Bedtime Story", pois queria explorar a cena musical das boates do Reino Unido, onde gêneros como o dub estavam crescendo em popularidade.

De forma geral, Bedtime Stories obteve críticas favoráveis ​​de críticos e jornalistas especializados, que elogiaram os vocais, a produção e a composição da artista. Consequentemente, foi indicado a 38.ª edição dos Grammy Awards, na categoria Melhor Álbum Vocal de Pop. Do ponto de vista comercial, representou uma melhoria em relação ao álbum anterior, estreando no número três do Billboard 200 dos Estados Unidos, sendo certificado com platina tripla pela Recording Industry Association of America (RIAA). Ele também liderou a parada de discos do Brasil e se tornou o quinto álbum de Madonna em primeiro lugar na Austrália, além de alcançar os cinco primeiros em vários outros países. No total, Bedtime Stories já vendeu cerca de oito milhões de cópias em todo o mundo.

Para divulgar o material, foram lançados quatro singles: O primeiro, "Secret", deu a Madonna sua trigésima quinta faixa consecutiva a entrar nas dez melhores posições da britânica UK Singles Chart, enquanto "Take a Bow" passou sete semanas na liderança da estadunidense Billboard Hot 100; no entanto, os dois últimos, "Bedtime Story" e "Human Nature", não alcançaram o sucesso de seus antecessores. Para promover ainda mais o disco, Madonna apresentou suas músicas nos American Music Awards de 1995 e nos Brit Awards do mesmo ano. Uma turnê também foi planejada, mas não concretizada devido a artista adquirir o papel de protagonista no filme Evita (1996).

Publicado numa altura em que a comunicação social e o público continuavam a questionar a carreira da artista, esperavam que Bedtime Stories fosse divulgado como um pedido de desculpas depois de todos as polêmicas que a rodearam nos anos anteriores. No entanto, ela se recusou a demonstrar remorso e abandonou a provocação sexual, afirmando que havia sido mal interpretada. Após a sua publicação, alguns meios de comunicação reconheceram-no como um dos melhores álbuns de 1994 e a revista Slant incluiu-o entre os melhores da década de 1990. Em análises retrospectivas, numerosos críticos consideraram-no não apenas uma das melhores obras de Madonna, mas também um de seus materiais mais subestimados e progressistas.

Antecedentes e lançamento 180px|thumb|esquerda|Babyface (imagem), um dos produtores de Bedtime Stories. Em 1992, Madonna lançou seu controverso livro Sex e seu quinto álbum de estúdio Erotica, ambos os quais continham temáticas sexuais explícitas e de fantasias voyeurísticas, estrelando também o filme de terror erótico Body of Evidence. No primeiro semestre de 1994, sua aparição no Late Show with David Letterman foi notada por seu polêmico comportamento; na ocasião, ela fez uso de palavras obscenas diversas vezes, que tiveram de ser censuradas na televisão, entregando a Letterman uma calcinha supostamente usada e pedindo para que ele a cheirasse. Este foi o episódio de um talk-show mais censurado da história televisiva estadunidense, rendendo também ao programa uma de suas maiores audiências. Os lançamentos do livro, álbum e filme sexualmente explícitos e o comportamento desrespeitoso no programa de Letterman fizeram com que a mídia considerasse Madonna como uma renegada sexual. Críticos e fãs reagiram negativamente a conduta da cantora, ao comentarem que "ela tinha ido longe demais" e que sua carreira estava em declínio. Nas palavras de Joe Lynch, da Billboard: "Pela primeira vez em uma década de estrelato, as pessoas não estavam mais chocadas com suas travessuras e, pior ainda, estavam cansadas". Em meio ao ápice das críticas do público e da mídia em relação à sua imagem sexual, Madonna decidiu mudar sua personalidade. A primeira tentativa foi o lançamento da balada "I'll Remember" para a trilha sonora do filme With Honors, que foi bem recebida criticamente e comercialmente.

Sobre esse período de sua carreira, ela afirmou que houve um tempo em que "não dava para abrir um jornal ou uma revista e não ler algo incrivelmente contundente sobre mim. Sinto que fui mal interpretada. Tentei fazer uma declaração sobre se sentir bem consigo mesmo e explorar sua sexualidade, mas as pessoas entenderam que eu estava induzindo a que se saísse por aí fazendo sexo com qualquer um. Então decidi me desvencilhar porque era nisso que todo mundo acabava focando. Sexo é um assunto tão tabu e uma distração que prefiro nem mesmo aborda-lo". Durante 1994, Madonna começou a trabalhar em seu sexto álbum de estúdio; Para isso, ela se interessou em explorar novos estilos como hip hop, new jack swing e R&B contemporâneo, sons que dominavam as rádios e as paradas musicais da época. Além de querer "suavizar" sua imagem e apresentar um tom mais romântico. Partindo disso, ela então decidiu trabalhar com produtores conhecidos desses gêneros como Dallas Austin, Babyface e Dave "Jam" Hall, além do britânico Nellee Hooper. Tornou-se uma das poucas vezes que ela trabalhou com produtores conhecidos, a primeira desde Nile Rodgers em Like a Virgin (1984). Quando questionada sobre o disco, ela afirmou que queria que o público focasse nos aspectos musicais e deixasse as canções falarem por si, já que não estava interessada em dar muitas entrevistas ou ser capa de revistas. Ela o descreveu como "muito romântico" e uma "combinação de pop, R&B e hip hop". Em entrevista concedida à revista The Face e registrada no livro The Complete Guide to the Music of Madonna, Madonna explicou:

