O Partido Liberal Democrata (PLD; em japonês: 自由民主党; rōmaji: Jiyū-Minshutō), também conhecido como Jimintō (em japonês: 自民党) ou LDP (sigla do inglês Liberal Democratic Party), é o principal partido político conservador e nacionalista do Japão. Desde sua fundação, em 1955, o PLD permaneceu no poder quase ininterruptamente (período conhecido como Sistema de 1955), com exceção dos intervalos entre 1993 e 1996 e novamente entre 2009 e 2012.

O PLD foi criado em 1955 a partir da fusão de dois partidos conservadores, o Partido Liberal e o Partido Democrata do Japão, formando uma frente unificada contra o Partido Socialista do Japão, e teve como primeiro líder o primeiro-ministro Ichirō Hatoyama. O partido apoiou a aliança do Japão com os Estados Unidos e promoveu uma estreita cooperação entre o setor empresarial e o governo japonês, desempenhando papel fundamental no milagre econômico japonês entre as décadas de 1960 e o início dos anos 1970, bem como na estabilidade política sob os governos de primeiros-ministros como Hayato Ikeda, Eisaku Satō, Kakuei Tanaka, Takeo Fukuda, e Yasuhiro Nakasone. Escândalos políticos e o colapso da bolha especulativa japonesa levaram o PLD a perder o poder em 1993 e 1994, governando sob um primeiro-ministro não pertencente ao partido até recuperar o governo em 1996. Em 1999, o partido formou a coligação PLD–Kōmeitō, que perdurou pelos 26 anos seguintes.

O PLD recuperou sua estabilidade durante o governo de Junichiro Koizumi, na década de 2000, conquistando um número expressivo de cadeiras nas eleições de 2005. Contudo, sofreu seu pior resultado eleitoral em 2009, quando o Partido Democrata do Japão conquistou a maioria parlamentar. Em 2012, sob a liderança de Shinzō Abe, o partido retomou o controle do governo com uma vitória esmagadora, embora tenha perdido cadeiras nas eleições subsequentes. Desde 2017, o Partido Democrático Constitucional do Japão tornou-se seu principal adversário na política nacional. Após as eleições de 2024 e 2025, o PLD perdeu a maioria em ambas as casas da Dieta Nacional, e sua coalizão com o Kōmeitō foi desfeita, levando à formação da coalizão com o Partido da Inovação do Japão. Sob a liderança de Sanae Takaichi, o partido recuperou a maioria na Câmara dos Representantes, conquistando o maior número de cadeiras da história eleitoral japonesa em 2026, com 316 assentos na Câmara dos Representantes e 101 assentos na Câmara dos Conselheiros.

O PLD é frequentemente descrito como um partido conservador pega-tudo ou mesmo como um “GOP nipônico”, abrigando facções que vão do conservadorismo moderado à extrema-direita, com a última sendo representada pela Nippon Kaigi. Embora não possua uma ideologia política totalmente coesa, sua plataforma historicamente defende o aumento de despesas com defesa, a revisão do Artigo 9 da Constituição para formalizar a condição das Forças de Autodefesa do Japão, a manutenção de laços estreitos com os Estados Unidos e, desde o século XXI, o fortalecimento das relações com seus aliados no Indo-Pacífico como forma de conter a ascensão da China como superpotência. A história e a estrutura interna do partido também são marcadas por um intenso faccionalismo, característica presente desde sua criação, em 1955.

O PLD não deve ser confundido com os extintos Partido Democrata do Japão (民主党; Minshutō) e Partido Democrata (民進; Minshintō). A sigla também não deve ser confundida com o Partido Liberal (自由党; Jiyūtō), existente de 1998 a 2003, ou com o Partido Liberal (自由党; Jiyū-tō), existente de 2016 a 2019.

História

Início

O PLD foi fundado em 1955, como resultado da fusão de dois partidos políticos japoneses: o Partido Liberal (liderado por Taketora Ogata) e o Partido Democrata do Japão (liderado por Ichirō Hatoyama). Ambos eram partidos conservadores e uniram-se em uma frente comum para enfrentar o então popular Partido Socialista do Japão, atualmente Partido Social-Democrata. O novo partido venceu as eleições seguintes, e o primeiro governo conservador majoritário do Japão foi formado ainda em 1955. O PLD manteria governos com maioria parlamentar de forma ininterrupta até 1993.

