Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos da Ponte é uma escola de samba de São João de Meriti, que participa do Carnaval Carioca.
Tendo participado do Grupo Especial algumas vezes, disputou os grupos menores durante quase duas décadas, sem grande destaque. Originária de São Mateus, já realizou seus ensaios no Centro de São João e no bairro carioca da Pavuna. No dia 8 de novembro de 2014, reinaugurou sua quadra em São Mateus. Esta fica localizada no prédio da antiga estação ferroviária do bairro, desativada em 1993.
História A escola foi fundada no dia 3 de novembro de 1952, pelas famílias Macário e Oliveira. Desfilou no município de São João de Meriti nos anos de 1954, 1955 e 1956, sagrando-se campeã desses desfiles.
Em 1957, por iniciativa de sua presidente Carmelita Brasil, a primeira mulher a dirigir uma escola de samba, a escola registrou seus estatutos filiando-se à AESCRJ. A partir de 1959, passou a desfilar na cidade do Rio de Janeiro. De 1959 a 1964 os enredos e sambas-de-enredo foram de autoria de Carmelita Brasil. esquerda|miniaturadaimagem|A Unidos da Ponte estreou no Sambódromo em 1984, mas acabou sendo rebaixada No ano de 1979, Édson Tessier foi eleito presidente. Com a colaboração de antigos dirigentes e com ajuda de novos adeptos, imprimiu um ritmo dinâmico à agremiação. Transferiu a quadra do bairro de São Mateus para o centro do município e conseguiu levar a escola ao grupo principal em 1983, pela primeira vez. Em 1984, a escola foi rebaixada; e em 1985, com o título do Grupo 1-B, voltou ao grupo principal em 1986, posição em que se manteve até 1989.
Em 1992, ainda com Tessier como presidente, a escola foi vice-campeã do então Grupo 1, e voltou ao Grupo Especial no ano seguinte até 1996, totalizando assim 10 participações nesse grupo. esquerda|miniaturadaimagem|Unidos da Ponte em 1995, novamente na elite do carnaval carioca Em 1995, exaltando o estado do Paraná, a escola trouxe alas de índios e de imigrantes (portugueses, alemães, poloneses, italianos, ucranianos, holandeses, sírio-libaneses, suíços, ingleses, israelenses, africanos e japoneses) que imitando a gralha, fecundaram os campos do Estado, recobrindo-os com o verde das plantações de trigo, algodão, café e soja. A bateria vestida de tropeiros foi o destaque. Comandadas por Mestre Pelé, ex-Beija-Flor, os ritmistas ajudaram a escola a conquistar o estandarte de ouro de melhor bateria.
No Grupo A, amargou em 1999 o primeiro rebaixamento para o Grupo B, o que foi algo inusitado pois naquele ano a escola seria rebaixada duas vezes seguidas no mesmo ano: algumas semana antes do Carnaval a Ponte conseguiu uma liminar que a autorizava a desfilar no Grupo Especial, o que fez a AESCRJ promover a Cabuçu para ocupar o seu lugar.
Porém, poucos dias antes do desfile a liminar foi derrubada e a escola teve que ser a última desfilar no Grupo A. Com uma escola a mais do que o previsto, o desfile, inicialmente previsto para a noite, foi realizado sob o sol forte das 8 da manhã, o que prejudicou bastante e fez a escola acabar rebaixada de novo.
A Ponte ainda voltou ao Segundo Grupo no ano seguinte, mas em 2003, foi novamente rebaixada para o terceiro grupo. Em 2004, homenageou o centenário do tradicional America Football Club (clube favorito do presidente Tessier), no enredo "America cem anos de paixão"; já em 2005, a no mesmo grupo, a Unidos da Ponte reeditou seu enredo "E eles verão a Deus", de 1983, ano em que a escola desfilou pela primeira vez no desfile principal.
223x223px|thumb|esquerda|Quadra da escola, no bairro de São Mateus.
Em 2006, sob a presidência de Sidnei Carriuolo Antônio, a escola apostou em uma nova reedição, agora no seu enredo de 1992, "Da Cor do Pecado", que lhe rendera o acesso ao Especial de 1993. Mas, ao contrário do sucesso de 14 anos antes, a Unidos da Ponte enfrentou diversos problemas em seu desfile, com pouquíssimas alegorias e alas e seus componentes atrasados, amargando assim a última posição no Grupo B, sendo assim rebaixada para o Grupo C.