Produção e gravação

Madonna gravou Bedtime Stories com uma equipe formada por novos músicos e compositores, todos os quais ela ainda não havia trabalhado antes, em nove estúdios distintos: Axis Studios, The Hit Factory e Soundworks, localizados em Nova Iorque; Chappel Studios em Los Angeles; DARP Studios e Tea Room em Atlanta; The Enterprise em Burbank; The Music Grinder em Hollywood e Wild Bunch Studios em Londres. Inicialmente, a artista começou a trabalhar com Shep Pettibone, que co-produziu Erotica. No entanto, ela percebeu que ele estava tomando a mesma direção musical do anterior, o que a desagradou, então o retirou do projeto. Quando Bedtime Stories foi lançado, ela o agradeceu nos créditos por ter sido "compreensivo" com sua decisão. Na época, Madonna estava demasiadamente ouvindo "When Can I See You", de Babyface, e como queria "baladas pesadas" para seu disco, interessou em trabalhar com ele, cujas colaborações anteriores com artistas como Whitney Houston, Boyz II Men e Toni Braxton resultaram em canções de R&B suaves e bem sucedidas. Os dois trabalharam em três faixas em seu estúdio em Beverly Hills, das quais "Forbidden Love" e "Take a Bow" acabariam no álbum. Sobre o desenvolvimento dessa última, ele lembrou que tocou a base de alguns acordes e a cantora aprovou, então começaram a compor. Segundo o produtor, "era só um compasso e os acordes. A partir daí, colaboramos e construímos [...] eu não estava pensando tanto nas paradas musicais. Acho que fiquei mais impressionado com o fato de estar trabalhando com Madonna. No começo foi surreal, mas depois você conhece um pouco a pessoa, recupera o controle e é só trabalhar". Ela também expressou que para "Forbidden Love" ouviu o esboço e "tudo começou a sair", reconhecendo que foi um processo "muito mais fácil" do que pensava.

Através dele, ela encontrou-se com Dallas Austin, um jovem produtor musical de Atlanta, que tornou-se conhecido por seu trabalho em Ooooooohhh... On the TLC Tip (1992), álbum de estreia do grupo feminino TLC. Ambos criaram três faixas, "Secret", "Don't Stop" e "Sanctuary"; o primeiro foi originalmente produzido por Pettibone em uma demo sob o título "Something's Coming Over Me". No entanto, Austin reorganizou completamente a composição musical, pela qual recebeu os créditos junto com Madonna, e a versão final foi intitulada "Secret". Para "Survival", a abertura do álbum, as vocalistas de apoio da artista, Donna De Lory e Niki Haris, foram contatadas para fornecer harmonias. De Lory afirmou que as sessões duraram "algumas horas" e não houve retomadas, acrescentando que "no momento em que entramos [no estúdio], ela já nos ofereceu a folha com as letras. Essa era a atmosfera, não viemos apenas para passar tempo. É divertido, mas estamos aqui para trabalhar e fazer acontecer".

De acordo com a autora e biógrafa Lucy O'Brien, enquanto Madonna queria causar um "impacto" no mercado urbano, seu trabalho com produtores de R&B "subestimou suas limitações vocais". Na época, sua voz não era "poderosa o suficiente" para acertar as notas, então, ao procurar outra "fórmula" para o álbum, ela decidiu explorar a música das boates britânicas, cujos gêneros como o dub estavam ganhando popularidade com artistas como Björk e as bandas Massive Attack e Soul II Soul. Desta forma, colaborou com compositores e produtores europeus especializados em música eletrônica, entre os quais Marius de Vries e Hooper, de quem a cantora gostou pela sua "sensibilidade bem europeia" e a quem reconheceu como a maior influência no resultado final. Os três se conheceram em Los Angeles e as sessões de gravação aconteceram nos Chappell Studios em Encino durante o verão de 1994. Lá, Madonna e Hooper produziram "Survival", "Inside of Me" e "Bedtime Story"; esta última co-escrita pela islandesa Björk. Em relação a ela, Madonna a contatou por meio de suas conexões com Hooper e de Vries e a pediu para escrever algo para seu álbum. Apesar de não se considerar uma admiradora da música de Madonna, a islandesa aceitou a proposta e entregou aos produtores um disco demo com uma canção chamada "Let's Get Unconscious", que modificaram várias partes — pelas quais receberam créditos como autores — e a versão final foi intitulada "Bedtime Story". Trabalhando com várias pessoas, de Vries expressou que "é preciso ter cuidado para que [o disco] não acabe soando muito fora de foco", embora reconheça que foi Madonna, determinada a faze-lo "o mais perfeito possível", que manteve uma "visão geral" e resultou em um som "bastante coerente".

Estrutura musical thumb|150px|Meshell Ndegeocello contribuiu para a terceira música do álbum, "I'd Rather Be Your Lover". thumb|150px|A islandesa Björk é uma das compositoras de "Bedtime Story". thumb|150px|Os componentes do The_Isley_Brothers co-compulseram "I'd Rather Be Your Lover".