O PLD iniciou sua trajetória promovendo reformas na política externa japonesa, que incluíram a adesão do Japão à ONU e o estabelecimento de relações diplomáticas com a União Soviética. Seus líderes, durante a década de 1950, consolidaram o partido como a principal força governista do país. Em todas as eleições realizadas nessa década, o PLD conquistou a maioria dos votos, tendo como principais adversários apenas partidos de esquerda, especialmente o Partido Socialista do Japão e o Partido Comunista Japonês. Entre a década de 1950 e o início dos anos 1970, a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) destinou milhões de dólares para apoiar o PLD na disputa contra partidos de esquerda, como os socialistas e os comunistas. Esse apoio, entretanto, só veio a público em meados da década de 1990, quando foi revelado pelo jornal The New York Times. Muitos dos detalhes dessa operação continuam classificados, embora documentos já divulgados indiquem ligações com os governos dos primeiros-ministros Nobusuke Kishi e Eisaku Satō.

Décadas de 1960 a 1990 Durante a maior parte da década de 1960, o PLD e o Japão foram liderados pelo primeiro-ministro Eisaku Satō. Seu governo teve início com a realização dos Jogos Olímpicos de Verão de 1964, em Tóquio, e encerrou-se em 1972, período marcado pela política de neutralidade japonesa em relação à Guerra do Vietnã e pelo início da bolha especulativa dos ativos japoneses. Ao final da década de 1970, o PLD começou a entrar em um período de declínio. Embora continuasse no controle do governo, o partido passou a ser abalado por sucessivos escândalos, enquanto a oposição (agora reforçada pelo Kōmeitō) ganhava força. Em 1976, no decorrer dos escândalos de suborno da Lockheed, um grupo de jovens parlamentares do PLD na Dieta Nacional rompeu com o partido e fundou sua própria legenda, o Novo Clube Liberal. Cerca de uma década depois, esse partido foi reincorporado ao PLD.

No fim da década de 1970, o Partido Socialista do Japão, o Partido Comunista Japonês e o Kōmeitō, juntamente com a comunidade internacional, exerceram forte pressão para que o Japão rompesse suas relações diplomáticas com Taiwan (República da China) e passasse a reconhecer a República Popular da China. Em 1983, o PLD tornou-se um dos membros fundadores da União Democrática Internacional. No mesmo ano, sofreu uma perda significativa de assentos nas eleições gerais de 1983. Contudo, recuperou-se de forma expressiva nas eleições gerais de 1986, conquistando 300 assentos em uma vitória esmagadora. Entretanto, ao final da década de 1980, o PLD voltou a enfrentar dificuldades eleitorais, principalmente em razão da impopularidade de suas políticas de liberalização comercial e tributação, além de escândalos envolvendo seu líder, Sōsuke Uno, e o Escândalo Recruit. Nas eleições para a Câmara dos Conselheiros de 1989, o partido perdeu a maioria nessa casa legislativa pela primeira vez em 34 anos.

Período fora do poder Apesar de algumas perdas, o PLD conseguiu permanecer no poder após as eleições gerais de 1990. Em junho de 1993, contudo, dez membros de sua ala conservadora-liberal romperam com o partido para formar novas legendas. O fim do milagre econômico do pós-guerra, o colapso da bolha especulativa japonesa e fatores como o Escândalo Recruit contribuíram para que o PLD perdesse sua maioria nas eleições gerais de 18 de julho de 1993. Em seguida, sete partidos de oposição, incluindo várias legendas criadas por dissidentes do próprio PLD, formaram o Gabinete Hosokawa, liderado por Morihiro Hosokawa, do Partido Novo do Japão e ex-membro do PLD, que sucedeu Kiichi Miyazawa como primeiro-ministro. Ainda assim, o PLD permaneceu, de longe, o maior partido da Câmara dos Representantes, com mais de 200 assentos, enquanto nenhum outro partido ultrapassou a marca de 80 assentos. Yōhei Kōno assumiu a presidência do PLD, sucedendo Kiichi Miyazawa, tornando-se o primeiro líder do partido que não ocupava simultaneamente o cargo de primeiro-ministro, já que o PLD havia passado à oposição.