Depois dessa queda, Édson Tessier retornou ao comando da escola. Naquela época, estava sediada já no município do Rio de janeiro, no bairro da Pavuna. Édson Tessier levou a sede da escola novamente para bairro de origem. Em 2007, obteve a quarta colocação.
Em 2010, apresentou o enredo sobre a história do fotógrafo Augusto Malta, terminando na 9º colocação.
No ano de 2011, a agremiação apostou no enredo Orixás do carnavalesco Ricardo Paulino, uma releitura do enredo de 1973. Nesse ano, não promoveu eliminatória de samba enredo, mas encomendou uma composição aos compositores Grillo, Peniche e Fernandão. Trouxe também novo casal de mestre-sala e porta-bandeira: Diego Oliveira e Stefany, terminando na 11ª colocação.
209x209px|thumb|direita|Alegoria no desfile de 2012. Em 2012, a Ponte reeditou o enredo "Vida que te quero viva", de 1989, efetivando como intérprete, Anderson da Vila.
Em 2013, com novo retorno de Édson Tessier à presidência perdeu 2 pontos em obrigatoriedades. e ainda durante o Carnaval 2013, a escola perdeu sua quadra, no bairro de São Mateus. tendo que fazer ensaio no Social Clube Meriti, aonde também ensaia a Matriz de São João. Após o Carnaval, a Unidos da Ponte voltou a ter uma mulher como presidente, com a eleição de Dayse Martins. Uma vez eleita, a nova presidente anunciou a contratação do intérprete Lico Monteiro, que estava na Caprichosos. Meses depois, no entanto, Dayse foi substituída na presidência pelo compositor da Beija-Flor, Serginho Aguiar. Serginho que Juntamente com Marcelo Gonçalves não permitiram que a escola enrolasse seu pavilhão e envestiram pesado nessa recuperação. No centro de São João de Meriti, no coração da cidade, passaram ensaiar no antigo cinema, onde recomeçaram o processo de revitalização da agremiação. miniaturadaimagem|248x248px|Unidos da Ponte em 2014, desfilando na Estrada Intendente Magalhães A apresentação da nova equipe, além do novo presidente e enredo foi no dia 23 de Setembro de 2013, no Centro Cultural Meritiense. Em 14 de Dezembro realizou a sua escolha de samba-enredo, com a apresentação da rainha e princesa da bateria.
No ano de 2014, o enredo desenvolvido pelos carnavalescos Petterson Alves e Ricardo Paulino foi “Minha história é você, nossa paixão por ti: São João de Meriti”. A escola ficou com a 10ª posição, o ano marcou a volta da escola à sua quadra tradicional, no bairro de São Mateus, trabalho realizado pelo presidente de Honra Marcelo Gonçalves e Serginho Aguiar, que implementaram a reforma estrutural da quadra e recuperação da auto-estima da comunidade, trazendo de volta a comunidade que por anos estava afastada. Ainda em 2014, assume a vice-presidência da escola o compositor Tião Pinheiro, atendendo o convite feito pelo presidente. A partir daí, foi implementado um conjunto de ações sociais que culminou na reaproximação da escola com a comunidade local. Destaque para a oficina de percussão, grupo de dança reginal e formação de ritmistas, além da compra de novos instrumentos para bateria. Simbolizando essa retomada, no mesmo ano a escola homenageia seu padroeiro com o enredo “O Rei da Mata pede passagem - São Sebastião, nosso Padroeiro. Da Ponte e do Rio de Janeiro”. Tião Pinheiro lançou como coreógrafo da comissão de frente o ator, dançarino, diretor e produtor Jan Oliveira e investiu recursos na realização daquele desfile por ser devoto de São Sebastião.
Após o carnaval, o presidente Serginho Aguiar deixou o comando da escola e Gustavo Barros assumiu a presidência. Com Tião Pinheiro na vice-presidência, Gustavo e a nova diretoria promoveram diversas mudanças nos segmentos.