Em 1994, o Partido Socialista do Japão e outros partidos deixaram a coligação governista e juntaram-se ao PLD na oposição. Os integrantes remanescentes tentaram permanecer no poder por meio do governo minoritário de Tsutomu Hata, mas a iniciativa fracassou. Em seguida, o PLD e o Partido Socialista, adversários históricos por cerca de 40 anos, formaram uma coligação majoritária. Embora o Gabinete Murayama fosse dominado pelo PLD, o acordo permitiu que o socialista Tomiichi Murayama ocupasse o cargo de primeiro-ministro até 1996, quando foi sucedido pelo líder do PLD, Ryutaro Hashimoto.

1996–2009 Nas eleições gerais de 1996, o PLD recuperou parte de suas perdas, mas ainda ficou 12 assentos abaixo da maioria absoluta. No entanto, nenhum outro partido tinha condições de formar um governo, permitindo que Ryutaro Hashimoto estabelecesse um governo minoritário do PLD. Após uma série de mudanças de filiação de parlamentares, o partido recuperou sua maioria em menos de um ano. Em outubro de 1999, o PLD formou uma coligação com o Kōmeitō. Nas eleições gerais de 2000, o PLD perdeu várias cadeiras e passou a depender da coligação com o Kōmeitō para manter a maioria parlamentar. O pleito também consolidou o Partido Democrata do Japão como a principal força de oposição. Na eleição para a liderança do PLD em 2001, Junichiro Koizumi foi eleito com uma plataforma reformista, prometendo enfrentar a tradicional política de facções do partido. No mesmo ano, o PLD ampliou sua representação nas eleições para a Câmara dos Conselheiros, fortalecendo a posição de Koizumi. Contudo, nas eleições gerais de 2003, o partido não conquistou maioria própria, enquanto o Partido Democrata do Japão continuou ampliando sua presença parlamentar. Após projetos de lei para a privatização dos Correios do Japão serem rejeitados, Koizumi convocou eleições antecipadas em 2005. O PLD obteve uma vitória esmagadora, conquistando 296 cadeiras na Câmara dos Representantes. Koizumi também se recusou a apoiar 37 parlamentares de seu próprio partido que votaram contra a reforma postal, obrigando muitos deles a disputar a eleição como candidatos independentes. Koizumi aposentou-se da política em 2006, sendo sucedido por Shinzō Abe, vencedor da eleição para a presidência do PLD naquele ano. O partido permaneceu como a maior força política em ambas as casas da Dieta Nacional até as eleições para a Câmara dos Conselheiros de 29 de julho de 2007, quando perdeu a maioria na câmara alta.

Na eleição para a liderança do PLD, realizada em 23 de setembro de 2007, Yasuo Fukuda foi eleito presidente do partido, sucedendo Abe, que havia renunciado ao cargo. Fukuda derrotou Tarō Asō, obtendo 330 votos contra 197."Fukuda wins LDP race / Will follow in footsteps of father as prime minister" , The Daily Yomiuri, 23 de setembro de 2007. Fukuda renunciou inesperadamente em setembro de 2008, e Tarō Asō tornou-se primeiro-ministro após vencer a eleição para a presidência do PLD naquele ano, superando outros quatro candidatos. Nas eleições gerais de 2009, o PLD sofreu uma derrota histórica, conquistando apenas 118 cadeiras, o seu pior resultado de um governo em exercício na história política japonesa contemporânea e a primeira verdadeira alternância de poder no período pós-guerra. Assumindo a responsabilidade pelo revés, Tarō Asō anunciou sua renúncia à presidência do partido na própria noite da eleição. Em 28 de setembro de 2009, Sadakazu Tanigaki foi eleito o novo presidente do PLD.Sadakazu Tanigaki Elected LDP President Consultado em 6 de outubro de 2009.

2009–2024