Em 2016 a Unidos da Ponte desfilou com o enredo "Africanidades: Do continente negro à pequena África... Nossa identidade cultural", obtendo o 9° lugar.
Para o carnaval de 2017, a escola renovou com seu intérprete Lico Monteiro e com seu carnavalesco André Wonder, que desenvolveu o enredo "Roberto Ribeiro, O Menino Rei". Foi uma homenagem o cantor e compositor no vigésimo aniversário de morte.
Em 2018, com o enredo “Romance de Xangô: A dança do fogo” de autoria do carnavalesco Lucas Milato, de apenas 21 anos, a escola sagrou-se campeã da Série B, garantindo assim seu retorno a Série A e a Marquês de Sapucaí depois de um jejum que durou 12 anos.
Para o carnaval de 2019, que marcou seu retorno a Sapucaí, a Unidos da Ponte optou por reeditar o enredo "Oferendas", apresentado originalmente pela escola em 1984. O desenvolvimento ficou a cargo da dupla de jovens carnavalescos Guilherme Diniz e Rodrigo Marques. Apesar de sofrer com o forte temporal que castigou a cidade do Rio de Janeiro no início da noite da sexta-feira de carnaval, a Ponte conseguiu a permanência na Série A, obtendo o 10° lugar. esquerda|miniaturadaimagem|267x267px|Desfile da Unidos da Ponte em 2020, na Marquês de Sapucaí Para o carnaval de 2020, a Ponte reforça sua equipe e repatria o carnavalesco Lucas Milato, que desenvolveu um enredo que abordava a relação da humanidade com a eternidade. Na apuração, a azul e branca termina com o 12° lugar.
Em 2021, ano marcado pelo cancelamento dos desfiles em razão da pandemia do novo coronavírus, marcou a volta do presidente Gustavo Barros e o presidente de honra Marcelo Gonçalves, além dos vice-presidentes Tião Pinheiro e Burunga. Para o carnaval de 2022, apresentou uma homenagem à Santa Dulce, ficando com o 11° lugar.
Após o resultado de 2022, Gustavo Barros foi substituído por Rosemberg Azevedo na presidência. Tião Pinheiro e Burunga permaneceram como vice-presidentes. Toda a diretoria da Unidos da Ponte foi trocada pelo novo comando. A dupla de carnavalescos Guilherme Diniz e Rodrigo Marques foi mantida.
Para o carnaval 2023, a escola levou para a Sapucaí o enredo Liberte Nosso Sagrado: O Legado Ancestral de Mãe Meninazinha de Oxum, onde conta a saga contra o racismo religioso da respeitada yalorixá, que é uma das mais importantes do Brasil. O enredo celebra, também, a ligação da mãe de santo com a cidade de São João do Meriti, sede da agremiação. Após a apuração, a escola ficou na 11ª posição, repetindo o resultado do ano anterior.
Objetivando alcançar melhor resultado em 2024, a Unidos da Ponte passou por completa reestruturação: Tião Pinheiro assumiu a presidência, substituindo Rosemberg Azevedo. Burunga foi mantido como vice. Além das renovações com intérprete, mestre de bateria e primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, a escola contratou o carnavalesco Renato Esteves e a coreógrafa da comissão de frente Deia Rocha. Levando para a Marquês de Sapucaí o enredo “Tendendém – O axé do epô pupá”, que conta a saga do dendê desde a sua origem mítica em terras africanas e chegando no Brasil através da diáspora. No julgamento oficial do carnaval da Série Ouro, a Ponte ficou empatada na nona posição com. Unidos de Bangu Academicos de Vigário Geral, mas foi posicionada em décimo-primeiro lugar no quesito de desempate. Com isso, alcançou seu melhor desempenho na Série Ouro desde a ascensão. Após o desfile, e em razão do êxito do trabalho, o carnavalesco Renato Esteves e o intérprete Kleber Simpatia se transferiram para o Império Serrano. Branco Ribeiro deixou o posto de mestre de bateria após 2 anos e se transferiu para a Botafogo Samba Clube.
2025: "Antropoceno" miniaturadaimagem|278x278px|Desfile da Unidos da Ponte em 2025